quarta-feira, 29 de abril de 2009

Ser ignorado

Esta colaboração é do acadêmico Diuan Feltrin, impressionado com uma dissertação de mestrado de um psicólogo na USP - Universidade de São Paulo. O fato descrito serve de exemplo da quantidade de pautas que nos passam despercebidas todos os dias diante da mesmice das páginas e segundos televisivos recheados de violência e sensacionalismo. Está na hora dos jornalistas deixarem a rodinha de hamster que mantém as manchetes, todas repetidas, diariamente. É verdade que alguns fatos precisam ser explorados para informação e formação de espírito crítico do cidadão. Mas outros...Bem que poderiam ser trocados por temas importantes como esse abaixo que prova, como nenhum outro, que estamos longe da sociedade ideal.

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. Em sua dissertação de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.

Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.

Ele conta: "No primeiro dia de trabalho paramos para o café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo, pegou duas latinhas de refrigerante, cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar".

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo
nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'. Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!"

terça-feira, 28 de abril de 2009

Jornalismo Infantil ainda é criança no Brasil

A opinião é do Ivan e do Ronaldo, dois destaques da turma do 7o. semestre noturno do curso de jornalismo do Centro Universitário Toledo de Araçatuba. Vale a pena conferir!




Ivan Ambrósio
Ronaldo Ruiz Galdino

O jornalismo infantil no Brasil está longe do ideal. Esta é a opinião quase unânime
entre pesquisadores e jornalistas. Com mais de 100 anos de história no país, os suplementos infantis esbanjam no entretenimento e jogos lúdicos, que são importantes, porém, pecam ao não usá-lo como instrumento pedagógico na formação de uma visão crítica do cotidiano nas crianças.
Os jornalistas que se propõem a trabalhar nesta área parecem não cumprir o seu papel de “educador”, como definiu Alberto Dines. Esses profissionais acreditam saber o que as crianças querem, sem ao menos consultá-las. Em alguns suplementos existem espaços para as crianças se expressarem, na grande maioria em encartes destinados a este público como carta de leitores, desenhos, fotos e até criação de historias, estimulando, assim, a criatividade, o que ainda é pouco. É preciso saber o que o público infantil quer por meio de um conselho de leitores.
Não devemos ser ingênuos e acreditar que uma criança não sabe o que está sendo discutido no mundo dos adultos. Crise financeira, aquecimento global e pedofilia são algumas palavras que este público está acostumado a ouvir nas conversas dos pais, na televisão ou no rádio. Esses assuntos deveriam ser utilizados nos suplementos infantis, pois as crianças querem respostas simples e imediatas, fazendo, assim, com que se formem cidadãos conscientes e não apenas consumidores de produtos midiáticos.
Até quando as matérias são bem produzidas tecnicamente, alguns erros são cometidos. Reportagens sobre crianças que acompanham pais em trilhas não retrata a vida cotidiana de um menino da favela, que sobe e desce a ladeira entre trocas de tiros, traficantes armados e repressão policial. Uma criança que mora no interior, na grande maioria das vezes, não tem como assistir uma peça de teatro recomendada pelo jornal ou não possui condições financeiras para comprar o DVD do Bob Esponja ou uma boneca da Barbie.
Aqui nos deparamos com dois problemas: o primeiro é que os jornalistas não levam em conta as classes sociais, cultura e dispersão geográfica dos leitores onde estas matérias parecem ser destinadas apenas para as crianças de classe média alta de São Paulo; o segundo ponto é o incentivo ao consumismo. Se usados de maneira incorreta, esses veículos podem até ser malignos, passando para as crianças ideologias autoritárias, impostas pela visão consumidora de uma classe dominante, estereótipos, transformando o publico infantil em alienados.
Além de divertir com brincadeiras seus leitores, o que é uma coisa importante na infância, os suplementos infantis devem ajudar na formação crítica e intelectual da criança, contextualizando assuntos interessantes e importantes do cotidiano, não se limitando apenas em formar estes consumidores do produto. O jornalismo infantil no Brasil, assim como seu público, ainda tem muito que crescer.

Agora tente entender...

Em matéria publicada no último dia 27/4, no blog "Vi o mundo", do jornalista Luiz Carlos Azenha (reproduzida abaixo), o Grupo Folha aparece como empresa midiática com privilégios junto à ditadura militar no país. Vai entender o que hoje a leva a estampar notícia como a da ministra Dilma...Eu já entendi. E vocês?

Repórter da Folha tinha acesso a ações do Dops

As colaborações do Grupo Folha com a ditadura militar (1964-1985) foram além do já revelado apoio logístico. Durante o período de maior repressão do regime, José Ramos, da Folha da Tarde, era o repórter da confiança do Dops (Departamento de Ordem Pública e Social), um dos mais temidos órgãos da repressão, e sugeria a presos políticos que delatassem seus companheiros.

Por André Cintra, no Vermelho

Ramos fazia plantão no Dops, à espera de notícias sobre captura de militantes da luta armada. Tinha acesso ao transporte de presos políticos — invariavelmente em peruas do Grupo Folha, que serviam como fachada para diligências da Oban (Operação Bandeirantes). Mesmo se apresentando aos presos como jornalista, estimulava-os “a abrir a boca para os torturadores”.

“Ele era o setorista da Folha dentro do Dops — aliás, o único setorista aceito — e me disse que sabia o que podia acontecer comigo. Então ele chegou até mim e disse: ‘Acho melhor você falar’”, lembra o jornalista e escritor Rui Veiga, ex-militante da ALN (Ação Libertadora Nacional). “Ele praticamente iniciou o meu processo de tortura”, agrega o ex-preso político, em depoimento exclusivo ao Vermelho.

O Dops, no período, tinha na linha de frente o delegado Sérgio Paranho Fleury, ex-líder do Esquadrão da Morte e um dos torturadores mais frios e truculentos do regime. “Para me pressionar, ele (José Ramos) dizia: “Quem vai te pegar é o Fleury”, conta Veiga.

O ex-preso político falou ao Vermelho em 18 de abril, na antiga sede do Dops, onde hoje funciona o Memorial da Resistência. No mesmo dia, outro ex-integrante da ALN — que prefere não se identificar — relatou ter visto José Ramos numa ação da Oban, mas evitou contato.

O Vermelho também apurou que denúncias de colaboracionismo de repórteres já chegaram à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Uma das funções da comissão é avaliar pedidos de indenização da União feitos por vítimas da ditadura.

Confira abaixo trechos da entrevista de Rui Veiga ao Vermelho

Como você aderiu à luta armada?
Eu entrei em 1967 na ALN, no racha com o Partido Comunista (ex-PCB). O (líder da organização, Carlos) Marighela era muito próximo do meu pai. Um tio meu, Rolando Frati — que foi um dos presos políticos trocados pelo embaixador americano (Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969) — era o segundo nome da ALN. Minha atuação política se originou em casa, portanto — na família mesmo.

Você ficou preso no DOI-Codi e no Dops?
Na verdade, não se chamava DOI-Codi ainda — era Oban. Passei 43 dias na Oban e fui levado depois para o Dops, onde passei 38 dias.

Por que você foi preso? Quais eram as acusações “oficiais”?
Estou registrado como preso para “averiguações”. Havia três acusações contra mim. Uma delas, muito específica, é o assalto ao supermercado Morita da Saúde. A outra era o fato de eu ser ligado à ALN — e depois descobriram que eu era sobrinho de um dos presos políticos trocados pelo embaixador. A terceira coisa era que eles achavam que eu era o coordenador do setor de explosivos da ALN. Eu fazia parte do comando de combate, do GTA (Grupo Tático Armado).

Você foi transportado em perua do Grupo Folha?
Isso foi depois — só quando me levaram da Oban para o Dops. Dentro do carro, havia um repórter da Folha.

E você o conhecia, sabe qual era o nome dele?
Era o José Ramos. Ele era o setorista da Folha dentro do Dops — aliás, o único setorista aceito — e me disse que sabia o que podia acontecer comigo. Então ele chegou até mim e disse: “Acho melhor você falar”.

Ele o aconselhou a delatar seus companheiros à repressão, dar a localização dos pontos?
Ele queria me convencer a abrir a boca para os torturadores, delatar e tudo o mais. “Porque senão vai ficar muito chato para você, muito difícil para você”, ele disse.

Era uma forma de tortura psicológica...
Sim, ele praticamente iniciou o meu processo de tortura. Para me pressionar, ele dizia: “Quem vai te pegar é o Fleury”. Ele já sabia como as coisas funcionavam no Dops.

Dá para dizer que ele tinha um envolvimento com o regime, uma afinidade?
Ele estava muito envolvido. Se você procurar outras pessoas, vai ouvir a mesma coisa. Ele conversou com muita gente nos carros da Folha.

Você chegou a rever esse repórter?
Sim, claro. Eu o vi várias vezes depois disso

Chegou a encontrá-lo logo após sua passagem pelo Dops?
Eu perdi o contato com ele depois. Fui vê-lo na própria Folha, onde nós trabalhamos juntos.

Vocês conversaram a respeito desse episódio do transporte ao Dops?
Não, preferi evitar. Os tempos eram outros e ainda havia resquícios do período da grande repressão. O AI-5 ainda funcionava praticamente.

Gravíssimo!

Quando uma autoridade como uma ministra chefe da Casa Civil afirma que um veículo de comunicação nacional manipulou dados, a acusação é mais do que grave. E os desdobramentos do caso devem ser acompanhados por toda a população, mas especialmente por nós, jornalistas. O que segue, abaixo, é o primeiro desdobramento (e só o primeiro). As indicações deste texto remontam a outro postado aqui sob o título "A verdade e a internet". Vale a pena reler para analisar.

Folha reconhece erros em reportagem sobre Dilma Rousseff
Da Redação do Comunique-se

Depois de cartas enviadas à redação por duas fontes importantes da reportagem “Grupo de Dilma planejava seqüestrar Delfim”, a Folha de S. Paulo reconheceu dois erros contidos no texto, alvos de crítica do ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva. Um deles trata da ficha que ilustrava a matéria em que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, aparece qualificada como “terrorista/assaltante de bancos”, com um carimbo de “capturado” sobre sua foto. A Folha chegou a afirmar que o documento foi encontrado nos arquivos do Dops, quando, na verdade, chegou por e-mail à redação.

O jornalista Antonio Roberto Espinosa, ex-comandante da Vanguarda Popular Revolucionária e da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, entrevistado para a reportagem contestou informações publicadas e a autenticidade da ficha e acusou o diário de tentar prejudicar a ministra. O mesmo fez Dilma, dizendo que a ficha se tratava de “manipulação recente”.

“O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada - bem como não pode ser descartada”, diz a Folha em matéria de sábado passado (25/04).

O jornal explica que o foco da primeira reportagem não era a ficha mas sim o sequestro em 1969 do então ministro da Fazenda, Delfim Netto, pela organização guerrilheira à qual a ministra pertencia, a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares).

"Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30 de março (...) a matéria publicada tinha como título de capa ‘Grupo de Dilma planejou sequestro do Delfim’. O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de ‘factóide’, uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu. Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha.", escreveu Dilma ao ombudsman.

