terça-feira, 31 de março de 2009

Congresso discute cultura e jornalismo no Tuca

Refletir sobre o pensamento contemporâneo, as várias identidades culturais e o espaço nos veículos de imprensa para a difusão dessa diversidade. É com esse objetivo que profissionais do meio acadêmico e do jornalismo cultural se reúnem entre 4 e 8/5, no Tuca, durante o 1º Congresso de Jornalismo Cultural.
A programação inclui palestras sobre temas pertinentes aos diversos segmentos da cultura como crítica musical, literatura, cinema, televisão, internet, teatro e ciências humanas. Serão abordadas também as perspectivas futuras desta especialidade jornalística, o debate entre discurso literário e discurso jornalístico, o desenvolvimento da linguagem, pauta, edição e a formação do jornalista cultural no Brasil.
O evento, promovido pela Revista Cult e pelo Espaço Revista Cult com o apoio da PUC-SP e de outras universidades e instituições, inclui ainda apresentações artísticas.
Maiores detalhes podem ser obtidos no site da PUC-SP: www.puscsp.br

Nestas horas é que dá uma tristeza morar tão longe, não é mesmo?

segunda-feira, 30 de março de 2009

Obrigatoriedade do diploma de jornalista. Julgamento será no dia 1o. de abril

A data não é nada propícia: 1o. de abril. Este é o "dia da mentira".
Mas tomara que vença a verdade.
E a verdade é que somente nos bancos escolares o aspirante a jornalista consegue entender que não basta mais ter bagagem cultural, saber escrever bem e ser curioso para pleitear um cargo na profissão. Precisa ter mais.
Precisa ter ética, principalmente. Precisa entender que a profissão é um ato de bravura contra o senso comum. Precisa reconhecer nossa responsabilidade social. Mas, acima de tudo, precisa aprender que mesmo trabalhando em empresas capitalistas é possível atender o mercado e o público com notícias informativas, sem sensacionalismo, ajudando a construir uma sociedade mais justa para todos.
Conheçam detalhes do processo em uma colaboração do prof. Ms. Maurício de Carvalho Salviano (operariododireito.blogspot.com).
E fica a pergunta: o que cada um de vocês fará até o dia 1o. de abril para marcar posição nesta luta?


RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nr. 511961

ORIGEM: SP
RELATOR: MIN. GILMAR MENDES
REDATOR PARA ACORDAO:

RECTE.(S): SINDICATO DAS EMPRESAS DE RÁDIO E TELEVISÃO NO ESTADO DE SÃO PAULO - SERTESP
ADV.(A/S): RONDON AKIO YAMADA
RECTE.(S): MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
RECDO.(A/S): UNIÃO
ADV.(A/S): ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO
RECDO.(A/S): FENAJ- FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS
ADV.(A/S): JOÃO ROBERTO EGYDIO PIZA FONTES

PAUTA TEMÁTICA

PAUTA: P.15 "DIREITOS FUNDAMENTAIS
TEMA: "LIBERDADES
SUB-TEMA: "LIVRE EXERCÍCIO DE PROFISSÃO/LIVRE INICIATIVA
OUTRAS INFORMACOES: - Data agendada: 01/04/2009

TEMA DO PROCESSO

1. TEMA.

1. Trata-se de recurso extraordinário em face de acórdão que, em sede de apelação, reformou decisão que deu parcial provimento a ação civil pública visando a dispensa do registro e da inscrição, junto ao Ministério do Trabalho, para o “exercício da profissão de jornalista, a não fiscalização desta profissão por profissionais sem curso universitário de jornalismo, a declaração da nulidade dos autos de infração lavrados, a imposição de multa para cada auto de infração expedido após a antecipação dos efeitos da tutela, a reparação dos danos morais coletivos causados, dentre outros aspectos”.

2. Entendeu o acórdão recorrido que “o Decreto-Lei nº 972/69, com suas sucessivas alterações e regulamentos, foi recepcionado pela nova ordem constitucional. Inexistência de ofensa às garantias constitucionais de liberdade de trabalho, liberdade de expressão e manifestação de pensamento. Liberdade de informação garantida, bem como garantido o acesso à informação. Inexistência de ofensa ou incompatibilidade com a Convenção Americana Sobre Direitos Humanos”. Afirmou, ainda, que “O inciso XIII do art. 5º da Constituição Federal de 1988 atribuiu ao legislador ordinário a regulamentação da exigência de qualificação para o exercício de determinadas profissões de interesse e relevância pública e social, dentre as quais, notoriamente, se enquadra a de jornalista, ante os reflexos que seu exercício traz à Nação, ao indivíduo e à coletividade”.

3. Sustentam os recorrentes ofensa ao art. 5º, IX e XIII, e art. 220 da CF/88, bem como a não recepção do Decreto-Lei nº 972/69.

TESE

JORNALISTA. REQUISITOS PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO. ART. 5º, IX E XIII E ART 220 DA CF/88. NÃO RECEPÇÃO DO DECRETO-LEI Nº 972/69.

Saber se é constitucional a exigência de registro e inscrição, junto ao Ministério do Trabalho, para o exercício da profissão de jornalista

Saber se a decisão recorrida ofende o art. 5º, IX e XIII e art. 220 da CF/88.

Saber se o Decreto-Lei nº 972/69 foi recepcionado pela Constituição.

2. PGR.

Pelo provimento dos recursos.

3. INFORMAÇÕES.

Processo incluído em pauta em 25/04/2008.

Entendendo a crise: Curso para jornalistas

Quando o jornalista Luís Nassif abordou a crise financeira mundial (que estava se anunciando) em evento da UDOP, em Araçatuba, no final do ano passado, suas palavras me atingiram profundamente. A visão dele de que ela viria em ondas - como tsunamis - começando nos países mais ricos, mas arrasando os países mais pobres, está se confirmando (não é à toa que ele é um dos nomes mais respeitados dentro do jornalismo econômico do país).
Há poucos dias, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi o entrevistado do programa Roda Viva, da TV Cultura. Toda sua bagagem cultural serviu para explicar historicamente, sociologicamente e economicamente que os otimistas ainda não despertaram para o problema, e quanto mais tarde o fizerem, pior será para todos.
O assunto é tão grave que na PUC-SP vai merecer tratamento especial. Haverá um curso voltado aos jornalistas só para que eles entendam a gravidade da crise. Veja:


O Departamento de Jornalismo da PUC-SP, a Escola Nacional Florestan Fernandes e o Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae (Cepis) promovem curso sobre a Crise do capitalismo, entre os meses de abril e maio. As aulas acontecem no auditório do Instituto Sedes Sapientiae (rua Ministro Godoy, 1.484).
As inscrições devem ser feitas até 24/4. O valor do curso é de R$ 200 (que poderá ser pago em 2x via depósito, ou em 4x em cheque ou cartão de crédito Mastercard ou Visa). Cada inscrito receberá gratuitamente uma assinatura ou renovação anual do jornal Brasil de Fato. Será emitido certificado de 20 horas de atividade para os participantes.

Veja abaixo a programação do curso. Informações: (11) 3104-6746, cursosbrasildefato@gmail.com ou http://cursosbrasildefato.blogspot.com.
Apoio: jornal Brasil de Fato e editora Expressão Popular.

Programação
29/4, às 19h
O referencial teórico para compreender a crise
Sergio Lessa (UFAL)

6/5, às 19h
As Crises do Capitalismo
Márcio Pochmann (IPEA)

13/5, às 19h
A Crise e os Trabalhadores
Ricardo Antunes (Unicamp)

20/5, às 19h
Estado, poder e mídia na Crise do Capitalismo
Virginia Fontes (UFF)
Fabio Konder Comparato (USP)
José Arbex Jr. (PUC-SP)

27/5, às 19h
Desafios dos trabalhadores diante da Crise
João Pedro Stedile (MST)

Fonte: www.pucsp.br

domingo, 29 de março de 2009

Eleita nova diretoria do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) elegeu na quinta-feira (dia 26 de março), sua nova diretoria para o triênio 2009/2012. A chapa 1, de Guto Camargo (José Augusto de Oliveira Camargo), atual presidente, foi a campeã com 613 votos. A chapa 2, ligada à oposição que era liderada por Pedro Pomar, obteve 515 votos.

Para Sergio Murillo, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), presente durante a apuração dos votos, a vitória dá impulso ao desenvolvimento da categoria. "Teremos agora a defesa pelo diploma de Jornalismo, que será votado no STF".

O presidente reeleito, que não é formado, ressaltou que na atual realidade do mercado a graduação se torna um diferencial e capacitador de mão-de-obra."Quando iniciei nas redações, as empresas funcionavam como uma escola. Aprendia-se o jornalismo na prática. Hoje, pela necessidade do mercado, as empresas não podem mais fazer esse papel. Elas querem apenas profissionais já capacitados. A escola torna-se hoje o aprendizado".

A nova gestão começa no mês que vem com renovação de 60% do quadro diretor. Ela terá como objetivo aproximar profissionais de redação e acadêmicos das atividades jornalísticas. Segundo Camargo, o sindicato deve promover o elo entre a teoria e a prática, com a realização de palestras, eventos com profissionais renomados na área e círculos de debates.

Com informações do Portal Imprensa

sábado, 28 de março de 2009

Jornalismo público virou privado

Uma corrente de estudiosos define como sendo jornalismo público toda atividade jornalística que serve aos poderes públicos como o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Dentro deste conceito, a publicação oficial do TCM - Tribunal de Contas do Município encaixaria-se como veículo de comunicação público.
Pois bem, foi neste diário oficial que os conselheiros do TCM de São Paulo bajularam a filha do conselheiro Maurício Faria. Ela foi aprovada em primeiro lugar no vestibular para a Faculdade de Direito da USP - Universidade de São Paulo. Junto com o texto foram publicados gráficos com quadros do desempenho na Fuvest e a foto da caloura Gabriela Lopes Pinto. Não bastasse, o vice-presidente do TCM, Eurípedes Sales, defendeu a publicação: "Que esta página do Diário Oficial sirva de alavanca para a Gabriela no desempenho de sua vida futura".
Não é preciso ser cientista político para saber que a publicação oficial foi usada dentro da velha tradição deste pais de se confundir o público com o privado. Como diria o colega Bóris Casoy: "É uma vergonha!"

Imprensa britânica condena declaração de Lula


A imprensa britânica deu destaque ontem, dia 27 de março, à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise financeira mundial teria sido causada por "gente branca de olhos azuis". A declaração foi feita na quinta-feira, dia 26, ao premiê britânico Gordon Brown, que estava em Brasília para alinhavar um acordo internacional que beneficiaria o Brasil na reunião do G20, grupo que reúne representantes dos países ricos e dos principais emergentes. Segundo os veículos de comunicação da Inglaterra, o premiê se sentiu "constrangido" e pode não anunciar uma proposta de injeção de 100 bilhões de libras (326 bilhões de reais) de financiamento para impulsionar o comércio mundial. Precisa comentar?

quinta-feira, 26 de março de 2009

Lançamento: documentário sobre Inezita Barroso é feito por alunos de Jornalismo

Ter feito mestrado na PUC-SP foi um privilégio. Todas as semanas, além das aulas maravilhosas, com professores fascinantes, eu podia vivenciar um ambiente universitário que mais parece um caldeirão de conhecimento em ebulição. Foram semanas de cinema (brasileiro, francês, indiano, japonês...), exposições fotográficas de temas variados (violência, miséria, outono, futebol, monumentos...), exposições de artes (pintura, escultura, xilogravura...), exposições temáticas (Brasil, África, Angola, negros, mulheres...), apresentações musicais (piano, coral, bateria de escola de samba), feiras de livro, de artesanato, de comidas típicas, enfim...coisas que vão deixar saudades.
Entre elas, também está o hábito de chegar e ler o jornal mural colado nas paredes de todos os andares com as notícias mais importantes da semana na PUC, e assistir a programação da TV PUC, disponibilizada até nos elevadores. Não é de admirar que estes alunos também estejam engajados em projetos como o documentário sobre Inezita Barroso. Leiam abaixo:



Inezita Barroso – a voz e a viola



Hoje, dia 26 de março, a ECA-USP e a TV Cultura promovem o lançamento do documentário Inezita Barroso – a voz e a viola, a partir das 14h, no Teatro Laboratório da ECA-USP. O documentário envolveu estudantes dos cursos de Jornalismo e Superior do Audiovisual da USP. A produção do filme, coordenada pelo professor Renato Levi (Depto. Comunicação Jornalística), contou com a colaboração de alunos da PUC-SP e da TV PUC – a editora do filme é Thais Cortez, aluna de Jornalismo da PUC-SP.
Inezita Barroso – a voz e a viola retrata os 84 anos de vida da cantora e seus 55 anos como profissional de rádio, cinema e televisão. Com depoimentos de Paulo Vanzolini, Renato Consorte e Paulo Autran, amigos desde a juventude, e de colegas de trabalho como Ruth de Souza e Tônia Carrero, o documentário mostra o quanto o talento de Inezita vai muito além da moda de viola.

