terça-feira, 26 de maio de 2009

Em defesa do livre exercício do livre pensar



Ainda sobre a obrigatoriedade do diploma para jornalistas, Carlos Teixeira (foto), um dos profissionais de destaque da TVI de Araçatuba, e acadêmico do curso de Jornalismo no Centro Universitário Toledo de Araçatuba, também tem sua opinião formada. Ele, que já está no mercado há anos, tem seu trabalho reconhecido pela comunidade e, ainda assim, buscou os bancos acadêmicos para se profissionalizar, tem argumentos que precisam ser considerados. Leiam e comentem.


"Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo."

Françoise Marie Arouet Voltaire (1694-1778)

A frase do filósofo francês Voltaire retrata muito bem o contexto das discussões em torno da obrigatoriedade do diploma de jornalismo no Brasil. Os portadores dos “canudos” e sindicalistas (muitos sem o “tal” canudo) defendem que o documento acadêmico continue sendo obrigatório para o exercício da profissão. Muitos estão míopes e não conseguem enxergar o cerne da questão, que está bem em frente aos seus olhos. O exercício do jornalismo não deve ser prerrogativa apenas de quem faz o curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Outros “graduados” podem ter a mesma capacidade de articulação de um jornalista.

A idéia de que apenas este curso habilita o cidadão a escrever uma reportagem ou relatar um fato, dando todas as interpretações que derivam dele, é equivocada. Os defensores do diploma dizem que o jornalista deve ter uma “boa formação humanista, cultural e ética”. Apenas o curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo oferece isso? Então os alunos dos cursos de história, letras, filosofia, direito e tantos outros não têm este conteúdo? É claro que têm e podem, sob o ponto de vista dos conteúdos apresentados nestes cursos, apresentar uma visão diferente de um fato e retratá-lo ao leitor, caso tivessem a oportunidade de fazê-lo como jornalistas.

A disputa em torno da questão vem sendo travada há muito tempo. As baixas já atingiram diferentes lados, com perda salarial, falta de ética, censura e tantos outros mecanismos que ceifaram o direito de pronúncia de quem se prontifica a expor a própria opinião ou divulgar as de outrem.

O fato é que o Supremo Tribunal Federal tem em mãos a responsabilidade de mudar o estado das coisas e proporcionar uma maior liberdade de expressão no Brasil. Os ministros do STF estão prestes a fazer exatamente o que Voltaire disse em sua célebre frase, à época da Revolução Francesa, quando defendeu a liberdade de expressão. Se os digníssimos ministros decidirem pela não obrigatoriedade do diploma, será possível presenciar uma mudança no comportamento das pessoas, no que diz respeito a liberdade de expressão.

Um fato interpretado por um jornalista, pode ter uma interpretação totalmente diferente de um advogado, de um engenheiro ou de um filósofo. O leitor, com o conhecimento que detiver, fará a sua avaliação conforme a ótica que lhe for apresentada e o país poderá ter um jornalismo mais pluralista e livre. Todos têm a ganhar com isso.

Quanto às técnicas jornalísticas, com seus offs, cabeças, leads e etc... elas serão ensinadas em cursos de extensão, de aprimoramento, para que os “livres pensadores/escritores” possam dominar a técnica da produção industrial. É certo que não haverá redução do número de vagas nas universidades e serão criadas outras oportunidades para manter o rendimento financeiro, com os tais cursos técnicos e/ou de aprimoramento.

Para aqueles que defendem a obrigatoriedade do diploma, sem analisar as nuances da questão, fica mais uma frase de Voltaire:

"A necessidade obrigatória de falar e o embaraço de nada ter para falar, são duas coisas capazes de tornar ridículo ainda mais o maior homem". – Voltaire

9 comentários:

  1. Professora, senti que seu aluno gosta de citar Voltaire.
    E, parodiando o iluminista, digo que se não houvessem jornalistas formados, seria necessário criá-los.
    Beijos.

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  2. Defendo a ideia de que jornalismo não é amadorismo, e sim, profissão. Por este motivo deve ser valorizado e respeitado.

    Não considero válidos os argumentos utilizados, e, pra ser sincera, não compreendo a contradição que envolve os atos do autor deste artigo.

    Então, por que ele está "perdendo tempo" cursando Jornalismo?

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  3. Angélica, gostaria que todos conhecessem o seu texto sobre o tema. Por favor, envie para postagem neste espaço. O e-mail você já conhece. Por favor, envie com foto tá?

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  4. Minha cara Angélica, fico feliz em saber que leu meu artigo. Só lamento você não ter entendido a questão. Por isso o tema chegou ao ponto em que está, sendo necessária uma decisão da maior corte do país para decidir o futuro da profissão.

