sexta-feira, 29 de maio de 2009

Tem uma prostituta na minha janela


Ela aparece todos os dias, de domingo a domingo. Chega cedo, com o sol, e vai embora junto com ele. Ajeita-se em um dos bancos da praça a esperar. Algo, aliás, que nem faz muito. Logo chega um pai que já deixou o filho na escola, um funcionário adiantado para o serviço, um aposentado que não consegue dormir mais pela manhã e mesmo um jovem, que não voltou ainda pra casa depois da balada.
Na primeira vez que notei sua presença, pensei, ingenuamente, que esperasse pelo namorado. Alguns casais faziam isto antes dela se instalar. Mas o namorado dela não veio, embora muitos homens já a tenham levado e trazido.
Eles são muitos, de todos os tipos. Tem o dono do Astra prateado, brilhante de tão limpo. O homem não é novo, mas impõe respeito pela roupa social e o gel no cabelo nas primeiras horas da manhã. O motorista do Uno esverdeado tem a feição mais dura e prefere a discrição, deixa-a um pouco distante da praça, como se não pudesse assumir suas ações. O moço da Saveiro de capota marítima também. Alguns só poderiam tê-la pagando, mas outros...Todos, por fim, desfilam pela minha janela, que fica na frente da praça.
No começo, tive uma crise de moralidade e pensei em ficar indignada. Depois, veio a preocupação real: a prostituição é um problema de saúde pública. É só fazer uns cálculos. Nos dias de pouco movimento, ela tem uma meia dúzia de clientes. Mas há outros que ela não chega a se sentar no banco. Desce de um carro e, de uma ponta a outra na praça, encontra outro “cliente”.
Que seja: Seis relações por dia sem camisinha - "porque os clientes não gostam" - significam pelo menos 12 possibilidades de pessoas infectadas com as mais variadas doenças sexualmente transmissíveis (entre elas a aids) ao final do período, os “clientes” e suas parceiras. Doze pessoas infectadas nos 7 dias da semana são 84 pessoas com probabilidade de precisar de tratamentos e internações. Oitenta e quatro pessoas por semana são 336 pessoas ao mês e, multiplicando este total pelo número de meses do ano, temos o volume assustador de 4.032 possíveis doentes, tudo isto causado apenas pela prostituta da minha janela. Será que ela se importa? Será que alguém se importa? Olhando para a prostituta da minha janela e seus “clientes” só consigo pensar que não há sistema de saúde que sobreviva!
Então imagino as esposas, noivas e namoradas desses “clientes” da prostituta da minha janela. Se elas não se prevenirem com o preservativo feminino ou exigindo o uso da camisinha por parte dos seus parceiros, vão sofrer e morrer porque confiaram no seu amor. Tempos difíceis esses que estamos vivendo, não?
Gostaria de abrir minha janela amanhã e não ver mais a prostituta. É muito difícil ser testemunha da degradação humana.


Publicado na Folha da Região de Araçatuba - 29/05/2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Não à decadência do jornalismo


Dando continuidade à discussão sobre o que pensam os estudantes de jornalismo sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista, leiam com atenção o que escreveu a acadêmica Angélica Mariana Alves Neri (foto), do 5o. semestre do curso de Comunicação Social - Jornalismo do Centro Universitário Toledo de Araçatuba (SP), a mesma turma de Jean Fronho e Carlos Teixeira, autores de textos já divulgados neste espaço. Acompanhem as argumentações e exponham seus pontos de vista com comentários ou outros textos que vocês podem enviar para publicação.Só não vale ficar alheio e inerte!Segue a opinião da Angélica:

As discussões sobre a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo são constantes. Há quem defenda a importância do curso superior para a prática da profissão, mas também existem aqueles que consideram desnecessário o preparo acadêmico para a realização dessa atividade. As divergências de opiniões contribuem para o surgimento de uma sociedade amedrontada, que teme o desaparecimento de bons comunicadores e uma futura desvalorização da área.
O confronto de ideias teve início em 2001, quando o Sindicato de Rádio e TV entrou com uma ação no TRF (Tribunal Regional Federal) de São Paulo. Naquela ocasião, a juíza Carla Rister apresentou parecer favorável ao sindicato, derrubando a exigência do diploma. Em 2005, reverteu-se o quadro, e o parecer da juíza foi anulado. Um ano depois, o Supremo Tribunal Federal garantiu o exercício da profissão às pessoas que já atuavam na profissão. E em poucos dias, uma nova e definitiva votação acontecerá.
Caso o STF decida pelo fim da exigência do diploma, o jornalismo estará condenado a uma “progressiva decadência”. O reconhecimento atribuído à profissão estará friamente ferido, sem direito a tentativas de “cura”.
O embasamento teórico, conhecimento adequado da gramática, regras jornalísticas e ética, entre outros fatores, são imprescindíveis para o desenvolvimento da profissão. E não é somente no dia-a-dia que os profissionais adquirem essas virtudes, como “dizem por aí”. Os bancos acadêmicos oferecem mais vantagens e preparo para o comunicador.
É evidente que a não obrigatoriedade do diploma favorece os proprietários de veículos de comunicação, já que os direitos trabalhistas podem ser prejudicados diante desta falta de especialização. Atualmente, muitos dos jornalistas possuem o registro no Ministério do Trabalho e estão aptos, segundo a legislação, a exercer a profissão. Entretanto, facilmente são encontrados casos de jornalistas “precários” que mal sabem escrever ou falar adequadamente a língua portuguesa.
Parece brincadeira, mas a profissão que no passado foi tão prestigiada e reconhecida, hoje passa por uma grande crise. O jornalismo está sendo “manuseado” como amadorismo, e não mais como uma profissão. Lamentável.

Sobre o plágio

Quem não lê, não tem ideias próprias, não sabe ou tem medo de escrever, tem preguiça, rouba o pensamento de outros, mente, omite e comete crime, não pode ser jornalista. O plágio é crime previsto por lei, mas em se tratando da nossa profissão, é abominável duas vezes. Nenhuma desculpa convence: "Falta tempo?" Pega senha e entra na fila, pois não está fácil pra todo mundo. "Foi só desta vez?" Vai dizer isto pra quem teve a vida destruída por uma notícia apurada incorretamente, difamadora, inverídica etc. e tal. Plágio não pode ter perdão. Profissionais assim certamente não contribuirão em nada para a missão de ajudar a construir uma sociedade melhor através da verdade e da informação. Desabafei...

terça-feira, 26 de maio de 2009

Gazeta Mercantil, um dos ícones do jornalismo econômico do país, deve fechar

O futuro da Gazeta Mercantil é incerto. O jornal sofre pelo não pagamento de dívidas, principalmente trabalhistas. Foi levantada a possibilidade de os funcionários assumirem a publicação. Porém, ela está praticamente descartada devido ao prazo curtíssimo de pagamento das dívidas.