Inezita Barroso – a voz e a viola
Um filme de: Guilherme Alpendre, Renato Levi, Juliana Knobel, Gisele Lobato, Natália Guerrero,Vinicius Furuie e Thais Cortez.
Direção: Guilherme Alpendre
Produção Executiva: Renato Levi
Fotografia: Juliana Knobel
Produção: Gisele Lobato
Pesquisa: Natália Guerrero, Vinicius Furuie
Edição: Thais Cortez e Rafael Larangeira
Com a colaboração de: Emerson Kimura, Thiago André e Thiago Scarelli
Fotografia adicional: Thiago André, Renato Levi, Eduardo Piagge, Gustavo Brandão, Alexandre Moreira e Vinicius Furuie.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Vamos ao teatro discutir jornalismo

Teatro é sempre bom. Quando tem qualidade e é de graça, fica melhor ainda. Assim são as peças do Sesi. Desde que me mudei para Araçatuba, em 2006, sou frequentadora assídua do teatro do Sesi em Birigui. O lugar é agradável, a organização é impecável e as peças são sempre muito boas, por isso recomendo. Neste final de semana, a indicação tem mais peso porque o assunto é jornalismo. Programe-se, agende-se e bom divertimento (com conhecimento).


A PEÇA O REI DOS URUBUS

A tragicomédia da Cia. dos Gansos questiona o papel da imprensa e revela o caráter deturpado dos protagonistas envolvidos em sórdidas e mesquinhas disputas de poder. As sessões serão realizadas neste sábado (28/03), às 20 horas, e no domingo (29/03), às 16 e 20 horas. A entrada é franca.

Com texto de Leonardo Cortez e direção de Marcelo Lazzaratto, a tragicomédia retrata os bastidores de um programa de TV sensacionalista exibido por uma emissora popular e decadente. Ao mesmo tempo em que questiona o papel da imprensa, o texto revela o caráter deturpado dos protagonistas envolvidos em sórdidas e mesquinhas disputas de poder numa sucessão de situações-limite que colocam o teatro como veículo de discussão da realidade e de fomento à reflexão.

SERVIÇO:

Espetáculo: O Rei dos Urubus

Datas e horários: dias 28 (sábado), às 20 horas, e 29 (domingo), às 16 e 20 horas.

Gênero: tragicomédia

Recomendação etária: Não recomendado para menores de 14 anos.

Local: SESI Birigui – Av. José Agostinho Rossi, 620 - Pq. Pinheiro.

Capacidade: 210 lugares

Informações: (18) 3642-4346

Entrada: Franca – retirar ingressos com uma hora de antecedência.

terça-feira, 24 de março de 2009

Só para rir: Os diferentes ângulos da notícia


A colaboração é da aluna Maria Cecília Egreja. Inteligente e de bem com a vida, ela divide, conosco, seu bom humor. O texto é de autoria desconhecida e ela recebeu, por e-mail, de amigos.
Eu mesma já usei este texto em sala de aula com algumas turmas justamente para demonstrar, de forma cômica, alguns processos de angulação, enquadramento e linha editorial dos veículos de comunicação.
Ainda sobre este mesmo tema, há um filme infantil recente ("Deu a louca na Chapeuzinho") que demonstra as várias versões desta mesma história e que vale a pena ser visto.
Divirtam-se, mas também reflitam:


Chapeuzinho Vermelho na imprensa....

JORNAL NACIONAL
(William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem...
(Fátima Bernardes): '... mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia'.

PROGRAMA DA HEBE
(Hebe Camargo): '... que gracinha gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?'

BRASIL URGENTE
(Datena): '... Onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público!
E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não... '

REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.

REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador'.
Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.

O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente.

ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.

AGORA
Sangue e tragédia na casa da vovó

REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: 'Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa'

PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte)
Veja o que só o lobo viu.

REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

REVISTA CARTA CAPITAL
Lobo Mau tinha ligações com FHC e o objetivo era desestabilizar o governo Lula e o PT.

G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador)
Lenhador mostra o machado

SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! mito ou verdade ?

DISCOVERY CHANNEL
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.

ONG vê risco para exercício do jornalismo no Brasil

Diuân é um aluno esforçado, sempre presente, curioso, como todo bom jornalista. É dele a colaboração abaixo que serve de alerta para todos nós. O texto, de Sérgio D´Avila, foi publicado na Folha de S.Paulo de hoje, dia 24 de março de 2009.

O Brasil está entre os 14 lugares mais perigosos do mundo para o exercício da profissão de jornalista, junto de países em guerra, como Iraque e Afeganistão, ou que passam por conflitos civis, caso de Serra Leoa e Somália. A conclusão é do CPJ (Comitê para a Proteção dos Jornalistas), que acaba de divulgar seu levantamento anual.

É o Índice da Impunidade, que elenca os países em que os jornalistas são mortos com regularidade e em que o governo falha ao tentar solucionar os crimes. Em seu segundo ano, traz o Brasil em 13º lugar, à frente da Índia (quanto mais elevada a colocação, piores as condições). Os líderes são Iraque, Serra Leoa, Sri Lanka, Somália e Colômbia.

Para chegar ao ranking, a ONG baseada em Nova York, que defende a liberdade de imprensa no mundo inteiro, divide o número de casos não resolvidos de assassinatos de jornalistas por milhão de habitantes no período de 1999 a 2008. Só entram na lista países com cinco ou mais casos; são considerados não resolvidos os que não resultaram em condenações.

É a estreia do Brasil na lista. "Embora as autoridades brasileiras tenham sido bem-sucedidas em promover ação penal contra alguns assassinos, esses esforços não diminuíram a alta taxa do país de violência mortal contra a imprensa", diz o texto, segundo o qual alguns "jornalistas cobrindo crime, corrupção e política local" encontraram "consequências brutais".

O CPJ afirma que houve cinco assassinatos de jornalistas não resolvidos na última década no Brasil. O relatório cita o de Luiz Carlos Barbon Filho, que em 2003 denunciou um esquema de aliciamento de menores que envolvia vereadores de Porto Ferreira (SP) e foi morto em maio de 2007 num bar da cidade. "Cinco homens, entre eles quatro policiais, estão sendo julgados", diz o CPJ.
Brasil, Colômbia e México são os únicos latino-americanos do ranking, de resto dominado por países do sul da Ásia. Mesmo em zonas de guerra, como Iraque e Afeganistão, é mais provável que o jornalista seja assassinado em decorrência do assunto que cobre no momento que durante combate ou vítima de fogo amigo, diz o comitê.

Palavra de mestre: Entrevista com Pedro Kutney


Pedro foi meu professor de jornalismo impresso no último ano da faculdade em São Paulo. Sob supervisão dele, fui uma das editoras do jornal-laboratório Momento (aos sábados e na madrugada). Foi ele quem orientou o texto que me qualificou para o curso de extensão na Editora Abril. Através dele consegui meu primeiro emprego e depois outros em São Paulo. Mas, depois do Momento, nunca trabalhamos juntos, o que não me permitiu aprender mais. Ele é dono do texto impresso que considero ideal. Além disso, tem capacidade de liderança (por isso tem sido editor há tantos anos) e uma cultura e um senso crítico capazes de fazer uma pessoa ouvi-lo por horas, sem cansar.
No seu currículo já são 23 anos de profissão. Começou aos 22 anos na faculdade em São Paulo. Desde então trabalhou em diversos veículos: três canais de TV, cinco revistas mensais, dois jornais diários e uma agência de notícias dirigida. Isso sem falar nas centenas de free-lancers, que incluem publicações especiais, anuários, house organs e até elaboração e edição de livros.
É bem eclético nos assuntos que, ele diz, nunca escolheu – sempre foi escolhido por eles. Já cobriu esportes, náutica, política, economia, automóveis e indústria automotiva. Mais recentemente, depois de cinco anos no jornal Valor Econômico, e outros dois anos na Agência AutoData, pode-se dizer que se tornou um jornalista especializado em economia, negócios e indústria automotiva, não necessariamente nesta ordem.
Conheça um pouco mais deste meu mestre:


1. Da sua experiência como professor, qual o conselho que você pode dar aos alunos de Jornalismo hoje?
Estamos em plena era do conhecimento. Se para qualquer pessoa a absorção de conhecimento é fundamental na vida, imagine para um jornalista que produz boa parte desse conhecimento. Gosto de lembrar de uma relação de grandeza já levantada por alguns sociólogos e antropólogos: um jornal de domingo hoje carrega mais conhecimento do que um homem podia aprender durante toda sua vida no século 18. Portanto o maior conselho que posso dar a um estudante de Jornalismo é esse: prepare-se muito bem para a profissão, seja um devorador de informações, aprenda, aprenda e aprenda. E quando achar que aprendeu tudo, aprenda mais.

2. A partir de sua experiência em TV, qual é o perfil ideal para o jornalista que deseja trabalhar nesta mídia?
O profissional jornalista de TV, antes de ser um bom escritor, deve ser um ótimo roteirista, pois deve engendrar a história que quer contar com imagens e sons, verbais ou não. É como fazer um minifilme. O jornalismo televisivo tem essa característica adversa dos demais veículos: o texto serve para referendar e reforçar a imagem. Ao contrário do jornalismo impresso, que cria imagens na memória do leitor, na TV a imagem vem antes do texto, ou algumas vezes vem até sem texto algum. Portanto o texto na TV deve ser irmão siamês da imagem, cada palavra deve estar casada em regime de comunhão total de bens com o que se vê. A palavra não pode contrariar a imagem, e vice-versa.

3. Quais a principais barreiras que o jornalista novato encontra nesta área?
Qualquer área do jornalismo hoje tem dois grandes problemas: mercado restrito e falta de qualificação adequada. A primeira barreira está na porta de entrada do mercado, muito estreita para suportar a passagem de milhares de jovens jornalistas que se formam todos os anos. Em muitos casos as redações são hoje 50% menores do que eram há vinte anos. Logo, para entrar na profissão, além de ter certa dose de sorte, é preciso ser muito bom bem antes de ter a oportunidade de aprender tudo que se precisa nessa área. Antes era comum em grandes redações que os mais velhos ensinassem o ofício aos mais novos. Agora os mais velhos nem existem mais dentro das redações e ninguém tem tempo para ensinar aos outros. Assim quebrou-se a corrente de conhecimento que preparava melhor os jornalistas profissionais. A faculdade de jornalismo é importante, defendo a obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional, mas infelizmente não se pode aprender tudo na escola. Por melhor que sejam as instituições de ensino e seus professores, a prática é essencial para aprimorar o que se aprendeu na teoria.