A Folha informa que destacou repórteres para esclarecer a autenticidade da ficha assim que a ministra contestou-a. “A reportagem voltou ao Arquivo Público do Estado de São Paulo, que guarda os documentos do Dops. O acervo, porém, foi fechado para consulta porque a Casa Civil havia encomendado uma varredura nas pastas. A Folha só teve acesso de novo aos papéis cinco dias depois”, responde o jornal.

"Solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 5.abr.2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de S. Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos.", diz Dilma em carta ao ombudsman.

“Ao classificar a origem de cada documento, o jornal cometeu um erro técnico: incluiu a reprodução digital da ficha em papel amarelo em uma pasta de nome ‘Arquivo de SP’, quando era originária de e-mail enviado à repórter por uma fonte”, reconheceu o jornal.

Coordenador do arquivo do antigo Dops, Carlos de Almeida Prado Bacellar afirmou que a ficha não está entre os documentos que ficam em São Paulo. "Nem essa ficha nem nenhuma outra ficha de outra pessoa com esse modelo. Esse modelo de ficha a gente não conhece."

“Os mecanismos de controle da autenticidade de informações do jornal precisam de reforço. A internet, onde a ficha circula há meses, é fértil para fraudes. É péssimo se deixar enredar nela. O custo pode ser altíssimo. Para ele, o público e as pessoas envolvidas”, concluiu o ombudsman.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Jornalismo infantil: uma nova visão

Como já comentei anteriormente, a aula sobre jornalismo infantil, na disciplina de Jornalismo Especializado, rendeu ótimos frutos. Outro deles é o texto abaixo. Acompanhem:



A maturidade que o Jornalismo Infantil precisa

Anderson Soares
Cláudio Henrique


O jornalismo tem o poder de influenciar a vida da sociedade em geral. Para o bem ou para o mal, a imprensa carrega esta responsabilidade de informar pessoas, fazendo delas seres conectados com os fatos, mesmo que de acordo com o viés ideológico que move determinado veículo. Se jornais, revistas, rádio, televisão e internet movem mentes adultas, nas crianças a mídia tem um livre acesso a ser explorado com conduta profissional e pedagógica. Mas será que o público infanto-juvenil aprecia com qualidade o que os meios de comunicação transmitem por meio da atuação jornalística?
O Jornalismo Infantil surgiu com o desejo de atrair o público mirim para as páginas impressas. Por meio de quadrinhos e atividades didáticas, as crianças foram encontrando um espaço didático anexado a várias páginas com letras, fotos e outras peculiaridades que no senso comum são taxadas como feitas para pessoas “mais velhas”.
Mas ao passar dos anos a novidade infantil caiu no marasmo, encontrando limitações até dentro de quem deveria apreciar o conteúdo de tablóides semanários. Vale ressaltar que a abordagem sobre o Jornalismo Infantil está até então restrita à mídia impressa, isso porque o gênero apresentado carece (e muito) de espaço em outros veículos. Dá para contar nos dedos quantas atrações para crianças podem ser consideradas jornalísticas no rádio, televisão ou até mesmo internet. O que se encontra são desenhos e mais desenhos, em uma linguagem que perdeu até mesmo o tom educativo.
Mas voltando ao âmbito impresso. A deficiência do Jornalismo Infantil no Brasil começa na abordagem de temas. É inadmissível querer ganhar a atenção dos pequenos por meio de uma linguagem arcaica e mimosa. Entre “amiguinho” e outros “inhos”, o veículo acaba definindo a criança como uma alienada mirim, a qual não cresce jamais.
O distanciamento da realidade infanto-juvenil é outra limitação dos informativos atuais. Os veículos acreditam que o leitor vive apenas de jogos de vídeogame, quadrinhos, desenhos e compras, esquecendo que a criança vive em uma sociedade e tem o direito de ser formada sobre tal. E o passar dos anos foi abolindo temas relevantes para as mentes mirins, tais como: cidadania, esportes, escola, entre outros, até mesmo temas mais polêmicos, como a política e violência, as quais fazem parte do cotidiano infantil.
Se o Jornalismo Infantil está perdendo a capacidade de informar, tampouco o gênero forma; é lamentável notar como algumas publicações e até mesmo outras veiculações são chamadas grosseiramente de informação. Abordar a roupa de determinada atriz para a moda mirim se tornou muito mais importante do que falar de pedofilia, algo que precisa ser esclarecido perante o pequeno público, que não é mais inocente como na época da revista Tico-Tico, criada em 1905 e considerada a primeira revista infantil feita no País.
Os jornalistas e veículos do gênero infantil deveriam olhar com mais sensatez para exemplos que vêm das escolas, onde existem atividades informativas com jornais, revistas, rádio e tevê. Fazer cidadania por meio da informação é o que as crianças precisam, pois elas devem amadurecer tendo como companhia informação didática sim, mas que também a faça cidadã. Passou da hora de o Jornalismo Infantil finalmente amadurecer.

A Sangue Frio

A obra de Truman Capote é um clássico do jornalismo, por este motivo está sendo indicada no "Mundo dos jornalistas". Mas o melhor de tudo é que a resenha foi feita pela acadêmica Angélica Neri e enviada ao blog como contribuição. Valeu Angélica!



De uma simples nota a um surpreendente Jornalismo

A riqueza de detalhes e as descrições minuciosas de lugares, gestos, objetos, traços físicos e psicológicos das personagens, roupas, pensamentos e comportamentos, fizeram de “A Sangue Frio” um dos mais reconhecidos livrorreportagens da História.

Nele, Truman Capote traz, com linguagem simples e direta, os desdobramentos de um acontecimento real: o assassinato dos quatro membros da admirada família Clutter, na cidade de Holcomb, no Estado norte-americano de Kansas, em 1959.

O livro, editado pela Companhia das Letras, está em sua 5ª reimpressão, possui 440 páginas, e é referência quando o assunto é o surgimento de um novo gênero: o new journalism.

A obra é fruto da ousadia e comprometimento de Truman Capote, que ao ler no jornal uma pequena nota sobre o crime, decidiu apurar os fatos de uma maneira aprofundada.

Durante seis anos, o escritor se dedicou a investigar. Ele coletou informações, mantendo contato com conhecidos, testemunhas e, inclusive, com os próprios assassinos para a obtenção de aspectos importantes para a estrutura da reportagem. Capote apresentou, de uma maneira diferenciada, um jornalismo capaz de sensibilizar e estabelecer uma aproximação entre o leitor e os fatos, colocando em discussão o tabu da pena de morte e a adrenalina de um mistério.

A repercussão não poderia ser diferente: um verdadeiro sucesso! O texto ganhou espaço em quatro capítulos na revista The New Yorker, e em 1966 destacou-se no mercado editorial, agora como livrorreportagem, ficando conhecido em todo o mundo. Mais tarde, ganhou também prestígio no cinema.

“A Sangue Frio” sugere o rompimento do Jornalismo comum adotado na época. O autor dá um passo importante para a renovação, fato que é facilmente observado em uma narração objetiva e amplamente literária, capaz de provocar emoções e contradizer as regras jornalísticas até então utilizadas.

O livro “A Sangue Frio”, de Truman Capote, tornou-se um ícone do Jornalismo literário, um novo gênero jornalístico, atrativo para adolescentes e adultos, que surge com a evidente aproximação entre a realidade e a literatura, caracterizados pela mistura de sentidos, descrições determinantes e uma maneira peculiar de narrar.

domingo, 26 de abril de 2009

Temas difíceis no jornalismo infantil

Foi uma provocação. Durante as aulas sobre jornalismo infantil, instiguei os alunos de Jornalismo Especializado para que pensassem sobre como tratar de temas difíceis - mas atuais - como assédio sexual, pedofilia, estupro e aborto (entre outros expostos diarimente na mídia) para o público infantil, de 7 a 12 anos, que, se não lê muitos jornais e revistas, ouve noticiários no rádio e na TV.
O exercício não valia nota, mas eu queria que servisse de estímulo para que todos (re)pensassem como os veículos de comunicação estão tratando os leitores mirins, crianças que sofrem as maldades do mundo adulto, mas não são informados o suficiente para conseguirem se prevenir ou pedir ajuda.
Foram várias as surpresas boas, mas a exposta abaixo impressionou. As alunas Tamyres Araújo e Karol Veri se superaram. Elas criaram um panfleto, que também poderia ser uma página espelhada de jornal ou revista, onde abordaram os temas com um projeto gráfico atraente, uma abordagem direcionada e uma linguagem de fácil compreensão, mas sem ser simplista, reducionista ou abestalhada.
Parabéns meninas, o mercado está precisando de profissionais como vocês!



Jornalismo infantil, um desafio

Na aula de Jornalismo Especializado, coloquei minha moçadinha para conhecer, analisar e (re)pensar sobre o jornalismo infantil praticado nos veículos de comunicação brasileiros, em especial nos impressos.
Na minha avaliação, as aulas foram gostosas, pois é muito bom, para um professor, perceber a maturidade profissional na maioria dos acadêmicos.
Depois de estudarem as referências bibliográficas, analisarem as principais publicações, questionarem, debaterem e sugerirem, pedi um artigo que sintetizasse as ideais principais que ficaram do exercícios proposto.
O texto abaixo é o primeiro resultado:




Jornalismo Infantil: entre a informação, a educação e o entretenimento

Marília Lopes
Natalí Garcelan


Na metade do século XIX, o jornalismo infantil nasceu no Brasil como um instrumento de cultura e veículo utilizado no aprendizado escolar, a principal preocupação era o desenvolvimento da educação e do ensino, sem qualquer caráter mercadológico.
A revista Tico-Tico foi o marco neste segmento, já que renovou os métodos e objetivos do jornalismo feito para o público infantil. Em sua apresentação, no ano de 1905, a revista Tico-Tico se aproximou de seu público-alvo em um diálogo onde se mostrava totalmente destinada às crianças. “Eu acho que vocês todos têm razão. Na verdade, chega ser uma injustiça que no Brasil todas as classes tenham o seu jornal e só vocês não o tenham. Pois bem! Futuros Salvadores da Pátria e mães de famílias futuras! Daqui em diante, às quartas-feiras, exigi de vossos pais o Tico-Tico”.
A importância do jornalismo feito para crianças está no fato de que, assim como os adultos, elas também precisam de informação. Mayra Fernanda Ferreira afirma em sua pesquisa “Jornalismo Infantil: por uma prática educativa”, que “devido as transformações da sociedade contemporânea, na qual as crianças passaram a ter acesso às informações e à cultura, é necessário observar até que ponto a mídia infantil contribui para a formação deste público a partir dos conteúdos e formatos veiculados, uma vez que passa a atuar também como educadora”.
Um exemplo disso está em nossa cidade. A Folhinha, suplemento do jornal Folha da Região, além de informar, ocupa um papel importante na sala de aula. A jornalista responsável, Fernanda Mariano, afirma que o projeto busca ser suporte daquilo que é visto em sala de aula. Um exemplo disso está em abordar datas comemorativas, assunto que está fundamentando o discurso do professor e as práticas pedagógicas. A resposta pode ser vista no próprio suplemento. O espaço intitulado Coluninha dos Leitores recebe opiniões de crianças de diversas idades, a grande maioria incentivada por seus professores, que utilizam o material.
A pesquisa “Esqueceram de Mim”, coordenada, no ano de 2002, pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) e o Instituto Ayrton Senna, analisou o jornalismo infantil no País, e mostrou que das 138 edições consultadas, 41,3% tinha seções de cartas, em 71,9% elas ocupavam menos da metade da página. Quanto ao conteúdo, 37,8% das cartas encaminharam desenhos para publicação, 28,9% apresentaram comentários sobre o tema de capa da edição anterior, 16,7% constituíam correspondência entre leitores, 8,9% faziam pedidos ao editor e, por fim, 7,8% enviavam sugestões e críticas.
Este é um espaço que deve ser valorizado, já que é por meio dele que chegam as sugestões e opiniões daqueles que são os maiores críticos: os leitores. Outro meio de interagir com a criança é por meio das brincadeiras. 80,4% do material pesquisado apresenta jogos de passatempo como desenhos para colorir e caça-palavras.
Crianças são ativas, curiosas, imaginativas e criativas, seu mundo é diferente do mundo de um adulto, portanto a ideia de diversão deve estar ligada a aprendizagem. O quarto princípio da Declaração dos Direitos da Criança é claro quando diz que toda criança tem direito a recreação, tal princípio deve ser valorizado pelos comunicadores por meio do lúdico. Já dizia Walt Disney: “Nada melhor que ensinar se divertindo”.
Pode-se dizer que o lúdico é um dos fatores para a compra de revistas com brindes e coleções. Os estudantes de jornalismo que desenvolveram o projeto experimental de revista infantil Mundo da Leitura, afirmam que o grande problema ainda é o entretenimento. Os brindes oferecidos pela revista Recreio, segundo consta no relatório do projeto, foram criticados por fazer com que a criança compre a revista pelo brinquedo e não pela informação.
Para o psicólogo e filósofo suíço Jean Piaget, o jogo constitui-se em expressão e condição para o desenvolvimento infantil, já que as crianças, quando jogam, assimilam e podem transformar a realidade. Neste caso, a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, desta forma podemos entender que é fundamental para a educação.
Com isso podemos concluir que os mimos e brincadeiras, colocados de forma correta, podem resultar no aprendizado e interesse das crianças. Nas últimas edições da Recreio temos um exemplo disso. O público pôde encontrar o rock animal, um animal que se transforma em pedra. Nas páginas da revista há uma história em quadrinhos onde os rock animals são heróis. Além de estimular a brincadeira com o brinde, a revista estimula também a leitura. Uma criança que lê quadrinhos, possivelmente tomará gosto pela leitura.
Os quadrinhos estimulam a criatividade e hoje 89,8% dos tablóides têm quadrinhos em espaço prioritário. Isso significa que independente do fato de a criança comprar ou não pelo brinquedo, ela estará sendo incentivada a se informar e consequentemente aprender. A missão da Recreio é de “informar e formar crianças, trazendo matérias sobre bichos, passatempos, notícias da TV e do cinema, curiosidades, testes e histórias em quadrinhos”. O projeto experimental Mundo da Leitura também apresenta passatempos, como adivinhações, fazendo com que as crianças pesquisem as respostas; e caça-palavras, trabalhando entretenimento e informação.
Estes são apenas alguns exemplos, mas para que a brincadeira possa cumprir o seu papel de auxiliar na educação e na informação é preciso orientação pedagógica, o que não acontece em muitos casos. Em 2005, em entrevista para o site da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Adriana Barsotti, responsável por um dos mais antigos suplementos, o Globinho, destaca que o veículo não tem a intenção de ser pedagógico.
Subestimar é a palavra chave dentro das discussões relacionadas ao jornalismo feito para os pequenos. Outro ponto controverso é que não há assunto que não se possa explicar às crianças. O jornalismo pode ter um papel fundamental na preparação da “criançada” para entender as modificações que estão ocorrendo no mundo. Os jornalistas deverão ter coragem para ousar e experimentar novas formas de veicular informação que se mostrem mais atraentes para o público infantil.
A responsabilidade é grande, portanto é preciso reportagens que veiculem a realidade para o leitor mirim. Para Mariano, o jornalismo infantil pode ser subestimado sim, mas é preciso não generalizar. “O que ocorre é uma "tradução" dos fatos para a "linguagem" da criança”.
A primeira barreira está justamente na linguagem. A pesquisa “Esqueceram de Mim” inicia sua analise falando sobre esta dificuldade. “Escrever para crianças não é missão fácil. Não é satisfatório simplificar a linguagem, o discurso, apelar para diminutivos, abordar os assuntos de forma superficial. Redigir para elas em suplementos infantis publicados periodicamente é uma tarefa complexa, difícil de enfrentar sem cometer equívocos conceituais, de forma ou de linguagem. Além disso, com raras exceções, os cadernos infantis são tratados pela direção dos jornais como meros apêndices do departamento comercial”. Mas afinal, como escrever para uma criança?
A linguagem deve ser fática, com frases curtas, ordem direta, linguagem simples e, o principal desafio, sem os “inhos”. Fernanda lembra que “criança não gosta de ser chamada de criança. Não adianta colocar tudo no diminutivo achando que a compreensão será maior. Pelo contrário, pode trazer mais confusão. O interessante é abordar fatos que realmente possam atingir este público, destacando situações que fazem parte do dia-a-dia, sendo o mais simples possível. Para isso, é fundamental a determinação da faixa etária para qual se escreve”. Monteiro Lobato escrevia em linguagem difícil. Isto é sinal de respeito com a criança, que não quer justamente, ser subestimada.
É preciso escrever centenas de vezes e sintetizar a informação, sem deixá-la superficial. Diferente do uso do lead, que responde as questões fundamentais, o jornalismo infantil deve ir além do fato em si. É preciso contextualizar. Por muitas vezes essa comunicação não é efetuada por não se conseguir atrair a atenção dos pequenos leitores. Em muitos casos, o jornalista sente enorme dificuldade em colocar palavras, expressões e ordenar os pensamentos de forma simples e breve.
A repórter apontou um fator importante: saber para qual faixa etária se escreve. Este é um outro grande problema. Um total de 63,6% das edições monitoradas pela Andi deixa claro que se direcionam à leitores com idades de sete a 12 anos. Porém, apenas 57,5% delas se dirigem especificamente à criança e 34,7% não são claras quanto ao público: se falam aos filhos ou aos pais.
Segundo o jornalista José Reinaldo Marques, os suplementos infantis são considerados os caderninhos em comparação aos cadernos dedicados ao leitor adulto. Mas isso não quer dizer que sejam menos trabalhosos. Falar com este público exige muito do jornalista, já que eles estão formando o s leitores de amanhã.
Jorge Santos, editor de suplementos do Estado de Minas, entre os quais se inclui o caderno infantil Gurilândia, afirmou em entrevista para o site da ABI que concorda com o fato de que muitos suplementos para crianças deixam a desejar. “Acabam entrando no consumismo, no modismo puro e simples, sem a responsabilidade didática e pedagógica que, a meu ver, é primordial em qualquer veículo destinado à garotada”.
Diante destas informações é preciso questionar como fazer um jornalismo infantil de qualidade unindo entretenimento, que é primordial para o mundo infantil, educação e informação. Alberto Dines afirmou certa vez, que “toda criança que cresce lendo um jornal ou uma revista aprende a ter uma construção critica da realidade”. A receita está pronta, seja nas pesquisas, entrevistas, análises e troca de informação com profissionais que vivem o mundo da criança em cada produção. Basta colocar tudo na panela e ir mexendo até achar o ponto certo.

sábado, 25 de abril de 2009

A culpa é da mídia

A maioria dos políticos brasileiros usa o poder erroneamente e depois culpa a mídia pela divulgação das barbaridades. Seria cômico se não fosse triste. Não dá pra comentar. Só lamentar. E esperar que os eleitores guardem bem os nomes de deputados e senadores que não têm ética, moral nem honra (sem contar um linguajar decente como exige o cargo que ocupam).

Ciro Gomes e senadores criticam a cobertura da mídia no caso das cotas de passagens
Da Redação do Comunique-se

No dia 22/04, o deputado Ciro Gomes(PSB-CE) contestou a divulgação de matérias na imprensa que creditavam ao Ministério Público a informação sobre o uso da cotas de passagens feitas pelo deputado.

"Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados". "Pode escrever o caralho aí", repetiu várias vezes o deputado aos jornalistas.

Para Dora Kramer, colunista de política do O Estado de S. Paulo, O Dia e BandNews FM, a atitude do deputado só prejudica o Parlamento. “Isso não contribui para a imagem do Parlamento. Não é essa a maneira de argumentar, só mostra que não tem argumento”, avalia.

Críticas do Senado
O senador Almeida Lima(PSDB-SE) classificou como uma irresponsabilidade a publicação da matéria “Farra das passagens chega ao Senado”, publicada pelo Correio Braziliense no dia 22/04.

“Voltarei à tribuna porque preciso desse desagravo ao jornal Correio Braziliense, que não agiu com seriedade quando ele diz 'Farra das passagens chega ao Senado'. Isso é uma irresponsabilidade, não só do jornal como do jornalista. Isto é uma excrescência”, afirmou o senador segundo o Congresso em Foco.

“Ele foi ouvido pela matéria, as informações estão corretas, mas é o direito dele criticar, é o direito de qualquer cidadão”, afirma Leandro Colon, repórter que escreveu a matéria publicada no Correio Braziliense.

O senador Epitácio Cafeteira(PTB-MA)disse que existe uma onda de denuncismo na mídia. “A imprensa está numa onda de denuncismo que pode levar a fechar esta Casa do Congresso”.

Outros membros do Senado, como José Agripino (DEM -RN), também criticaram a imprensa, afirmando que a mídia está quase misturando joio com trigo.

“Isso nada mais é do que um desejo de que a crítica não exista. Não há argumentos do Parlamento. O Parlamento tem tantos instrumentos de comunicação, mas demonstra que não sabe se comunicar”, conclui Dora.

Isso pode ser bom...

Comissão do MEC quer garantir liberdade curricular dos cursos de Jornalismo
Miriam Abreu, do Rio de Janeiro (Comunique-se)

O Presidente da Comissão formada pelo Ministério da Educação para aplicar novas diretrizes curriculares aos cursos de Jornalismo, José Marques de Mello, deixou claro que o objetivo do grupo é garantir “a liberdade curricular nas universidades e estabelecer diretrizes que não sejam uma camisa de força. Vamos respeitar as diversidades regionais, não queremos um tipo de jornalismo chapado. Defendemos uma formação básica genérica e unificada, mas cada curso deve procurar uma vocação”, explicou ele ao Comunique-se, ao término da audiência realizada na manhã desta sexta-feira, no Recife.

Ele avaliou como produtivo o encontro com representantes das associações, entidades de classe e jornalistas profissionais. “Todos nos trouxeram propostas concretas do perfil do novo jornalista, das competências deste profissional".

O presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, apresentou um resumo das sugestões da entidade para o estimulo à qualidade do ensino do jornalismo. “Somos contrários à dupla formação, à complementação da formação, favoráveis ao curso específico dentro do campo da comunicação. Pedimos também uma audiência depois da que será realizada em São Paulo, em 18/05, para a apresentação da conclusão do resultado final do trabalho desse grupo de especialistas”, contou Murillo.