O antigo dono, Luis Fernando Levy, havia prometido para hoje um posicionamento sobre o encerramento das atividades. Entretanto, não se pronunciou. Na redação da Gazeta, o clima de incerteza continua. Os funcionários podem ser realocados em outras publicações da empresa CBM, que controla o jornal há cinco anos. Mas poucos acreditam na possibilidade.

“É muito difícil que todo mundo seja realocado. O pensamento da redação é de que todos estaremos desempregados. Eles também falam dos pagamentos, mas nada que eles afirmam se concretiza, então é difícil acreditar em realocação também”, diz um repórter.

A CBM afirmou que se responsabilizará por todos os pagamentos pelos cinco anos que controlou a Gazeta, mas não disse nada sobre as dívidas anteriores.

É a crise...

Em defesa do livre exercício do livre pensar



Ainda sobre a obrigatoriedade do diploma para jornalistas, Carlos Teixeira (foto), um dos profissionais de destaque da TVI de Araçatuba, e acadêmico do curso de Jornalismo no Centro Universitário Toledo de Araçatuba, também tem sua opinião formada. Ele, que já está no mercado há anos, tem seu trabalho reconhecido pela comunidade e, ainda assim, buscou os bancos acadêmicos para se profissionalizar, tem argumentos que precisam ser considerados. Leiam e comentem.


"Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo."

Françoise Marie Arouet Voltaire (1694-1778)

A frase do filósofo francês Voltaire retrata muito bem o contexto das discussões em torno da obrigatoriedade do diploma de jornalismo no Brasil. Os portadores dos “canudos” e sindicalistas (muitos sem o “tal” canudo) defendem que o documento acadêmico continue sendo obrigatório para o exercício da profissão. Muitos estão míopes e não conseguem enxergar o cerne da questão, que está bem em frente aos seus olhos. O exercício do jornalismo não deve ser prerrogativa apenas de quem faz o curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Outros “graduados” podem ter a mesma capacidade de articulação de um jornalista.

A idéia de que apenas este curso habilita o cidadão a escrever uma reportagem ou relatar um fato, dando todas as interpretações que derivam dele, é equivocada. Os defensores do diploma dizem que o jornalista deve ter uma “boa formação humanista, cultural e ética”. Apenas o curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo oferece isso? Então os alunos dos cursos de história, letras, filosofia, direito e tantos outros não têm este conteúdo? É claro que têm e podem, sob o ponto de vista dos conteúdos apresentados nestes cursos, apresentar uma visão diferente de um fato e retratá-lo ao leitor, caso tivessem a oportunidade de fazê-lo como jornalistas.

A disputa em torno da questão vem sendo travada há muito tempo. As baixas já atingiram diferentes lados, com perda salarial, falta de ética, censura e tantos outros mecanismos que ceifaram o direito de pronúncia de quem se prontifica a expor a própria opinião ou divulgar as de outrem.

O fato é que o Supremo Tribunal Federal tem em mãos a responsabilidade de mudar o estado das coisas e proporcionar uma maior liberdade de expressão no Brasil. Os ministros do STF estão prestes a fazer exatamente o que Voltaire disse em sua célebre frase, à época da Revolução Francesa, quando defendeu a liberdade de expressão. Se os digníssimos ministros decidirem pela não obrigatoriedade do diploma, será possível presenciar uma mudança no comportamento das pessoas, no que diz respeito a liberdade de expressão.

Um fato interpretado por um jornalista, pode ter uma interpretação totalmente diferente de um advogado, de um engenheiro ou de um filósofo. O leitor, com o conhecimento que detiver, fará a sua avaliação conforme a ótica que lhe for apresentada e o país poderá ter um jornalismo mais pluralista e livre. Todos têm a ganhar com isso.

Quanto às técnicas jornalísticas, com seus offs, cabeças, leads e etc... elas serão ensinadas em cursos de extensão, de aprimoramento, para que os “livres pensadores/escritores” possam dominar a técnica da produção industrial. É certo que não haverá redução do número de vagas nas universidades e serão criadas outras oportunidades para manter o rendimento financeiro, com os tais cursos técnicos e/ou de aprimoramento.

Para aqueles que defendem a obrigatoriedade do diploma, sem analisar as nuances da questão, fica mais uma frase de Voltaire:

"A necessidade obrigatória de falar e o embaraço de nada ter para falar, são duas coisas capazes de tornar ridículo ainda mais o maior homem". – Voltaire

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Obrigatoriedade do diploma de jornalismo: o que pensam os futuros jornalistas?


Lecionar para Jean Paulo Fronho de Sousa é sempre um desafio. Inteligente, com leituras fora do padrão para alguém de sua idade, perspicaz, e muito, muito crítico, ele sempre pontua as aulas do 5o. semestre do curso de Jornalismo do Centro Universitário Toledo de Araçatuba com comentários ora irônicos, ora sarcásticos, ora mordazes, mas sempre provocadores.
Provocar, aliás, é a sua especialidade. É o que ele faz agora no neste abaixo produzido durante as aulas de Técnicas de Redação (para textos opinativos) cujo tema era "a obrigatoriedade do diploma de jornalismo".
Fica aberto o desafio. Quem consegue argumentar contra as razões dele?
Comentem!


O clubinho e sua carteirinha indispensável

Jean Paulo Fronho de Sousa

No Brasil predomina uma mentalidade que acaba por impedir uma penetração e aprofundamento em qualquer tipo de organização ou atitude que se pretenda analisar. Movidos por um tipo de ação imediatista e que impede uma maior compreensão de tudo aquilo que se tenha a pretensão de realizar na sociedade, as pessoas, mesmo as que possuem um relativo grau de estudo e conhecimento, cometem erros que impedem o seu próprio desenvolvimento como membro de qualquer círculo de trabalho.

