domingo, 1 de março de 2009

A fé dos cientistas

Entre todos os tipos de conhecimentos possíveis, dois - o científico e o teológico - parecem, muitas vezes, incapazes de conviverem. Afinal, quando se tem que escolher entre as teorias do Criacionismo (Deus criou o homem) ou do Evolucionismo (Segundo Darwin, nossos ancestrais foram primatas) para explicar "o começo de tudo", por exemplo, não há como ficar no meio termo.
Mas, se às vezes não é possível conciliar os dois, em outras...Leiam o texto do físico Marcelo Gleiser para entenderem o que estou falando:

Ciência e Espiritualidade

Nestes tempos "pré-milenares", em que tudo se transforma tão rapidamente, o apetite das pessoas por verdades e certezas mais permanentes vem atingindo níveis jamais vistos ou mesmo previstos. O acesso fácil aos computadores e às telecomunicações criou uma aldeia global, onde a troca de informação entre diferentes culturas e pessoas do mundo é mais fácil e barata do que em qualquer outro período da história humana. Esse excesso de informação, ao mesmo tempo inspirador e aterrorizador, causa muita confusão e estresse na cabeça das pessoas. A tecnologia é muitas vezes percebida como uma espécie de monstro, capaz de curas milagrosas e de viagens interplanetárias, mas também de produzir armas que poderiam aniquilar a vida na Terra. Inevitavelmente, surgem teorias de conspirações clandestinas e o governo (em muitos casos, merecidamente!) perde a sua credibilidade, enquanto uma intolerância generalizada ameaça polarizar ainda mais a sociedade. O resultado é uma sensação de pânico e abandono avidamente explorada por oportunistas que se apresentam como a única alternativa em um "mundo louco". Com isso, observamos a proliferação de seitas da "Nova Era", de várias superstições (gnomos, anjos, fadas e outras criaturas fantásticas) e de pregadores da "verdade". Observamos também o crescimento do desprezo pela ciência e pelo que ela tem a dizer sobre o mundo.
A ciência é considerada a antítese da espiritualidade, uma atividade fria e manipuladora, dedicada a tirar Deus das pessoas. Ou as pessoas de Deus. Acredito que essa concepção completamente errônea do que é a ciência e de como ela funciona seja a responsável por sua impopularidade, descontados os fãs, claro. Parte da culpa pertence, sem dúvida, à comunidade científica; historicamente, poucos cientistas dedicaram parte de seu tempo à divulgação, ao público, de suas idéias e descobertas. Essa situação está gradualmente se transformando, mas muito ainda precisa ser feito, especialmente nos meios de comunicação de maior penetração, como a televisão ou o cinema. O que ainda vemos, na maior parte desses veículos, depende do sensacionalismo barato e de distorções da imagem do cientista ou de seu trabalho. Como, então, podemos reconciliar a ciência com o grande público, fazendo com que sua divulgação não traga, necessariamente, sua distorção?
Vários livros de divulgação científica tiveram sucesso por revelar uma conexão entre ciência e espiritualidade, como "O Tao da Física", de Fritjof Capra. A julgar por esses livros, a resposta deve revolver em torno de uma reconciliação entre ciência e espiritualidade. Infelizmente, não creio que o caminho usado por esses autores revele a espiritualidade da ciência de forma correta; não creio que a ciência esteja simplesmente redescobrindo "verdades" descobertas através da meditação ou de uma conexão mística com o mundo, como nas religiões orientais. A espiritualidade da ciência não é encontrada através de comparações entre suas descobertas e as práticas e ensinamentos de diversas religiões. Ela é encontrada na paixão com que os cientistas devotam toda uma vida na tentativa de desvendar os mistérios do mundo à sua volta. Ela é encontrada no próprio ato criativo, aquele momento de autotranscendência que desafia qualquer explicação racional. Ela é encontrada em sua humanidade e na poesia que revela. Enquanto a ciência tenta entender o "como", deixando de lado o "porquê", a religião aceita o "porquê" baseada na fé, pouco se preocupando com o "como". Certas questões são exclusivas da ciência, enquanto outras pertencem somente à religião. O fundamental é saber discernir os limites de ambas, suas diferentes missões e o simples fato de elas serem necessárias para a nossa existência.