4. Com relação ao impresso, qual o perfil do profissional para este mercado?
Grande capacidade de absorção de informação, faro e persistência para apurar as boas histórias e ótimo texto, desenvoltura em escrever rapidamente e com elegância. No caso das grandes reportagens escritas para jornais, revistas e (por que não?) internet, a principal qualidade do jornalista deve ser a de saber transmitir emoção em seu texto – isso prende a atenção do leitor e torna a informação mais efetiva, melhor lembrada. O escritor Gabriel Garcia Márquez, ganhador do Nobel de literatura e ele mesmo um grande jornalista, sempre disse que “a reportagem é irmã gêmea do romance”. E qual a maior qualidade dos grandes romancistas? Saber transmitir emoção.

5. Como editor de revistas e jornais diários, quais foram as principais carências que você verificou nos recém-formados?
Existem sim recém-formados que chegam nas redações quase prontos para uso. Mas infelizmente isso é raro. A maior das carências é a falta de informação – muitos recém-formados chegam a uma redação sem saber quem são os principais líderes do mundo, o que falam, o que defendem; tem gente que desconhece completamente a geopolítica do mundo. O pouco conhecimento da língua é outro problema, pois gera textos pobres e cheios de erros. Essa falta de habilidade e desinformação também causam deficiência de raciocínio: muitos recém-formados não conseguem se fazer entender no texto, não há fluidez, com começo, meio e fim, as ideias ficam embaralhadas, a compreensão fica prejudicada. E o lugar para se resolver essas carências é na faculdade – ou até antes disso. Infelizmente quem chega às portas do mercado de trabalho com essas deficiências tem pouca ou nenhuma chance de ser aproveitado, pois como já disse, hoje ninguém tem mais tempo para ensinar aos outros dentro das redações.

5. Recentemente você trabalhou em uma agência de notícias. Como o aluno deve se preparar melhor para este mercado de trabalho?
Nada muito diferente do que já disse aqui. Conhecimento amplo, perspicácia, perseverança e bom texto são qualidades que se exige de qualquer jornalista em qualquer veículo de comunicação. Em uma agência de notícia a rapidez deve-se juntar a essas qualidades. No caso do noticiário de agências e internet é muito valorizado ser o primeiro a publicar a informação. – não estou falando aqui de reportagens maiores e melhor elaboradas. No caso da internet, o profissional também deve ter visão multimídia, pois a tecnologia permite a oferta de textos, imagens e filmagens em um só veículo, além de também permitir referências por meio de links.

6. Por fim, como está o mercado de trabalho em São Paulo? O que é real e o que é ilusão?
A realidade é dura. Só para exemplificar o descompasso: quando eu me formei, em 1986, existiam em São Paulo não mais do que cinco faculdades de jornalismo e as redações, de maneira geral, eram bem maiores do que são atualmente. Hoje há mais de vinte cursos e nos veículos de comunicação o espaço para jornalistas foi drasticamente reduzido. Assim emprego com carteira assinada virou artigo extremamente raro. De fato, existe mais trabalho do que emprego. Conheço muitos profissionais, inclusive eu, que hoje vivem de trabalhos free-lancer. Mais do que nunca, o jornalista está se tornando um profissional liberal, autônomo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Tico-Tico, por Juliana Siqueira


O texto que segue é colaboração da acadêmica Juliana Siqueira, estudante do 7o. semetre de Jornalismo do Centro Universitário Toledo de Araçatuba, pessoa com quem tenho o privilégio de conviver e aprender todas as semanas. Depois da nossa aula sobre jornalismo infantil, ela realizou a pesquisa sobre a primeira publicação impressa do gênero e preparou um powerpoint especial, do qual reproduzo parte. Obrigada Juliana, pela pesquisa, mas em especial pelo interesse.

No dia 11 de outubro de 1905, foi publicada no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro (RJ), a primeira revista brasileira de quadrinhos para crianças.

Iniciava-se o século XX com um novo regime político, a República, e inúmeros acontecimentos brasileiros mereciam as manchetes mundiais. Porém, até aquela data, não existia nenhuma revista infantil, editada no Brasil, e os livros destinados a esse público ainda eram importados de Portugal.

Anteriormente, em 1898, circulara no Brasil, o Jornal da Infância, uma pequena revista semanal de oito páginas, impressas em preto e branco, contendo lendas, crônicas e poesias. Sua publicação ficou restrita a 20 números. A revista O Tico-Tico veio sete anos depois, e com uma proposta diferente: vinha para durar.

O seu sucesso deveu-se a uma razão simples: a revista despertou, nas crianças, o hábito da leitura. E vale salientar que, na época, a população brasileira era de aproximadamente 70% por cento analfabeta.

A tiragem inicial de 10.000 exemplares foi aumentada para 25.000, tornando-se a revista, referência cultural no País. Ela teve importante participação no combate ao analfabetismo, ao alcoolismo, e na implantação do escotismo no Brasil.

O conteúdo era variado. Tinha uma seção - “Gaiola do Tico-Tico” - na qual os leitores enviavam suas fotos e apareciam na revista. Era o sonho das famílias da época, ver o rosto de algum ente querido nas páginas da revista. Essa seção durou de 1906 a 1920.

Outra seção bastante famosa foi “Correspondência do Dr. Sabe-tudo”, que durou 38 anos, de 1910 a 1948, e respondia a questões variadas, formuladas pelos leitores.

Havia seções de jogos, contos e passatempos.

Na seção “Teatro de Algibeira”, a revista trazia peças teatrais, com palcos que poderiam ser recortados e agrupados em seqüências diferentes, nas quais os leitores encenavam.

Fazia parte do conteúdo da revista: poesias, partituras e letras musicais.

Em 1911, a primeira obra de Sérgio Buarque de Hollanda estreou na revista, não como um texto, mas, sim, com a partitura de uma valsa, denominada Vitória-régia, que havia sido composta aos nove anos de idade dele.

Durante o período em que circulou, O Tico-Tico arrebatou leitores, como Olavo Bilac, Rui Barbosa, Tristão de Athayde, Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues, Lygia Fagundes Telles, Ziraldo, José Midlin, entre outros.

Jornalismo impresso infantil: Tico-Tico, a primeira revista


Tratamos, há pouco, neste espaço, sobre o jornalismo infantil, especialidade ainda incipiente no Brasil, com brechas preocupantes e um filão inexplorado. É, certamente, uma parte do jornalismo que merece um projeto especial porque pode ser responsável pelo auxílio à educação das crianças, como foi a revista Tico-Tico no século passado. Eis pouquinho da sua história contada pela jornalista e escritora Sandra Pina em um ensaio para o jornal Terceiro Tempo, do Rio de Janeiro.


Quadrinhos: Um centenário juvenil


O começo
A revista O Tico-Tico foi lançada em outubro de 1905 a partir de um projeto desenvolvido pelo jornalista e cartunista Renato de Castro, juntamente com o poeta Cardoso Júnior e com o professor e também jornalista Manuel Bonfim. O grupo apresentou a proposta da revista a Luis Bartolomeu de Souza e Silva, dono do jornal Sociedade O Malho, que, além de receber a proposta com entusiasmo, ajudou a formatá-la, usando como inspiração as publicações européias do gênero. Em especial, a revista francesa La Semaine de Suzette, que entrara em circulação em fevereiro do mesmo ano.
Desde o início, a revista se caracterizou pela variedade de seções e informações que trazia dentro de suas páginas, dando conta de diversos aspectos da vida social que, segundo seus editores, eram necessários ao desenvolvimento das crianças.

Perfil da revista
O aspecto pedagógico de O Tico-Tico foi a tônica da publicação ao longo de seus 57 anos de existência. Mesmo usando uma linguagem coloquial e um tom carinhoso para se relacionar com seus leitores, o preciosismo lingüístico era extremamente marcante, uma vez que a revista se pautava na idéia de que o desenvolvimento do país dependia de um compromisso sério com a educação de suas futuras gerações e da ampliação do acesso de todas as parcelas da população aos benefícios do mundo letrado. Foi em torno desse objetivo que se pautou seu projeto editorial.
Sendo uma revista direcionada ao público infantil e juvenil, os editores tinham consciência de que todo o seu conteúdo passava pelo crivo de professores e pais antes de chegar às mãos dos pequenos leitores. Dessa forma, tiveram o cuidado de estar sempre privilegiando o ponto de vista moral e educativo da publicação, espelhando os valores almejados pelas camadas dominantes da sociedade. Assim, O Tico-Tico tornou-se um baluarte da moral tradicional e do espírito positivista que marcava a chamada República Velha.
Essas proposições moralistas e cívicas ficavam mais evidentes nas seções fixas da revista destinadas a promover o diálogo direto e permanente com seu público leitor. Essas seções, com destaque para Lições de Vovô, Correspondência do Dr. Sabetudo e na Gaiola d’O Tico-Tico, se transformaram em verdadeiras escolas de disciplina. Além disso tudo, a revista foi um dos principais responsáveis, por exemplo, a estabelecer a figura de Papai Noel nas tradições natalinas brasileiras, durante o período da Segunda Guerra Mundial.

Os quadrinhos
A revista O Tico-Tico foi a primeira publicação brasileira a colocar regularmente em suas páginas, séries de histórias em quadrinhos. Nelas, passaram importantes nomes da cultura nacional como, por exemplo, o cartunista J.Carlos, Alfredo Storni, Paulo Afonso, Ângelo Agostini, entre outros.
Buscando inspiração nos quadrinhos estrangeiros, em especial nos europeus, personagens como Chiquinho, Benjamin, o cachorro Jagunço, Réco-réco, Bolão, Azeitona, Carrapicho, Goiaba, Lamparina, Maria Fumaça, etc, encheram as páginas da revista e invadiram a imaginação das crianças ao longo dos anos em que estiveram presentes nas bancas.
Nesse campo ainda, o caricaturista político Alfredo Storni retratou em suas histórias os costumes da época ao criar uma família de classe média carioca: Zé Macaco, o marido paciente e que atendia aos caprichos da mulher, Faustina, uma mulher sufragista (que defendia o direito de voto e de igualdade), Baratinha, assim como os outros personagens-meninos da revista, sempre aprontando peraltices, e o cão Serrote.
Na década de 30, surgiu o trio Réco-réco, Bolão e Azeitona, criado por Luis Sá. Foi um grande sucesso na época e sobreviveram até o final da revista. Sempre metidos em enrascadas, os personagens retratavam uma infância de meninos que brincavam de bolinha de gude, tomavam banho de rio, planejavam brincadeiras de mau gosto e, como era comum na época, realizavam pequenos serviços, como cuidar de animais domésticos e capinar terrenos, para ganhar alguns trocados.
Uma característica interessante é que a voz do adulto raramente aparecia nas HQs do trio.
Mas, o personagem que, talvez, tenha se tornado símbolo da revista, foi o Chiquinho, um loirinho endiabrado, de olhos arregalados. Foi o personagem que mais tempo sobreviveu nas páginas do semanário. Com sete anos de idade, estava sempre às voltas com alguma peraltice para atazanar a vida dos adultos que o rodeavam.
Nas Aventuras do Chiquinho, havia um diálogo constante entre o mundo adulto e o infantil.

Os brinquedos de armar
Outra coqueluche da revista eram os brinquedos de armar.
Publicados parcialmente durante várias edições, traziam carruagens, relógios, circos, casas e carrosséis.
Os desenhos vinham nas páginas centrais da revista com a instrução de serem colados em cartolina, recordados e montados conforme os esquemas.
Anos mais tarde, a revista Recreio usaria o mesmo artifício em suas páginas com grande sucesso.