No caso do jornalismo não é diferente. Se perguntarmos a qualquer jornalista qual é sua função na sociedade, muitos deles poderão dar a resposta ensaiada que corresponde a “levar informação às pessoas”. Alguns ainda poderão acentuar o papel social que sua categoria representa e dizer que cabe a ela informar as pessoas de tudo o que acontece no mundo e dar à população a oportunidade de formar um senso crítico a partir de sua existência.

Porém, serão poucos aqueles que procurarão repensar o papel da mídia e como esta direciona a atuação dos meios de comunicação. Será uma minoria também, aquela que suspeitará do que o jornalismo define por “informação” e se a simples transmissão do que eles definem dessa maneira, é capaz de formar nas pessoas um senso crítico. Em uma espécie de tentativa de fechar os olhos a qualquer tipo de possibilidade de aprofundamento, alegarão eles que isso cabe a filósofos, sociólogos e economistas, pois jamais pensarão na hipótese de haver uma acompanhamento das Ciências Humanas à prática jornalística.

Esse tipo de crítica e observação cabe para mostrar como os cursos de graduação em jornalismo são incapazes de formar em seus alunos uma mentalidade que possibilite-os, não só entender sua prática profissional, mas também promover uma reciclagem periódica de ideias no meio. O que acontece é que acabou se criando uma noção de jornalismo paralela à ideal, e com isso muitos jornalistas seguem-na ao invés de procurarem promover uma evolução na linha iniciada e considerada certa, alinhando a prática jornalística à realidade social com o intuito de se manter a qualidade.

Não seria prudente, entretanto, atribuir somente aos profissionais da área essa culpa. O regime industrial e a conseqüente produção em série, transformou a notícia em uma mercadoria. Tal forma de produção exige uma técnica, que, além de possibilitar um ganho de tempo por parte dos jornalistas (o que nas redações é muito valioso), atende às respostas das pesquisas de mercado que visam descobrir qual formato de texto irá agradar.

Mas e a ideia de levar a informação, onde fica? Os defensores da máquina jornalística hão de dizer que a técnica promove uma sublimação dos fatos importantes e possibilita um melhor encaixe no sistema receptor do consumidor. Ainda dirão que o jornalismo não deixa de informar por causa disso e tudo o que as pessoas devam saber, estará presente nos jornais.

Imagina-se, então, que exista um Deus do conhecimento presente nas reuniões de pauta, capaz de apontar tudo aquilo que os mortais deverão saber ou discutir. E todos aqueles que possuem diploma saberão entender a linguagem do seu Deus, afinal, o que eles mais aprenderam em seus cursos foi decifrar a linguagem existente na cartilha do seu ser soberano, que adora informar a todos.

Relacionar a obrigatoriedade do diploma ao fato de haver uma mentalidade paralela crescente a ideia central do jornalismo é prudente a partir do ponto em que se afirma que o diplomado no curso em questão é capaz de exercer a profissão de jornalista. Um grupo de pessoas que não é capaz nem de saber que papel ocupa e como pode desdobrar sua função perante a sociedade em que vive, acaba exigindo uma “carterinha do clube dos alienados” e ao mesmo tempo excluiu não só a liberdade mas a possibilidade de se levar a informação da forma mais plena possível.

Não existe aqui uma defesa ao jornalismo romântico, tal qual se via no início do século passado. A principal oposição aqui é à “carteirinha do clube dos alienados”. Quantos estudantes de jornalismo, mesmo os que criticam o excesso da prática em confronto com a teoria, sabem da importância de não só fazer um estágio, mas também, colocar-se na posição de confronto entre o ideal e o real, entre o teórico e prático? Isso é formar uma consciência de sua profissão e não se vê uma preocupação com esse aspecto nas faculdades de jornalismo.

Afirmar que se paga por algo que não se pode ter, é honestamente, uma maneira de comprar uma posse, comprar a “carterinha do clube” e ter acesso a todos os direitos que ela proporciona. Fazendo menção à opinião da OEA, liberdade não se compra e é direito de todos. Só podemos falar em uma organização mais séria e conceituada, a partir do momento em que a liberdade for um dos aspectos que condicione a produção e transmissão de informação a uma população cada vez maior e diversa, o que exigiria uma reformulação do que se vê nos cursos de jornalismo.

Como o “clubinho” quer cobrar liberdade se ao mesmo tempo exige uma obediência a normas que se relacionam à própria mentalidade dos receptores? Isso nos faz concluir que existe uma restrição da produção e conseqüente propagação da notícia, obedecendo a uma ótica unilateral, que, ao invés de informar, só faz desinformar a população. É para fazer isso que estão exigindo diploma.

Somente quando houver uma preocupação de se criar uma classe preocupada com a transmissão da informação, levando em conta a responsabilidade e o enorme percentual de liberdade que deverá dar andamento a isso, é que se poderá exigir uma obrigatoriedade para exercer tal papel. Caso contrário, é até interessante que tenhamos marginais de outras áreas tentando “pular o muro do clubinho” e derrubar tudo aquilo que está em voga dentro dele.

Ainda há de surgir mais que um clube, mas sim, um espaço capaz de direcionar adequados debates elevados que, mesmo tratando o jornalismo como mercadoria, vislumbrem-na como uma mercadoria de alto porte nessa era moderna e fragmentada. Quando chegarmos a esse estágio, talvez o diploma seja um mero detalhe para um grupo de pessoas que terá seu papel não porque o conseguiu por compra ou sacrifício, mas, sim, porque corresponde àquilo que sabe fazer e tem vocação.

domingo, 24 de maio de 2009

Liberdade de expressão?

Ações contra blogueiros crescem nos EUA

Da Redação do Comunique-se

Ações contra blogueiros são cada vez mais frequentes nos Estados Unidos. De 2003 para 2007 os processos subiram de 12 para 106 em todo o país, informa reportagem do The Wall Street Journal, do dia 21/05.

De acordo com o estudo do Centro Berkman, do grupo Internet e Sociedade da Universidade de Havard, infração de privacidade, direitos autorais e difamação estão entre os crimes mais comuns. Além disso, os blogueiros respondem até por comentários postados em suas páginas.

Mesmo com muitos processos rejeitados pelos tribunais, ou de acordos extrajudiciais, as indenizações pagas pelos blogueiros chegam a US$ 17,4 milhões, de acordo com o Centro de Estudos de Direitos da Mídia, de Nova York.

Com o crescimento da Internet e das redes sociais, as empresas e instituições têm se preocupado em monitorar e rede, e empregam novas tecnologias para acompanhar comentários negativos e infração de direitos autorais.