Ele lamentou a ausência de representantes das entidades patronais, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert). “Espero que essa ausência não signifique que essas entidades sejam contra a formação superior, já que são contra a obrigatoriedade do diploma. Acho um desrespeito ao trabalho que esse grupo voluntário está desenvolvendo no sentido de qualificar o ensino no País”.

“Na verdade essa ausência não significa boicote. As entidades patronais têm mandado sugestões, não estão ausentes. Nem sempre as datas das audiências são viáveis para todos”, respondeu Mello.

As audiências têm sido um avanço, na avaliação do presidente da Comissão. Ele está ciente de que há posições contrárias e deixou claro que o grupo vai estabelecer diretrizes “consensuais, que atendam à sociedade”.

Sobre as contribuições recebidas por e-mail até 30/03, ele conta que o grupo já leu as sugestões. “Há muita coisa pontual, repetitiva. Uma equipe do MEC está fazendo uma grade com essas contribuições”.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Profissão perigo

Antes que me acusem de ser contra ou a favor do MST, quero, com este texto, apenas ressaltar que aquele que optar pela profissão correrá riscos diários, seja cobrindo o tráfico no Rio de Janeiro, a máfia das funerárias no interior de São Paulo ou atividades do MST no Pará (não esqueçamos da jornalista norte-americana condenada no Oriente).
Não importa se trabalhará para veículos impressos ou eletrônicos. Se for repórter, cinegrafista ou fotógrafo, vai correr riscos.
O ar condicionado das redações brilhantes que aparecem nos noticiários da TV ou o conforto das assessorias de imprensa e do jornalismo empresarial são para poucos.


Tensão no Pará: mais um jornalista diz ter sido ameaçado por MST

Sérgio Matsuura, do Rio de Janeiro (Comunique-se)



O jornalista Marcelo Campos, da TV RBA, afiliada da Bandeirantes no Pará, afirma ter sido ameaçado por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no último domingo (19/04), na fazenda Maria Bonita, em Xinguara. Ele estava acompanhado do cinegrafista José Neto, que conseguiu captar imagens do momento em que Campos foi perseguido e cercado pelos agricultores.
Jornalista infiltrado, diz MST.

O coordenador MST no estado do Pará, Charles Trocate, rebate as acusações. Ele afirma que um dos jornalistas foi reconhecido como sendo informante da Agropecuária Santa Bábara, pertencente ao grupo Opportunity do banqueiro Daniel Dantas.

“Havia um informante disfarçado de jornalista. Os integrantes o reconheceram o expulsaram do local. Nós não queremos amedrontar os jornalistas, muito menos torná-los alvo da nossa principal ação, que é a distribuição das terras griladas”, informa.

Campos discorda da versão oferecida por Trocate, afirmando que ele e Neto, assim como o carro em que viajavam, estavam identificados como sendo da imprensa. Os dois tentavam ir para a fazenda Espírito Santo, onde jornalistas foram supostamente utilizados como escudos humanos em confronto entre o MST e seguranças.

Como a rodovia PA-150 estava interditada por manifestantes na altura da fazenda Maria Bonita, eles resolveram descer do carro e captar imagens da ocupação. Segundo Campos, quando os manifestantes perceberam a sua presença, correram em sua direção.

“Eles correram atrás de mim, depois ameaçaram quebrar a minha câmera e me obrigaram a apagar as fotos. Eu fui levado com eles para os líderes da ocupação, daí um Sem Terra me disse: nós vamos ver qual vai ser o seu futuro”, conta Campos.

Ele afirma ter ficado cerca de 30 minutos no local e ter sido obrigado a deixar o carro e ir embora andando. Após longa caminhada, encontrou um posto policial e voltou acompanhado para buscar o veículo.

Outra ameaça
O jornalista conta que a situação na região é tensa há algum tempo e que, na terça-feira (21/04), no caminho para a Fazenda Espírito Santo, voltou a ser ameaçado por integrantes do MST. “Eles ameaçaram quebrar o nosso carro e amarrar a gente. Eles bloquearam a entrada da fazenda e para chegar lá tive que andar mais uns cem quilômetros”, diz.

A fazenda Espírito Santo foi palco de violento confronto entre integrantes do MST e seguranças contratados pela Agropecuária Santa Bárbara no último sábado. Jornalistas afirmaram terem sido utilizados como escudo humano no conflito.

MST nega cárcere privado e escudo humano
Trocate nega qualquer violência ou ameaça contra os jornalistas e cobra explicações sobre o relacionamento entre os profissionais de imprensa e a Agropecuária Santa Bárbara. O coordenador do MST afirma que as próprias imagens desmentem a versão dos jornalistas, já que mostram o cinegrafista atrás de uma caminhonete utilizada pelos seguranças da fazenda.

“Da nossa parte, não negamos. Há uma ocupação. Há um conflito agrário e nós estamos procurando resistir às ofensivas da Agropecuária Santa Bárbara. Os jornalistas que estavam lá tinham sido convidados pela assessoria da Agropecuária. A empresa disponibilizou um avião para transportá-los até lá. Nós temos a compreensão de que qualquer matéria que seja escrita sob essas circunstâncias perde a seriedade, a autonomia”, afirma.

Segundo o coordenador do MST, a acusação de cárcere privado é absurda, já que os jornalistas iriam embora de avião, não de carro. Ele confirma que as estradas foram bloqueadas, mas isso não impedia a saída da fazenda.

“Eles não foram embora porque não couberam no avião. Eles não iriam embora de carro. O enfrentamento foi um fato criado pela Agropecuária para desestabilizar a ocupação e forçar o pedido de reintegração de posse”, afirma Trocate.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Presente para uma vida toda

A vida é maravilhosa porque nos surpreende todos os dias. As vezes, essas surpresas não são boas...e sofremos. Mas há certas vezes que elas vêm em toques tão sutis, tão corriqueiros, que ficamos em extase. Foi o que aconteceu comigo ao assistir ao vídeo do Youtube indicado pelo colega e professor Leandro Botazzo e que indico abaixo. Ele é um dos momentos de vida que não se explicam em palavras. Espero que gostem.
Mas antes, leiam o que foi publicado sobre ele:




Boletim Academia Novak

Olá,

Há alguns dias, Tony Robbins indicou que eu deveria assistir ao programa Britains's Got Talent, o mesmo que descobriu o cantor de ópera Paul Potts (que era vendedor de celulares), para ver uma desempregada de 47 anos, chamada Susan Boyle, que nem mesmo sabia definir o tamanho de sua cidade. Simples, Susan disse sem nenhum constrangimento que jamais havia sido beijada, antes do programa.

Longe de ser um modelo de beleza, você verá que surgem preconceitos imediatos, quando a vemos. Preconceitos que são destruídos nos primeiros segundos em que ela canta.

Assisti ao vídeo indicado por Tony e fiquei literalmente tão emocionado com o que vi, que tive que assistir novamente. Mais de DEZ vezes. Isso mesmo. Tive que assistir mais de DEZ vezes, de tão impressionado e comovido que fiquei.

Os repórteres descobriram que ela cantava em um karaokê em sua cidade natal e que cuidou por vários anos de sua mãe convalescente, até que ela faleceu, há alguns anos. Desde então, Susan foi abandonando a música, até que decidiu tentar a sorte no programa de TV. Apesar de desempregada, Susan é voluntária na igreja local de seu vilarejo.

Note, quando assistir ao vídeo (o link está abaixo) que até mesmo a produção achou que ela era apenas um personagem cômico. Mas não direi mais nada. Se você não é um dos 64 milhões de pessoas que viram Susan neste tempo recorde, a hora é agora.

Imediatamente, depois que assisti, enviei um e-mail para meu amigo Rodrigo Cardoso, que também enviou o link sobre Susan Boyle para seus amigos. Divulguei no Twitter (se você está lá, lendo o que escrevo, certamente lembra-se disso) e só não divulguei mais porque o vídeo no YouTube estava em inglês – e sempre que divulgo algo em inglês recebo muitas reclamações dos leitores, com razão.

Então o próprio Tony Robbins avisou que aquele vídeo acabou de bater TODOS os recordes existentes no PLANETA e na história do Youtube. Para se ter uma idéia, a posse de Barak Obama foi vista por 14 milhões de pessoas. A senhora Susan Boyle, com sua simplicidade e aparência física longe de ser um modelo de beleza, encantou EM UMA SEMANA 64 MILHÕES de pessoas.

Isso mesmo. Ela já foi tão assistida que o segundo colocado nem aparece na distância. Isso sem incluir as reprises em TVs do mundo todo.

E tenho uma excelente notícia para todos nós. Aquele vídeo foi traduzido para o Português.

Prepare-se.

Até uma pedra fica emocionada com o que você verá. E notará que jamais devemos julgar uma pessoa por sua aparência.

http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo

Aproveite. Se sua conexão for lenta, deixe o vídeo carregando. Vai valer a pena!
Aldo Novak

Fã da "ex-desempregada" Susan Boyle!

Fonte: Novak Communication Center / Academia Novak do Brasil / Aldo Novak

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Temas atuais, polêmicos, necessários...Vamos discutí-los?

Existem temas que fazem parte da mídia em tempo quase integral. Muitas vezes são manchetes, outras, apenas pequenas notas, mas sempre são notícia. Geralmente são questões que incomodam a sociedade e, por isto mesmo, precisam ser discutidas pela comunidade, mas principalmente, pelos profissionais da Comunicação (em especial do jornalismo), até para descobrirmos qual a melhor pauta, o melhor enquadramento, a melhor abordagem etc...etc...
Vejam o exemplo abaixo:



Questão agrária
Evento do Depto. Jornalismo debate o tema

Dia 15/4, às 19h, o Departamento de Jornalismo e o Grupo Solidário São Domingos promovem o evento Diálogos da Agenda Latino-Americana, no auditório 333 (3º andar, Prédio Novo). O debate será sobre a questão agrária, com a participação dos professores Ariovaldo Umbelino de Oliveira (Geografia-USP) e José Juliano de Carvalho Filho (FEA-USP), membros da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), representante do MST e mediação da professora Rachel Balsalobre (Departamento de Jornalismo PUC-SP). O evento será dedicado à memória dos 13 anos do massacre de Eldorado de Carajás – no dia 17 de abril de 1996, 19 sem-terra foram mortos pela Polícia Militar do Estado do Pará.

terça-feira, 14 de abril de 2009

A verdade e a internet

Tenho uma preocupação constante. Das pessoas que me rodeiam, dos meus filhos aos meus alunos, a maioria acredita que tudo o que é divulgado na internet é verdade. Ao ler o texto transcrito abaixo, tive uma esperança. Por isto estou divulgando-o. Servirá de reflexão e, espero, atitudes diferentes das que presencio hoje. Boa leitura!