As histórias
Nas páginas do Tico-Tico, o pequeno leitor também encontrava, publicados em capítulos, clássicos da literatura mundial. Ali puderam ser lidas As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain; A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, Cinco Semanas num Balão, de Julio Verne, Dom Quixote, de Cervantes, Hamlet, de Shakespeare ou ainda Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, entre outros.
Contos de fadas e lendas brasileiras também foram presença constante, encantando o público leitor com suas narrativas mágicas e fantasiosas.

Os almanaques
O primeiro Almanaque de O Tico-Tico foi lançado no final de 1906 e desde então, seguiu sendo publicado anualmente, sempre com capa dura, até 1958, ano em que deixou de circular.
Desde seu lançamento, o Almanaque O Tico-Tico tornou-se um item obrigatório para as crianças de classe média, que esperavam ansiosas ganhá-lo como presente de Natal.

O declínio e desaparecimento da revista
Embora tenha existido por parte dos editores um constante esforço para manter a publicação atualizada e contextualizada com o panorama social, sua visão tradicionalista do desenvolvimento infantil foi o maior responsável pelo fim da revista.
Em 1934, Adolfo Aizen lançava no Rio de Janeiro o Suplemento Infantil, inaugurando uma nova fase na divulgação das histórias em quadrinhos no país. O sucesso do Suplemento Infantil abriu caminho para outras publicações, como O Globo Juvenil e o Gibi, esta última acabou tornando-se sinônimo de revista em quadrinhos.
De repente, os personagens ingênuos e bem intencionados de O Tico-Tico, foram perdendo terreno para os intrépidos desbravadores de novos mundos, homens mascarados ou seres super-poderosos.


Algumas informações importantes

Primeira Edição
11 de outubro de 1905
Última Edição
1962
Tiragem Inicial
10.000 exemplares – devido ao sucesso da primeira edição, mais 11.000 exemplares foram impressos às pressas.
Periodicidade
Semanal – sempre às quartas-feiras.
Preço
200 réis – este preço, relativamente baixo para a época, se manteve por mais de 15 anos.
Total de edições
2.097 ao longo de 57 anos de existência.

Para começar bem a semana


O texto abaixo tem sido divulgado ao longo dos anos com o crédito do dramaturgo inglês William Shakespeare, autor de "Hamlet" e "Romeu e Julieta", entre outras peças imortais. Em sites e blogs, o texto aparece creditado a ele mais de 400 vezes. Mas...Afirmam os estudiosos do escritor que não há a mínima semelhança entre a sua obra e as linhas que se seguem. O que seria mais uma prova de que nem tudo que está na internet é confiável, é preciso pesquisar mais e sempre. É preciso desconfiar (como cabe a todo bom jornalista, diga-se de passagem). No entanto, como é um belo texto, registro-o aqui como forma de incentivo para começarmos bem a semana. A intenção é, somente, fazê-los pensar sobre os assuntos/temas levantados pelo, então, autor desconhecido. Boa leitura!

Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

sábado, 21 de março de 2009

Jornalismo infantil: um filão

Podemos considerar que há dois tipos de jornalismo infantil. Um feito PELAS crianças e outros feitos PARA as crianças. O primeiro deles está muito bem servido. Os educadores já adotaram a prática de levar para o universo infantil as várias mídias e, principalmente, ajudá-los a desenvolver formas de comunicação tanto nos veículos impressos como nos eletrônicos. As experiências são fantásticas dentro e fora das salas de aula: fanzines, jornais, revistas, almanaques, programas de rádio, de TV, páginas de textos e textos na internet. Bem orientadas, as crianças se transformam em profícuos leitores e querem se expressar cada vez mais.
Entretanto, quando o quesito é JORNALISMO PARA AS CRIANÇAS, ainda há um longo caminho a se percorrer. As publicações brasileiras, com raras exceções, resumem-se a entretenimento e pouco têm a oferecer em material jornalístico de qualidade. As pautas deixam a desejar, o texto as vezes "escorrega" para a infantilidade e o adulto continua decidindo sozinho o que é melhor para a criança, o que ela deve saber, etc., etc., etc. Não há conselho de leitores e ombusdam (mirins) ou outras estratégias que garantiriam a qualidade do trabalho.
Certamente as empresas jornalísticas estão perdendo um grande filão por não investirem corretamente nesta especialização. E os jornalistas também devem se preparar para atuar neste segmento, que merece crescer e ganhar importância em um mundo tão consciente da necessidade de formação das futuras gerações.
Há bons estudos sobre este assunto. Acompanhe, por exemplo, estes textos (de especialistas) aqui indicados:

http://www.comunique-se.com.br/Conteudo/NewsShow.asp?idnot=16612&Editoria=237&Op2=1&Op3=0&pid=1094881921&fnt=fntnl

http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R0769-1.pdf

http://www.comunicacao.ucb.br/003/00301009.asp?ttCD_CHAVE=3170

http://www.abi.org.br/paginaindividual.asp?id=960

quarta-feira, 18 de março de 2009

O estado da mídia (americana)

via Elisa Araújo, do Blue Bus. Postado no blog do jornalista Luís Carlos Azenha.

Alguns números são de arrepiar.
O faturamento publicitário dos jornais caiu 23% nos últimos dois anos. Alguns jornais estão falidos e outros perderam 75% do valor. Por nossos cálculos, um de cada cinco jornalistas que trabalhavam para jornais em 2001 perderam o emprego e 2009pode ser o pior ano de todos.
Nas TV locais, as redações, que já eram pequenas para cobrir suas comunidades, tem sido cortadas num ritmo sem precedentes; o faturamento caiu 7% em um ano eleitoral --o que é inédito -- e a audiência está caindo ou permanece a mesma durante todo o dia. Nos noticiários em rede, mesmo os que conseguem aumentar a audiência sofrem queda de faturamento.
E a imprensa "étnica" também enfrenta problemas e de certa forma é a mais vulnerável já que muitas das operações são pequenas.
Só os canais de notícias floresceram em 2008, graças ao foco nas eleições, embora parte dos ganhos tenha se apagado depois delas.
Talvez o menos notado é o mais importante, a migração da audiência para a internet está se acelerando. O número de americanos que regularmente buscam notícias na rede, por um levantamento, saltou 19% nos últimos dois anos; apenas em 2008 o tráfego nos 50 principais sites de notícias aumentou 27%. Ainda assim parece cada vez mais claro que o faturamento publicitário -- o modelo que financiou o jornalismo no século passado -- será inadequado para financiar a internet. Crescendo 30% nos últimos dois anos, o faturamento com anúncios em sites de notícias se mantém estável; nos jornais impressos, está em queda.
O que isso significa?
Mesmo antes da recessão, a questão fundamental encarada pelo jornalismo era se a indústria poderia ganhar a corrida da sobrevivência: poderia encontrar novas formas de financiar a produção de notícias online, enquanto usava o faturamento em declínio de outras plataformas para financiar a transição?
No último ano, duas coisas importantes aconteceram que efetivamente reduziram o tempo que sobra no relógio da transição.
Primeiro, a migração mais rápida da audiência para a internet significa que a indústria precisa se reinventar antes do que se imaginava -- mesmo que a maioria dos novos usuários online busquem as fontes tradicionais de notícias. Pelo menos a curto prazo, a maior audiência online piorou as coisas para os sites de empresas tradicionais, em vez de melhorar.
E aí veio o colapso da economia. Os números são apenas estimativas, mas os executivos calculam que a recessão dobrou a perda de faturamento na indústria em 2008, talvez mais nas redes de TV. Ainda mais importante, acabou com tentativas de encontrar novas fontes de faturamento. Na reinvenção dos negócios, 2008 foi um ano perdido e 2009 ameaça ser mais do mesmo.

Livros usados?

Ok, não vou mentir. Já tive (e tenho) alguns preconceitos sim. Um deles era comprar coisas usadas. Confesso que ainda não superei isto quando o assunto é roupa. Por isto, ninguém vai me ver entrando em brechós. Mas quanto a livros...
Antes de me casar, era sócia do Clube do Livro, recebia pelo menos um por mês. Depois de casada, mas sem filhos, comprava todas as obras que queria. Casada, com filhos e pagando mestrado e viagens, a coisa precisou mudar. Eram muitos livros para serem lidos. Os primeiros, comprei em livrarias. Mas a maioria, dezenas, busquei em sebos. Eram bem mais em conta e estavam em excelente estado de conservação.
Por isto não tenho receio de indicar esta prática. Além do mais, ela é politicamente correta, pois reutiliza um bem sem ser necessário destruir mais árvores para obter mais papel para a produção de outros/mesmos livros já separados por alguém.
Neste blog, ao lado, há dois endereços de sebos virtuais muito confiáveis. Visite e me indique outros, ok?

segunda-feira, 16 de março de 2009

As mudanças na mídia

Este texto foi publicado na Folha da Região de Araçatuba no último domingo, dia 15, na coluna do renomado Luís Nassif. São constatações importantes que não podem continuar despercebidas, principalmente por parte dos novos/futuros profissionais do jornalismo. Vou inclusive fundamentar minha arguição na defesa do mestrado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)usando alguns destes dados, que considero vitais, também, para a expansão do civic journalism no Brasil. Sobre este assunto, falamos depois. Fiquem atentos:

Um estudo amplo sobre os dados do IVC (Instituto Verificador de Circulação) - que audita a tiragem de jornais e revistas - e do Ibope - para TV e rádio - comprova que a última década foi de mudanças estruturais.
Essas modificações reduziram sensivelmente o papel e a influência da chamada grande mídia - categoria na qual entram a Rede Globo, os jornais Folha, Estado, O Globo, Jornal do Brasil e Correio Braziliense. E um sensível aumento de competidores, da imprensa do interior e dos jornais populares.
Entre as TVs abertas, a Globo tinha um share de audiência de 50,7% em 2001. Chegou a bater em 56,7% em 2004 - coincidindo com a queda de audiência do SBT. Hoje está em 40,6% - coincidindo com a subida da TV Record - que saiu de 9,2% em 2001 para 16,2%.
Nas três últimas semanas, o Jornal Nacional deu 26% de audiência em São Paulo. Seis anos atrás, era de 42%. Nessa época, quando o JN caiu para 35%, houve um rebuliço na Globo, a ponto de edições do JN terem blocos de 22 minutos com várias matérias de apelo. Aparentemente, perdeu esse pique.
Com os jornais da chamada grande mídia, repete-se o mesmo fenômeno. O estudo dividiu os jornais entre tradicionais (Folha, Estado, Globo, JB e Correio Braziliense), jornais das capitais, jornais do interior e jornais populares.
De 2001 a 2009, os tradicionais perderam 300 mil exemplares diários - de 1,2 milhão para 942 mil, queda de 25%. Os jornais de capitais (excetuando os do primeiro grupo) cresceram de 1,2 milhão para 1, 37 milhão - crescimento de 10,5%. Os jornais populares passaram de 663 mil para 1,2 milhão - alta de 85%. E os jornais do interior saltaram de 300 mil para 552 mil - alta de 83,5%.
Não apenas isso. Nos últimos anos, gradativamente, os jornais estão se desvencilhando da pauta da chamada grande mídia. Antes, havia um processo de criação de ondas concêntricas em torno dos temas levantados pelo núcleo central, com os demais jornais acompanhando as manchetes e as análises.
De alguns anos para cá, essa dependência cessou. Um estudo de caso analisou bem essa diferença de enfoque. Lula esteve em São Paulo.
Anunciou que as informações do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) seriam fornecidas em três horas. Os grandes jornais e o JN deram destaque para a visita a uma sinagoga (para repercutir a questão do Holocausto) e para intrigas políticas. Todos os jornais populares, do interior e das capitais, deram destaque àquilo que interessava diretamente ao seu leitor: a diminuição dos prazos de informações do INSS.
Esse exemplo sintetiza a armadilha na qual se meteu nos últimos anos a chamada grande mídia. Perdeu-se a noção dos temas relevantes ao leitor. Em vez de buscar a informação útil, enrolou-se no chamado jornalismo de intriga - sempre procurando frases ou enfoques que privilegiassem conflitos.
Enquanto isso, os jornais populares - com exceção dos paulistanos (Agora, Diário de São Paulo e Jornal da Tarde), que não decolaram - passaram a tratar dos temas de interesse de seu público, assim com os jornais de interior e da capital. Vai ser um longo trajeto para recuperar os princípios do jornalismo.

sábado, 14 de março de 2009

Serei excomungada?