“Aquilo que antigamente as pessoas escreviam na parede do banheiro hoje pode ser visto por milhões de pessoas”, afirma Sandra Baron, diretora-executiva do Centro de Estudos de Direitos da Mídia e advogada especializada em leis da mídia.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Concurso CNN - Aceite este desafio!

Recebi esta comunicação e repasso a vocês com a intenção de fortalecer o convite para que todos participem do concurso. Sei do potencial dos meus alunos e acredito que um de vocês pode conseguir. Como sempre digo, só não conseguirá quem não se inscrever nem participar. Já estou torcendo por vocês!

Olá Ayne, tudo bem ?

Meu nome é Frederico Conti e estou trabalhando na divulgação do 5º Concurso Universitário de Jornalismo CNN. Acredito que isso pode ser interessante para você e para os leitores do seu blog Mundo dos Jornalistas.

As inscrições começaram no dia 24 de março e podem ser feitas até dia 29 de junho de 2009.O tema deste ano é “O uso da tecnologia no desenvolvimento social.”

A novidade de 2009 é que o estudante vai poder enviar o vídeo de até 2 minutos pelo YouTube, sendo que ele poderá produzir quantas matérias quiser.O concurso é válido somente para estudantes de jornalismo.O ganhador conhecerá os estúdios da CNN International, além de ter sua matéria exibida pelo canal.

As inscrições podem ser feitas no site:

www.concursocnn.com.br

Acompanhe ainda as novidades no Blog:

http://www.concursocnn.com.br/2009/blog/

e fique à vontade para esclarecer quaisquer dúvidas comigo,

por este email ou pelo telefone: (11) 3711-8131



Obrigado pela atenção.

Frederico Conti

fred@ichimps.com.br

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Para quem gosta de revista


Dizem que todo mundo tem a sogra que merece. Se for assim, estou me achando a melhor criatura do mundo. Foi justamente a minha sogra quem me deu alguns dos meus melhores presentes. Primeiro foi o filho dela, meu marido, pai dos meus filhos. Depois, uma coleção maravilhosa de revistas antigas: Realidade, Manchete e O Cruzeiro. A maioria está em bom estado de conservação (pelo menos as revistas). Sempre que posso, invisto minutos preciosos na leitura dos textos de qualidade indescritível, na observação do projeto gráfico, nas fotografias perfeitas. As vezes, quando não tenho ataque de ciúmes, levo alguns exemplares para meus alunos conhecerem, tocarem, aproveitarem. A maioria fica encantada.
Mas agora, mesmo quem não tem a sogra que eu tenho, pode apreciar pelo menos a revista O Cruzeiro. Meu mestre Pedro Kutney me mandou a dica que agora compartilho com vocês. Vejam: http://memoriaviva.digi.com.br/ocruzeiro

Jornalismo policial

Na disciplina de Jornalismo Especializado, vamos começar a trabalhar com o jornalismo policial. Por este motivo, apresentaremos neste espaço uma série de textos que abordarão o tema sob as mais diversas visões. Todas as colaborações serão bem-vindas. Eis o primeiro texto, só para vocês refletirem: quem foi que disse que jornalismo policial é fácil, basta acompanhar os boletins de ocorrência?

Policial desrespeita trabalho de jornalista gaúcha
Patricia Campello, de Porto Alegre, para o Comunique-se

Além de danos materiais, um acidente de trânsito aparentemente comum em Porto Alegre gerou uma situação de intimidação e cerceamento da liberdade de expressão de uma jornalista gaúcha. A repórter da Rádio Guaíba Fernanda Bagatini foi insultada por um policial militar quando fazia a cobertura de um acidente, na esquina da avenida João Pessoa com a rua Doutor Sebastião Leão, no bairro Azenha, por volta das 6h20min da última sexta-feira (15/05).

A confusão iniciou no momento em que Fernanda questionou a presença de cinco viaturas do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e de aproximadamente 20 PMs para uma ocorrência simples, já que em casos similares (sem vítimas) apenas a EPTC é acionada.

“Comentei que aquilo tudo parecia uma megaoperação. Ao perguntar o motivo daquele efetivo, um policial me insultou, mandando eu ‘calar a boca’ e ‘ficar na minha’. Na verdade, todo aquele aparato se justificava pelo fato de um dos condutores envolvidos no acidente ser um soldado do 9º BPM”, explica.

Segundo a jornalista, como ela apresentava boletins de 30 em 30 minutos ao vivo do local, a cada entrada no ar os policiais ficavam observando-a e tentando intimidá-la.

“Trabalho há dez anos como setorista de trânsito e foi a primeira vez que passei por uma situação como esta. Não tenho medo. Apenas achei um absurdo aquele corporativismo, enquanto muitas vezes não há viatura para atender a população”, complementa.

O repórter da Rádio Gaúcha Mauro Saraiva deu respaldo à Fernanda e chamou o Comando de Policiamento da Capital (CPC). O CPC, por sua vez, abriu uma sindicância para investigar o caso. Fernanda comenta ainda que o capitão do 9º BPM, Marcelo Giusti, se retratou com ela assim que tomou conhecimento do fato, na própria ocasião.

“Ouvimos a jornalista e quinze minutos depois identificamos o PM responsável em deflagrar os insultos. Não há interesse em atrapalhar o trabalho da imprensa e a apuração dos fatos. Também estamos investigando o excesso de policiais no local do incidente”, afirma o capitão do 9º BPM.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Apreciem o futuro

Depois da minha pesquisa de mestrado, não tenho dúvidas de que o modelo jornalístico que pode nos ajudar a reencontrar os princípios de responsabilidade social da profissão estão no civic journalism . A indicação de leitura abaixo pretende apresentar este movimento a vocês. Espero que se apaixonem, como eu.

Citizem Journalism: Global Perspectives

Edited by Stuart Allan and Einar Thorsen
Published by Peter Lang (New York)

Citizen Journalism: Global Perspectives examines the spontaneous actions of ordinary people, caught up in extraordinary events, who felt compelled to adopt the role of a news reporter. This collection draws together 21 original, thought-provoking chapters. It investigates citizen journalism in the West, including the United States, United Kingdom, Europe, and Australia, as well as its development in a variety of other national contexts around the globe, including Brazil, China, India, Iran, Iraq, Kenya, Palestine, South Korea, Vietnam, and even Antarctica. It engages with several of the most significant topics for this important area of inquiry from fresh, challenging perspectives. Its aim is to assess the contribution of citizen journalism to crisis reporting, and to encourage new forms of dialogue and debate about how it may be improved in future.

