segunda-feira, 29 de junho de 2009

Semana Estadão de Jornalismo

Estão abertas as inscrições para a Semana Estado de Jornalismo. O evento acontecerá de 10 a 13 de agosto, no auditório do jornal O Estado de S. Paulo, com acadêmicos do Centro Universitário Toledo, Anhembi Morumbi, Cásper Líbero, COC, Faat, Fema/Imesa, São Marcos, Uniara, Unilago, Unimonte, UniRadial, UniTau e USCS. Haverá outras três etapas, com outras instituições.
Durante a Semana acontecerão palestras ministradas por profissionais do jornalismo de diferentes mídias. Quem participa pode concorrer ao Prêmio Santander Jovem Jornalista, que seleciona um estudante para um estágio na Universidade de Navarra, na Espanha, com bolsa de estudos de seis meses.
Saiba mais no site do jornal O Estado de S.Paulo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Aviso

A partir de hoje, e pelos próximos 30 dias, não conseguirei me aproximar do computador todos os dias. Os motivos são vários, mas a causa, uma só: férias! Assim, gostaria de avisar que este blog será atualizado sempre que possível, mas retornará à sua vida normal em agosto. Bom descanso a todos. Que recarreguem suas energias.

Diploma 17: Diploma cai, mas empresas ainda querem profissionais formados

O texto é de Cinthia Almeida, publicado no Comunique-se. Acredito que, como diz a matéria, a empresas midiáticas sérias - e inteligentes - continuarão preferindo os profissionais diplomados e capacitados.

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a exigência do diploma para o curso de jornalismo, dividiu a categoria e trouxe várias questões sobre a regulamentação da profissão. Jornalistas formados, não-formados, estudantes e professores querem saber, o que muda a partir de agora no mercado de trabalho?

Uma das principais portas de entrada na profissão é o programa de estágio. Três dos principais jornais do País usam deste meio para treinar futuros profissionais. Mesmo com a mudança na legislação, para alguns veículos de comunicação, ter curso superior ainda é um critério de seleção. Um exemplo é o jornal O Globo.

"Acreditamos no papel da escola"
“As organizações Globo respeitam a decisão do STF, mas acreditamos no papel da escola e na qualidade dos profissionais formados. Portanto, estar cursando ou ser formado em Comunicação Social continua sendo um dos critérios para a inscrição dos candidatos”, disse Luiza Correa, responsável pelo programa de estágio “Boa Chance” do jornal O Globo.

Por estar em andamento, o processo seletivo do Estadão não muda neste ano. Para o ano que vem ainda não se sabe se haverá alguma mudança.

“O processo seletivo para 2009 não terá mudanças porque já está na sua fase de encerramento das inscrições. Para 2010 não está nada decidido, pois a lei ainda é recente” informou Marisa Oliveira, responsável pelo “Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado” do jornal.

A Folha de S.Paulo não se preocupa com a decisão do STF. Mesmo antes dela, não exigia a graduação em Jornalismo.

“Nada mudou para o grupo Folha. O requisito principal para se inscrever no programa é o diploma. Qualquer pessoa que tenha curso superior concluído ou em curso, pode participar, basta que seja criativa, bem formada e julgue ter talento para jornalismo”, afirmou Ana Estela de Sousa Pinto, responsável pelo programa “Treinamento Folha” da Folha de S. Paulo.

Fim do diploma 16: Câmara de Araçatuba vota moção de repúdio

Este texto foi reproduzido do site do Centro Universitário Toledo de Araçatuba. A matéria é da acadêmica Barbara Franchesca Nascimento, do 1o. semestre de Jornalismo, e foi divulgada hoje, dia 26/06. Espero ver os interessados na Câmara!

O Legislativo de Araçatuba vota na sessão ordinária desta segunda-feira (dia 29) moção de repúdio à decisão dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) pela inconstitucionalidade da exigência do diploma em curso superior específico para atuação profissional como jornalista. O documento foi protocolado pelo vereador Arlindo Araújo (foto) que entendeu como equivocado o argumento utilizado pelos ministros para extinguir a obrigatoriedade do diploma.


De acordo com ele, é direito de todos os segmentos da sociedade e principalmente dos representantes públicos a manifestação contrária à anulação do decreto-lei 972/1969. “Ao perceber, pelos noticiários, o resultado da votação no STF, com oito votos a um para a extinção do diploma, eu entendi que seria necessário manifestar uma opinião oposta a essa decisão”, esclarece.

Na moção de repúdio, Araújo ressalta que a medida beneficia diretamente os grupos despreocupados com a ética e a educação brasileira, além de enfatizar que a liberdade de expressão e do livre pensamento, garantidos pela Constituição Federal, não podem ser confundidos com qualificação profissional, principalmente em nível de ensino superior. O legislador araçatubense alerta ainda para o perigo de tais decisões, as quais são utilizadas por regimes totalitários e representam um retrocesso na política democrática.

Depois de votada em plenário, cópias da moção de repúdio serão encaminhadas para o Senado Federal e a Câmara de Deputados Federais com o intuito de mostrar a omissão dos representantes públicos em relação aos profissionais da informação. “O encaminhamento dessas cópias é uma forma de mostrar a inércia dos nossos legisladores, pois se houvesse uma decisão pela regulamentação do diploma para os profissionais de jornalismo, o STF teria que se ater a essa medida e os ministros não legislariam no lugar dos legisladores”, argumenta Araújo.

A sessão na Câmara de Araçatuba começa às 19h. O vereador espera que a sessão seja acompanhada por jornalistas, estudantes de jornalismo e professores da área.

Fim do diploma 15: Vamos conhecer outros argumentos!


O texto abaixo é da colunista Barbara Gancia (foto). Foi publicado na Folha de S.Paulo, caderno Cotidiano, no dia 19 de junho, dois dias após a decisão do STF. Quero que você leia com atenção e, antes de vociferar, considere os argumentos e, se for o caso, rebata-os com inteligência, raciocínio, e não com o "estômago".

Jornalismo é uma profissão que pouco tem a ver com a teoria. Aprende-se apenas enfiando a mão na massa


NA QUARTA-FEIRA , assim que saiu a decisão do STF tornando inconstitucional a exigência do diploma de jornalismo como condição para o exercício da profissão, recebi uma longa mensagem lamentando a determinação. Veja: "Barbara, pelo amor de Deus, somos jornalistas. Eu estudei, me dediquei, tirei notas boas, mas, acima de tudo, amo a profissão. Agora, qualquer detentor do conhecimento que saiba escrever pode exercer a profissão sem fazer curso, sem gastar o dinheirão que eu gastei."

Interrompo antes que o sangue suba-me à cabeça: como assim, "qualquer detentor do conhecimento que saiba escrever"? Será que o amigo missivista acha que a decisão do STF tornará o processo de seleção em jornais, revistas etc. menos rigoroso? A ideia não continua sendo de que jornalistas devem ser pessoas detentoras de conhecimento que saibam escrever? E a quem ele defende, aos cursos de jornalismo ou à profissão que diz amar?

Ele prossegue: "Estou indignado pelo fato de distorcerem artigos da Constituição a favor do convencimento que jornalista agora nem precisa de universidade. Como não precisa? Tivemos aulas de filosofia, ética, cultura popular, sociologia, teoria da comunicação...".

Pelo visto, ficou faltando aquela aulinha básica de redação, né não? De que adianta estudar teoria da comunicação quando se acaba escrevendo uma feiúra como "a favor do convencimento que"? O colega me faz uma pergunta muito da mal formulada, mas tudo bem: "Barbara, você concorda com o STF quando ele compara a desnecessariedade do diploma com o fato de um bom chef de cozinha não precisar de certificado para cozinhar?"

