quinta-feira, 23 de abril de 2009

Profissão perigo

Antes que me acusem de ser contra ou a favor do MST, quero, com este texto, apenas ressaltar que aquele que optar pela profissão correrá riscos diários, seja cobrindo o tráfico no Rio de Janeiro, a máfia das funerárias no interior de São Paulo ou atividades do MST no Pará (não esqueçamos da jornalista norte-americana condenada no Oriente).
Não importa se trabalhará para veículos impressos ou eletrônicos. Se for repórter, cinegrafista ou fotógrafo, vai correr riscos.
O ar condicionado das redações brilhantes que aparecem nos noticiários da TV ou o conforto das assessorias de imprensa e do jornalismo empresarial são para poucos.


Tensão no Pará: mais um jornalista diz ter sido ameaçado por MST

Sérgio Matsuura, do Rio de Janeiro (Comunique-se)



O jornalista Marcelo Campos, da TV RBA, afiliada da Bandeirantes no Pará, afirma ter sido ameaçado por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no último domingo (19/04), na fazenda Maria Bonita, em Xinguara. Ele estava acompanhado do cinegrafista José Neto, que conseguiu captar imagens do momento em que Campos foi perseguido e cercado pelos agricultores.
Jornalista infiltrado, diz MST.

O coordenador MST no estado do Pará, Charles Trocate, rebate as acusações. Ele afirma que um dos jornalistas foi reconhecido como sendo informante da Agropecuária Santa Bábara, pertencente ao grupo Opportunity do banqueiro Daniel Dantas.

“Havia um informante disfarçado de jornalista. Os integrantes o reconheceram o expulsaram do local. Nós não queremos amedrontar os jornalistas, muito menos torná-los alvo da nossa principal ação, que é a distribuição das terras griladas”, informa.

Campos discorda da versão oferecida por Trocate, afirmando que ele e Neto, assim como o carro em que viajavam, estavam identificados como sendo da imprensa. Os dois tentavam ir para a fazenda Espírito Santo, onde jornalistas foram supostamente utilizados como escudos humanos em confronto entre o MST e seguranças.

Como a rodovia PA-150 estava interditada por manifestantes na altura da fazenda Maria Bonita, eles resolveram descer do carro e captar imagens da ocupação. Segundo Campos, quando os manifestantes perceberam a sua presença, correram em sua direção.

“Eles correram atrás de mim, depois ameaçaram quebrar a minha câmera e me obrigaram a apagar as fotos. Eu fui levado com eles para os líderes da ocupação, daí um Sem Terra me disse: nós vamos ver qual vai ser o seu futuro”, conta Campos.

Ele afirma ter ficado cerca de 30 minutos no local e ter sido obrigado a deixar o carro e ir embora andando. Após longa caminhada, encontrou um posto policial e voltou acompanhado para buscar o veículo.

Outra ameaça
O jornalista conta que a situação na região é tensa há algum tempo e que, na terça-feira (21/04), no caminho para a Fazenda Espírito Santo, voltou a ser ameaçado por integrantes do MST. “Eles ameaçaram quebrar o nosso carro e amarrar a gente. Eles bloquearam a entrada da fazenda e para chegar lá tive que andar mais uns cem quilômetros”, diz.

A fazenda Espírito Santo foi palco de violento confronto entre integrantes do MST e seguranças contratados pela Agropecuária Santa Bárbara no último sábado. Jornalistas afirmaram terem sido utilizados como escudo humano no conflito.

MST nega cárcere privado e escudo humano
Trocate nega qualquer violência ou ameaça contra os jornalistas e cobra explicações sobre o relacionamento entre os profissionais de imprensa e a Agropecuária Santa Bárbara. O coordenador do MST afirma que as próprias imagens desmentem a versão dos jornalistas, já que mostram o cinegrafista atrás de uma caminhonete utilizada pelos seguranças da fazenda.

“Da nossa parte, não negamos. Há uma ocupação. Há um conflito agrário e nós estamos procurando resistir às ofensivas da Agropecuária Santa Bárbara. Os jornalistas que estavam lá tinham sido convidados pela assessoria da Agropecuária. A empresa disponibilizou um avião para transportá-los até lá. Nós temos a compreensão de que qualquer matéria que seja escrita sob essas circunstâncias perde a seriedade, a autonomia”, afirma.

Segundo o coordenador do MST, a acusação de cárcere privado é absurda, já que os jornalistas iriam embora de avião, não de carro. Ele confirma que as estradas foram bloqueadas, mas isso não impedia a saída da fazenda.

“Eles não foram embora porque não couberam no avião. Eles não iriam embora de carro. O enfrentamento foi um fato criado pela Agropecuária para desestabilizar a ocupação e forçar o pedido de reintegração de posse”, afirma Trocate.

2 comentários:

  1. Oi amiga... "ganhei" vários minutos lendo as postagens do seu blog. Interessante e informativo. Acabou indo para os favoritos... Parabéns!

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  2. Obrigada Douglas. Seu elogio tem muito peso para mim. Agora espero uma contribuição sua, afinal este blog é nosso!

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