Obra ataca voz amadora na internet

A história da técnica é a história das nossas histerias. Basta consultar um manual de história e verificar o medo que nossos antepassados sentiram perante qualquer descoberta tecnológica: da máquina a vapor à invenção da telefonia sem fios, passando pela TV e pela internet, cada avanço traz um cortejo de apocalipses. Razão tinha Paulo Francis, que em momentos de maior acídia gostava de lembrar: "O cavalo já foi um erro".
Andrew Keen integra-se no coro da histeria. Em "O Culto do Amador", este antigo "yuppie" do vale do Silício resolve matar o pai para denunciar a imoralidade da internet. "Imoralidade"? Leram bem: a internet destrói o tecido moral das nossas sociedades, a começar pela busca desinteressada da verdade e do bem. Num meio onde toda a gente tem uma voz, a verdade não se faz por discussão racional; mas por consenso.
Os motores de busca que todos usamos são a prova de que "verdade" é tudo aquilo que os internautas elegem como verdade. É assim que a Wikipedia tem mais sucesso e autoridade do que, por exemplo, a vetusta "Encyclopaedia Britannica".
Mas não só. A internet, e o culto do amadorismo que ela promove, ameaça as instituições culturais que fizeram o nosso mundo. Jornais, música, literatura ou cinema estão sendo assaltados por milhões de internautas que não respeitam os direitos autorais e roubam conteúdos sem um pingo de vergonha.
Sem falar do resto: exércitos de blogueiros em pijama que acreditam e professam um radical igualitarismo de opiniões. Na cacofonia da internet, um Ph.D. de Harvard, que passou os melhores anos da sua vida enfiado em bibliotecas, não tem mais valor intrínseco do que um autodidata adolescente, que plagia ou inventa na cave do seu subúrbio. Será possível suportar este assalto?
Keen sugere medidas destinadas a combater o monstro. "Não roubarás", declara. "Não plagiarás", acrescenta. E, pelo meio, o assustado Keen defende a existência de autoridades reguladoras que possam vigiar e punir conteúdos do meio que difamam ou assaltam a propriedade intelectual alheia. Tudo muito certo, muito sensato.

Formação clássica
Infelizmente, Keen se esquece do conselho mais importante de todos: a internet deve ser um complemento da nossa vida intelectual, e não o princípio dela. A ignorância que a internet comporta; a sua intrínseca boçalidade; a sua falta de valores éticos ou de conhecimentos válidos só será um perigo para quem procura na rede a fonte principal das suas informações.
Não conheço nenhum jornalista sério que, para preparar suas matérias, consulte a Wikipedia O mesmo para qualquer acadêmico digno de nome, que jamais substituirá o contato direto com as fontes pela consulta de um blog. Diferentemente do que Keen escreve, a internet só é uma ameaça para a nossa educação tradicional se as pessoas se esquecerem da necessidade de uma educação tradicional.
Se se esquecerem, no fundo, de que, antes de ligar o computador, é necessário um sólido conhecimento do que deve ser feito, pesquisado e finalmente encontrado.
Talvez por isso a existência da internet torna mais necessária, e não menos, uma formação clássica que proteja os indivíduos da ignorância das massas. Nas mãos certas, a internet é um instrumento poderoso e útil. Nas mãos erradas, é como qualquer pedaço de tecnologia: uma ameaça destrutiva. O problema não está na internet. Está, como sempre esteve ao longo da história, em nós.

Crítica de João Pereira Coutinho sobre o livro "O culto do amador" publicada na Folha de S.Paulo de 11 de abril de 2009.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Senado X mídia


Na última sexta-feira, dia 10 de abril, o jornal Folha de S.Paulo publicou pequena notícia sob o título Casa endurece regras para o acesso. O texto explicava que, diante da série de denúncias de irregularidades no Senado veiculadas pela mídia nas últimas semanas, aquela Casa havia decidido colocar em prática um documento elaborado desde 2005, mas que agora servirá para "endurecer" com a imprensa.
O tal documento obriga que todos os questionamentos para os senadores e funcionários do Senado devem ser feitos por ofício, com prazo de cinco dias para resposta. Detalhe: os pedidos de pessoas físicas devem ser apresentados mediante cópia autenticada da carteira de identidade, comprovante de residência, motivação detalhada do pedido e termo de responsabilidade assinado e autenticado. Para as pessoas jurídicas ainda é preciso uma procuração.
A Folha de S.Paulo apurou que a primeira leva de pedidos, inclusive dela prória, deve ser indeferida, pois "não cumpriu requisitos estabelecidos pela Mesa Diretora".
Como o assunto é sério e não dá só pra rir, disponibilizo, abaixo, texto ímpar do incomparável Clóvis Rossi publicado na mesma Folha, no sábado, dia 11:


Quebrar o espelho


SÃO PAULO - O que faz quem anda com má imagem? Se é uma pessoa normal e entende que a má imagem é produto, de fato, de atitudes incorretas ou inconvenientes, trata de corrigi-las.
Se acha, ao contrário, que a imagem ruim é injusta, trata de divulgar o máximo possível de fatos que demonstrem a injustiça e, no limite, corrijam a imagem.
Mas, se é congressista, quebra o espelho que mostra a imagem. É o que acaba de fazer o Senado, ao decretar que todo pedido de informação deve vir na forma de ofício, com prazo de cinco dias para a resposta. Quer dizer na prática o seguinte: o parlamentar é, teoricamente, representante do tal de povo, mas não se sente como tal.
Sente-se como parte de um clube fechado que não tem a menor pressa em dar satisfação ao público. Nesse ambiente porco, sou obrigado a lembrar uma coisa elementar, mas que os nobres pais da pátria perderam de vista faz séculos: jornalista, salvo os venais que também existem, não busca informação para levar para casa e contar para a mulher, o pai, a mãe, os filhos ou os amigos.
O sentido da coisa toda é repassar as informações ao leitor/eleitor. Lembro também outra obviedade que a casta esqueceu completamente: todas as informações que os congressistas detêm não são propriedade pessoal. Ele não fica sabendo disso ou daquilo nem toma tal ou qual atitude como pessoa física, mas como pessoa jurídica, como representante do eleitor.
Por extensão, tem que dar satisfações imediatas a este, diretamente ou via mídia, como acontece em qualquer lugar do mundo civilizado. E quando não acontece, a imagem do político sofre tanto que ele acaba defenestrado.
Aqui, terra sem lei e sem respeito, não. O político quebra o espelho para evitar que o público veja a imagem patética que eles construíram e querem esconder.

Os bons repórteres devem ser admirados


Gosto muito de Luís Fernando Veríssimo. Da sua inteligência, do seu texto e, principalmente, da sua habilidade de assumir verdades que poderiam, muito bem, ficar escondidas. Mas ele faz questão de mostrá-las e, com elas, valorizar alguém, algum sentimento, alguma coisa. Desta vez foi conosco, jornalistas. Vejam:



Eu, repórter

Luís Fernando Veríssimo (*)

Fonte:O Globo

Reminiscências, reminiscências... Trabalho em jornal há mais de 40 anos mas uma única vez saí da redação para fazer uma reportagem. Dizem que só o repórter é jornalista mesmo, no sentido em que só quem está na linha de frente é soldado mesmo – o resto é burocracia fardada. Pois fui repórter por um dia, em 1968. O sul-africano Christian Barnard, que meses antes fizera o primeiro transplante de coração da História, viria participar de um congresso em Buenos Aires. Eu fazia de tudo na redação do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Até, como já contei mais de uma vez, o Horóscopo. Quando faltavam artigos para a página de opinião eu fazia, usando pseudônimos. Certa vez dois dos meus pseudônimos polemizaram violentamente, pois tinham opiniões radicalmente opostas sobre determinado assunto. Eu também fazia um guia de bares e restaurantes da cidade e vez que outra inventava personalidades que os frequentavam (o conde italiano Ettore Fanfani, o empresário e bom vivant Aldo Gabarito) e davam seus palpites. Quer dizer, nada menos sério e mais longe da reportagem do que minha enclausurada atividade jornalística na época. Mas eu falava inglês, e fui o escolhido para entrevistar o Barnard. Me botaram num avião para Buenos Aires. Junto com um cinegrafista, o Leca, porque a matéria que eu conseguisse também seria para a TV.

O dr. Barnard se tornara uma celebridade mundial com seu feito. Havia uma multidão querendo entrevistá-lo em Buenos Aires. Ele atenderia a imprensa de uma vez só, numa coletiva, e depois responderia a perguntas individuais – mas só uma pergunta por repórter. Entrei na fila. O Leca ficaria perto do doutor e ligaria a câmera quando eu chegasse lá. Fiquei pensando no que perguntar ao Barnard. O argentino atrás de mim me cutucava com seu microfone à altura dos rins. Ouvi uma altercação vindo do começo da fila. Um repórter desobedecera ordens, tentara fazer uma segunda pergunta ao cirurgião e ouvia protestos dos colegas. Eu não conseguia pensar na pergunta que faria ao Barnard. Tinha que ser uma única pergunta. Uma pergunta definitiva.

– O que o senhor está achando de Buenos Aires?

Não! Algo mais científico. Como está passando o paciente que recebeu o coração transplantado? Não! O paciente poderia já ter morrido, a pergunta seria vista como provocação. Falar do apartheit na África do Sul? Não, nada a ver.

Perguntar o quê?

Eu chegava cada vez mais perto do começo da fila. O Leca me fazia sinal de positivo, estava a postos. A ansiedade do argentino atrás de mim aumentava e as cutucadas também. Perguntar o quê?

Finalmente cheguei na frente do dr. Barnard e...

Sabe que eu não me lembro o que perguntei? Tenho a vaga lembrança de alguma coisa como “O senhor espera operar num brasileiro, um dia?” mas prefiro estar enganado. Minha única vontade era estar de volta na redação do Zero Hora, inventando frases para o conde Fanfani ou o Aldo Gabarito, em vez de para mim.

Desde então, só aumentou a minha admiração por repórteres.

(*) Colunista do jornal O Globo - texto publicado na edição de 09/04/09

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Os dez livros que todos os jornalistas deveriam conhecer

Tais Laporta selecionou dez livros sobre jornalismo que todo profissional deveria conhecer. Concordo com ela, embora tivesse que acrescentar nesta lista mais um "zilhão" de títulos. Como agora isto não me é possível, fiquem com as sugestões abaixo:

Indicar livros é sempre uma tarefa arbitrária. Ainda assim, uma boa orientação pode alavancar a leitura de iniciantes aventureiros. Trombei com uma pilha de títulos sobre (e de) jornalismo durante minha formação, mas poucos são inesquecíveis, de verdade. Encontrei-os como agulhas no palheiro – mas valeu a pena. As obras ruins e medianas hoje não passam de uma vaga lembrança, enquanto que as boas – as que fizeram diferença – estão impregnadas na minha vida.

Não importa se tais livros são clássicos ou meros desconhecidos, tampouco se indicados pelas faculdades de jornalismo. Na verdade, o que interessou nessa seleção é o que atingiu meu gosto pessoal. Por isso, recomendo a lista sem culpa para quem quer iniciar sua jornada por bons livros que levam à arte do jornalismo. Ficaram de fora muitas obras-primas que mereceriam destaque, mas isso se deve à limitação da lista (10) e por ainda não ter lido um décimo da infinita gama de livros já escritos na área. Tomei como critério dois fatores: os livros abaixo podem ser encarados como verdadeiras aulas de jornalismo – valem mais que dezenas de horas em sala de aula – mas devem ser consumidos por prazer, sem aquela obrigação acadêmica.