Eu diria que a analogia feita pelo STF não poderia ser mais acertada. Jornalismo é o tipo de profissão que pouco tem a ver com teoria. Aprende-se enfiando a mão na massa. E como no Brasil os cursos muitas vezes são caça-níqueis ou ministrados por professores que não conseguiram uma vaga na Redação de um grande jornal ou na TV, a faculdade de jornalismo resulta em uma espetacular perda de tempo.

Desde sempre, vejo focas saírem da faculdade e chegarem à Redação completamente despreparados e relatando histórias de terror. Cito uma clássica. Certa vez estava parlamentando com o editor quando, vinda da faculdade, uma estagiária disse que, naquele dia na sala de aula, o professor discorrera longamente sobre as desvantagens de se trabalhar com o editor em questão e na empresa em que todos nós trabalhávamos. O editor perguntou o nome do professor.

Quando a moça disse quem era, ele suspirou: "Esse eu tive que demitir por justa causa". Voltando à mensagem do jornalista que lamenta o fim da reserva de mercado. Diz ele que: "Os invasores não vão mais enfrentar as agruras do dia a dia numa universidade. Eu me fiz em dois por conta do meu TCC. E agora, tudo isso foi em vão?" Bem, quem mandou estudar apenas para passar de ano, não é mesmo?

E que medo irracional é esse de invasores, estamos falando de marcianos? Não é porque caiu a obrigatoriedade do diploma que a velha história sobre ter competência e se estabelecer deixou de vigorar. Por sorte, o trabalho do jornalista continua a ser uma vitrine em uma esquina movimentada: seu talento -ou a falta dele- será visto por todos os que passarem na frente da loja.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Minha próxima visita


Instituto Vladimir Herzog inaugurado

O Instituto Vladimir Herzog foi lançado hoje (25/06) na Cinemateca, em São Paulo. A iniciativa é de familiares e amigos do jornalista, assassinado em 25/10/1975, pelo regime militar.

O instituto reúne acervo com fotos, reportagens e outras informações sobre o Herzog. O local será aberto ao público e interessados em pesquisar a vida do jornalista.

Além de disponibilizar dados sobre Herzog, o instituto pretende realizar debates sobre o papel do jornalismo, das mudanças na carreira e das novas mídias.

Acompanhe o regulamento da 31ª edição Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos no site do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo.

Durante o lançamento do instituto houve uma homenagem ao cardeal D. Paulo Evaristo Arns, ao rabino Henry Sobel e ao reverendo James Wright, que realizaram um culto em memória de Herzog logo após a sua morte.

Fim do diploma 14: Tema para Gilmar Mendes


Hoje acordei cantarolando Chico. Há anos isso não me acontecia. Mas não por culpa do Chico. Em "Apesar de você" encontrei minha maneira de "homenagear" o ministro Gilmar Mendes e todos os outros que votaram com ele a favor do fim da obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Atenção para a letra:

Amanhã vai ser outro día

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiáÂ…Â….

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Fim do diploma 13: Luz no fim do túnel?

Colaboração do Clemerson Mendes, este idealista como eu.

Quarenta senadores já assinaram PEC que prevê exigência de diploma para jornalistas
Pedro Peduzzi - Agência Brasil

Brasília - O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) já conseguiu coletar 40 assinaturas de apoio à apresentação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que exige diploma de curso superior de Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista. Para a apresentação da PEC são necessárias 27 assinaturas.

Segundo a proposta, o exercício da profissão de jornalista será privativo de portador de diploma de curso superior de Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação. Além disso, acrescenta um parágrafo único, que torna facultativa a exigência do diploma para colaboradores.

Consultado pela Agência Brasil, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Maurício Corrêa afirmou “ser possível tornar obrigatória a exigência do diploma por meio de emenda constitucional”. Mas Corrêa chamou a atenção para o risco de a iniciativa ser interpretada como repreensão à decisão do STF, na semana passada, que dispensou o diploma para o exercício profissional de jornalista.

O senador Antonio Carlos Valadares solicitará também que o Senado realize audiências públicas na Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJ), com representantes de associações e federações de jornalistas e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de estudantes e jornalistas. Segundo ele, o objetivo dessas audiências será o de aperfeiçoar o texto da PEC.

Menores infratores

Anos atrás, ainda na década de 90, a TV Globo mantinha, em sua grade de programação (1992-2000), uma atração interativa chamada “Você Decide”. Tratava-se de um programa semanal, depois da novela das 20h, que contava histórias de ficção (representadas por atores) sobre temas do cotidiano. O final era decidido pelo público a partir de duas ou três sugestões colocadas em uma enquete pela produção do programa. Assim, eram gravados vários finais e os telespectadores votavam, pelo telefone, naquele que achavam o melhor, que era, então, exibido.

Em um dos programas, contou-se a história de um adolescente, menor de idade, já infrator, que invadia, armado, a casa de uma família para furtar, mas foi surpreendido pelos moradores. Durante as horas que permaneceu com adultos, adolescentes e crianças sob a ameaça do revólver - em alguns momentos até contando sua própria e triste história de abandono pela família e pela sociedade -, ele cometeu violências físicas e psicológicas contra as pessoas da casa.

Até que em um certo momento, foi desarmado passando, ele, a ficar sob a mira da arma. O programa parou neste ponto à espera da decisão do público que poderia decidir entre: a) entregar o menor à Justiça ou b) “fazer justiça pelas próprias mãos”. Os telespectadores escolheram a segunda opção e o final foi ao ar, de forma artística, é verdade, mas não menos cruel. A morte do assaltante refletiu o sentimento de abandono da sociedade.

Nem é preciso comentar a avalanche de manifestos que se seguiu após o final do programa. Representantes dos direitos humanos, da Justiça, de pessoas civis que já haviam sofrido algum tipo de violência, todos opinaram em muitos veículos de comunicação durante vários dias e semanas. Enfim, a sociedade entrou em ebulição para discutir o problema do “menor infrator”. Coincidentemente – ou não – o “Você Decide” saiu da grade de programação da emissora tempos depois. Porém, o problema social e a discussão sobre ele não acabaram juntamente com o programa.

Em um país com injustiças sociais severas, leis fracas, Justiça morosa e, algumas vezes corrupta e injusta, não é de espantar que a sociedade, sentindo-se abandonada, quisesse fazer “justiça pelas próprias mãos”. A ideia assusta a todos que acreditam na democracia e na organização social que ela proporciona com a divisão dos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, cada um com sua parcela de responsabilidade para cuidar de todos.

Entretanto, o “fazer justiça com as próprias mãos” já ganhou adeptos até na arte do cinema. Muitos são os filmes que abordam esta temática. Recentemente, a TV Bandeirantes exibiu um: “Tempo de matar”. Nele, um pai, negro e humilde, tem a filha de 8 anos violentada e morta por brancos e ricos, que se safam na hora do julgamento. Não suportando tanta injustiça, ele mata os acusados ainda no tribunal. No seu julgamento, um advogado recém-saído da faculdade quase desiste de defendê-lo em um país racista, em uma época tão difícil. O final? Vale a pena assistir.

Pensando em tudo isso, leio no Jornal de Jales (17/05/09) que um adolescente, prestes a completar 18 anos, furtou uma pasta com dinheiro de um carro na cidade. Pego pela polícia, sua “pena” foi passar a noite em um hotel da cidade, com direito a café da manhã, pagos por um representante da Justiça local, antes de ser mandado de volta à sua cidade natal, São José do Rio Preto. Passagem paga por quem? Já não interessa. Mas antes de embarcar, no dia seguinte ao crime, lá estava o adolescente infrator achacando o dono da pasta, querendo dinheiro para devolver o produto.