When the people formerly known as the audience employ the press tools they now have in their possession to inform one another, that’s citizen journalism. It is a global phenomenon because the means for doing it have been distributed to the population at large. Therefore our ideas about it have to be global, too. And we cannot afford to be sentimental about citizens or dismissive of what professionals do. Only a book like this can get that tough-minded conversation going the right way, which is the open way. In a word, the editors have succeeded.

Professor Jay Rosen, Department of Journalism, New York University

A wonderful sampling of recent cases with a truly global scope; a happy combination of new stories and the top scholars in online journalism. Going beyond theory, this volume demonstrates the variety and impact of reporting by the people, for the people.

Professor Mindy McAdams, College of Journalism and Communications, University of Florida

Contributing authors:
Stuart Allan, Ian Ashman, Paul Bradshaw, Axel Bruns, Bart Cammaerts, Nico Carpentier, Cynthia Carter, Jia Dai, Ludo De Brabander, Mark Deuze, Tom Fiedler, Olga Guedes Bailey, Amanda L. Hughes, Gholam Khiabany, Sophia B. Liu, An Nguyen, Joyce Nip, Leysia Palen, Stephen D. Reese, Lee Salter, Barry Saunders, Jane B. Singer, Prasun Sonwalkar, Annabelle Sreberny, Jeannette Sutton, Einar Thorsen, Sarah Vieweg, Farida Vis, Melissa Wall, Jason Wilson, Chang Woo Young, Heba Zayyan, and Ethan Zuckerman.

The book will be launched at the ICA conference in May 2009.

Stuart Allan is Professor of Journalism in The Media School, Bournemouth University, UK.

Einar Thorsen is Senior Lecturer in Multimedia Journalism at the University of Teesside, UK.

Citizen Journalism: Global Perspectives is the first book in the series Global Crises and the Media edited by Simon Cottle. Read the Series Editor’s Preface for further details.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Comissão do MEC: profissionais divergem sobre especialização em jornalismo

Enquanto o Supremo Tribunal Federal estuda o fim da obrigatoriedade do diploma para jornalistas, uma comissão do Ministério da Educação promove calorosos debates sobre a formação deste profissional. Nem parece que estamos todos no mesmo país...

Especialistas almejam profissionais multimídia, com responsabilidade social

Izabela Vasconcelos, de São Paulo, para o Comunique-se

A especialização em Jornalismo foi um dos temas discutidos na terceira e última audiência pública do MEC sobre a revisão das diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo, nesta segunda-feira, em São Paulo. “Existe uma necessidade de especialização, assim como acontece na Medicina, no Direito, e em outras áreas”, afirmou JB Oliveira, jornalista e presidente da Comissão de Relações Corporativas e Institucionais da OAB-SP, que abriu a audiência.

Caio Túlio Costa compartilhou a mesma opinião. “Defendo a formação ética e humanística e acredito que profissionais de outras áreas poderiam fazer uma especialização em Jornalismo”, alegou.

“Não me parece algo pertinente com o que estamos discutindo aqui, pensar em uma especialização em jornalismo de dois anos. Como proporcionar todos esses conhecimentos que estamos discutindo nesse curto período? Isso quer dizer que qualquer um poderia fazer Jornalismo”, contestou Celso Augusto Schröder, coordenador do Fórum Nacional de Democratização da Informação e vice-presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj).

Schröder se referia a alguns temas apontados na audiência para as novas diretrizes dos cursos deJjornalismo, como multimídia, ética, políticas públicas, terceiro setor, regras e acordos internacionais, técnicas de investigação, linguagem visual e matemática, além da formação crítica. “Não vejo tempo para que todo esse conteúdo seja contemplado”, afirmou.

Sérgio Gomes, diretor da Oboré, também discutiu as exigências da profissão e o tempo para que o profissional adquira essa formação. “Não vejo tempo real para todos esses temas. Estão pensando em formar um senhor do conhecimento, um renascentista, que no fim irá ganhar quanto?”, indagou Gomes, destacando o reconhecimento na profissão.

Os participantes também discutiram a falta de atualização das grades curriculares em relação ao mercado de trabalho. “Essas divisões de jornalismo impresso, jornalismo radiofônico não fazem mais sentido. Parece que as escolas de Jornalismo estão formando jornalistas para a década de 70”, disse Eugênio Bucci.

“Muitos profissionais entram na faculdade pensando em atuar nas redações e acabam encontrando mais oportunidades na comunicação corporativa, muitas vezes sem estarem preparados. Por esse motivo acredito que deve haver alguma especialização nessa área, talvez no último ano de faculdade”, defendeu, entre outras sugestões, Eduardo Ribeiro, diretor da Mega Brasil.

Além desses convidados, a comissão de especialistas, presidida por José Marques de Mello e formada por Carlos Chaparro, Sérgio Mattos e Eduardo Meditsch, entre outros, ouviu representantes da sociedade civil, entidades do terceiro setor, estudantes e profissionais de outras áreas.

Hoje a Comissão de Especialistas se reúne para discutir os temas apontados na audiência e até o início de agosto deve concluir o relatório para as novas diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. “Todo o conteúdo será avaliado e discutido. A intenção é que, se homologado, até 2010 estas diretrizes já estejam em vigor”, afirmou Cleunice Rehem, representante da Secretaria de Educação Superior (SESU/MEC).

“Devemos lembrar que isso não cabe somente ao MEC. Se a sociedade civil não se organizar, não teremos resultados plausíveis”, enfatizou Mello ao encerrar a audiência.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Excursão para o "Altas Horas"

A matéria abaixo foi feita pelo jornalista, assessor de imprensa, ex-orientando e amigo, Douglas Augusto, para o site do Centro Universitário Toledo. A notícia interessa a todos aqueles que desejam conhecer a gravação de um programa de TV. Leiam, sintam-se incentivados e boa viagem!

A coordenação do curso de Sistemas de Informação do UniToledo promove uma viagem para a gravação do programa “Altas Horas”, da TV Globo. Os interessados têm até essa sexta-feira, dia 15, para se inscrever e participar da excursão.

