quarta-feira, 20 de maio de 2009

Jornalismo policial

Na disciplina de Jornalismo Especializado, vamos começar a trabalhar com o jornalismo policial. Por este motivo, apresentaremos neste espaço uma série de textos que abordarão o tema sob as mais diversas visões. Todas as colaborações serão bem-vindas. Eis o primeiro texto, só para vocês refletirem: quem foi que disse que jornalismo policial é fácil, basta acompanhar os boletins de ocorrência?

Policial desrespeita trabalho de jornalista gaúcha
Patricia Campello, de Porto Alegre, para o Comunique-se

Além de danos materiais, um acidente de trânsito aparentemente comum em Porto Alegre gerou uma situação de intimidação e cerceamento da liberdade de expressão de uma jornalista gaúcha. A repórter da Rádio Guaíba Fernanda Bagatini foi insultada por um policial militar quando fazia a cobertura de um acidente, na esquina da avenida João Pessoa com a rua Doutor Sebastião Leão, no bairro Azenha, por volta das 6h20min da última sexta-feira (15/05).

A confusão iniciou no momento em que Fernanda questionou a presença de cinco viaturas do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e de aproximadamente 20 PMs para uma ocorrência simples, já que em casos similares (sem vítimas) apenas a EPTC é acionada.

“Comentei que aquilo tudo parecia uma megaoperação. Ao perguntar o motivo daquele efetivo, um policial me insultou, mandando eu ‘calar a boca’ e ‘ficar na minha’. Na verdade, todo aquele aparato se justificava pelo fato de um dos condutores envolvidos no acidente ser um soldado do 9º BPM”, explica.

Segundo a jornalista, como ela apresentava boletins de 30 em 30 minutos ao vivo do local, a cada entrada no ar os policiais ficavam observando-a e tentando intimidá-la.

“Trabalho há dez anos como setorista de trânsito e foi a primeira vez que passei por uma situação como esta. Não tenho medo. Apenas achei um absurdo aquele corporativismo, enquanto muitas vezes não há viatura para atender a população”, complementa.

O repórter da Rádio Gaúcha Mauro Saraiva deu respaldo à Fernanda e chamou o Comando de Policiamento da Capital (CPC). O CPC, por sua vez, abriu uma sindicância para investigar o caso. Fernanda comenta ainda que o capitão do 9º BPM, Marcelo Giusti, se retratou com ela assim que tomou conhecimento do fato, na própria ocasião.

“Ouvimos a jornalista e quinze minutos depois identificamos o PM responsável em deflagrar os insultos. Não há interesse em atrapalhar o trabalho da imprensa e a apuração dos fatos. Também estamos investigando o excesso de policiais no local do incidente”, afirma o capitão do 9º BPM.

Um comentário:

  1. Se a polícia fosse eficiente em TODOS os casos , resolvesse com clareza e rapidez as questões , talvez fosse compreensível. Mas ela não é. Mandar ''calar a boca'' e ''ficar na minha'' é de um repúdio inimaginável , digno de EXPULSÃO da corporação , por desrespeito , ofensa moral. A Fernanda nada podia fazer , não podia se exceder na sua defesa pois poderia ser presa por ''desacato a autoridade'' ali no momento? QUE AUTORIDADE? Nunca vi uma ''autoridade'' tentar impedir o trabalho de alguém. Que sejam tomadas as devidas providências , mas tende a ficar pior. O desrespeito aumenta , e a falta de bom senso também...

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