Então leio na Folha da Região de Araçatuba (03/06/09) que “adolescente infrator terá visita íntima”. O projeto de lei, aprovado pela Câmara dos Deputados e encaminhado ao Senado, beneficiará os adolescentes casados ou que viviam em união estável. Alguns defensores do projeto acreditam que a medida acalmará os infratores e ajudará no processo socioeducativo para reinserção deles na sociedade.

Todo educador – seja pai, mãe, professor, pedagogo... – sabe que para educar é preciso estabelecer a regra da causa e conseqüência, como ensinaria Içami Tiba entre outros estudiosos do assunto. Para cada atitude do indivíduo, existe uma conseqüência, que pode ser boa ou ruim dependendo dos seus atos. Quando eu dou a um ladrão a oportunidade de dormir em um hotel com café da manhã ou permito que o infrator tenha prazer sexual depois de cometer crimes, eu não estou educando ninguém.

Se é para acalmar quem está recolhido, há outras sugestões. Evangelização acalma. Trabalho acalma. Estudo acalma. Acompanhamento psicológico e psiquiátrico acalmam. Tratamento humanizado no sistema prisional acalma. Dormir em cama limpa com direito a boa refeição ou fazer sexo com quem se gosta deve ser só para quem merece. É preciso conquistar estes direitos.

Então penso no juiz Evandro Pelarin, de Fernandópolis (SP), que há anos decretou toque de recolher para os menores, na cidade. Depois das 23h, eles só podem ficar nas ruas acompanhados dos pais ou responsáveis. Pegos sem eles, são encaminhados para casa pela polícia e membros do conselho tutelar. A ideia de intromissão da Justiça em um assunto familiar vai-se embora quando os números demonstram, ano a ano, que a criminalidade e os acidentes envolvendo adolescentes por lá diminuíram. Tanto que outras cidades, inclusive da região, têm copiado a medida.

O mesmo juiz, contrariando leis, autorizou, recentemente, os menores a trabalharem (Jornal de Jales – 24/05/09). Quer evitar a ociosidade, despertar a responsabilidade, afastá-los do crime.

Se até um juiz já entendeu que há leis superadas, o que os atores sociais – governantes e sociedade civil – de Jales, Araçatuba e todas as outras cidades do país estão dispostos a fazer para prevenir o caos social das pessoas se sentirem no direito de fazer “a justiça pelas próprias mãos”? Por favor, me dêem esta resposta em atos. De palavras e omissões estamos todos cheios.

Publicado no jornal Folha da Região de Araçatuba - 16/06/2009
Publicado no Jornal de Jales de 21/06/2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Fim do diploma 13: alguém tem noção


Ministro da Educação defende cursos de graduação em jornalismo

Da Redação do Comunique-se

O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu a necessidade de bons cursos de graduação em jornalismo, apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de acabar com a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Em sua opinião, o mercado de trabalho não espera a extinção do campo, mas um aumento na qualidade.
“O jornalismo é um dos pilares da democracia, não podemos desconsiderar as especificidades do exercício da profissão. Mais do que habilidades e competências, um curso de jornalismo deve trabalhar os valores da prática jornalística, preparar bem o profissional que fará a intermediação da informação para o público”, afirmou Haddad, na última segunda-feira (22/06), durante a assinatura de portaria que modifica as normas para credenciamento e avaliação dos cursos de mestrado profissional.
A portaria normativa abre espaço para novas possibilidades de trabalhos de conclusão de curso, além da dissertação. Também permite que profissionais reconhecidos possam dar aulas mesmo sem o título de mestrado ou doutorado. As medidas buscam transformar a pós-graduação lato sensu num mestrado voltado para o mercado profissional. Para o ministro, o jornalismo deve ser uma das áreas mais beneficiadas pela mudança.
“Com a decisão do Supremo Tribunal Federal, o mestrado profissional em jornalismo deve ganhar força”, afirmou.

Fim do diploma 12: Convite


Recebi o e-mail de jornalistas amigos. Vou contribuir com a divulgação. Embora não concorde com algumas ideais do manifesto, só a possibilidade de irritar o Gilmar Mendes já me atrai.

Sai fora, Gilmar Mendes

Na quarta-feira, 24 de junho, a partir das 18h, acontece manifestação nacional pela
saída de Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF). E, desta vez, somam-se outros setores sociais que não mais suportam calados tantos desmandos nos poderes da República.
As manifestações serão promovidas pelo Movimento Saia às Ruas, uma mobilização
que reúne cidadãos de todas as classes sociais, religiões e idades, todos unidos por um país justo.
Nos últimos meses, o Brasil tem sofrido várias derrotas e retrocessos em termos de garantia de direitos, sem se dar conta de que algumas das conquistas mais nobres
estão sendo ameaçadas. O STF, na gestão do pecuarista e empresário Gilmar Mendes,
resolveu fazer o jogo sujo que sempre é visto no Congresso desmoralizado por Sarney,
Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Maluf, ACM e outras pragas da vida política.
O povo sofre porque a Justiça trata pobres e ricos de maneira desigual. Nota-se que os privilégios de classe e o preconceito contra os movimentos sociais persistem na mais alta corte do Brasil. O povo é traído por quem deveria zelar pela – e não destruir - a democracia.
Ao libertar o banqueiro Daniel Dantas e criminalizar os movimentos populares, o
pecuarista e empresário Gilmar Mendes revela a mesma mentalidade autoritária contra a qual uma geração inteira de militantes e trabalhadores que lutou, com o objetivo de derrubar a ditadura civil-militar que sufocou o país entre 1964 e 1985.
O Brasil já não admite a visão achatada e conservadora da lei, aplicada acriticamente para oprimir os mais fracos. O povo já não atura palavras de ordem judiciais – como “Estado de Direito”, “devido processo legal” ou
“princípio da legalidade” – apresentada como se fossem mandamentos divinos para
calar o povo. Já não há espaço no Brasil para um Judiciário das elites, um Judiciário das desigualdades.

MANIFESTAÇÃO EM BRASÍLIA:
Local: Praça dos Três Poderes, em frente ao Supremo Tribunal Federal STF
Hora: a partir das 18h, em três capitais brasileiras,

MANIFESTAÇÃO EM BELO HORIZONTE:
Local: Rua Goiás, 226, Centro;

MANIFESTÇÃO EM SÃO PAULO – SP:
Local: Avenida Paulista, 1842 (Prédio do TRF-3).

Informações:
Brasília: saiagilmar.an@gmail.com,
(61) 8567-9482
Belo Horizonte: laurafurquim@gmail.com
São Paulo: saiagilmarsp@gmail.com

Fim do diploma 11: mensagens de solidariedade

Recebi de amigos, colegas professores, as seguintes mensagens que demonstram o reconhecimento pela nossa profissão, por isso divido com vocês como forma de incentivo.

FIM DO DIPLOMA
por Prof. Manoel F. dos Santos Jr. - segunda, 22 junho 2009, 06:55

Amada e estimada Ayne,

De modo algum poderia me furtar de tomar posição e deixar minha indignação com a decisão do STF. Cônscios que a importancia do Diploma extrapola a simples qualificação em nível de graduação, vindo a demonstrar desde o início comprometimentos com a garantia mínima de saberes como ética, cultura, cidadania, técnicas de redação e linguagem dentre tantos outros conquistados nos bancos da Universidade que o simples fato de ter uma "vocação" não pode contemplar. Isto sem abordar as razões que levam algumas das grandes 'empresas' de mídia a apoiar tão descabida decisão.