Existem, basicamente, quatro tipos de conhecimento que o ser humano é capaz de deter. O conhecimento filosófico é aquele que nasce dos questionamentos. O conhecimento empírico provém das experiências de vida. O conhecimento científico é adquirido nas escolas, através de pesquisas. O conhecimento teológico nasce das religiões. De todos eles, os três primeiros exigem a razão. A fé, não.

Entretanto, a evolução da humanidade ao longo dos séculos não permite que se tente contrariar a razão de forma tão acintosa como tem se visto, com freqüência, ultimamente. Seria um retrocesso. Pior, um crime. O holocausto existiu sim e a ditadura no Brasil nunca foi branda, só para citar duas afirmações recentes que foram rechaçadas pelo público, que não se deixou manipular.

Assim, fica muito difícil também aceitar que um membro da Igreja Católica use da mídia para alardear que excomungou uma mãe e alguns médicos porque eles foram os responsáveis por um aborto, autorizado pela Justiça, em uma menina de 9 anos estuprada pelo padrasto. Ela corria risco de morte em uma gravidez de gêmeos.

Fazendo um exercício de raciocínio lógico, o arcebispo em questão, dom José Cardoso Sobrinho, de Olinda e Recife, está pelo menos 20 anos atrasado. Deveria, então, ter excomungado todos os responsáveis pela Constituição do Brasil, que autoriza o aborto em caso de estupro e risco de morte da mãe, dois requisitos preenchidos no caso da menina. Ao longo de todo sua carreira eclesiástica, deveria ter excomungado, também, todos os outros médicos e todas as outras mulheres que passaram pelo mesmo procedimento. Por que só agora? Por que com esse caso?

Mas, se ao contrário, ao invés de excomungar, ele usasse dos ensinamentos de Cristo? Quando Maria Madalena estava para ser apedrejada até a morte, Ele a salvou dizendo que quem não tivesse pecado que atirasse a primeira pedra. Não é esse o caso da Igreja Católica. Quem tem na sua história o patrocínio de guerras (as Cruzadas) para se impor no mundo; mais mortes de inocentes queimados nas fogueiras da Inquisição porque questionavam imposições absurdas dos religiosos; mantém-se no comércio vendendo de indulgências, no passado, a pop stars e propagandas na mídia dos vários veículos que detém, não pode querer “apedrejar” ninguém. Se os católicos perdoaram estes pecados da Igreja Católica, por que alguns de seus membros, como este arcebispo não podem dar o exemplo do perdão?

Isto para não tocar em assuntos mais delicados como os crimes de pedofilia dos seus religiosos acobertados pelo mundo e a homossexualidade, que não é crime, mas é igualmente condenada - mas praticada - dentro da Igreja Católica. Não, definitivamente, não dá para atirar a primeira pedra.

Em outro exemplo bíblico, Jesus, ao ser crucificado, perdoa aqueles que, ele diz, não sabem o que fazem; e também o bom ladrão, que se arrependeu dos seus pecados e foi morar com Ele na casa do Pai. Refletindo sobre este exemplo, penso que o arcebispo em questão perdeu a oportunidade de praticar o principal ensinamento de Cristo e perdoar aqueles que autorizaram o aborto na menina, uma vez que não se discute aqui a proibição defendida pelos católicos. Cada instituição tem sua regra (embora algumas abram exceções quando lhes convém...).

A mãe da garota foi traída da pior maneira que uma mulher pode ser. Não foi amada, nem respeitada e, pior, teve suas duas filhas machucadas para sempre. Precisava ser acolhida, não excomungada. Precisava de apoio espiritual, não de discriminação. Talvez tenha decidido pelo aborto da filha porque o padre da paróquia dela não fez bem seu trabalho. Talvez tenha permitido o aborto porque diante de tantas contradições religiosas, não encontrou as respostas que precisava e, de novo, a Igreja Católica falhou. Talvez tenha decidido pelo aborto porque não quis perder a filha, já que os médicos atestaram que a menina morreria se levasse a gestação dos gêmeos adiante. Talvez tenha decidido pelo aborto porque nenhuma mulher, nenhuma, deseja, no seu íntimo, dar a luz a um filho que nasceu de uma agressão repulsiva como o estupro.

Mas o pior de tudo foi o arcebispo ter dito que o crime do padrasto era só um simples pecado diante do aborto. Problemas de interpretação podem elevar esta frase à categoria de apologia ao crime já que, em um raciocínio raso, os estupradores então não cometeriam crimes tão graves quanto as mulheres que abortam ou autorizam um aborto.

Está na hora deste tipo de representante da Igreja Católica rever seus posicionamentos. Caso contrário, vai ficar fácil entender o crescimento das outras religiões pelo mundo, mas especialmente no Brasil. É que ao invés de serem excomungados, expulsos da Igreja, as pessoas é que vão escolher deixá-la.

Artigo publicado no Jornal de Jales de 15 de março de 2009, pág. A2.

Jornalismo e literatura

A dica é do aluno Felipe Braga. Ele se interessou pelas aulas sobre livro-reportagem, em especial do tópico que aborda as convergências entre jornalismo e literatura. Pesquisou mais sobre o assunto e, agora, está dividindo conosco um endereço de site fantástico: www.textovivo.com.br.
Só para vocês terem uma ideia de quem está por trás deste trabalho, seguem os nomes do expediente:


TextoVivo Narrativas da Vida Real

Revista eletrônica de histórias sobre pessoas reais em lugares reais vivendo situações reais.

Publicada em parceria com a Academia Brasileira de Jornalismo Literário
- www.abjl.org.br.

Todos os textos são assinados. Não nos responsabilizamos por eventuais conceitos
emitidos pelos autores.

Editor: Sergio Vilas Boas - sergio@textovivo.com.br

Escritor e professor da Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL). Doutor em Comunicação pela ECA/USP. Estuda e pratica narrativas biográficas. Autor de "Biografismo: Reflexões sobre as Escritas da Vida" (2008), "Perfis" (2003) e "Biografias & Biógrafos" (2002), entre outros.

Editor-assistente: Rodrigo Stucchi - rodrigo@textovivo.com.br

Jornalista, webdesigner e professor universitário. Co-fundador da Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL).


Conselho Editorial:

Edvaldo Pereira Lima - edvaldo@textovivo.com.br

Jornalista e professor da Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL). Pós-doutorado em Educação pela Universidade de Toronto, Canadá. Pioneiro nos estudos sobre Jornalismo Literário no Brasil. Autor do clássico “Páginas Ampliadas: o Livro-Reportagem como Extensão do Jornalismo e da Literatura” (4ª edição, 2008), entre outros.

Celso Falaschi - celso@textovivo.com.br

Jornalista e professor da Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL). Doutor em Psicologia, com estudos sobre criatividade aplicada à escrita. Foi editor de "O Estado de S. Paulo", diretor da Intercom e coordenador da Expocom. Lecionou no curso de jornalismo da PUC-Campinas por vinte anos.

Poderia ser melhor?
Façam, então, um bom proveito!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Liberdade de imprensa? Há lugares piores...

Meu mestre, Pedro Kutney, que vocês conhecerão em breve, me enviou uma colaboração valorosa no sentido de nos fazer refletir sobre a importância da liberdade de imprensa em todo e qualquer lugar. A notícia mostra como a situação do profissional de jornalismo, em alguns lugares do mundo é, no mínimo, precária. Acompanhem:

Jornalista afegão é condenado a 20 anos de prisão por blasfêmia

O jornalista afegão Syed Pervez Kambakhsh foi condenado a 20 anos de prisão por blasfêmia. A decisão é da Suprema Corte do Afeganistão, que considerou crime a distribuição de um artigo, recolhido na internet, sobre os direitos da mulher na sociedade afegã.

O irmão do jornalista Syed Yaqub Ibrahimi assegurou que seu irmão é vítima de um “jogo político” e exigiu que o presidente Hamid Karzai revise a sentença.

Kambakhsh, um estudante de 24 anos que também trabalhava para o jornal local Jahan-e-Naw, foi detido em outubro de 2007, na cidade de Mazar-e-Sharif, capital da província de Balkh. Em janeiro de 2008, um tribunal local o condenou a morte após considerá-lo culpado de blasfêmia por distribuir e debater, com seus companheiros de universidade, um artigo de uma autora iraniana estabelecida na Europa que denunciava a falta de direitos da mulher afegã.

Em uma primeira apelação, uma corte de Cabul comutou em outubro de 2008 a pena máxima por uma condenação a 20 anos de prisão, sentença que nesta quarta-feira, dia 10, foi confirmada pelo Supremo.

Fotojornalismo brasileiro ganha prêmio internacional



O jornalista Luiz Gonzaga de Vasconcelos, fotógrafo do jornal A Crítica, de Manaus (AM), ganhou o prêmio World Press Photo 2008, na categoria Notícias Gerais, com a fotografia acima, de uma índia da etnia sataré-mawé tentando impedir a desocupação de um terreno na zona rural de Manaus.
O World Press Photo é um dos prêmios internacionais mais concorridos e foi criado por fotojornalistas no ano de 1956, em Amsterdã, na Holanda. Vasconcelos é mais um brasileiro contemplado na categoria Notícias Gerais. Em 2004, José Francisco Diório, do jornal O Estado de S.Paulo, foi premiado com a fotografia de um incêndio na Favela Buraco Quente, em São Paulo. Sebastião Salgado foi vencedor na década de 80.
A fotografia de Luiz Vasconcelos foi publicada em 10 de março de 2008. Outra imagem desse mesmo conflito captada por Vasconcelos havia vencido, em outubro passado, a categoria Fotografia, do 30º Prêmio Jornalista Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.
Ao Unidade, jornal do Sindicato dos Jornalistas, Vasconcelos contou que a PM do Amazonas cercou o terreno no Bairro do Tarumã, que era ocupado por um grupo de sem-teto, com índios de várias etnias: "Os índios começaram a correr. Quem não corria era agredido ou preso". O World Press Photo 2008 teve 96.268 fotografias inscritas por 5.508 profissionais. A entrega dos prêmios ocorre no dia 3 de maio em Amsterdã, na Holanda.

Obrigada Clemerson

A mudança no layout do blog deve-se a Clemerson Mendes, jornalista, técnico responsável pelo laboratório de rádio do Centro Universitário Toledo de Araçatuba e blogueiro da Terra do Rádio. É dele a arte que abre este espaço a partir de agora. Obrigada, amigo!

quarta-feira, 11 de março de 2009

A questão da obrigatoriedade do diploma


Enquanto nossos legisladores decidem, nas últimas instâncias, sobre a questão da obrigatoriedade do diploma para jornalistas, uma dissertação de mestrado aprovada na PUC-SP há aproximadamente três anos já comprova que ele é indispensável para o exercício da profissão. O trabalho é do advogado e professor de Ética e Legislação no curso de Jornalismo do Centro Universitário Toledo, Maurício de Carvalho Salviano (coincidentemente, meu marido!).
Conheça melhor este trabalho lendo a entrevista que segue:



Mundo dos jornalistas: Qual o título do seu trabalho de pesquisa?
Prof. Ms. Maurício de Carvalho Salviano: O jornalista profissional e seus direitos trabalhistas.

Qual a área de concentração deste mestrado, Comunicação ou Direito?
É na área do Direito das Relações Sociais,subarea Direito do Trabalho.