    Não considero que estou "perdendo tempo" cursando jornalismo, pois não sou contra a formação. Sou contra o uso do diploma específico do curso de Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo" como "chave de emprego". A formação é imprescindível e por isso, mesmo "velhinho" estou buscando-a.

    Como você disse, pode parecer incoerente eu me colocar contra o diploma e estar cursando a faculdade em busca desse. Pois acredite, sem o diploma conquistei o espaço necessário para atuar no jornalismo, tendo feito coberturas dignas de grandes nomes do jornalismo brasileiro. Já entrevistei o nosso digníssimo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Romeu Tuma, produzi textos que mudaram o comportamento de autoridades e de cidadãos.

    Me considero vitorioso, mas não dou a batalha por vencida. Ainda tenho muito a produzir pela sociedade, com ou sem a obrigatoriedade do diploma.

    É preciso enxergar a importância disso, para ter a coragem de enfrentar os bancos da academia e se deparar com avaliações como as suas. Nós devemos estar despojados de emoção e avaliar os contextos com a razão, que aliás deve permear a nossa profissão.

    Acredite, ao terminar a gradução pretendo continuar estudando, mesmo que o diploma seja derrubado. O diploma é um "mero pedaço de papel", que qualquer gráfica pode imprimir. O tempo consome esse papel, que volta a ser pó e desaparece. Mas aquilo que foi "impresso" na minha cabeça, na forma de conhecimento adquirido, ninguém tira. E mais... ainda tenho a oportunidade de dividir com outros jovens, que acreditam que estudar não é "perda de tempo".

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  5. Caro Maurício, é um prazer tê-lo como leitor. Concordo com seu posicionamento, todo jornalista deve ser formado (em jornalismo, direito, filosofia, sociologia, etc...). O pluralismo de idéias contribui sobremaneira na formação da sociedade. Aliás, muitos dos jornalistas que hoje são referência de estudos jornalísticos, são formados em outras áreas e não no jornalismo. Interessante, não?

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  6. Cristiano Morato29 de maio de 2009 12:11

    Ótimo texto, e pensando bem as bases que você usou para construilo têm sentido e o importantante como disse não é um pedaço de papel e sim o que absolvemos para o nosso aprendizado.
    É isso aí nunca pare de estudar.
    Abçs

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  7. O pluralismo de ideias contribui para uma boa formação da sociedade. Concordo. No entanto não é fator autossuficiente para banir a obrigatoriedade do diploma para se exercer o jornalismo.

    São diversos os conhecimentos adquiridos em nossa vivência (empírico, científico, religioso, filosófico). Mas de que vale um formador de opinião deter tais conhecimentos e simultaneamente ignorar técnicas e teorias básicas para o bom desempenho da função?

    Se advogados, filósofos, médicos e arquitetos podem atuar como jornalistas, o que nos impede de desempenharmos as funções de tais profissionais? Trabalhamos com o intelecto, algo subjetivo que não surge de uma hora para a outra! Os bancos universitárias aprimoram, e muito, este "dom" intelectual. É inconcebível dissociar graduação e jornalismo.

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  8. Realmente não é um diploma que vai dizer se um jornalista desenvolve seu papel com eficiência ou não perant à sociedade.

    Porém, é fundamental tê-lo por todos os direitos trabalhistas que a categoria conquistou (sendou pouco ou não, pelo menos elas existem e são apliacas em empresas jornalísticas sérias).

    Também defendo que existe graduação para todas as àreas, por isso, é um absurdo um médio, veterinário, engenheiro etc, ser um jornalista. Existem pessoas se formando para isto, então que fiquem cada um na sua área.

    Seria a mesma coisa de eu ir cuidar de um animal sendo que não conheço as técnicas de um veterinário.

    Apoio que esses profissionais escrevam artigos especializados, como colaboradores do jornal, mas não que estejam dentro de uma redação, no lugar de um jornalista que estudou quatro anos para sua formação.

    Estes são os pontos fundamentais do porque defendo a obrigatoriedade do diploma.

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  9. Caríssimos,
    A obirigatoriedade do diploma de jornalismo para exercer a profissão é um tema bastante polêmico e, por isso mesmo, foi colocado para discussão em sala de aula. Neste espaço, ele está servindo como exercício de argumentação. Obrigada por participarem. Só peço um favor: exponham os pontos de vista de vocês sem paixão, mas com razão. Não levem este exercício importante para a vida pessoal de vocês. Ter opiniões diferentes não é motivo para afastar pessoas, ok?

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