terça-feira, 28 de abril de 2009

Jornalismo Infantil ainda é criança no Brasil

A opinião é do Ivan e do Ronaldo, dois destaques da turma do 7o. semestre noturno do curso de jornalismo do Centro Universitário Toledo de Araçatuba. Vale a pena conferir!




Ivan Ambrósio
Ronaldo Ruiz Galdino

O jornalismo infantil no Brasil está longe do ideal. Esta é a opinião quase unânime
entre pesquisadores e jornalistas. Com mais de 100 anos de história no país, os suplementos infantis esbanjam no entretenimento e jogos lúdicos, que são importantes, porém, pecam ao não usá-lo como instrumento pedagógico na formação de uma visão crítica do cotidiano nas crianças.
Os jornalistas que se propõem a trabalhar nesta área parecem não cumprir o seu papel de “educador”, como definiu Alberto Dines. Esses profissionais acreditam saber o que as crianças querem, sem ao menos consultá-las. Em alguns suplementos existem espaços para as crianças se expressarem, na grande maioria em encartes destinados a este público como carta de leitores, desenhos, fotos e até criação de historias, estimulando, assim, a criatividade, o que ainda é pouco. É preciso saber o que o público infantil quer por meio de um conselho de leitores.
Não devemos ser ingênuos e acreditar que uma criança não sabe o que está sendo discutido no mundo dos adultos. Crise financeira, aquecimento global e pedofilia são algumas palavras que este público está acostumado a ouvir nas conversas dos pais, na televisão ou no rádio. Esses assuntos deveriam ser utilizados nos suplementos infantis, pois as crianças querem respostas simples e imediatas, fazendo, assim, com que se formem cidadãos conscientes e não apenas consumidores de produtos midiáticos.
Até quando as matérias são bem produzidas tecnicamente, alguns erros são cometidos. Reportagens sobre crianças que acompanham pais em trilhas não retrata a vida cotidiana de um menino da favela, que sobe e desce a ladeira entre trocas de tiros, traficantes armados e repressão policial. Uma criança que mora no interior, na grande maioria das vezes, não tem como assistir uma peça de teatro recomendada pelo jornal ou não possui condições financeiras para comprar o DVD do Bob Esponja ou uma boneca da Barbie.
Aqui nos deparamos com dois problemas: o primeiro é que os jornalistas não levam em conta as classes sociais, cultura e dispersão geográfica dos leitores onde estas matérias parecem ser destinadas apenas para as crianças de classe média alta de São Paulo; o segundo ponto é o incentivo ao consumismo. Se usados de maneira incorreta, esses veículos podem até ser malignos, passando para as crianças ideologias autoritárias, impostas pela visão consumidora de uma classe dominante, estereótipos, transformando o publico infantil em alienados.
Além de divertir com brincadeiras seus leitores, o que é uma coisa importante na infância, os suplementos infantis devem ajudar na formação crítica e intelectual da criança, contextualizando assuntos interessantes e importantes do cotidiano, não se limitando apenas em formar estes consumidores do produto. O jornalismo infantil no Brasil, assim como seu público, ainda tem muito que crescer.

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