Hiroshima (1946) – O jornalista John Hersey levou 17 dias para entrevistar dezenas de sobreviventes da bomba atômica em Hiroshima (os "hibakushas") e quase dois meses para escrever. Como resultado, nasceu a reportagem que faria 300 mil exemplares da revista New Yorker desaparecerem das bancas em menos de um dia, em 31 de agosto de 1946. Hersey reconstruiu a história de seis sobreviventes, aliando uma rigorosa apuração com técnicas emprestadas da literatura – o que deu um apetite extra ao texto. A reportagem, mais tarde lançada em livro, foi considerada por acadêmicos de jornalismo a melhor já escrita de todo o século XX. A leitura é indispensável não só porque mudou o jornalismo para sempre, mas também porque ensina como contar uma história com estilo e simplicidade.

Os Sertões (1902) – Considerado uma tortura para a maioria dos leitores, o clássico de Euclides da Cunha é um verdadeiro tratado sobre o potencial jornalístico no Brasil. Apesar do vocabulário rebuscado e de parágrafos que parecem indecifráveis, Os Sertões é o retrato de um mundo até então desconhecido pelas lentes da imprensa, construído por alguém que teve a sensibilidade de trazer informações riquíssimas em uma terra desértica. Das três partes em que é dividido ("A Terra", "O Homem" e "A Luta"), as duas últimas são as que mais interessam ao jornalismo. Os que quiserem encarar não esquecerão dessa viagem.

Por quem os sinos dobram (1940) – Ernest Hemingway foi correspondente de guerra em Madrid durante a Guerra Civil Espanhola e conseguiu tirar, a partir deste episódio, uma de suas maiores criações escritas. Apesar de ser uma obra literária, Por quem os sinos dobram é um dos maiores exemplos de como um jornalista pode se apropriar da realidade para construir uma bela narrativa ficcional, sem perder a intimidade com a realidade presenciada. Segue, numa esfera internacional, o caminho de Os Sertões, ao transmitir toda a dimensão de um conflito e apropriá-lo a personagens literários.

A sangue frio (1959) – Considerado o primeiro grande livro-reportagem do século XX (inaugurou o chamado romance de não-ficção), A sangue frio resgata, com minúcias, o assassinato de uma família em uma inóspita cidade do Kansas (EUA). É um dos maiores exemplos de como o jornalismo pode mergulhar profundamente em uma realidade e reconstruí-la quase que inteiramente. Truman Capote preparou-se durante anos entre pesquisas, entrevistas e observação para traduzir o universo psicológico dos personagens e relatar os fatos que precederam o crime até a condenação dos assassinos. É um dos livros mais indicados em todos os cursos de jornalismo e referência, até hoje, da combinação entre o árduo trabalho de apuração e elementos literários.

Fama e anonimato (2004) – O norte-americano Gay Talese foi um especialista em seguir os passos de celebridades e de pessoas desconhecidas para criar reportagens publicadas nas revistas Esquire e New Yorker. Lançado recentemente no Brasil, Fama e anonimato é uma coletânea de perfis publicados originalmente na imprensa a partir da segunda metade do século XX. Divide-se em três temáticas: a vida urbana em Nova York; a construção da ponte Verrazzano-Narrows; e a vida de artistas e esportistas americanos. Talese trabalha com detalhes aparentemente inúteis, mas que, por suas mãos, dão um ar interessante à narrativa. Um de seus perfis mais famosos, "Frank sinatra está resfriado", é fundamental para entender a estrutura de um perfil. No making off "Como não entrevistar Frank Sinatra", o jornalista conta a proeza de ter escrito sobre o cantor apenas pela observação e pela entrevista com pessoas que o cercavam, visto que não conseguiu entrevistá-lo. Outra grande aula de jornalismo.

Notícia de um seqüestro (1996) – Poucos conhecem a faceta jornalística do vencedor do Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez. Pois esse lado do escritor também se mostra magistral, ainda mais quando se trata de construir um livro-reportagem. A obra reconta uma série de seqüestros, protagonizada por narcotraficantes colombianos em 1990. Depois de entrevistar as vítimas e colher informações mais que precisas, Gabo usa a precisão desses detalhes e a habilidade literária para radiografar o mundo dos cativeiros. Imperdível não só para jornalistas, mas para todos que apreciam seu jeito ímpar de contar histórias.

Minha razão de viver – Memórias de um repórter (1987) – O livro de memórias de Samuel Weiner, considerado um dos maiores jornalistas brasileiros, interessa não somente pela trajetória do repórter e, posteriormente, dono do jornal Última Hora. O livro acaba por resgatar fatos de fundamental importância para a história do Brasil, como o memorável furo de reportagem de Weiner com Getúlio Vargas, pouco antes de retornar ao poder nos anos 50. Além de ter vendido jornais como água, a reportagem influenciou decisivamente o cenário político-eleitoral da época. Embora os acontecimentos relatados partam de um ponto de vista pessoal, unem jornalismo e história como mútuos protagonistas.

A regra do jogo (1997) – Outra obra que recria a memória de um jornalista, mas também traz reflexões abstratas sobre o dia-a-dia da profissão. Um dos pontos é a ética jornalística, que, segundo o autor, deve ser comparada à do marceneiro, ou seja, à de qualquer outro cidadão. Responsável pela modernização das redações de grandes jornais – O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo – por volta dos anos 80, Cláudio Abramo emite uma série de desabafos sobre os cargos que ocupou na grande imprensa e sobre o relacionamento com colegas – grandes jornalistas do período. Boa referência sobre os bastidores das redações e sobre as relações construídas nesses ambientes, suas transformações e hierarquias.

Manual de radiojornalismo (2002) – Embora o título seja bem específico e até fuja de um foco de leitura mais generalista, seus autores – Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de Lima –, ambos experientes jornalistas da rádio CBN, trazem um guia essencial de termos para quem atua nas mais diversas áreas do jornalismo, de economia a esportes. Interessante para consulta, principalmente para estreantes que precisam de socorro em novas editorias.

Chatô – O rei do Brasil (1994) – Ler a biografia de Fernando Morais sobre o legendário Assis Chateaubriand (1892-1968) – dono do maior conglomerado da imprensa que o Brasil conheceu – parece uma missão ingrata, dado o tamanho da obra e a aglomeração de detalhes. Lido por muitos com desgosto, Chatô pode ser encarado por outra ótica: uma importante referência sobre a imprensa brasileira, pois recria não apenas a vida de um dos maiores empreendedores do ramo de comunicações, mas também fatos históricos como a era do rádio, a chegada da televisão na década de 50 e as mudanças econômicas e políticas que influenciaram a imprensa nacional.

Tais Laporta

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Páscoa...


Recebi esta mensagem da minha grande amiga, Néia. E quero compartilhá-la com vocês desejando que o próximo domingo seja passado ao lado das pessoas que vocês amam e com todas as delícias de chocolate possíveis. Porque se existe uma coisa que acalma a ansiedade da profissão é a família e o chocolate...

Páscoa...

É ser capaz de mudar,
É partilhar a vida na esperança,

É lutar para vencer toda sorte de sofrimento.
É ajudar mais gente a ser gente,
É viver em constante libertação,
É crer na vida que vence a morte.
É dizer sim ao amor e à vida,
É investir na fraternidade,
É lutar por um mundo melhor,
É vivenciar a solidariedade.
É renascimento, é recomeço,
É uma nova chance para melhorarmos
as coisas que não gostamos em nós,
Para sermos mais felizes por conhecermos
a nós mesmos mais um pouquinho.
É vermos que hoje...
somos melhores do que fomos ontem.

Na orgia da festa

O texto reproduzido abaixo, com este título (acima), foi enviado em forma de colaboração pela acadêmica Marília de Oliveira da Silva Lopes, do 7o. sem de Jornalismo do Centro Universitário Toledo de Araçatuba. Ele foi reproduzido na íntegra, portanto todos os conceitos emitidos e regras ortográficas cumpridas (e descumpridas) são de responsabilidade do autor (e da colaboradora). Ela faz uma reflexão ao final e pede que os colegas também se manifestem. Vamos a ele!

