quarta-feira, 27 de maio de 2009

Não à decadência do jornalismo


Dando continuidade à discussão sobre o que pensam os estudantes de jornalismo sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista, leiam com atenção o que escreveu a acadêmica Angélica Mariana Alves Neri (foto), do 5o. semestre do curso de Comunicação Social - Jornalismo do Centro Universitário Toledo de Araçatuba (SP), a mesma turma de Jean Fronho e Carlos Teixeira, autores de textos já divulgados neste espaço. Acompanhem as argumentações e exponham seus pontos de vista com comentários ou outros textos que vocês podem enviar para publicação.Só não vale ficar alheio e inerte!Segue a opinião da Angélica:

As discussões sobre a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo são constantes. Há quem defenda a importância do curso superior para a prática da profissão, mas também existem aqueles que consideram desnecessário o preparo acadêmico para a realização dessa atividade. As divergências de opiniões contribuem para o surgimento de uma sociedade amedrontada, que teme o desaparecimento de bons comunicadores e uma futura desvalorização da área.
O confronto de ideias teve início em 2001, quando o Sindicato de Rádio e TV entrou com uma ação no TRF (Tribunal Regional Federal) de São Paulo. Naquela ocasião, a juíza Carla Rister apresentou parecer favorável ao sindicato, derrubando a exigência do diploma. Em 2005, reverteu-se o quadro, e o parecer da juíza foi anulado. Um ano depois, o Supremo Tribunal Federal garantiu o exercício da profissão às pessoas que já atuavam na profissão. E em poucos dias, uma nova e definitiva votação acontecerá.
Caso o STF decida pelo fim da exigência do diploma, o jornalismo estará condenado a uma “progressiva decadência”. O reconhecimento atribuído à profissão estará friamente ferido, sem direito a tentativas de “cura”.
O embasamento teórico, conhecimento adequado da gramática, regras jornalísticas e ética, entre outros fatores, são imprescindíveis para o desenvolvimento da profissão. E não é somente no dia-a-dia que os profissionais adquirem essas virtudes, como “dizem por aí”. Os bancos acadêmicos oferecem mais vantagens e preparo para o comunicador.
É evidente que a não obrigatoriedade do diploma favorece os proprietários de veículos de comunicação, já que os direitos trabalhistas podem ser prejudicados diante desta falta de especialização. Atualmente, muitos dos jornalistas possuem o registro no Ministério do Trabalho e estão aptos, segundo a legislação, a exercer a profissão. Entretanto, facilmente são encontrados casos de jornalistas “precários” que mal sabem escrever ou falar adequadamente a língua portuguesa.
Parece brincadeira, mas a profissão que no passado foi tão prestigiada e reconhecida, hoje passa por uma grande crise. O jornalismo está sendo “manuseado” como amadorismo, e não mais como uma profissão. Lamentável.

8 comentários:

  1. Como escreveu a Angélica é lamentável essa situação. A lei da imprensa já foi revogada!! Agora se a profissão não for regulamentada, aí sim será um verdadeiro caos para os jornalistas e a sociedade!!

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  2. Minha cara Angélica, li seu artigo e encontrei um ponto que gostaria de uma melhor explicação.

    Você diz o seguinte: "As divergências de opiniões contribuem para o surgimento de uma sociedade amedrontada, que teme o desaparecimento de bons comunicadores e uma futura desvalorização da área."

    Esse aspecto fere frontalmente o princípio do jornalismo, que é justamente ouvir as diferentes opiniões, para melhor orientar o cidadão. Desconfie quando encontrar um "unissono" de opiniões. Elas podem estar carregadas de preconceito, limitação de idéias e cerceamento da liberdade de expressão.

    Governos caíram diante das diferentes opiniões do povo e reformas significativas da sociedade foram feitas a partir de opiniões divergentes. O tema em questão está recheado de "opiniões divergentes". Tudo isso é muito salutar em busca de uma sociedade mais justa, com direitos e deveres iguais a todos.

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  3. Concordo plenamente com você Angélica. Nossa profissão já está sendo desvalorizada somente pelo fato de estar se discutindo a obrigatoriedade do diploma para exercê-la.

    Quanto às divergentes ideias, creio que são válidas para que não haja monopólio. No entanto, não podem ser propagadas por indivíduos despreparados que desconhecem aspectos básicos do jornalismo adquiridos nos bancos universitários.

    A função social e a abrangência dos ideais transmitidos pela imprensa atingem contingentes variados, com concepções e costumes diversos. O emissor da informação detém grande responsabilidade sobre o que divulga. Imagine as consequências advindas com o despreparo de profissionais formadores de opinião... A alienação social aumentaria progressivamente...

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  4. Cristiano Morato31 de maio de 2009 10:54

    É triste saber que a profissão realmente está sendo tratada como amadora, mas nós futuros jornalistas mais os jornalistas não devemos cruzar os braços diante dessa situação.

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  5. Caríssimos,
    A pluralidade de ideais é um elemento importante para a manutenção do que chamamos de democracia. Porém, mais valioso do que expor opiniões é tê-las baseadas em reflexões constantes, que nascem da razão. Assim, exercitem a leitura, o pensamento e a opinião sempre!

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  6. Francis Bacon já disse que o conhecimento em si mesmo é poder, ou seja, conhecimento é poder.
    Assim, como o jornalista, depois de formado, é um sujeito com muito conhecimento, mas com noções éticas de como utilizar esse poder metafísico, fico tranquilo.
    Em algum momento os ensinamentos da faculdade são por ele lembrados, e ele fica mais próximo da verdade, conseguindo se livrar das sombras, do véu que encobre a luz.
    O duro é a pessoa sem formação, que fica sabendo de algumas coisas, mas sem condições de concatenação lógica-jornalística (pois isso ele não aprendeu nos bancos escolares), usar esse "poder" sem limites, sem noções claras de virtude, no sentido aristotélico da palavra.
    Defendo o diploma até debaixo d´água.

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  7. Maurício: você é meu filósofo e advogado preferido. Para quem não sabe, a dissertação de mestrado do professor Maurício na PUC-SP é sobre o diploma de jornalista.

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  8. Seria muito interessante se qualquer pessoa pudesse julgar os casos policiais ou não ocorrentes na sociedade...pensando bem, qualquer um pode e faz isso, então, para que serve o diploma de um juíz? Imagina se qualquer pessoa com dor de cabeça fosse capaz de diagnosticar a causa da patologia e fosse à farmácia para comprar remédio, ou até mesmo fazer um curativo sem ao menos procurar um profissional(formado) da área de saúde...ops...mas isso já acontece...então para que serve o diploma de um médico?? Ensinar também faz parte do cotidiano de qualquer pessoa, tenha ela um pouco mais de conhecimento sobre qualquer assunto, então, para que serve o diploma de um professor??
    Bom para responder é só pensar...temos a técnica, a ética profissional (que pelo bom-senso é respeitada por quem realmente é graduado, pois, no mínimo, se sente na obrigação de obedecê-la), o vínculo com a profissão, a responsabilidade pelas ações e mais uma série de outras alternativas que nos faz acreditar que o diploma (não por ele em si, mas a formação adequada e ideal para se desenvolver um trabalho dígno e responsável) é essencial, primordial para o exercer de qualquer profissão.
    Só para finalizar, se os cargos políticos fossem uma profissão (pena que muitos pensam que são) e o diploma fosse exigido, talvez o país não estivesse nesse caos absoluto. Mas já que não tem diploma...observa o buraco em que o país se encontra, pois nem são profissionais e mto menos éticos.

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