segunda-feira, 9 de março de 2009

Como os jornalistas podem ajudar na Educação

Minha formação em jornalismo me levou para as salas de aula para ensinar redação a vários públicos, do Ensino Fundamental à pós-graduação. Mas foi em um curso para professores da rede pública promovido pela Diretoria de Ensino de Jales que pude constatar como colegas educadores com realidades tão diferentes da minha (que nunca trabalhei em escolas públicas) são capazes de reconhecer e valorizar a nossa profissão. Leia, abaixo, um texto escrito em parceria com duas alunas:


A importância da mídia como veículo de Educação no Brasil*

Ayne Regina Gonçalves Salviano
Maria Aparecida da Silva Lobianco
Nilva Magaróti


A sociedade brasileira precisa compreender que os veículos de comunicação são divulgadores – e muitas vezes produtores - de conhecimento que, socializados, podem ajudar a melhorar a vida das pessoas ajudando-as a resolver diretamente os problemas de seu bairro e sua cidade, e, indiretamente, do seu Estado e país.

A Educação já descobriu esta verdade. Nas últimas décadas, especialmente a partir do final de 80 e início de 90, tem sido através dos mais variados produtos midiáticos que muitos educadores têm proporcionado e desenvolvido inúmeros projetos de sucesso que estão contribuindo para a riqueza cultural e social de seus educandos.

Casos não faltam para comprovar esta tese, a partir dos óbvios: A programação infantil da TV Cultura, por exemplo. De Castelo Rá-Tim-Bum, um dos programas mais famosos da emissora, até os quadros que ensinam truques de magia ou confecção de brinquedos com material reciclável, tudo é aplicado em sala de aula para deleite das crianças, especialmente daquelas entre 4 e 11 anos.

Nas rádios, a experiência se repete. Há emissoras paulistas, muitas comunitárias ligadas às igrejas, que mantêm programas infanto-juvenis com notícias e músicas pensadas por crianças e jovens na faixa dos 7 a 16 anos. Eles escolhem a programação musical – mais adequadas para sua faixa etária do que a programação das rádios comerciais com os seus “Créus” -, produzem as notícias e comentam, sempre orientados mais por profissionais ligados à área da Educação do que ao Jornalismo.

No impresso, as experiências se espalham. Em Araçatuba, o jornal Folha da Região mantém um projeto sério que prepara os educadores e estimula os alunos a viver o Jornalismo e, por conseqüência, o conhecimento. Em Jales, a 110 quilômetros de Araçatuba, na região de São José do Rio Preto, o Jornal de Jales faz o mesmo com um adicional: sempre que acionado, envia seus profissionais para palestras e oficinas de como confeccionar jornais. E, no gênero do civic journalim, ou jornalismo cidadão, publica os textos de interesse de toda a comunidade, como foi o caso de dois fascículos do Projeto Memória que resgatou a história do CEFAM, o Centro de Aperfeiçoamento do Magistério. De novo a Educação em pauta.

O mesmo aconteceu no Colégio Toledo de Araçatuba. Em parceria com o curso de Jornalismo do Centro Universitário Toledo, jovens do Ensino Médio tiveram lições de como produzir seu próprio jornal em um exercício de cidadania, mas também de Português, atualidades, História, Biologia, enfim, de todas as áreas do conhecimento. Eles foram orientados pelos professores do Colégio em parceria com os professores do curso de Jornalismo.

O mesmo aconteceu no Colégio Geração Raízes, também de Araçatuba. Depois de oficinas com um aluno do Jornalismo da Toledo e estagiário da Folha da Região, as crianças e adolescentes produziram várias edições diárias que alimentaram o público da Semana Cultural

Como disse Rui Barbosa: “A imprensa é a vista da nação, por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe mal-fazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que sonegam ou roubam, percebe onde lhe alvejam ou nodoam, mede o que lhe cerceiam ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que ameaça”.

Pensado assim, fica fácil entender a parceria entre Escola, educadores, veículos de comunicação e Jornalismo. Somente a reflexão conjunta, tecida no trabalho coletivo, permitirá identificar relações e articulações para um melhor desenvolvimento da sociedade. Portanto, não se pode abrir mão da mídia.

Ayne Regina Gonçalves Salviano é jornalista e professora do Centro Universitário Toledo de Araçatuba. É mestranda em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É bolsista da Capes em um projeto sobre Jornalismo cidadão. Foi editora do Projeto Memória em Jales, série de 90 fascículos mensais que contribuíram para o resgate da história local.

Maria Aparecida da Silva Lobianco e Nilva Magaróti são professoras da rede estadual de ensino, formadas pelo Centro Universitário de Jales.

* O texto foi produzido durante curso de aperfeiçoamento ministrado por mim aos professores da rede pública ligados à Diretoria de Ensino de Jales.

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