É com tristeza que vejo um setor tão importante de nossa sociedade, se tornar um "território de ninguém", onde vem confundir termos como "todo mundo" com "qualquer um". Mas resta a esperança de que o próprio mercado de trabalho venha fazer a distinção e selecionar os verdadeiros PROFISSIONAIS da Comunicação.

Abraços solidários



Re: FIM DO DIPLOMA
por Profª. Rosa Maria Alves da Silva - segunda, 22 junho 2009, 10:09

Ayne

Fiquei decepcionada com essa medida. Parece que o poder judiciário não está satisfeito com a própria desvalorização e desencadeia a desvalorização de outras profissões também. Sabedores da influência significativa que o jornalismo exerce , precisamos protestar contra esse desmando.

Profa. Rosa Maria

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Fim do diploma 10: uma foto vale mais do que mil palavras

As manifestações contra o ministro Gilmar "Dantas" Mendes já começaram. Podem não dar em nada, mas que será bom infernizá-lo, isso será! A foto é de um grupo de professores e alunos de Brasília. Em São Paulo, alunos de Direito juntaram-se ao grupo dos manifestantes. Veja com detalhes no blog do Azenha: Vi o mundo!

Fim do diploma 9: imitando o blog da Petrobrás

Citei, aqui nesse espaço, a iniciativa da Petrobrás em manter seu blog corporativo divulgando, na íntegra, as entrevistas concedidas aos veículos de comunicação, mesmo antes de sua divulgação/publicação.
Escrevi, na ocasião, que a iniciativa, vista sob o ponto de vista de ferramenta institucional, era perfeita (embora para os veículos de comunicação ele "fure" o princípio básico do jornalismo investigativo).
Valho-me desta ideia (de me preservar) para reproduzir, abaixo, uma entrevista concedida via e-mail à aluna Carol Ferretti, do 5o. semestre de Jornalismo do UniToledo, sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo, imaginando que, ao final de dias da entrevista, seu conteúdo já tenha sido melhor explorado pela aluna/jornalista e, assim, portanto, eu não esteja ferindo seu direito de divulgar primeiro a informação.


01) Com a queda da obrigatoriedade do diploma, como ficarão os estudantes de jornalismo no mecado de trabalho? E aqueles que pretendem fazer o curso de
jornalismo?
OS FORMADOS EM JORNALISMO TERÃO MAIS CHANCES NO MERCADO DE TRABALHO PORQUE ESTARÃO MAIS HABILITADOS. QUEM PRETENDE FAZER O CURSO TERÁ MAIS CONHECIMENTOS.

02) Você acha que o número de interessados pelo curso irá reduzir?
O PUBLICITÁRIO É UM PROFISSIONAL QUE NÃO PRECISA DE DIPLOMA PARA TRABALHAR. NO ENTANTO, O CURSO DE PUBLICIDADE É O MAIS CONCORRIDO EM VESTIBULARES COMO O DA FUVEST. ASSIM, PENSO QUE NÃO É O DIPLOMA QUE LEVA O ESTUDANTE PARA O CURSO. NÃO VEJO PORQUE O NÚMERO PODE DIMINUIR.

03) COm a queda da obrigatoriedade do diploma o número de interessados no mercado aumentará, qual o critério de seleção você acredita que utilizarão para selecionar os profissionais?
PREFIRO PENSAR QUE SERÁ O CRITÉRIO DA QUALIDADE. E AÍ OS DIPLOMADOS TÊM VANTAGENS.

04) Caso o estudante queira ser indenizado pela faculdade, ele será reembolsado?
NÃO HÁ CHANCE NENHUMA.

05) Mesmo onde a obrigatoriedade do diploma não existe, como em países europeus, cresce o número de escolas de jornalismo por que?
PORQUE AS PESSOAS SABEM QUE NÃO BASTA ESCREVER BEM PARA SER JORNALISTA. É PRECISO CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS E TÉCNICA, MUITA TÉCNICA.

06) Se nós, jornalistas, somos as pessoas que informam o mundo todo sobre os
fatos e os acontecimentos, por que nos tiraram o "mérito" de jornalistas?
NÃO NOS TIRARAM O MÉRITO. CONTINUAMOS JORNALISTAS COM DEVER SOCIAL DE INFORMAR OS CIDADÃOS PARA FORMAR SOCIEDADES MELHORES. O QUE O STF FEZ FOI JULGAR A OBRIGATORIEDADE DO DIPLOMA QUE, SEGUNDO OS MINISTROS, FERE A CONSTITUIÇÃO.

07) Na atual conjuntura, depois da queda da obrigatoriedade do diploma, na
sua opinião, qual o objetivo do curso de jornalismo?
O DE SEMPRE, PREPARAR O PROFISSIONAL PARA ATUAR NO MERCADO DE TRABALHO COM
HABILIDADES ESPECÍFICAS, TÉCNICAS, CONHECIMENTO E ÉTICA.

08) Deseja acrescentar alguma informação?
SIM. AGORA É A HORA DE PROVAR QUE QUEM TEM DIPLOMA É MELHOR.

Mudando um pouco de assunto...Paulo Leminski

Quem puder, tem que ir!



O SESC-Serviço Social do Comércio lembra os 20 anos de morte do poeta curitibano Paulo Leminski no evento "pauloleminski, esse cachorro louco", em Penápolis/SP.

O jornalista Toninho Vaz (RJ), biógrafo e amigo do autor, utiliza as influências literárias e dados biográficos do poeta para revelar toda profundidade e erudição de sua obra na palestra “Introdução à Poética de Paulo Leminski”, que acontece no dia 24às 20h, no teatro Lúmine.

Tendo também convivido com o poeta, o escritor Ademir Assunção (SP) realiza a oficina “Haicai: Hipersensibilidade em Micropoemas”, com informações de como produzir utilizando o estilo conciso de poesia japonesa, praticado e divulgado por Leminski. Será no dia 25 (quinta), das 14h às 17h, na sala Cora Coralina.

Informações: (18) 3642-7040 ou 3608-5400

Fim do diploma 8: A regressão do jornalismo


O texto agora é do acadêmico Ivan Ambrósio (a esquerda), do 7o. semestre de Jornalismo do UniToledo, estagiário nas redações da região.

No dia 17 de junho de 2009, o Jornalismo e seus apaixonados na profissão tiveram um dos piores golpes: a não obrigatoriedade do diploma.

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, por 8 votos a 1, que é inconstitucional a obrigatoriedade do diploma em curso superior específico para o exercício da profissão de jornalista no Brasil, ou seja, qualquer pessoa, independente de sua formação que esteja apta em escrever nos jornais, revistas ou blogs, falar bonito no rádio ou na TV, seja considerado como jornalista.

Os sete bobos da corte suprema, acompanhados de seu chefe, o "excelentíssimo" (se é que podemos chamá-lo assim) senhor Gilmar Mendes, presidente dotado de irracionalidade e falta de profissionalismo, barraram e acabaram com as esperanças dos brasileiros de ter uma imprensa digna, capacitada e comprometida com os problemas da população, tornando-se o porta-voz. Apenas o ministro Marco Aurélio Mello, a única voz sensata daquele Supremo, votou a favor do diploma, afirmando que o jornalista deveria "ter uma formação básica que viabilize a atividade profissional, que repercute na vida do cidadão em geral".

Enfim, os "senhores" ministros afirmaram em sua opiniões que não levam a sério o trabalho do jornalista, que às vezes os incomodam, mostrando a verdade e os "erros" drásticos que eles cometem, sendo estes diplomados, com respeito a leis e julgamentos, favorecendo as classes mais altas.