8 comentários:

  1. No que falta explicação, é muito recomendável a fé. O imponderável cria o imaginoso, o fantástico. E isso dá literatura, então eu gosto disso. Só lamento o fanatismo e a fé de convenção. Porque isso não dá boa literatura, dá é muita irritação.

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  2. Outro cara conseguiu conciliar esses dois tipos de conhecimento. O nome dele é John Carpenter, com o filme "Príncipe das Sombras".

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  3. Acredito que é essencial o diálogo entre fé e ciência! São ideias que se relacionam entre si! A vida desprovida de fé, a meu ver, é inútil... porém ignorar a ciência, denota total atraso...
    Abraços

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  4. Desde que o assuntou foi comentado em sala tenho lido textos relacionados. Esse fim negritado, que precisamos das duas, fala tudo. Afinal, o que uma não explica, a outra explica.

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  5. Anderson, concordo plenamente com você!

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  6. Diego,
    Assim que conseguir uma cópia, vou assistir ao "Príncipe das Sombras". Mas depois você me reserva um tempinho para um bate-papo porque quero ouvir suas análises (das quais gosto muito).

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  7. Diuân e Tamyres,
    Espero muito que este e os outros textos sobre o assunto possam ajudá-los, ainda mais, na conquista de novos horizontes...

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  8. Tudo que pedirdes em oração, crendo recebereis. Eis aqui os fundamentos da Teologia Quântica, a teologia para o terceiro milênio.
    A ESPIRITUALIDADE PLENA DE LUZ


    A espiritualidade é uma manifestação da realidade espiritual do ser humano. A consciência espiritual começou a despertar na mente humana , já no homem de Neandertal, que enterrava seus mortos com reverência e algum ritual, por acreditar na continuação da vida espiritual.
    Por paradoxal que pareça, para entendermos a espiritualidade humana é bom seguirmos os passos do progresso da ciência, que reduzindo a matéria nos seus elementos chegou à anti-matéria ou vácuo quântico, substância escura , sem massa que pervade mais de 90% do cosmo observável.É o fundo imóvel de energias em equilíbrio que quando vibra cria matéria e consciência cognitiva, é a causa em potência que se transforma em ato. "Aristóteles".
    Todo o universo material, inclusive o homem, provem de um processo organizacional ascendente, da não matéria para partículas, átomos, moléculas, e células neurais.... Portanto podemos identificar essa não matéria como um oceano espiritual no qual estamos submersos e em contato permanente, célula por célula.
    Interagimos constantemente com esse "Uno" espiritual através da nossa mente nos seus três níveis de consciência: espiritual, emocional e racional.
    O nível racional ou consciente é o mais recente desenvolvimento dos humanos, tem sua estrutura neural no córtex cerebral com conexões em série, o pensamento é processado por ondas cerebrais que são interpretadas pelo nível espiritual.
    O nível emocional ou inconsciente, instintivo nos animais, é inerente à vida em todas as suas formas, nos ser humano suas conexões neurais estão por todo o sistema nervoso em redes paralelas, seus registros são processados por ondas cerebrais que também são interpretados pelo nível espiritual.
    O nível espiritual ou super-consciente é a essência do programa do ser que precede a existência, no ser humano a consciência espiritual atua na base cerebral com uma onda de 200Hz (descoberta recente) que faz a leitura das ondas do consciente e inconsciente e devolve informação com inteligência, emoção e consciência, portanto a consciência inteligível e emocional é processada no cérebro e interpretada pelo espírito.
    Com o entendimento da ciência do ser espiritual, torna-se compreensível o poder da oração e da meditação, pois ambas requerem a focalização do pensamento em algum propósito, e as ondas do pensamento não precisam ganhar as alturas para chegar até Deus, pois o seu espírito está em contato conosco, célula por célula. "Vale lembrar o que foi dito hà dois milênios: "O reino de Deus está dentro de vós" ou "Deus é espírito, e importa que os que o adoram, o adorem em espírito e em verdade" ou " A verdade vos libertará".
    Até agora o que foi conseguido em termos de saúde, alegria e paz de espírito por poucos pela fé, poderá ser alcançado por muitos pelo entendimento. Santo Agostinho escreveu: "Compreender para crer, crer para compreender", porque ele acreditava que não só o credo, mas também a razão aproxima o homem de Deus.
    E assim a aventura humana vai chegando ao seu topo com mais compreensão e consciência espiritual.
    Ivo da Silva Bitencourt 03/120/2008

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