Na orgia da festa
Por Labi Mendonça

Ou será no desespero da fé?
Sei que tem muito intelectual que diz não gostar de carnaval. No Brasil o carnaval é uma festa muito importante, tão importante quanto o natal.
Tem gente que detesta. Os beatos, os puritanos, os frescos metidos a sebo também execram. Sei que tem gente boa que critica dizendo que é uma loucura generalizada que toma conta das pessoas e faz a festa profana mais famosa do mundo parecer uma orgia desenfreada de ritmos primitivos, de bebedeiras, dança, suor, sexo e futilidade.
Tem os que explicam pela ótica da psicologia dizendo que é uma catarse coletiva necessária como válvula de escape das pressões sociais. Mas tem também quem saiba defender pelo lado da cultura popular, da festa de folia tradicional de um povo, e que até se mostra como uma manifestação riquíssima onde a mistura de várias artes consegue produzir coisas sempre inovadoras e culturalmente dinâmicas na nossa sociedade miscigenada e sincrética.
Eu não me preocupo muito com essas explicações nem com os ataques. Eu sei que gosto desse tal de carnaval. É uma coisa deliciosa. Eu curto diferentes aspectos dessa folia.
Fico pensando nos milhares de pessoas que vivem quase todo o ano, ou até o ano inteiro, trabalhando para que os carnavais sejam sempre inesquecíveis para quem deles participe. Uma multidão de artesãos, de coreógrafos, de artistas plásticos, músicos, aderecistas, mecânicos, costureiras, fabricantes de bebidas, de tecidos, etc...
É um período especial que mobiliza inúmeros setores da economia, até a importação de artigos e a exportação de outros produtos advindos do carnaval. Chegamos a exportar bundas para outros países, admirados, que levam nas fitas de vídeo ou DVD essas esculturas eróticas nacionais.
No Brasil inteiro, em cada rincão diferente, festas, manifestações culturais regionais específicas, brincadeiras, tradições, são revisitadas e renovadas.
Acontece num período especial, perto do final do verão. O turismo ganha sua expressão máxima, a hotelaria se dinamiza, e as pessoas entram numa espécie de frenesi que torna a coisa sempre muito interessante e excitante de observar e de vivenciar.
Eu hoje não bebo mais, mas já bebi muito e gostava de ficar alegre para me divertir mais ainda no carnaval. As pessoas ficam excitadas, procuram fantasias para vestir ou para viver, se despem, se travestem, se mascaram ou se desmascaram, revelando sua natureza descomprimida pela maior liberalidade que a época impõe. Elas querem brincar e ser felizes.
Não estou tentando fazer uma resenha cultural sobre a importância do carnaval e nem um resgate das suas origens. Estou falando mesmo do prazer que eu sinto nessa época, ao ver as pessoas se entregando a essa maravilhosa fantasia de viver na alegria e na onda liberal de poder esquecer o mundo e as suas rígidas obrigações, para embalar um sonho de alegria que dura poucas horas ou alguns dias.
Seja no norte, na Amazônia dos bois-bumbás, no nordeste dos frevos e maracatus, na Bahia dos trios elétricos, ou no centro-oeste e sudeste dos blocos e das escolas de samba, ou ainda no sul de gaúchos, manezinhos e paranaenses, que exporta turistas para as demais regiões, o carnaval incendeia a grande maioria do povo e faz com que esse período seja uma busca coletiva pelo prazer.
Eu fico encantado quando vejo a busca sadia pelo prazer. Sei que tem a busca doentia, mas essas loucuras existem em todas as épocas. No carnaval eu vejo a busca sadia pelo prazer tomar mais evidência. As pessoas se despem, buscam as praias e o sol para ficarem bronzeadas, se embelezam, se esforçam para exercitar melhor a força da sedução, incorporam uma sensualidade ampliada pelo desejo de sensações libertas das rígidas restrições que o dia-a-dia lhes impõe.
As mulheres exibem seus corpos sensuais, algumas chegam a desfilar nuas, belezas tentadoras, provocando o desejo e satisfazendo a necessidade exibicionista de se expor aos olhos admirados do resto do mundo. Mesmo quem não é um poço de beleza assume sua forma natural e se expõe, transgredindo com deleite os padrões de normalidade.
Eu me encanto com essa época subversiva e anárquica, onde as pessoas podem dar uma liberada básica e geral na sua própria loucura, sem que sejam definitivamente condenados ao julgamento dos que se colocam como os donos dos destinos. E vejo com grande satisfação as brincadeiras, os desfiles, as multidões que se sacodem nas ruas ao som de ritmos frenéticos.
A impressão que eu tenho é que nesse período até o sexo é feito de uma forma mais arrojada e excitante. Quem nunca deu daquele jeito vai experimentar e dar. Quem nunca comeu daquela forma vai tentar comer. As pessoas buscam satisfazer alguns desejos e fantasias guardadas especialmente para esse período onde podem dar espaço para tais sentimentos e vontades.
Eu assisto a esse maravilhoso espetáculo da vida, que busca com mais intensidade o prazer imediato ao seu alcance e fico contente, achando que a cada ano mais pessoas se libertam da prisão da vida comum e sem revolta se permitem mergulhar nesse mar de aventuras e novidades que a festa do carnaval oferece. Até parece que o paraíso voltou a se instalar na terra.
Mas além dessa onda de alucinação encantada pela folia do carnaval, o mundo continua cada dia mais hediondo. Ao mesmo tempo em que vejo o maior dos espetáculos cênicos da atualidade no mundo, o desfile das escolas de samba no Rio de Janeiro, também assisto uma reportagem onde pessoas bomba se matam assassinando com seu gesto terrorista a centenas de outras totalmente indefesas. Aí eu acordo do sonho bom e fico vendo novamente o pesadelo acordado, onde a humanidade continua a ser de uma falta de sensibilidade atroz, selvagem e brutal, de uma crueldade e egoísmo sem precedentes.
Então eu fico pensando: Será que as vigílias e os exílios dos religiosos que acontecem nessa época são contra a entrega natural das pessoas de bem em busca do sonho e do prazer ou somente rezam para se redimir do mal que as religiões e seus extremismos causam à humanidade em sua declarada busca pela redenção? Alguns dizem que a loucura do carnaval aparentemente passou. Eu digo que a loucura voltou. Mais do que nunca ainda não estamos livres da ameaça dessa loucura que pode um dia incendiar ou explodir o mundo em defesa do ódio e da intolerância que muitas vezes se justifica na fé.

Comentário de Marília:
Achei que Labi Mendonça foi ousado em seu artigo ao usar jargões como "Quem nunca deu daquele jeito vai experimentar a dar". Essa expressão ridiculariza a conduta de quem festeja o Carnaval. Ele poderia ter dado a opinião dele ser ferir opiniões, ideologias, crenças, valores. Também peca ao questionar se os religiosos rezam para se redimir do mal que as religiões e seus extremismos causam à humanidade em sua declarada busca pela redenção. Pegou pesado demais. Nunca li um artigo tão pesado e interessante de debater como este. O que acha?

Crônica: um modelo a ser seguido

Admiro o professor Tito Damazo por sua competência profissional, mas especialmente pela pessoa que é: educado, inteligente, ponderado, um exemplo. Acompanho seus textos periodicamente na Folha da Região e gosto de todos. Mas este, reproduzido abaixo, tem algo de especial: é simplesmente a perfeição! Uma riqueza de ideias e de palavras dignas de muita admiração. É por isto que reproduzo-o abaixo. Leiam, deliciem-se e, de preferência, inspirem-se neste modelo.


Crônica: “Recusa”

Por Tito Damazo

Publicada em 06 de Abril de 2009

Fiquei aturdido. Na primeira noite, a primeira vez, apreensivo. O pensamento insistindo em centrar-se naquela anormalidade da natureza, mas a insistente ansiedade de atualizar as leituras, vício irrevogável, relutava em não ceder lugar a tal fenômeno, invulgar, mas que já se cotidianizara em todas as instâncias da sociedade e setores da vida. O fato, embora ostensivamente rechaçado, não se extinguira do pensamento. Ficou ali pela zona periférica circunvagando, até que as leituras, muitas e diversas, foram embotando-o por completo.

As matérias das leituras, praticamente, como era de hábito, se esvaíram, pois outras similares logo as substituiriam e a estas, outras, assim, mecânica e sucessivamente. O simultaneísmo contínuo é que dirige a vida presente, os homens presentes. Entretanto, aquela fenomênica anormalidade, subjacente, por alguma circunstância metonímica, circunvagava, por instantes, o pensamento.

Certo é que a torpeza, o grotesco e o estapafúrdio tornaram-se caso comum da existência humana. A vida, uma dádiva inigualável, merecedora sempre de cuidados, amparos e reparos, para que fosse o mais eternamente durável, não apenas se fragilizou, tornou-se um risco de morte a cada instante. A absoluta insegurança, descrédito e desconfiança tomaram conta do homem. Mais do nunca, a frase, constantemente repetida por Riobaldo em "Grande sertão: veredas", "Viver é muito perigoso", tornou-se uma máxima destes tempos atuais.

Confessado, o que me aturdiu por certo será objeto de várias observações desabonadoras. Será tido por portador de romantismo ingênuo e há muito extemporâneo. Será motivo de ironias e sarcasmos. Dirão que não estou conectado com a realidade mesma. Outros ter-me-ão por otário, digno de sempre ser alvo de engodos.

Afinal, para eles, certamente, é rotina normal crianças de nove anos engravidadas por padrastos, parentes e, quando salvas por aborto, excomungadas, juntamente com os abortadores, por ignóbil bispo; filhas encarceradas e estupradas pelo pai; filha atirada de apartamento pelo próprio pai; homens-bomba matando dezenas, centenas de pessoas com sua explosão; assaltos e assassinatos hediondos cometidos, muitos deles, por menores, pelo que, impunemente, permanecem soltos, cometendo crimes da mesma natureza; jovens invadindo escolas e matando a tiros crianças e adolescentes escolares, como também professores; o narcotráfico, situado fora e dentro de presídios públicos, dominando e comandando a vida tanto em favelas, quanto fora delas; rios envenenados por toda sorte de poluentes; fumaças, fuligens, gás carbônico exterminando vidas, arrebentando a camada de ozônio; florestas devastadas, milhões de crianças, mulheres e velhos morrendo de inanição, enquanto milhares, dentre eles centenas de homens públicos, vivem nababescamente e, não contentes com mordomias e mansões, constroem castelos similares aos dos senhores feudais da Idade Média. Eis um simples retrato desta era termotécnica supermoderna: em vez de conforto e fartura a todos seus cidadãos, aumento assustador da miséria, da fome, do genocídio, da atrocidade, cujos protagonistas são os agentes que compõem esse quadro.

Ora, pois, direis, ante uma conjuntura existencial tão nefasta, confessar-se alguém aturdido por ouvir, por minutos, mais de uma vez em alta noite, gritos de bem-te-vis, só pode ser coisa de gente maluca, alienada, romântica, desocupada.

E eu vos direi, no entanto, que só quem se recusa de se conformar com tal condição humana, cujo autossuicídio se faz em escala progressiva estonteante, é capaz de se confessar aturdido ante gritos aflitos de bem-te-vis, que deveriam estar, em alta noite, postos em sossego, dormindo profundamente.


Francisco Antônio Ferreira Tito Damazo é professor-doutor, coordenador do curso de Letras do UniToledo e integrante da Academia Araçatubense de Letras. Ecreve, quinzenalmente, no jornal Folha da Região.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Guerra na mídia

Antes de ler o texto abaixo, peço que vocês tentem fazer isso da foma mais isenta possível, sem conceitos previamente estabelecidos. Depois, busquem no seu conhecimento de mundo, outros fatos que possam ajudá-los a entender a situação em debate. Não vale opinar antes de compreender o histórico e o contexto da situação. E não se esqueçam de analisar: quais os interesses corporativos permeiam esta questão?

Record relembra 'ditabranda' e volta a atacar a Folha de S. PauloDa Redação do Comunique-se

A Rede Record voltou a atacar a Folha de S. Paulo durante a sua programação. Em reportagem de 13 minutos veiculada no Domingo Espetacular de 05/04, a emissora fala sobre a atuação do Grupo Folha durante o regime militar. Sob o título “O escândalo da ‘ditabranda’”, a matéria traz relatos de ex-presos políticos e relembra o editorial da Folha publicado no dia 17/02, que cunhou o termo “ditabranda”.

De acordo com a reportagem, a posição da Folha de S. Paulo “revoltou as vítimas da ditadura militar” e “reabriu feridas que pareciam cicatrizadas”.

“Os torturadores riam de mim, porque eu tinha leite, porque sangrava. Era mais ou menos rir de novo. Alguém rindo da minha história”, disse a ex-jornalista da Folha da Tarde, do Grupo Folha, Rose Nogueira sobre o polêmico editorial. Ela foi presa em 1969, um mês após ter tido um filho.

A reportagem também trata do assassinato do metalúrgico Joaquim Alencar Seixas. De acordo com relato do seu filho, Ivan Seixas, a morte de Joaquim foi publicada nos jornais antes de acontecer.

“O segundo exército divulgava notas oficiais. Todos os jornais deram. A única que comemorou, não deu simplesmente a nota, foi a Folha da Tarde. Porque era um jornal a serviço da repressão. É isso. Eles deram porque precisavam falar todos os dias que tinham matado alguém”, afirmou Ivan Seixas.

Além dos relatos de vítimas, a Record procurou representantes de instituições e intelectuais que criticaram o editorial da Folha.

“Quando a gente vê determinados meios de comunicação falando que não ocorreu uma ditadura, mas uma ‘ditabranda’, não podemos esquecer que determinados meios de comunicação também financiaram a tortura, só que agora eles estão renegando o passado”, disse a cientista política Vera Chaia.

O presidente do Movimento dos Sem Mídia, Eduardo Guimarães, foi um dos entrevistados. Ele organizou uma manifestação contra o editorial da Folha em frente à sede do jornal.

“É branda porque eles querem renegar a história, porque a história não os favorece. Eles querem dizer que, sim, apoiamos, pero no mucho. Apoiamos, mas era branda. Como que uma justificativa”, afirmou.