Finalizando esta postagem, faço das palavras do presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo, as minhas palavras sobre a atitude do ministro Gilmar Mendes e seus sete bobos da corte suprema derrubando a obrigatoriedade do diploma para Jornalista:

“É um contrassenso. A sociedade exige profissionais extremamente especializados. Lamento que o Supremo tenha andado na contramão. Mas tenham certeza que nem o jornalismo e nem a nossa categoria vão desaparecer”. Agora é o momento de todos nós, jornalistas diplomados e estudantes de Jornalismo, nos unirmos e mostrarmos a todos que jornalista pautado na ética, seriedade e compromisso com a população é jornalista com diploma!

domingo, 21 de junho de 2009

Fim do diploma 7: obrigada por nada


O texto abaixo é da acadêmica Lívia Gaspar (foto), do 5o. semestre do curso de Jornalismo do UniToledo. Merece registro e comentários.

Indignada. É única palavra que existe no mundo neste momento que pode expressar o que eu sinto agora.

Qualquer um pode ser o que quiser, a hora que quiser. Para isso, basta ser honesto ou não. Existem advogados formados e advogados com diplomas falsos, médicos formados e médicos com diplomas falsos... Existem formas para ser o que quiser sem precisar sentar num banco de faculdade. Todo mundo sabe disso.

Não me levem a mal, não estou querendo menosprezar nenhuma profissão, certo? Mas até para ser uma manicure ou depiladora é preciso ter pelo menos um certificado de curso. Mas se eu quiser fazer a unha ou me depilar em casa, eu não preciso ter um. Mas a lei exige que em um salão de beleza a manicure, a depiladora, a cabeleireira, a colorista, a esteticista, a massagista, qualquer profissional dentro do estabelecimento tenha um certificado de curso. Se um fiscal aparecer no salão e esses profissionais não estiverem trabalhando de acordo com a lei, o estabelecimento perde o seu alvará de funcionamento.

Gilmar Mendes comparou a profissão de jornalista com a de um chefe de cozinha. Obviamente os cozinheiros não são pessoas nem melhores e nem piores do que os jornalistas, no fim das contas todos nós somos apenas seres humanos antes de exercer qualquer profissão, mas com certeza um restaurante bem conceituado tem em sua cozinha um chefe de cozinha que saiba realmente o que está fazendo, e certamente uma pessoa que fez faculdade de culinária tem mais conhecimento do que uma pessoa que não fez.

Aí vem a pergunta: "Mas a experiência não conta nada?". É claro que conta, conta muito. Mas o cara que passou uns anos fazendo a faculdade de culinária, estudando a "arte de cozinhar", vai saber coisas que podem fazer toda a diferença.

Diante disso, nos resta esperar que as empresas jornalística tomem uma atitude correta e não deixem de fora quem se esforçou pra ter um diploma.

“Mais do que indesejável, a exigência do diploma para jornalistas é impraticável. Como se proibirá o exercício da disseminação da informação pela internet?”, foi o que disse a advogada do Sertesp, Taís Gasparian, referindo-se à proliferação dos blogs.

Pelo amor de Deus! Os blogs não são meios jornalísticos! Eu escrevo o que eu quiser e bem entender no meu blog, e logicamente eu não preciso ser uma jornalista pra isso! Mas jornais devem ser escritos por jornalistas, independente de ser impresso, rádio, TV, internet, sinal de fumaça!

Obrigada, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello, por nada!

Fim do diploma 6: triste sim, vencida jamais

Como todos os jornalistas formados, fiquei muito triste com a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão (por motivos óbvios, e outros nem tanto).
Foram necessários alguns dias para reflexão, muita leitura e conversa até os ânimos ficarem refeitos. Agora posso dizer que meu abatimento inicial se transformou em força. Triste sim, mas vencida, nunca.
Agora sinto-me preparada para começar a me posicionar sobre o assunto sem ter escrever "com o estômago", mas com o cérebro. Neste primeiro post, gostaria de dizer que o STF errou - com exceção do ministro Marco Aurélio Mello - porque desconhece a profissão (como deve desconhecer outros assuntos importantes que também julgam!).
O relator Gilmar Mendes fez apenas vencer sua ira contra a Veja, fez matéria contra ele elaborada a partir de escutas telefônicas que chegaram até a redação no caso Daniel Dantas, mais um escândalo do atual governo petista.




Gilmar Mendes valeu-se do ditado "a vingança é um prato que se come frio". Sim, foi só isso o que ele fez e aqueles que votaram com ele também o fizeram porque temem os veículos de comunicação, afinal já foram flagrados batendo papo no MSN, falando mal de colegas ao lado, enquanto julgamentos importantes estavam acontecendo, entre outras barbaridades, basta só folhear a própria Veja dos últimos anos.
O que o STF fez foi valer-se de raciocíonio lógico, mas completamente equivocado, utilizado uma vez por um aluno meu, da 3a. série do Ensino Médio de uma escola particular de Jales.
Instigado a opinar sobre o problema da reforma agrária no país em uma das aulas de redação, o garoto, herdeiro de fazendas e fazendas no Mato Grosso, disse que havia uma solução para os problemas com o MST, era só matar todos os sem-terra.
Os ministros do STF devem ter pensado igual: para acabar com as denúncias contra eles, bastava acabar com os jornalistas. Meu aluno do colegial estava errado. Os ministros que votaram a favor da extinção do diploma também.
Se antes, com a obrigação do diploma, a sociedade tinha problemas devido a jornalistas sem ética (como muitos políticos, médicos, advogados, etc. e tal), agora sim é que as pessoas conhecerão as barbaridades que podem ser cometidas por quem desconhece os princípios básicos da Comunicação (que é ciência, sim!) e do jornalismo.
Quanto a nós, jornalistas formados, cabe a todos, provar que a formação acadêmica é o diferencial que as empresas midiáticas precisam para garantir a qualidade da informação.
Acredito nisso!

Fim do diploma 5: Jornalistas (diplomados ou não) uni-vos!!


Esta colaboração é do acadêmico Carlos Teixeira (foto), do 5o. semestre de Jornalismo no UniToledo e responsável pelo Jornalismo da TVi de Araçatuba.


O diploma caiu. Agora, não é preciso mais o diploma específico de jornalista para trabalhar na área. Advogados, engenheiros, filósofos e quaisquer outros formados poderão atuar nos meios de comunicação. Convenhamos, a decisão do Supremo Tribunal Federal era esperada. Essa medida devia ter sido tomada há muito tempo. Bom, mas antes tarde do que nunca.
Alguns coleguinhas acadêmicos, como eu, estão se perguntando: o que vou fazer agora? Continuo a estudar ou abandono tudo, já que não é preciso mais o diploma para atuar como jornalista. Meninos e meninas, fiquem atentos. O Supremo Tribunal Federal tirou do Estado o poder de decidir no nosso mercado de trabalho. O próprio mercado vai se regular e não vai deixar de contratar os profissionais que buscaram a qualificação, a formação profissional para atuar nos veículos de comunicação.
Algumas empresas já se posicionaram sobre isso. As faculdades sérias vão continuar sendo procuradas para fornecer os profissionais para as empresas. O que precisamos fazer, enquanto profissionais, é nos mobilizar para manter as nossas garantias trabalhistas. Apesar da não obrigatoriedade do diploma para atuar no meio, as empresas são obrigadas a manter os pisos salariais, dissídios coletivos e todos os benefícios da categoria. A obrigatoriedade acabou, mas os sindicatos e os direitos trabalhistas conquistados não!
Diante disso, o Sindicato dos Jornalistas deve mudar a sua postura, já que foi voto vencido, para angariar a simpatia de todos os profissionais para fortalecer a entidade e conquistar outros benefícios. Uma vez deglutida a decisão do Supremo, todos os envolvidos no processo devem rever os conceitos e adotar novas posturas diante da nova situação.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Fim do diploma 4: mestre trata do assunto

Abaixo, a reprodução de entrevista feita pelo acadêmico Rafael Lopes, estagiário da Assessoria de Imprensa do UniToledo, para o site da Instituição, com o advogado Mauricio de Carvalho Salviano (foto), mestre em Direito das Relações Sociais (Direito do Trabalho) pela PUC-SP. Ele analisa o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Em tempo: Prof. Maurício também é meu marido e pai dos meus filhos.