Segundo a coordenadora do curso, Márcia Baptistella, a viagem pode ser feita por qualquer interessado e acontecerá no próximo dia 20 de maio, sendo que os participantes sairão às 23h30 em um ônibus defronte a entrada principal do UniToledo.

A gravação do programa será na tarde seguinte, em São Paulo. O valor da viagem (transporte) é de R$ 67,00 e a chegada em Araçatuba está prevista para as cinco da manhã do dia 22 de maio.

Ainda de acordo com informações fornecidas pela produção do programa a idade máxima para participar da gravação do programa é 28 anos. “Não sabemos ainda quem serão os entrevistados/participantes do programa”, informa Márcia.

Os interessados devem procurar a coordenação de Sistemas de Informação. São necessárias as seguintes informações: nome completo, telefone de contato, RG, data de nascimento e tipo sanguíneo.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Se a moda pega...

Meu mestre, Pedro Kutney (já entrevistado por este blog), enviou esta colaboração (abaixo) para o "Mundo dos jornalistas". Enquanto nós, brasileiros, estamos preocupados com a decisão do Supremo Tribunal sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista, os pretendentes à profissão, nos Estados Unidos, têm que se preocupar com outro aspecto: a elitização do curso.Imaginem se a moda pega...

Universidade dos EUA exige iPhone ou iPod dos alunos de Jornalismo


Os estudantes de Jornalismo da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, terão que possuir um iPhone ou um iPod Touch para fequentar as aulas. A exigência está presente no Manual do Aluno para o curso que se inicia no próximo semestre. A universidade defende que “não existe outro aparelho no mercado que ofereça aos estudantes acesso a todas as atividades que a faculdade planeja implementar”.

“O iPod Touch é, ao mesmo tempo, um tocador de áudio e vídeo com muitos outros benefícios. (...) Com um download grátis, o aparelho permite ao estudante entrevistar uma fonte. (...) Ele também é um browser que permite acesso portátil à Internet e aos muitos recursos que podem ser encontrados lá”, diz o manual.

Além das próprias funcionalidades do iPhone e do iPod Touch, a universidade planeja construir aplicativos especialmente para a plataforma. Eles estarão disponíveis de graça pelo iTunes, loja virtual de produtos para a Apple.

A Universidade do Missouri é a primeira instituição de ensino nos Estados Unidos a exigir o aparelho como material didático. Ela defende que o “uso do iPod Touch deve ajudar a performance acadêmica dos estudantes”.

“Alguns estudos mostram que os estudantes retêm muito mais informação das atividades em sala de aula quando eles possuem a oportunidade de revê-las”, defende a universidade.

Um iPod Touch custa, nos Estados Unidos, cerca de US$ 230. O iPhone é ainda mais caro. A Universidade explica que, com a obrigatoriedade, a compra dos aparelhos pode ser incluída no pacote de financiamento estudantil. Além disso, “obviamente, se fosse opcional, limitaria o uso do aparelho para os propósitos acadêmicos”.

Além do iPod Touch, os alunos devem possuir um notebook, preferencialmente da Apple, com o Microsoft Office instalado. Os graduandos em fotojornalismo devem, ainda, “comprar o Photoshop”.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Forças antagônicas

Em um exercício de redação criativa, os acadêmicos Aline Simplício e Cleiton Galhardo, do 7o. semestre do curso de Jornalismo do UniToledo, traduziram assim esta foto:



Muros e portões têm a finalidade de proteger e dividir uns dos outros. A muralha da China, mesmo com sua espetacular beleza, não faz diferente. E um paredão humano, por mais acolhedor que possa parecer, também não.

Onze policiais alinhados em fila horizontal formam o paredão da lei. A frente deles, apenas uma índia, com uma criança de colo, levanta sua barreira de dignidade e desespero. Dá-se início a injusta batalha.

Enquanto homens treinados, com uniformes das forças especiais, estão prontos para atacar, a mulher, vestida de saia e camiseta comuns, só tem sua coragem, que a faz levantar um dos braços - como quem saca uma espada - e ir para o embate.

É nobre, porém vã, a tentativa da pequena senhora de chinelos contra onze máquinas de coturnos, joelheiras, capacetes e escudos. A prova é deixada na terra remexida a cada passo forçado e descompassado com as batidas de dois corações ofegantes. Afinal, é de se esperar que a criança, nua, de pés calçados e protegida apenas pelos braços da guerreira sem armas, tema tombar.

O céu azul-claro, meio nebuloso, ressalta tamanha tirania.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Folha de S.Paulo seleciona projetos de pesquisa sobre jornalismo

A dica é da professora Karenine Miracelly, que divido agora com vocês:

A Folha dá início hoje a um concurso para incentivar pesquisas sobre a história do jornalismo brasileiro. Chamado de Folha Memória, o programa selecionará três projetos de pesquisa e premiará seus autores com uma bolsa de R$ 2.300 mensais -mediante reembolso de despesas.
Nos seis meses em que receberão essa ajuda de custo, os candidatos selecionados deverão conduzir sua pesquisa com rigor acadêmico e transformá-la em um texto de interesse geral e caráter jornalístico. Eles serão orientados por um jornalista da Folha.
O melhor dos três trabalhos será publicado em livro editado pela Publifolha, e seu autor ganhará um laptop.
No concurso, que tem patrocínio da Pfizer, a história do jornalismo deve ser entendida em sentido amplo - ou seja, podem ser investigados fenômenos de qualquer época do jornalismo do país.
Os projetos também não precisam se restringir ao estudo de nenhum meio jornalístico específico -podem ser estudados veículos impressos, on-line etc.
Poderá inscrever seu projeto quem estiver concluindo ou tenha concluído graduação em qualquer universidade brasileira. Só será aceita a inscrição de um projeto por pessoa e as pesquisas devem ser individuais.

Inscrição e seleção
A inscrição deve ser feita no site http://folhamemoria.folha.com.br, até o dia 28 de junho. Ao se inscrever o candidato preenche uma ficha à qual anexará o projeto de pesquisa. No site está também regulamento detalhado do concurso.
A seleção passa por três fases. Na primeira, 30 projetos finalistas serão selecionados pela Folha e encaminhados para uma banca composta pela historiadora Isabel Lustosa, da Fundação Casa de Rui Barbosa, pela jornalista Renata Lo Prete, editora do Painel, e por Silvia Prevideli, consultora em Comunicação Corporativa da Pfizer. Essa banca escolherá os três contemplados com as bolsas, cujos nomes serão divulgados em 9 de agosto.
A partir do dia 10 de agosto, os três bolsistas devem começar a trabalhar na pesquisa, cujo resultado final deverá ser entregue seis meses mais tarde a
uma outra banca.
Nessa etapa, os avaliadores serão Eleonora de Lucena, editora-executiva do jornal, Nicolau Sevcenko, professor de história da USP, e Cristiane Santos, gerente de Comunicação Corporativa da Pfizer. Eles vão escolher o trabalho vencedor, que será divulgado no mês de fevereiro de 2010.