A guerra entre a Record e a Folha de S. Paulo começou no dia 17/03. Por meio de reportagem veiculada no Jornal da Record, a emissora acusou o jornal de publicar “notícias caluniosas” e anunciou que iria “responder em sua programação a qualquer novo ataque (...) e recorrer à Justiça em todos os casos em que a honra da empresa fosse atingida”.

Três dias depois, a Folha publicou editorial contra-atacando, afirmando que a Record pretendia “mover algo como uma campanha, pois a mesma mixórdia de reportagem canhestra e investida de comercial” estava sendo “repetida à exaustão”.

“O que é prática de jornalismo verdadeiro se torna - na percepção tosca dos atuais dirigentes da Record, acostumados a reduzir qualquer questão a seu aspecto comercial - uma suposta campanha contra a emissora. A mesma percepção levou a Igreja Universal a orquestrar litigância de má-fé na Justiça contra este jornal e a repórter Elvira Lobato, por conta de reportagens sobre subterrâneos financeiros daquele empreendimento religioso”, afirmou a Folha no editorial “Os ataques da Record”, publicado em 20/03.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Concurso da CNN

Só não vai ganhar quem não se inscrever!

O Concurso Universitário de Jornalismo CNN é um concurso de cunho cultural, promovido pela Turner International do Brasil - Canal CNN International, aberto exclusivamente a estudantes de jornalismo, tendo como objetivo incentivar o desenvolvimento do talento dos participantes e premiar o seu desempenho na elaboração de matérias jornalísticas televisivas.
Se você é estudante de jornalismo, não deixe de participar e concorrer a uma viagem para visitar os estúdios da CNN International nos EUA, e ainda ver sua matéria exibida no canal CNN.

Mantendo aberto o espaço para divulgar o talento dos futuros repórteres e jornalistas brasileiros, a rede CNN International lança oficialmente no país a quinta edição do Concurso Universitário de Jornalismo CNN. Alunos de universidades e faculdades de todo o território nacional vão poder inscrever matérias de TV que abordem o tema “O Uso da Tecnologia no Desenvolvimento Social”. O Concurso Universitário de Jornalismo CNN conta com o apoio do Canal Futura.

Para lançar esta quinta edição do concurso, a CNN International troux em março ao Brasil o âncora Jonathan Mann, apresentador dos programas “Your World Today” e “Political Mann”. Além de participar intensamente da cobertura das eleições presidenciais dos EUA em 2008, Mann esteve presente em uma série de eventos internacionais como a queda do Muro de Berlim, os últimos dias do apartheid na África do Sul e a ascensão de Vladimir Putin como presidente da Rússia.

Antes de atuar como âncora, Mann foi o primeiro correspondente da CNN em Paris, reportando do Parlamento Francês nos momentos vitais da consolidação da União Européia. Dentro da esfera tecnológica, Mann foi responsável pela cobertura minuto a minuto dos debates presidenciais entre Barack Obama e John McCain no blog “In The Field”.

A Turner International do Brasil não poderia estar mais satisfeita com o concurso – que, no ano passado, registrou um aumento de 39% no número de inscrições em relação à edição de 2007. “Enquanto iniciamos os trabalhos desta quinta edição, fica cada vez mais claro para nós que o concurso entrou definitivamente para o calendário acadêmico do país”, diz Eliane Munhoz, diretora de comunicação e marketing da Turner International do Brasil.

“A cada edição, a CNN International só reitera o seu comprometimento com o público brasileiro. O tema deste ano não poderia ser mais adequado: com ferramentas como o The Forum e iReport, o jornalismo da CNN está continuamente se adaptando e evoluindo nas mais diversas plataformas enquanto avança a tecnologia. E a CNN sabe muito bem que este é um país com uma riquíssima produção tecnológica“, completa.

As inscrições para o “Concurso Universitário de Jornalismo CNN” devem ser feitas pelo site www.concursocnn.com.br até o dia 29 de junho de 2009. Para participar, os interessados devem ser estudantes regularmente matriculados no curso de jornalismo.

Os trabalhos deverão ser inseridos na conta pessoal do participante no site YouTube (www.youtube.com) e o código de incorporação do vídeo (embed) deverá ser inserido no campo correspondente de cada ficha de inscrição. Como premiação, o vencedor terá seu trabalho exibido durante a programação da CNN International, além de ganhar uma viagem para conhecer a sede dos estúdios da CNN, em Atlanta, nos Estados Unidos. O júri que avaliará os trabalhos é formado por Heródoto Barbeiro (TV Cultura e Rádio CBN), Marcelo Tas (Band e UOL) e Lúcia Araujo (gerente-geral do Canal Futura).

Mais informações podem ser encontradas no site www.concursocnn.com.br.

Sensacionalismo em cena

Dias atrás, sugeri, neste espaço, que os interessados em jornalismo - jornalistas ou não - fossem assistir, de graça, à peça "O Rei dos Urubus", em cartaz no Sesi de Birigui. Diuân Feltrin, um dos mais aplicados alunos do 5o. semestre no curso de Jornalismo da Toledo, aceitou o convite e compareceu. Assistiu ao espetáculo, dividiu suas emoções comigo e aceitou escrever o texto abaixo. Vejam o que perderam:

Por Diuân Feltrin

Emissoras de televisão, em geral, preocupam-se em manter altos índices de audiência. Além de acarretar credibilidade à empresa, isso traz consigo investimentos publicitários. No contexto atual, o telespectador é considerado mercadoria, à medida que os canais analisam o público-alvo de determinada atração para organizar suas tabelas de preços de inserções publicitárias. Mas o que será que pode acontecer nos bastidores de um programa quando este se torna saturado e passa a perder prestígio? Certamente os nervos dos produtores se exaltam, já que o emprego está em jogo. Com o intuito de alavancar o Ibope, tudo pode ser feito, mesmo que isso custe a dignidade de outrem.

É esta a temática que compõem a peça “O Rei dos Urubos” da Cia. dos Gansos. A tragicomédia retrata os bastidores de um programa de TV com o sugestivo título “Programa de Família”. A atração, de uns tempos para cá, viu sua audiência despencar ladeira abaixo. O histérico e hilário Robério, diretor geral da atração, se vê aflito e estuda maneiras de fazer com que seu produto volte a ter o sucesso de outrora.

Em uma reunião de pauta com a também problemática apresentadora Solange, com o saturado e sarcástico escritor de casos humorísticos Valdemar e com o sobrinho misterioso do proprietário da emissora, Gilberto; Robério encontra o formato ideal para o “Programa de Família”. Depois de acaloradas e engraçadas discussões, o grupo resolve investir na exposição de histórias de vida de personalidades esquecidas pelo público.

Eis o enredo do “novo” programa: as personalidades-vítimas, sentadas em uma cadeira ao centro do palco, são bombardeadas por perguntas inconvenientes formuladas pelos jornalistas Robério, Gilberto e Valdemar. Porém o detalhe: os artistas não resistem até o final do programa devido às humilhações em rede nacional.

A estreia do formato, é claro, se torna um sucesso. No entanto, durante outra reunião da equipe, surge a hipótese de colocar na “cadeira quente” uma socialite chamada Alice Brandão que estava supostamente envolvida em escândalos extraconjugais. Explorar a desgraça da subcelebridade, na opinião de Gilberto, dobraria o Ibope do programa. Não, eles não conseguem convencer a mulher a conceder a entrevista, mas trazem ao palco seu excêntrico segurança, que diz saber todos os detalhes da suposta traição.

O empregado aceita conceder a entrevista com a condição de que sua identidade não fosse revelada. Além disso, não responderia determinadas perguntas, já que estava sendo ameaçado pelo suposto amante da patroa. O pobre homem resiste, mas a produção oferece dinheiro para que ele conceda a polêmica entrevista.

Após intensos conflitos nos bastidores, chega o momento da fatídica entrevista. Jornalistas a postos no palco; entrevistado ao centro; gravando! A partir daí o espetáculo se torna cruel. Perguntas contestadoras são feitas em uma espécie de “tribunal do santo ofício”. Gilberto exagera na dose. Solange e Robério, ao ar, pedem que o jornalista mantenha a calma. Intervalo. Todas as solicitações do entrevistado foram desacatadas. Este foge do palco, é claro, solicitando a quantia que foi prometida.

Após o término da atração, a emissora passa por uma reviravolta. As consequências foram graves! Gilberto assume o posto que era de Robério. Solange, histérica, deixa a atração que passa a ser comandada por Valdemar. Tudo é pretexto para discutir questões que tangem à ética e domínio do poder.

Seguidas as consequências da polêmica entrevista surge a questão imposta por Gilberto: “Não me arrependo de nada do que fiz. O público merece ter informações verídicas e completas. Cumpri minha missão. Fiz minha parte”.

“O Rei dos Urubus” retrata de maneira ímpar, bem-humorada e realista o cotidiano em uma emissora de TV, além de estimular o público a pensar a respeito do fato de o sensacionalismo ser ou não o vilão da mídia contemporânea. Afinal, cada público tem a informação que merece?

domingo, 5 de abril de 2009

Desabafo de Eliana Tranchesi: só rindo...


Como diz o José Simão, este é mesmo o país da piada pronta onde alguém condenado consegue ficar fora da cadeia e outros, que ainda não foram julgados, permanecem atrás das grades.
O texto abaixo é só para provar a criatividade do brasileiro:

"Caríssimos, e bota caro nisso, essa Operação Narciso me deixou aloPrada! Alguém me deFendi. Não sou dessa Alaia. Não é Versace o que Diesel por aí. Sou pessoa Dolce & Bacanna. Pucci que Paris!!! Estão me pegando para Christian, meu Dior. Preciso de um Cacharel em direito, um cara Valentino para dar um jeito nessa Bottega, antes que coloquem no meu Rabanne. Eu não vou botar o Galliano dentro não. Chloé? Vou continuar minha Missioni. Miu Miu, abraços para vocês!"

Exposição "Protagonistas do Brasil"

Entre 6 e 18 de abril, a PUC-SP e a revista Brasileiros realizam a exposição Protagonistas do Brasil, no Espaço Cultural da Biblioteca (térreo, Prédio Novo, campus Perdizes).
A mostra exibirá 30 aberturas de reportagens e fotografias publicadas ao longo das 20edições da Brasileiros, produzidas por jornalistas como Hélio Campos Mello, Ricardo Kotscho, Ruy Castro, J. R. Duran, Marta Góes, Celso Fonseca, Márcio Scavone, Bob Wolfenson, Carlos Silva, Manoel Marques e Ricardo Stuckert, entre outros.
Os trabalhos foram selecionados pela redação da revista, que considerou as matérias mais acessadas no site www.revistabrasileiros.com.br. A exposição sintetiza a proposta editorial da revista – que enfatiza o trabalho autoral do repórter e do fotógrafo, a retomada do trabalho feito por uma dupla de jornalistas (o de texto e o de imagem) e realiza uma abordagem que pretende mostrar o brasileiro como ele é, seja famoso ou anônimo.
Com curadoria de Hélio Campos Mello, a mostra Protagonistas do Brasil estará aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h30 e aos sábados, das 8h às 17h. Informações: (11) 3670-8024.