Professor analisa o fim da obrigatoriedade do diploma para jornalistas


O professor do UniToledo Mauricio de Carvalho Salviano abordou a questão do diploma em jornalismo em sua dissertação de mestrado. Salviano é mestre em Direito do Trabalho (PUC-SP). Para ele, ainda é incerto se o decreto-lei 972/69 se tornou nulo após a decisão do STF. “Eu também tenho esta dúvida, a verdade é que existe uma névoa encobrindo se ele (decreto) ainda existe ou não”. Confira trechos da entrevista com o professor a respeito do fim do diploma.

Com essa decisão tomada pelos ministros do STF, o decreto-lei 972/69 se torna nulo?

Essa também é a minha dúvida. Em nenhum momento o ministro Gilmar Mendes, disse categoricamente que o decreto deixa de valer. E mais, no recurso extraordinário feito pelo Ministério Público Federal, ele também não pediu o cancelamento do decreto, só pediu para que fosse desconsiderada a exigência do diploma para o registro da profissão de jornalista. Tecnicamente, de acordo com o Direito, o decreto continua existindo, pois o objeto do recurso, analisado pelos ministros, não foi a derrubada do decreto. Mas precisamos aguardar a posição final do Congresso, pois todos estão na dúvida.

A obrigatoriedade do diploma é exigida em outros países? Há casos internacionais semelhantes ao do Brasil?

Em muitos países o diploma não é obrigatório. Um país mais próximo ao contexto do Brasil é Portugal, que pelo menos até 2006, exigia uma atividade prática de estágio preliminar antes do exercício da profissão. Não era um diploma, mas uma atividade técnica preliminar, que tem a natureza de uma exigência de um curso. Em outros países, eu desconheço.

Agora haverá uma maior contratação pelas empresas jornalísticas de pessoas que não tem a formação em jornalismo?

Na teoria, agora a empresa pode contratar quem não tem diploma, na prática ela já fazia isso. A Globo, por exemplo, contratou o Caco Barcellos, e ele não tem diploma. Então já havia pessoas trabalhando sem diploma. Agora, só irá efetivar o que já ocorria na prática. O que muda é que o sindicato agora terá que tomar uma nova posição. Creio que essa decisão veio para chacoalhar o sindicato, para exigir um padrão de qualidade da informação.

E os direitos trabalhistas conquistados, como exemplo, jornada de trabalho, serão mantidos?

Os direitos trabalhistas se mantêm. Não vai mudar e ainda melhorou. O TST (Tribunal Superior do Trabalho) tinha a posição de que apenas os jornalistas formados poderiam ter os direitos trabalhistas. O profissional não formado não tinha o direito à jornada reduzida, por exemplo. Agora com a decisão do Supremo até estes jornalistas serão beneficiados. É uma melhora de condições de trabalho até para aqueles que não têm formação técnica.

E quem poderá fiscalizar a profissão dos jornalistas?

O ministro Gilmar Mendes, ao anular o diploma, disse que os jornalistas não poderão constituir um órgão de fiscalização, como a OAB que fiscaliza a atividade do advogado, no sentido de dizer o que pode ou não na profissão. E isto foi referendado pelos oito ministros, ou seja, a maioria.

Isto gera outra dúvida: sobre o Código de Ética da Profissão. Ele ainda existe nos moldes que foi elaborado? A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), que faz parte do grupo sindical, terá poder de fiscalizar a conduta ética do jornalista? Ela poderá impor multas e colocar censura? São perguntas que ainda não existem respostas claras.

O professor Mauricio também mantêm o blog Operário do Direito.

Fim do diploma 3: não dá pra mudar?

Em entrevista para a repórter Paula Laboissière, da Agência Brasil, o representante da Advocacia Geral da União afirma que a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão é irreversivel neste momento, mas com "criatividade", sindicatos e federação podem mudar este quadro. Acompanhem:

Ao comentar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STJ) que acabou com a obrigatoriedade do diploma para a profissão de jornalista, o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, afirmou que será preciso “muita criatividade” por parte dos sindicatos e associações para lidar com a situação.

“A causa vale para todos por ter repercussão geral. Fica difícil buscar uma alternativa por conta da premissa de liberdade de expressão, que está prevista na Constituição. Mesmo uma lei feita hoje pelo Congresso Nacional não valeria”, disse, ao participar de entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro.

Perguntado sobre a possibilidade de reembolso por parte das faculdades para quem fez o curso de jornalismo e se sente lesado pela decisão, Toffoli avaliou que “não é porque a exigência do diploma caiu que o curso não foi dado”. Para o ministro, quem assistiu às aulas terá “vantagem” do ponto de vista do mercado sobre os demais candidatos a uma vaga de jornalista. “Não há exclusividade, mas ele tem habilitação”.

Ele lembrou que o mercado já se utilizava de profissionais sem diploma e que atuavam como jornalistas. Segundo o ministro, o fim da obrigatoriedade do certificado imposto pelo STF “pacifica” a situação.

Apesar de admitir que a AGU, desde a gestão anterior, atuou no sentido da defesa do diploma, Toffoli lembrou que cabe ao órgão defender a constitucionalidade das leis e que, a partir de agora, a atividade é livre de fiscalização – uma vez que qualquer pessoa, mesmo com ensino médio, pode atuar como jornalista.

“O Judiciário é aquele que vai dizer se a lei é ou não contrária à Constituição e, nesse caso, ele entendeu que a exigência de um diploma afronta a liberdade de manifestação e de expressão do pensamento.”

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Fim do diploma 2: é preciso entender uma diferença

Para começar a discutir a decisão do STF sobre o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista é preciso entender algo muito importante para o qual os ministros não se atentaram: a diferença entre informação e conhecimento. Para tratar deste assunto, a propaganda do jornal O Estado de S.Paulo é perfeita. Veja:
video
Na sociedade pós-moderna, nós, jornalistas, não somos responsáveis apenas pela transmissão da informação. Nós somos os disseminadores do conhecimento. Será que os ministros pensam que essa missão é tão simples que pode ser feita por todo mundo?

Fim do diploma (1) para o exercício da profissão

Sempre ensinei meus alunos que não devemos escrever "com o estômago", mas com o cérebro. Então, até eu digerir esta notícia, fica só a informação. Os comentários virão depois. Mas vocês podem se manifestar agora.


Cai exigência do diploma de jornalismo



Sérgio Matsuura e Izabela Vasconcelos no Comunique-se

O diploma para o exercício da profissão de jornalista já não é mais uma obrigatoriedade no Brasil. Por oito votos a um, o Supremo Tribunal Federal considerou incompatível com a Constituição a exigência da graduação em jornalismo para o exercício da profissão, em votação do Recurso Extraordinário 511961, nesta quarta-feira (17/06).