Quem foi seu orientador?
O Prof. Dr. Paulo Sérgio João, formado pela Faculdade de Direito da Pontifícia universidade Católica de São Paulo; especialista em Seguridade Social pela OISS da Espanha; pós-graduado pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica; Mestre e Doutor em Direito do Trabalho pela Universidade de São Paulo. Ele é professor de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da PUC-SP e da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. É o coordenador do Curso de Especialização em Direito do Trabalho da PUC-SP e membro do Instituto Brasileiro de Direito Social Cesarino Júnior. Mantém um dos maiores escritórios de advocacia na área trabalhista em São Paulo, na avenida Paulista.

Qual foi o seu objeto de estudo, especificamente, no mestrado?
Estudei o jornalista profissional. Sua regulamentação perante a lei brasileira, assim como seus direitos trabalhistas, frente à CLT - Consolidação das Leis do Trabalho, CF - Constituição Federal e normas sindicais.

Por que escolheu este tema?
Procurei um tema que me trouxesse alguma afinidade, bem como o fato de ser inédito, e que me daria prazer em escrever.

De quais hipóteses partiu?
De que para inserir o jornalista profissional na área do Direito do Trabalho, com regras próprias à ele, o mesmo deveria ser um profissional formado, isto é, diplomado, para que fosse possível sua identificação perante a lei. Com isso, descartei todo profissional que labora na área do jornalismo, e não possui titulação, pois este está fora da proteção da lei.

Em quais obras buscou referências?
Por ser um trabalho inédito, tive muita dificuldade bibliográfica. Na área do Direito do Trabalho, poucos autores tratam com amplitude sobre esta matéria. Cito alguns, como Sérgio Pinto Martins, Amauri Mascaro Nascimento, Octávio Bueno Magano, para ficar só na área do direito.

Quais as conclusões do trabalho?
Que é impossível conceder direitos trabalhistas ao jornalista que não seja formado. Consegui formular um conceito de quem seja o jornalista empregado. Além de ter feito uma pesquisa de campo junto ao Sindicato dos Jornalistas profissionais do Estado de São Paulo, onde verifiquei que na Capital, existe uma grande atuação sindical, mas, no interior, a atuação desta Instituição precisa melhorar um pouco mais, no sentido de fiscalização das rotinas trabalhistas das empresas, junto a seus empregados jornalistas.

Na sua opinião, por que a questão da obrigatoriedade do diploma de jornalismo ainda continua em discussão?
Porque a Justiça é lenta, e há a pressão dos veículos de imprensa para a derrubada do diploma. Se ocorrer isto, as empresas poderão contratar qualquer um, que poderão se sujeitar a qualquer tipo de salário e condições de trabalho. Enquanto a classe de jornalistas for una, e em torno do diploma, haverá condições de fiscalização pelos sindicatos, além da conscientização - que se faz desde a faculdade, de que devemos nos dar valor, de que custou caro para se formar, de que a mão-de-obra jornalística tem que custar caro, pois a informação é o bem imaterial mais importante da vida do cidadão.

Convite

A Secretaria de Cultura de Araçatuba promoverá neste domingo, dia 15, a partir das 8h30, na Câmara Municipal, uma palestra sobre CULTURA & MÍDIAS LIVRES com Renato Rovai, editor da revista Forum. Segundo o secretário Helio Consolaro, o tema interessa diretamente a internautas, jovens e jornalistas. As informações podem ser obtidas pelo telefone: 18 3636 1270.

terça-feira, 10 de março de 2009

Lei de imprensa

Você conhece a Lei de Imprensa? Ela é, no mínimo, controversa, por este mesmo motivo está em discussão. Há quem diga que ela não deva mais existir. Outros acreditam que ela deve ser reformulada. E você? De nada adiantarão as mudanças - seja com a extinção ou com a atualização dela - se os alunos/profissionais de jornalismo não se interessarem. Para "abrir seu apetite", leia matéria do site da Fenaj sobre as últimas deste assunto:

No dia 4 de março, pela primeira vez uma entidade de empresários de comunicação admitiu a necessidade de uma nova legislação para substituir a atual Lei de Imprensa. O fato inédito ocorreu na seção “Tendências/Debates”, na página 3 da Folha de São Paulo, que publicou dois artigos. Um deles foi assinado pela presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Judith Brito. O outro, assinado pelo presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade.

O espaço na FSP foi aberto em função de que o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar neste mês a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 130), ajuizada pelo PDT contra a Lei 5.250/67. No dia 18 de fevereiro, a corte prorrogou por mais 30 dias a suspensão de 20 dos 77 artigos da Lei de Imprensa.

“Nada mais natural que haja algum tipo de regulamentação clara e eficaz para o exercício desses direitos. O jornalismo deve ser exercido com responsabilidade. O essencial é que, em nenhuma hipótese, essa regulamentação signifique cerceamento ou ameaça à liberdade de expressão”, assinalou a presidente da ANJ, defendendo que haja uma legislação mínima.

Mesmo ainda tendo divergências com a posição empresarial, o presidente da FENAJ, autor do artigo “Por uma democrática Lei de Imprensa”, comemorou: “já é um avanço, pois a posição está assinada pela presidente da ANJ e supera a posição de simplesmente acabar com a atual Lei de Imprensa e não ter lei nenhuma”, disse, considerando que historicamente as empresas de comunicação são avessas à legislações que lhes imponham limites. “Até hoje a liberdade de imprensa defendida pelos barões da comunicação confunde-se com liberdade de empresa”, criticou.

Em seu artigo, Sérgio Murillo defendeu a posição da FENAJ contrária à atual Lei de Imprensa, mas favorável à manutenção de alguns de seus artigos até que o Congresso Nacional vote uma nova lei regulando as relações entre os veículos de comunicação, os jornalistas e a sociedade.

A Folha de S.Paulo e a "ditabranda"

Como pode um veículo de comunicação que, na época da ditadura militar no Brasil (1964-1984), foi considerado "de esquerda", afirmar, mais de 20 anos depois, que os anos de chumbo no país foram "brandos?". Pois foi isto que a Folha de S.Paulo fez em editorial recente, de fevereiro, o que deixou nervosos os jornalistas, especialmente aqueles que sofreram literalmente na carne os horrores da tortura. Em solidariedade a eles, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo realizou uma manifestação na capital, na porta daquele jornal diário. Leia matéria abaixo retirado do site do sindicato:


Mais de 300 pessoas participaram do ato organizado pelo Movimento Sem Mídia, neste sábado (07/03), contra o editorial da Folha de S.Paulo que classificou a ditadura brasileira de “ditabranda”. O protesto, realizado na porta da Folha, região Central de São Paulo, reuniu jornalistas, sindicalistas, estudantes e familiares de presos torturados durante o regime militar.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, José Augusto Camargo (Guto), afirmou que "deturpar a história é um crime contra a cidadania" e criticando o "lamentável editorial da Folha", lembrou que "a esmagadora maioria dos profissionais de comunicação condenou o jornal, pois é ética e tem compromisso com a verdade e com as gerações futuras".

Coordenador da manifestação e do Movimento dos Sem Mídia, Eduardo Guimarães esclareceu que a manifestação representava um rechaço coletivo à tentativa do jornal de reescrever a história quando "afirmou que o regime dos generais-presidentes teria sido ‘brando'. Tal afirmativa constituiu-se em dolorosa bofetada nos rostos dos que sobreviveram, em verdadeiro deboche dessas vítimas expresso por meio do termo jocoso ‘ditabranda', corruptela do único termo possível para identificar aquele regime, o termo ditadura". Guimarães publicou no blog Cidadania os agradecimentos e a repercussão do ato.

Neste domingo (08/03), Otávio Frias Filho, diretor da Folha, publicou uma declaração admitindo que o termo ditabranda no editorial de fevereiro foi um erro. “O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis”, afirmou. Mas sustenta que o regime de exceção no Brasil foi mais brando do que os congêneres na Argentina, no Uruguai no Chile e em Cuba.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Como os jornalistas podem ajudar na Educação

Minha formação em jornalismo me levou para as salas de aula para ensinar redação a vários públicos, do Ensino Fundamental à pós-graduação. Mas foi em um curso para professores da rede pública promovido pela Diretoria de Ensino de Jales que pude constatar como colegas educadores com realidades tão diferentes da minha (que nunca trabalhei em escolas públicas) são capazes de reconhecer e valorizar a nossa profissão. Leia, abaixo, um texto escrito em parceria com duas alunas:


A importância da mídia como veículo de Educação no Brasil*

Ayne Regina Gonçalves Salviano
Maria Aparecida da Silva Lobianco
Nilva Magaróti


A sociedade brasileira precisa compreender que os veículos de comunicação são divulgadores – e muitas vezes produtores - de conhecimento que, socializados, podem ajudar a melhorar a vida das pessoas ajudando-as a resolver diretamente os problemas de seu bairro e sua cidade, e, indiretamente, do seu Estado e país.

A Educação já descobriu esta verdade. Nas últimas décadas, especialmente a partir do final de 80 e início de 90, tem sido através dos mais variados produtos midiáticos que muitos educadores têm proporcionado e desenvolvido inúmeros projetos de sucesso que estão contribuindo para a riqueza cultural e social de seus educandos.

Casos não faltam para comprovar esta tese, a partir dos óbvios: A programação infantil da TV Cultura, por exemplo. De Castelo Rá-Tim-Bum, um dos programas mais famosos da emissora, até os quadros que ensinam truques de magia ou confecção de brinquedos com material reciclável, tudo é aplicado em sala de aula para deleite das crianças, especialmente daquelas entre 4 e 11 anos.

Nas rádios, a experiência se repete. Há emissoras paulistas, muitas comunitárias ligadas às igrejas, que mantêm programas infanto-juvenis com notícias e músicas pensadas por crianças e jovens na faixa dos 7 a 16 anos. Eles escolhem a programação musical – mais adequadas para sua faixa etária do que a programação das rádios comerciais com os seus “Créus” -, produzem as notícias e comentam, sempre orientados mais por profissionais ligados à área da Educação do que ao Jornalismo.

No impresso, as experiências se espalham. Em Araçatuba, o jornal Folha da Região mantém um projeto sério que prepara os educadores e estimula os alunos a viver o Jornalismo e, por conseqüência, o conhecimento. Em Jales, a 110 quilômetros de Araçatuba, na região de São José do Rio Preto, o Jornal de Jales faz o mesmo com um adicional: sempre que acionado, envia seus profissionais para palestras e oficinas de como confeccionar jornais. E, no gênero do civic journalim, ou jornalismo cidadão, publica os textos de interesse de toda a comunidade, como foi o caso de dois fascículos do Projeto Memória que resgatou a história do CEFAM, o Centro de Aperfeiçoamento do Magistério. De novo a Educação em pauta.

O mesmo aconteceu no Colégio Toledo de Araçatuba. Em parceria com o curso de Jornalismo do Centro Universitário Toledo, jovens do Ensino Médio tiveram lições de como produzir seu próprio jornal em um exercício de cidadania, mas também de Português, atualidades, História, Biologia, enfim, de todas as áreas do conhecimento. Eles foram orientados pelos professores do Colégio em parceria com os professores do curso de Jornalismo.

O mesmo aconteceu no Colégio Geração Raízes, também de Araçatuba. Depois de oficinas com um aluno do Jornalismo da Toledo e estagiário da Folha da Região, as crianças e adolescentes produziram várias edições diárias que alimentaram o público da Semana Cultural

Como disse Rui Barbosa: “A imprensa é a vista da nação, por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe mal-fazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que sonegam ou roubam, percebe onde lhe alvejam ou nodoam, mede o que lhe cerceiam ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que ameaça”.

Pensado assim, fica fácil entender a parceria entre Escola, educadores, veículos de comunicação e Jornalismo. Somente a reflexão conjunta, tecida no trabalho coletivo, permitirá identificar relações e articulações para um melhor desenvolvimento da sociedade. Portanto, não se pode abrir mão da mídia.