A maturidade que o Jornalismo Infantil precisa

Depois das aulas da disciplina de Jornalismo Especializado, sobre Jornalismo Infantil, os acadêmicos Cláudio Henrique e Anderson Soares, do 7o. semestre do Centro Universitário Toledo de Araçatuba, chegaram a conclusão que este segmento precisa amadurecer. Leia as razões:

O jornalismo tem o poder de influenciar a vida da sociedade em geral. Para o bem ou para o mal, a imprensa carrega esta responsabilidade de informar pessoas, fazendo delas seres conectados com os fatos, mesmo que de acordo com o viés ideológico que move determinado veículo. Se jornais, revistas, rádio, televisão e internet movem mentes adultas, nas crianças a mídia tem um livre acesso a ser explorado com conduta profissional e pedagógica. Mas será que o público infanto-juvenil aprecia com qualidade o que os meios de comunicação transmitem por meio da atuação jornalística?
O Jornalismo Infantil surgiu com o desejo de atrair o público mirim para as páginas impressas. Por meio de quadrinhos e atividades didáticas, as crianças foram encontrando um espaço didático anexado a várias páginas com letras, fotos e outras peculiaridades que no senso comum são taxadas como feitas para pessoas “mais velhas”.
Mas ao passar dos anos a novidade infantil caiu no marasmo, encontrando limitações até dentro de quem deveria apreciar o conteúdo de tablóides semanários. Vale ressaltar que a abordagem sobre o Jornalismo Infantil está até então restrita à mídia impressa, isso porque o gênero apresentado carece (e muito) de espaço em outros veículos. Dá para contar nos dedos quantas atrações para crianças podem ser consideradas jornalísticas no rádio, televisão ou até mesmo internet. O que se encontra são desenhos e mais desenhos, em uma linguagem que perdeu até mesmo o dom educativo.
Mas voltando ao âmbito impresso. A deficiência do Jornalismo Infantil no Brasil começa na abordagem de temas. É inadmissível querer ganhar a atenção dos pequenos por meio de uma linguagem arcaica e mimosa. Entre “amiguinho” e outros “inhos”, o veículo acaba definindo a criança como uma alienada mirim, a qual não cresce jamais.
O distanciamento da realidade infanto-juvenil é outra limitação dos informativos atuais. Os veículos acreditam que o leitor vive apenas de jogos de vídeo-game, quadrinhos, desenhos e compras, esquecendo que a criança vive em uma sociedade e tem o direito de ser formada sobre tal. E o passar dos anos foi abolindo temas relevantes para as mentes mirins, tais como: cidadania, esportes, escola, entre outros, até mesmo temas mais polêmicos, como a política e violência, as quais fazem parte do cotidiano infantil.
Se o Jornalismo Infantil está perdendo a capacidade de informar, tampouco o gênero forma; é lamentável notar como algumas publicações e até mesmo outras veiculações são chamadas grosseiramente de informação. Abordar a roupa de determinada atriz para a moda mirim se tornou muito mais importante do que falar de pedofilia, algo que precisa ser esclarecido perante o pequeno público, que não é mais inocente como na época da revista Tico-Tico, criada em 1905 e considerada a primeira revista infantil feita no País.
Os jornalistas e veículos do gênero infantil deveriam olhar com mais sensatez para exemplos que vêm das escolas, onde existem atividades informativas com jornais, revistas, rádio e tevê. Fazer cidadania por meio da informação é o que as crianças precisam, pois elas devem amadurecer tendo como companhia informação didática sim, mas que também a faça cidadã. Passou da hora de o Jornalismo Infantil finalmente amadurecer.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A foto


Durante uma das aulas sobre as convergências (e divergências) entre o texto jornalístico e o texto literário, propus que os acadêmicos do 7o. semestre treinassem uma redação criativa a partir de uma foto premiada (já postada anteriormente neste blog). Eles deveriam utilizar-se das informações captadas pela lente do repórter fotográfico (ganhador de prêmio internacional pela imagem) e escrever um texto que fugisse do modelo hegemônico de lead e pirâmide invertida. O exercício abaixo é da acadêmica Dayane Castro, uma das minhas apostas na profissão.

Uma foto

O dia nublado parece uma guerra entre céu e terra. Um rosto e 21 pernas identificam o paredão de homens, sem sombra, da Polícia Militar. No chão, onde pisam as pernas grossas munidas de joelheiras e coturnos pretos, foi deixado um rastro de outras pernas menores, sem joelheiras e coturnos, sem proteção. Essa terra tem a cor do ouro mais caro e da disputa mais injusta. Como espartanos, protegiam-se com a fraternidade de seus escudos e varriam o que houvesse por vir...uma mulher ameaçada pelo cacetete do único homem cujo rosto está amostra. É uma índia da Amazônia, do Brasil. Suas pernas estão quase descobertas por uma saia colorida, seus pés pisam o chão calçados por um chinelo de dedo. São homens e mulher. O que ela segura não é um escudo, mas lhe serveria como. O que ela segura, meu Deus, é uma criança! Ela está nua, vestida apenas por uma sandália, protege-se no colo estreito da mãe.
A foto.
Um jornalista premiado.