Os ministros Gilmar Mendes (foto), Carmen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello votaram contra a exigência. Apenas Marco Aurélio Mello votou a favor da obrigatoriedade do diploma.

No início da sessão plenária, as teses se dividiram entre a posição defendida pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo e o Ministério Público Federal (MPF), contra a obrigatoriedade do diploma, e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), com o apoio da Advocacia Geral da União, sustentando a exigência.

Gilmar Mendes, relator do recurso, defendeu a autorregulação da imprensa. “São os próprios meios de comunicação que devem definir os seus controles”, afirmou.

Mesmo sem a exigência de diploma, os cursos de jornalismo devem continuar existindo, argumentou Mendes. “É inegável que a frequência a um curso superior pode dar uma formação sólida para o exercício cotidiano do jornalismo. Isso afasta a hipótese de que os cursos de jornalismo serão desnecessários”, avaliou.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O caso Maísa, a TV e a internet: Mídia e espetacularização: uma proposta

Esta colaboração é do acadêmico Diuân Feltrin, do 5o. semestre de Jornalismo no UniToledo e estagiário no Sesc de Birigui/SP. Vale a pena ler e pensar sobre o papel da mídia no desenvolvimento das crianças


Confira entrevista realizada pela FOLHA DE S. PAULO com Ivana Bentes sobre a ridicularização de crianças pela mídia com o intuito de angariar audiência fácil. Confesso que sou um grande admirador do comunicador Silvio Santos. Cresci assistindo aos programas do SBT e até hoje prefiro esta emissora à Rede Globo de Televisão. No entanto, concordo plenamente com tudo o que está dito na entrevista abaixo sobre a humilhação imposta à criança Maisa. Garota cuja infância está sendo esquecida, roubada... tudo em virtude do Ibope fácil, o sustento das grandes redes de TV.

NA CASA DO PATRÃO

APRESENTADORA QUE ALAVANCA A AUDIÊNCIA DO PROGRAMA DE SILVIO SANTOS AO FUNDIR ESPONTANEIDADE E HUMILHAÇÃO, A MENINA MAISA REVELA A DUPLA FACE DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA




CYRUS AFSHAR
DA REDAÇÃO da Folha de S.Paulo


Ela acaba de completar sete anos, mas já tem mais de três anos de experiência profissional, e seu trabalho já é conhecido em todo o país.
Maisa comanda um programa no SBT e, aos domingos, é protagonista de um quadro em que conversa longamente com ninguém menos que seu patrão, Silvio Santos, e ajuda a alavancar a audiência do restante da programação. Mas, nas duas últimas semanas, o quadro dominical foi palco de cenas ao vivo de gritos e choros da criança.
"A questão é saber quando acaba o lúdico e o adorável e começa a perversão e a monstruosidade dessa situação-mídia", provoca Ivana Bentes, professora do programa de pós-graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Na entrevista concedida à Folha, por e-mail, Bentes explica alguns dos mecanismos de funcionamento da apropriação da imagem de novas celebridades, o comportamento do público e a importância da internet para o processo de espetacularização.

PERGUNTA - O que está acontecendo com a menina Maisa é um caso de exploração midiática?
IVANA BENTES - "Exploração midiática" é quase uma redundância. A expropriação/apropriação é base de funcionamento do próprio regime midiático em que nós, telespectadores, somos a matéria-prima em diferentes sentidos. Na busca de criar fatos midiáticos incessantemente, capturar nossa atenção e comprar nosso tempo, a televisão convoca, explora e mobiliza nossos afetos, nossa atenção.
O espectador é o primeiro "explorado" pela publicidade, pela ficção, pelas "atrações". Somos nós que emprestamos nosso tempo, nossa subjetividade e nosso imaginário para criar valor na TV. Ou seja, o que a mídia vende/explora não é a publicidade -somos nós mesmos. E, para isso, precisa minimamente que essa audiência se conecte, se deixe afetar por um personagem, uma situação, que crie hábitos e possa voltar -criando um sentimento de pertencimento a uma "comunidade imaginada". Aí se chega a Maisa, a menina-prodígio do SBT, a "menina-monstro" como definiu ironicamente, mas com precisão, o "Pânico na TV". A garota é realmente adorável e "monstruosa" ao mesmo tempo. Tem a dupla face da mídia atual, que incorpora e utiliza o mais "espontâneo", o íntimo, a gafe, o erro, o choro e todo tipo de assujeitamento e humilhação como matéria altamente valorizada. Isso sem abandonar a celebração do visível, da formalidade e da encenação. Não é à toa que os vídeos de Maisa estão no YouTube anunciem "pérolas de Maisa", gafes de Maisa, micos de Maisa, choro de Maisa, tropeços etc.. A questão é saber onde acaba o lúdico e o adorável e começa a perversão e a monstruosidade dessa situação-mídia. Não se trata de julgar nem de moralizar "este" caso, num momento em que o valor de "exposição" da vida, da intimidade, da subjetividade na TV, na internet ou em qualquer outra mídia é um valor em si. A visibilidade é um bem altamente valorizado e disputado -"naturalizado". É preciso justamente desnaturalizar esse novo regime midiático que não para de testar os limites do tolerável e do aceitável.

PERGUNTA - Nesse contexto (de exploração midiática), qual é o papel da mãe? E o do apresentador?
BENTES - Não é difícil entender o seu nível de satisfação/excitação do pai e da mãe da menina (satisfação simbólica e real, com sua galinha dos ovos de ouro mirim). E o apresentador/dono da emissora cumpre o mesmo papel de outros homens de negócio de TVs abertas que vendem "produtos" tão ou mais discutíveis e monstruosos: homofobia, intolerância religiosa, espetáculos de descarrego e expulsão de demônios dos corpos, preconceito racial, condenações morais, denuncismo, criminalização da pobreza e dos pobres e toda uma pauta conservadora e moralista. A questão que importa é saber qual o papel da "comunidade" de telespectadores e da sociedade diante desse quadro.


PERGUNTA - Como tem sido e como deveria ser o tratamento dado pela mídia neste caso?
BENTES - A televisão não tem programa de debate e de discussão do seu próprio conteúdo. A TV não dá direito de resposta, o que é escandaloso. Confunde audiência com legitimidade social e qualidade. Daí que não vi na mídia (com raras exceções, como a coluna de Bia Abramo do dia 17/5, na Folha) nenhuma discussão sobre os limites e constrangimentos de colocar uma criança de seis anos no horário nobre de domingo falando de "pum", gases, bunda, meleca.E, ao mesmo tempo, tendo que responder sobre assuntos extremamente complexos, como outras celebridades televisivas, profissões, afetos, casamento, Deus e infidelidade. E sempre constrangida por Silvio Santos até o limite do embaraço, do choro ou da mudez com reprimendas, ameaças, provocações.

PERGUNTA - Pessoas antes quase desconhecidas são alçadas rapidamente à condição de celebridades por conta dos milhões de acessos, casos da escocesa Susan Boyle, de Cris Nicolotti e de Maisa. Qual a importância hoje da internet no processo de criação das celebridades?
BENTES - "Celebridade" talvez seja um nome antigo (coisa do século passado, de mídias "modernas", como cinema e TV) para descrever os processos da visibilidade contemporânea. A internet e o YouTube criaram um novo público, pós-televisivo, um consumidor-produtor superativo, que clica tudo e que vê tudo -sem dúvida é uma nova força. O YouTube é genial porque é o esgoto público das imagens, onde é possível experimentar o que há de mais potente e monstruoso (no sentido positivo e negativo dos excessos e das exceções) na multidão de usuários, sem mediação. Sem o "patrão", como Silvio Santos se apresenta para a menina Maisa no SBT, num dos quadros.