Ayne Regina Gonçalves Salviano é jornalista e professora do Centro Universitário Toledo de Araçatuba. É mestranda em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É bolsista da Capes em um projeto sobre Jornalismo cidadão. Foi editora do Projeto Memória em Jales, série de 90 fascículos mensais que contribuíram para o resgate da história local.

Maria Aparecida da Silva Lobianco e Nilva Magaróti são professoras da rede estadual de ensino, formadas pelo Centro Universitário de Jales.

* O texto foi produzido durante curso de aperfeiçoamento ministrado por mim aos professores da rede pública ligados à Diretoria de Ensino de Jales.

As melhores frases sobre o Dia Internacional das Mulheres

A coletânea abaixo foi retirada de comentários sobre a data e merecem reflexão:




"...a raiz da opressão sobre as mulheres está nas religiões - praticamente todas elas inferiorizam a mulher e propagam dogmas que oprimem o sexo feminino..." - Pedro Kutney.

"...na hipocrisia do mundo moderno, a mulher dita "moderna", nada mais é do que uma escrava de sua criação e das imposições da formação." - Editorial da Folha da Região de Araçatuba.

"...é no mundo religioso, particularmente no católico, que a mulher ainda ocupa uma inexplicável, e injusta, posição subalterna. Digo injusta, porque se as mulheres deixassem de atuar nos vários campos da ação pastoral, a Igreja católica correria risco de colapso." - Padre Charles Borg - Folha da Região (A2).

"...Isso é Mulher,
Se panha, ela levanta...
Se Ele assim a fez é porque sabia
que somente a mulher poderia
carregar todo esse esplendor..." - Rita Lavouyer - Folha da Região (A6)

Blogosfera ganha toque feminino com "invasão" das mulheres

A matéria abaixo foi escrita pelo jornalista José Marcos Taveira e publicada no dia 8 de março no jornal Folha da Região de Araçatuba (A10). Na homenagem às blogueiras daquela redação, o também professor universitário cita o mundodosjornalistas como um dos espaços a ser visitado. Caro colega, obrigada pela homenagem!


A diferença é grande quando você entra em uma casa onde moram apenas homens ou mulheres. É claro que existem representantes da classe masculina muito caprichosos, mas aquele toque feminino é essencial.

Na blogosfera não é diferente. Nos posts (textos), a grande maioria dos homens costuma evitar escrever, digamos, com o coração, expor o que estão sentindo, se abrir. Já a sensibilidade é a marca nos textos femininos.

O blog e um diário na internet que já foi restrito a especialistas em tecnologia. Hoje, cresce cada vez mais, afinal é o meio de comunicação mais independente que existe. Você pode escrever o que pensa, sem intervenção alguma. Seus leitores voltam porque gostam do que você faz.

Muitas blogueiras já têm reconhecimento nacional. Algumas atuam ensinando até como postar melhor. Em Araçatuba e região também existem blogs femininos que valem a pena fazer parte dos favoritos de seu navegador. A grande maioria das autoras é jornalista ou estudante, mas os temas são variados.

Na Folha da Região, a Redação possui várias jornalistas blogueiras. Uma das mais atuantes é Patrícia Machado. Os assuntos são ecléticos, escritos com emoção, uma das qualidades que atraem cada vez mais leitores aos blogs: compartilhar como agir em determinada situação. Muitos chamam de evasão de privacidade.

Da mesma forma escreve Eloisa Morales. O espaço virtual serve para que a jornalista abra seu coração ou simplesmente conte aos leitores coisas pessoais, viagens, pensamentos.

Outra a seguir o caminho da blogosfera na Redação é a colunista social Célia Villela. Ela publica fotos inéditas de amigos e personalidades.

As estagiárias Ester Leão, Natalí Garcelan e Biah Longhini seguem o mesmo estilo. Como típicas representantes da classe feminina, as três também escrevem o que pensam sobre vários assuntos, com mais ou menos emoção, postam vídeos, dicas, fotos e muito mais.

Se você gosta de moda, personalidades do cinema e desfiles, a jornalista Michele Beraldi é especialista. Seu blog também inclui informações sobre séries, filmes e baladas, com um estilo de texto todo próprio.

Já cultura e música são as especialidades da também jornalista Talita Rustichelli. Ela é cantora, entende muito do assunto e seu blog serve como uma agenda de eventos.

Outra jornalistas de Araçatuba e região que investem em seus pensamentos na blogosfera são Lucélia Zani, Anaísa Tonheiro, Graziela Nunes e Thaís Quirino.

Se o tema for o próprio Jornalismo, a professora Ayne Salviano, que a leciona no Unitoledo (Centro Universitário Toledo), é uma referência a visitar. Em seu espaço, discute temas e assuntos polêmicos.

Para quem gosta de trabalhos em madeira, chinelos e bijuterias, visite o blog mantido pela artesã Luci Neide Crepaldi Taveira. Ela expõe suas obras e troca ideias sobre o tema com quem entra em contato.

Conheça também os blogs das estudantes de Jornalismo Fabrícia Lopes, Angélica Neri, Tamyris Araújo, Ariella Grillo, Karol Verri e Marcela Nobre Cruz.

E não se esqueça de uma regra básica: deixe sempre um comentário.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sobre o Dia Internacional da Mulher

Começo reproduzindo um texto traduzido do espanhol, de autoria desconhecida: Um idoso foi a um hospital fazer um curativo. Estava apressado dizendo-se atrasado para um compromisso. Enquanto o médico o tratava, perguntou o motivo da pressa. Ele disse que precisava ir a um asilo para, como sempre, tomar o café da manhã com sua mulher. Ela estava naquele lugar há algum tempo porque sofria do Mal de Alzheimer. O médico quis saber se a esposa não se alarmaria pelo atraso. O senhor disse que não porque a mulher não o reconhecia há cinco anos. O médico então perguntou qual a necessidade dele tomar café com ela todas as manhãs se ela não sabia quem o marido era. No que ele respondeu: - Ela não sabe quem eu sou, mas eu sei muito bem quem ela é.
Respeito, valorização e reconhecimento. Estes são os melhores presentes para uma mulher durante todos os dias em todos os anos de sua vida. Pena que seja necessário uma data específica para que a humanidade tenha consciência disto.
Pensando contra a corrente reinante neste período do ano, acredito que ao invés de ser “comemorada” com distribuição de flores e descontos no comércio; palestras feministas que mais servem para autocomiseração ou bobagens afins, o Dia Internacional de Mulher deve ser abolido e, em seu lugar, precisamos adotar uma postura de valorização do ser humano, seja ele de qual sexo for.
É verdade que ao longo da história há exemplos suficientes que servem para ajudar o senso (pouco) crítico reinante que transforma as mulheres em “coitadinhas”. Assim acontece com a própria data em questão. Há duas versões para o fato. Ambas são, coincidentemente, de sofrimento.
A mais conhecida é a história de que no dia 8 de março de 1857, em Nova York (EUA), 129 trabalhadoras de uma fábrica de tecidos teriam morrido carbonizadas em um incêndio. Era a primeira greve norte-americana conduzida por mulheres. Elas teriam cruzado os braços pedindo melhores condições de trabalho. Entre as solicitações, que a jornada de trabalho fosse reduzida para só 10 horas diárias (!). Durante a manifestação, teriam sido acuadas pela polícia no interior da fábrica a pedido dos patrões, que teriam fechado as portas e ateado fogo no prédio. Este episódio teria motivado a comunista Clara Zetkin a propor a criação do Dia Internacional da Mulher durante a 2a. Conferência Internacional da Mulher Socialista realizada em Copenhague, na Dinamarca em 1910.
Há uma segunda versão, menos conhecida, da socióloga Eva Blay, da USP, que revela que o episódio de 1857 nunca existiu. Segundo ela, as comemorações se baseiam em um outro incêndio, em um prédio de três andares, também em Nova York, onde funcionava uma fábrica de blusas. Dentre os 600 empregados, morreram 125 mulheres e 21 homens. Daí a homenagem.
A verdade é que em 1975 a ONU – Organizações das Nações Unidas incluiu a data em seu calendário oficial e 8 de março passou a ser reconhecido como o dia de luta feminina pela defesa dos seus direitos humanos, o que deveria ter feito com que as celebrações perdessem o tom feminista e alçassem um nível de discussão mundial da condição do papel da mulher na sociedade, o que, infelizmente, ainda não aconteceu, salvas algumas (raras) exceções.
Não adiantou queimar sutiãs e reivindicar direitos como o divórcio, aborto e sexo livre no passado. Ainda hoje, leis e costumes continuam causando inúmeros tipos de violência contra as mulheres. Na China, recém-nascidos de sexo feminino podem ser descartados nas lixeiras sem punição aos responsáveis. Em muitas aldeias africanas, se corta o clitóris para que a mulher lembre-se, para o resto da vida, que foi feita para servir e não para sentir prazer.
No Brasil as injustiças são de outra ordem. Em um país onde o último censo do IBGE registra mais de 90 milhões de mulheres entre os aproximados 180 milhões de brasileiros, elas ocupam mais de 50% dos bancos escolares enquanto conquistam apenas 42% do mercado de trabalho embora sejam responsáveis pelo sustento de quase 2/3 das famílias brasileiras mesmo com serviços de pouca valorização social e financeira.
Definitivamente, as mulheres estão presentes em todos os lugares. Fazem tudo o que os homens fazem e, para não perder a piadinha, de salto alto! Mas, neste 8 de março, ainda não há só motivos para comemorar.
É verdade que a mulher brasileira tem carro projetado para atender suas necessidades, mas precisou de uma lei específica para punir o homem que a espanca. Aproveita a independência financeira e a liberdade no exercício de sua sexualidade, mas é julgada moralmente quando sofre abuso sexual. Pode se beneficiar de uma série de inovações médicas, porém teme mais a violência doméstica do que o câncer de mama. As contradições são mesmo muito grandes.
Até no lar há exploração. Elas são as primeiras a acordar e as últimas a dormir. A rotina é massacrante. Mas há quem, depois de tudo isto, receba a violência como pagamento. De cada quatro mulheres, uma já foi vítima de violência física e/ou psiquica. É, definitivamente, o maior problema enfrentado hoje. São espancamentos, estupros, morte!
Assim, antes de celebrar qualquer coisa, o que precisamos é continuar lutando para que, como na história dos velhinhos que contei no início, os esforços das mulheres sejam respeitados, valorizados e reconhecidos todos os dias.

Texto publicado na Folha da Região de 06/03/09

quinta-feira, 5 de março de 2009

A necessidade do jornalismo especializado

Uma das grandes culpas que nós, jornalistas, carregamos, é o fato de errarmos com frequência não só o Português, mas, especialmente, a informação. Isto acontece por vários motivos que todos sabemos (mas o público, muitas vezes não!): deadline apertado, informação errada das fontes, termos técnicos que desconhecemos porque fazem parte de uma linguagem segmentada, de determinado grupo; etc, etc, etc. Dai a necessidade de estudarmos sempre, lermos muito e, especialmente, nos adequarmos ao jornalismo especializado, aquele que prepara o profissional para entender, mais facilmente, os assuntos que precisa cobrir e desvendar para a população. Quando isto não acontece, vejam no que dá. A notícia foi retirada do site http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia.aspx?cod=79337:

Esclarecimentos

Luiz José Bueno de Aguiar, advogado de José Dirceu, esclarece enganos publicados na mídia acerca de uma caso de penhora que envolve seu afamado cliente

No último sábado, 28/2, a Folha de S.Paulo publicou matéria sobre decisão do TJ/SP na qual se determinou fosse penhorado um imóvel do ex-deputado e ex-ministro José Dirceu por conta de uma dívida judicial.