Um caso de amor

O texto abaixo, dos acadêmicos Ivan Ambrósio e Ronaldo Ruiz, aborda as convergências entre jornalismo e literatura, tema discutido recentemente nas aulas de Técnicas de Redação - Projetos e Produtos do 7o. semestre do curso de Jornalismo do Centro Universitário Toledo de Araçatuba. Acompanhem:

Livro-reportagem: Um caso de amor entre jornalismo e literatura

Não há limites para o jornalismo literário inserido em um livro-reportagem. As limitações da imprensa cotidiana como falta de tempo e espaço, efemeridade, preocupações com a factualidade e o texto formalista causado pela busca incessante da objetividade, ficam para trás neste estilo de se fazer jornalismo, onde as práticas jornalísticas de pesquisa, entrevista e apuração, se aliam aos recursos lingüísticos da literatura.
As empresas jornalísticas se assemelham cada vez mais ao perfil de uma empresa capitalista qualquer. Tudo é feito as pressas e em série. Não há espaço para enfeites ou um aprofundamento da notícia, o que caracteriza a grande reportagem, pois a pressão causada pelo dead line é grande e o leitor, geralmente também apressado, quer saber apenas quem, fez o quê, como, quando, onde e por quê. As matérias são cada vez mais curtas e os espaços publicitários cada vez maiores. A falta de tempo também é prejudicial à pesquisa e apuração. O número de fontes ouvidas é pequeno, se restringe a ouvir os dois lados, algo que pode confundir o leitor, e geralmente essas fontes são as de sempre, oficiais, deixando de lado profissionais e testemunhas, que poderiam dar uma visão mais ampla do fato.
Para superar todos estes impedimentos, jornalistas procuram refúgio em outro suporte: o livro-reportagem. Aqui o repórter se sente mais livre para entrevistar um sem número de fontes, analisar documentos, livros, objetos, entre outras coisas, sem se preocupar com o horário de fechamento, linha editorial e manual de redação do veículo.
Tom Wolfe, um dos principais representantes e teóricos do jornalismo literário, diz que a mídia impressa tradicional busca formas simples de expressão em matérias curtas. O jornalismo literário, a rigor, se baseia no real, porém sem abrir mão de recursos da literatura de ficção. Ao detalhar ambientes, o autor utiliza recursos lingüísticos da literatura para dar mais vida ao cenário, usando de sinestesias, comparações, que criam uma imagem mais viva na cabeça do leitor. Nos diálogos a linguagem dos personagens é preservada. São utilizadas gírias, dialetos, e até palavrões usados dos personagens. O narrador chega a ser figura onisciente e onipresente, sendo capaz até de expressar em palavras o que o personagem está sentindo, pensando e sonhando. Tudo isso é impossível de se pensar na imprensa cotidiana, sempre amarrada ao conservadorismo do lead e à pirâmide invertida.
O jornal é um produto efêmero. Sua vida é curta, talvez chegue a sobreviver até apenas o meio-dia, quando uma boa parte do que ali está escrito está velho, tornando o veículo descartável. O livro, porém, fica para a posteridade, por não apenas se manter ao fato, mas por contextualizá-lo, fazer uma leitura aprofundada dos fatores que o motivaram e as conseqüências dele no futuro. Como sempre faz questão de ressaltar Edvaldo Pereira Lima, o autor de “O que é livro-reportagem” e “Páginas Ampliadas”, o jornalismo diário se preocupa demais com a factualidade e se esquece do passado que vem à tona ou que desperta a curiosidade do leitor. Muito menos se incomoda em analisar o que o acontecimento poderá provocar ou fazer uma interpretação do que ocorreu. Ao aparecer um caso mais novo, rapidamente se esquece do ocorrido. O livro-reportagem faz o resgate histórico de acontecimentos, personalidades, contextualiza e os interpreta, nos brindando com uma leitura mais profunda do assunto, para deleite dos leitores mais curiosos, que não se satisfazem com apenas a objetividade.
A empresa jornalística talvez até não publique algo por não considerar que seja de interesse público, o que muitas vezes não é verdade, ou reportagem que vá contra os interesses financeiros e ideologias do veículo. Geralmente essas matérias “auto-censuradas” pelas empresas ganham espaço nas páginas de um livro. E a tão sonhada grande reportagem se realiza nas páginas de um livro.
Por toda essa liberdade, de linguagem, idéias, espaço, entre inúmeras outras, que cada vez mais as grandes reportagens deixam as páginas dos jornais e revistas e se transferem para os livros, onde elas ultrapassam limites estéticos e de aprofundamento. Vários títulos e autores, seduzidos por esta forma de reportagem, estão surgindo. O jornalismo literário é o futuro do jornalismo.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Fim da lei de imprensa?

STF revoga Lei de Imprensa

Sérgio Matsuura, do Rio de Janeiro (Comunique-se)

A Lei de Imprensa foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Em julgamento realizado na tarde de 30/04, sete dos onze ministros da Casa se manifestaram pela extinção total do texto. O presidente do Tribunal, Gilmar Mendes, finalizou a sessão pedindo, em seu voto, a manutenção de artigos referentes ao direito de resposta. Apenas o ministro Marco Aurélio Mello defendeu a manutenção da lei.

O STF aceitou pedido de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental impetrada pelo PDT e, a partir de agora, o judiciário deve se ater aos códigos civil e penal para julgar questões relativas à atividade jornalística.

A sessão de hoje deu prosseguimento ao julgamento iniciado no dia 01/04. Naquele dia, o relator do processo, Carlos Ayres Britto, e o ministro Eros Grau declararam seus votos pela extinção da lei. Hoje, foram acompanhados pelos ministros Carlos Alberto Menezes Direito, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Cezar Peluso e Celso de Mello.

Os ministros Joaquim Barbosa e Ellen Gracie votaram pela manutenção de artigos que tratam de calúnia, injúria e difamação, acatando a revogação parcial da Lei de Imprensa.

O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murillo de Andrade, considerou positiva a eliminação “de uma legislação inútil e autoritária”. Por outro lado, vê negativamente o vácuo legal e cobra do Congresso a criação de uma nova Lei de Imprensa.

“Transferiram um poder imensurável para os juízes de primeira instância. Mas tem o aspecto que a maioria dos ministros também se manifestou favorável ao entendimento de que é possível uma legislação. Não só possível como necessário”, defende.

Diferentemente da Fenaj, a Associação Brasileira de Imprensa é contra a criação de uma nova legislação. O presidente da entidade, Maurício Azêdo, comemora o fim da lei que “tinha o signo repressivo da ditadura”. Chamando-a de “falecida Lei de Imprensa”, afirma que a “Constituição assegura a plenitude da liberdade de imprensa e de expressão”.

O deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), que ajuizou a ação, se disse “satisfeito”com o resultado do plenário. Em sua opinião, mais do que defender a liberdade de imprensa, a decisão de hoje também “impede que se crie uma lei que impeça manifestações na internet”.

“É um momento novo na história da imprensa. Mais do que da imprensa, na história do direito do povo à informação”, afirmou o deputado.