segunda-feira, 23 de março de 2009

Tico-Tico, por Juliana Siqueira


O texto que segue é colaboração da acadêmica Juliana Siqueira, estudante do 7o. semetre de Jornalismo do Centro Universitário Toledo de Araçatuba, pessoa com quem tenho o privilégio de conviver e aprender todas as semanas. Depois da nossa aula sobre jornalismo infantil, ela realizou a pesquisa sobre a primeira publicação impressa do gênero e preparou um powerpoint especial, do qual reproduzo parte. Obrigada Juliana, pela pesquisa, mas em especial pelo interesse.

No dia 11 de outubro de 1905, foi publicada no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro (RJ), a primeira revista brasileira de quadrinhos para crianças.

Iniciava-se o século XX com um novo regime político, a República, e inúmeros acontecimentos brasileiros mereciam as manchetes mundiais. Porém, até aquela data, não existia nenhuma revista infantil, editada no Brasil, e os livros destinados a esse público ainda eram importados de Portugal.

Anteriormente, em 1898, circulara no Brasil, o Jornal da Infância, uma pequena revista semanal de oito páginas, impressas em preto e branco, contendo lendas, crônicas e poesias. Sua publicação ficou restrita a 20 números. A revista O Tico-Tico veio sete anos depois, e com uma proposta diferente: vinha para durar.

O seu sucesso deveu-se a uma razão simples: a revista despertou, nas crianças, o hábito da leitura. E vale salientar que, na época, a população brasileira era de aproximadamente 70% por cento analfabeta.

A tiragem inicial de 10.000 exemplares foi aumentada para 25.000, tornando-se a revista, referência cultural no País. Ela teve importante participação no combate ao analfabetismo, ao alcoolismo, e na implantação do escotismo no Brasil.

O conteúdo era variado. Tinha uma seção - “Gaiola do Tico-Tico” - na qual os leitores enviavam suas fotos e apareciam na revista. Era o sonho das famílias da época, ver o rosto de algum ente querido nas páginas da revista. Essa seção durou de 1906 a 1920.

Outra seção bastante famosa foi “Correspondência do Dr. Sabe-tudo”, que durou 38 anos, de 1910 a 1948, e respondia a questões variadas, formuladas pelos leitores.

Havia seções de jogos, contos e passatempos.

Na seção “Teatro de Algibeira”, a revista trazia peças teatrais, com palcos que poderiam ser recortados e agrupados em seqüências diferentes, nas quais os leitores encenavam.

Fazia parte do conteúdo da revista: poesias, partituras e letras musicais.

Em 1911, a primeira obra de Sérgio Buarque de Hollanda estreou na revista, não como um texto, mas, sim, com a partitura de uma valsa, denominada Vitória-régia, que havia sido composta aos nove anos de idade dele.

Durante o período em que circulou, O Tico-Tico arrebatou leitores, como Olavo Bilac, Rui Barbosa, Tristão de Athayde, Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues, Lygia Fagundes Telles, Ziraldo, José Midlin, entre outros.

3 comentários:

  1. Olá Ayne, sensacional. A aluna merece os meus parabéns. O jornalismo infantil merece atenção de todos nós.

    Beijos mil. Qualquer dia passo na facul para bater um papo com seus alunos de jornalismo... Passe lá no meu blog hein. rs

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  2. Wesley, será um prazer receber a sua visita.
    Vamos agendar este bate-papo, pois tenho certeza que os alunos vão gostar.Abs.

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  3. Acho interessante o espaço dedicado ao jornalismo infantiol em alguns jornais. No entanto acredito que as pautas nem sempre comrrespondem aos interesses dessa faixa etária específica. Além de repetitivos, os temas abordados poucas vezes estimulam questões que acrescentem benefícios à formação.

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