De acordo com a matéria, como perdeu a ação, o petista deve arcar com honorários do perito no valor de cerca de R$ 120 mil.

Segundo o advogado, o repórter do matutino cometeu uma sucessão de erros. A começar pela grafia de seu nome que é Luiz José Bueno de Aguiar e não Luiz Carlos como foi publicado no periódico. (erro imperdoável!)

Na catação das migalhas, engolimos junto a barriga, mas rapidamente retificamos o nome e aí tivemos a notícia de que mais equívocos haviam sido cometidos na referida reportagem.

Informou-nos o causídico, que a única informação realmente correta é a de que a penhora, de fato, existe. No entanto, trata-se de um terreno.

O erro começou porque houve, no início do processo, a penhora de um imóvel que pertencia a Dirceu, localizado em Vinhedo. Tal bem era um terreno. Porém, com o passar do tempo e diante da morosidade da justiça, no terreno foi edificada uma casa, onde José Dirceu agora reside, depois da cassação de seu mandato.

Na matéria da Folha de S.Paulo o repórter afirma que para o advogado seria inaceitável que a única casa de Dirceu fosse penhorada, e que defenderia ainda que a dívida já prescreveu.

O advogado informou ao Migalhas que "nunca disse que impediria penhora alguma".

"O imóvel penhorado, quando dado em penhora era um mero terreno e hoje é a residência de José Dirceu, o que altera os fatos e impõe novas providências, se for o caso até substituição da penhora para que não sobrevenha prejuízo irreparável, ademais por se tratar de imóvel de valor muito superior à dívida".

Ainda segundo Luiz José Bueno de Aguiar, "o acórdão não foi publicado, mas a decisão é no sentido de flexibilizar o dies a quo da contagem de prazo prescricional. Segundo o r. decisum, trata-se de dar início à contagem da data de conhecimento do fato".

Ele salienta ainda que "o fato de que tratam os autos é o trânsito em julgado da decisão que condenou o cliente ao pagamento da perícia. Pois bem, admitindo-se que o dies a quo deve ser flexibilizado, deve haver prova robusta da data do conhecimento, sob pena de verdadeira extinção do instituto da prescrição".

O advogado pede para que seja aguardada a publicação do acórdão, onde certamente estará fixada a data que até o momento é desconhecida.

"Cabem ainda Embargos de Declaração e evidentemente os Recursos aos Tribunais superiores, os quais serão com toda a certeza interpostos."

Outro engano da publicação

"A penhora do imóvel, localizado em Vinhedo/SP, foi decidida por unanimidade em júri em 1º de dezembro, mas ainda não foi publicada no "Diário Oficial". O relator foi o desembargador Oliveira Santos."

O trecho acima consta da matéria do matutino paulista, mas como bem sabem os migalheiros, dificilmente foi o "júri" que decidiu qualquer coisa.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Censura no caso Embraer

Este texto foi publicado no blog operariododireito, do professor Maurício de Carvalho Salviano, mestre em Direito das Relações Sociais (Direito do Trabalho) pela PUC/SP, responsável pelas aulas de Legislação e Ética no curso de Jornalismo do UniToledo. Reproduzo-o por ser do nosso interesse também.

Censura privada em céu nebuloso

Por Júlio Ottoboni em 3/3/2009


Enganam-se os que pensam ser a censura um instrumento do aparato repressivo do Estado. Ela se molda conforme o tempo, a situação e a oportunidade, mas não deixa de existir. Apenas muda, transforma-se e, invariavelmente, ataca da maneira mais sorrateira e vil possível.

A atividade jornalística está longe de ser perfeita, como qualquer outra área do conhecimento humano, mas detém seu percentual de acerto e de responsabilidade. E é a sua função de informar que as presas da censura preferem abocanhar e injetar seu veneno.

No dia 11 de dezembro de 2008 produzi a reportagem que deu manchete da Gazeta Mercantil: "Embraer prepara-se para demitir 4 mil funcionários". O texto revelava os planos da empresa para dispensar 20% de seu efetivo e os preparativos que já ocorriam nesse sentido. Foi uma antecipação da informação, que no meio jornalístico chamamos de "furo".

No entanto, a reação da empresa, particularmente de seu presidente Frederico Curado e de alguns de seus vice-presidentes foi de extrema agressividade, chegando o dirigente máximo da companhia dizer em coletiva de imprensa, depois em rede nacional, que as informações publicadas pela Gazeta Mercantil eram "levianas, mentirosas e invenção da cabeça de alguns jornalistas".

Uma única frase

Na maioria dos casos, o público consumidor de notícias desconhece os bastidores das reportagens. Como dizia um ex-professor de meu curso de Jornalismo, no começo dos anos 1980, "jornalista não é notícia" – embora haja momentos em que esse atrás de teclados, microfones e câmeras seja necessário vir a conhecimento geral. Só assim se consegue contextualizar e analisar o caso sob uma ótica completa.

Permitam-me relatar parte deste artigo na primeira pessoa. Entre apuração e rechecagem das informações, avaliação e análise do conteúdo jornalístico, eu e meus editores trabalhamos mais de 20 dias nesse processo. Um tempo imenso para quem conhece a dinâmica de uma redação de jornal diário, mas necessário para publicarmos a matéria com a maior precisão possível.

Todas as minhas fontes eram off, pois a maioria delas trabalhava na Embraer e estava revoltada com o golpe preparado pela companhia junto aos trabalhadores. No dia 10 de dezembro, tive o cuidado de telefonar logo pela manhã, às 9h30, para a assessoria de imprensa da empresa e repassar todas as informações que eu havia apurado, deixando transparente do que se tratava a reportagem. Pedi que houvesse um retorno, já que o assunto era grave e preocupante.

Depois de diversos telefonemas ao longo do dia cobrando uma posição, só fui conseguir o já clássico "a Embraer não comentará sobre esse assunto" às 17h40, devido à insistência. Foram oito horas de espera para obter uma única frase e também começar um verdadeiro inferno em minha vida, como se eu fosse o objeto catártico de toda frustração da direção da empresa.

Cavalaria em campo

No dia da publicação da matéria (11/12/2008) houve uma cerimônia de entrega de dois aviões para Air France e fui escalado para cobrir o evento. Já ao ingressar nas instalações da fábrica, em São José dos Campos (SP), foi recebido pela chefia da assessoria de imprensa, que sem o menor respeito tentou esconder a fúria sob a ironia cínica e vociferou na frente de outros colegas jornalistas: "O que você está fazendo aqui? Ninguém aqui quer te ver. Já não teve seus cinco minutinhos de fama?"

Depois foi grosseria atrás de grosseria, protagonizada não por pégasus alados e mitológicos, mas por executivos despreparados para lidar com a imprensa e com a iminência de uma crise. Extravasaram seus sentimentos mais viscerais, como algo próximo a delicadeza da soldadesca montada da Polícia Militar de São Paulo em dia de clássico no Pacaembu ou nas manifestações públicas nos idos dos anos 1960 e 70. Algo ultrajante e acompanhado por diversos companheiros de profissão, como se os executivos da ex-estatal não tivessem tido informações e tempo suficientes para justificar o conteúdo da reportagem. Mas esse era apenas o prefácio.

Com o passar dos dias fui retirado do mailing list da empresa, proibiram-me de entrar ou cobrir qualquer evento nos limites da companhia, deixei de ser atendido pela assessoria de imprensa tanto por telefone como por e-mail – e, para confirmar isso, eu enviava e-mails e telefonava para todos os jornalistas da assessoria, assim não haveria como me enganar ou a assessoria me desmentir.

Não contentes com as privações a um profissional de imprensa em pleno exercício da profissão, a gerência de comunicação da Embraer e sua direção passaram a exigir minha demissão e a retratação em primeira página "das mentiras publicadas pelo jornal".

Na edição de segunda-feira (2/3/2009) da Gazeta Mercantil, o jornalista e diretor do grupo CBM, do qual a Gazeta faz parte, Augusto Nunes, esclareceu em seu artigo mais um dos deprimentes episódios:

"Os exemplares com a informação incômoda começavam a ser distribuídos quando diretores da Embraer chegaram ao prédio do jornal com um dossiê que, além de desmentir a degola agora efetivada, pretendia transformar o autor da reportagem num inimigo jurado da empresa. A chefia da Gazeta não perdeu tempo com a fantasia".

Além de ter virado o bode expiatório da Embraer, a empresa passou a usar de expedientes visando meu prejuízo profissional e pessoal.

Minha relação com a companhia sempre foi pautada pela boa educação, pelo respeito mútuo e sem a menor rusga durante os três anos em que estou na Gazeta Mercantil, iniciados em fevereiro de 2006. Nesses últimos anos dediquei atenção especial ao pólo aeronáutico, particularmente à Embraer – empresa que cubro há mais de vinte anos como profissional de imprensa, dez deles pelo Estado de S.Paulo.

Entre fevereiro de 2006 e dezembro de 2008, produzi 208 matérias jornalísticas pela Gazeta Mercantil, várias com grande repercussão. Foram 79 primeiras páginas assinadas e diversas manchetes nas editorias de Transportes e Nacional.

O jornal

Apesar de a Embraer lançar sua enorme estrutura contra mim, inclusive me desmentindo e me desqualificando constantemente junto a outros órgãos de imprensa, o dia 19 de fevereiro último foi especial. Ali vivi um misto de tristeza pelas 4.273 demissões – a maior da história da fabricante nacional – e pelo impacto sobre a economia do pólo aeronáutico, mas também um sentimento de alívio e de comprovação da seriedade com que tratei o assunto, desde o início.

A verdade tinha prevalecido, assim como o desafio de enfrentar um poder econômico gigantesco como o da Embraer. A liberdade de imprensa foi resguardada pela direções da Gazeta Mercantil e do grupo CBM, num voto claro de respeito à informação responsável e procedente.

Meus editores, que apostaram nas minhas apurações e partilharam comigo os momentos de agonia, puderam comemorar a vitória sobre a truculência de quem acreditou que submeteria o jornal à censura, desta vez de ordem econômica e sob o jugo do poder do capital privado.

Vários colegas de Redação me telefonaram emocionados, alguns chegaram a chorar, pois partilharam a tensão diária que vivi nesses últimos dois meses. Muitos deles tiveram experiências semelhantes ao longo de suas carreiras. Éramos, ali, todos Quixotes contra as pás do moinho da vaidade, da prepotência e da arrogância.

Pesos e medidas

Meu companheiro Luis Nassif não deixou barato as demissões e mandou em sua coluna, no dia 22 de fevereiro, o artigo " A Embraer e o mito":

"Ainda não estão claros todos os motivos que levaram a Embraer a promover a maior demissão que uma empresa privada já fez no país: 4.270 funcionários, 20% de sua força de trabalho. É um gesto com muitas consequências. Numa ponta, indispõe a empresa com os governos estadual e federal, por quem ele sempre foi apoiada. Rompe com uma relação histórica de respeito com os funcionários e com a comunidade joseense. Junto à opinião pública, quebra uma imagem de respeito e invencibilidade."

Nassif voltou à carga mais duas vezes, a última delas no domingo (1/3), sob o título "A Embraer, segundo seu presidente":

"Recebo do presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, carta sobre os problemas enfrentados pela empresa, que culminaram na demissão de 4.200 trabalhadores".

Pelo visto, a Embraer e seus diretores e assessores são contra a informação, não contra a opinião. Pois em nenhum momento houve qualquer tentativa do exercício da humildade e reconhecimento da verdade, por mais explicita que ela seja e esteja. Eu e a direção da Gazeta Mercantil ainda aguardamos explicações sobre tanta ânsia em censurar a verdade e o exercício do jornalismo.

Termino com algo que escrevi em minha defesa na própria Gazeta Mercantil: "Jornalismo não é feito para agradar ou desagradar ninguém. Sua função é informar e formar a sociedade da melhor maneira possível".