PERGUNTA - Quando procuramos vídeos da artista mirim no YouTube, o site remete a entradas como "Maisa chorando", "Maisa chora" e "Maisa peidando", a partir das buscas mais realizadas. Os fãs sentem prazer em ver celebridades em situações constrangedoras?
BENTES - Trata-se de um fenômeno bem mais amplo e disseminado de midiatizacão, comercialização da intimidade e da "visibilidade". A partir do momento em que ruiu a barreira entre intimidade e publicidade, em que se esgarçou o limite entre público e privado, o que poderia ser constrangedor? Maisa chorando, Daniela Ciccarelli transando na praia, a cabeça de Saddam Hussein rolando, os exames de saúde da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em jornais assistidos por milhares de pessoas? Exibir a intimidade vem deixando de ser um constrangimento para se tornar um "valor".. A intimidade na era da sua visibilidade máxima e as tecnologias de exibição de si são uma característica geral e uma exigência do capitalismo contemporâneo.

PERGUNTA - O caso da construção da ex-atriz Shirley Temple é paradigmático para entender a situação atual deste caso?
BENTES - Bem, o visual da apresentadora mirim do SBT parece inspirado nos vestidinhos de babados e cabelos cacheados da mais famosa menina-prodígio de Hollywood. Mas é preciso lembrar que Shirley Temple é um produto da máquina fordista hollywoodiana, dos anos 1930 e 1940, de um capitalismo disciplinar e disciplinador em que a ideia de "infância" e "criança" ainda estava bem delimitada e definida.
Hoje, quando foram desenvolvidos produtos midiáticos para crianças de zero a um ano -como os Teletubbies, que aceleram os processos cognitivos enquanto ensinam a criança a desejar e a consumir-, a comparação com Shirley Temple talvez não seja apropriada. Pois o capitalismo contemporâneo tem necessidade de incluir e modular todos, desde o ano zero e mesmo antes do nascimento. O aprendizado se faz pela mídia -com o fim dos tempos "mortos" da infância, de ócio e lazer, em nome de uma hiperprodutividade infantil- e por adestramento precoce, cujo modelo visível Maisa encarna. O assustador é que a subjetividade-Maisa é o modelo de criança e de infância em via de se universalizar. São muitos os indícios: o assédio e crescimento da publicidade infantil, sem controle no Brasil; a invasão de bichinhos e desenhos animados em anúncios de cerveja, carros, criando uma sensibilidade precoce e formando consumidores futuros, a erotização do universo infantil dissociada, mais tarde, do abuso sexual por adultos e da violência contra crianças. Enfim, a garota-prodígio do SBT aponta para antigas questões e novos limites, em torno da intimidade, da visibilidade, da infância. Nesse sentido é uma menina-modelo, exemplar de uma série de transformações.


CRÍTICA PERSUASIVA

O CLONE BIZARRO
INSPIRADA EM SHIRLEY TEMPLE, A ESTRELA MIRIM DA HOLLYWOOD DOS ANOS 1930, APRESENTADORA MAISA PARECE NÃO ENTERNECER SEU PATRÃO MIDIÁTICO


SÉRGIO ALPENDRE
ESPECIAL PARA A FOLHA


Um dia, o comunicador Silvio Santos colocou fotos da princesinha Shirley Temple no camarim de Maisa e reforçou uma semelhança que poucos notariam, sem os cachinhos e os vestidos alegres impostos à menina.
Maisa não é tão parecida fisicamente com Shirley Temple. O programa Silvio Santos não tem nada a ver com as sofisticadas produções hollywoodianas da década de 1930. Assim como 2009 está muito distante de 1934, ano em que Temple despontou para o estrelato.
Tudo isso é bem óbvio.. Neste caso, por que o experiente e astuto apresentador tentaria evocar, com sucesso, a representação da prodigiosa garota californiana se não fosse por uma tacanha exploração do espírito infantil? O que interessa é a tentativa de retomar o que já havia dado certo em outros tempos.
Silvio Santos se apropria de um ícone infantil para saciar o desejo do público por algo diferente, sem se preocupar com os efeitos dessa apropriação na personalidade e no desenvolvimento de Maisa. O que importa é o faturamento, o barulho que as travessuras da menina causam na mídia, suas aparições no [programa de TV] CQC e outros medidores do baixo nível da televisão brasileira. Contudo, a assimilação proposta por Silvio Santos não vai tão longe quanto o esperado: como Maisa, Shirley Temple tinha o rostinho de anjo, que tornava cada atitude de adulta ainda mais surpreendente.
Sua esperteza e charme incomuns eram destacados em cena, e sua fragilidade era escancarada em momentos estratégicos, para lembrar que era uma criança que estava à nossa frente.
Porém, Maisa tem a direção espalhafatosa de seu companheiro de palco, Silvio Santos, enquanto Shirley Temple, apesar de ter feito vários filmes com cineastas de araque, foi dirigida, ainda criança, por artesãos talentosos.

O rígido John Ford
Foi gente como Henry Hathaway ("Agora e Sempre", de 1934), David Butler ("Olhos Encantados", de 1934; "A Mascote do Regimento" e "A Pequena Rebelde", ambos de 1935; "O Anjo do Farol", de 1936), William Seiter ("Princesinha das Ruas", de 1936) e Irving Cummings (A "Pequena Órfã", de 1935; "Miss Broadway", de 1938), além de mestres como Allan Dwan (em "Heidi", de 1937; "Sonho de Moça", de 1938; "Mocidade", de 1940) e, principalmente, John Ford, um daqueles artistas que transcendem os limites da arte com um domínio sem igual da linguagem ("A Queridinha do Vovô", de 1937).
Suas lembranças do trabalho com Ford são curiosas e instrutivas. Em sua autobiografia ["Child Star", Criança Estrela], ela se queixou de que o diretor, num primeiro momento, não pusesse fé no poder de atuação da pequena atriz e lhe desse instruções detalhadas.
Enquanto para todos os outros [integrantes] do elenco apenas indicava um caminho, deixando que seguissem e acrescentassem sutilezas à atuação.
Mais adiante, percebendo a inteligência e o profissionalismo da garotinha, baixou a guarda e se enterneceu como um espectador comum diante de uma estrela.
O mesmo aconteceu com o ator Victor McLaglen, que inicialmente hostilizava a menina, para depois ser conquistado por sua doçura e carisma. Anos depois, Temple destacou que "A Queridinha do Vovô" foi o melhor filme de sua carreira.
A atriz que teve boa parte de sua infância perdida para o cinema elege justamente o filme que não a trata como uma estrela, mas que foi construído em torno das possibilidades da história.
Era a narrativa a principal atração [baseada numa história do escritor Rudyard Kipling, narra as aventuras de uma menina na Índia, onde o avô é oficial do Exército britânico]. Reveladora escolha de uma atriz acostumada a ser o centro das atenções nos filmes, em detrimento de qualquer outro aspecto cinematográfico. Se existia exploração na década de 1930 (e fica claro que havia), o que ocorre em 2009 se aproxima da crueldade pura e simples. E as diferenças de intenções e contextos são gritantes. Shirley Temple era capaz de interpretar uma criança mimada, mas havia espaço para que ela demonstrasse charme e inteligência.

Sem inocência
Conquistava todos ao seu redor e arrebatava os espectadores pelo coração. Maisa encanta pelas travessuras e pelos diversos momentos em que aparece em cena como "criança fazendo coisas de adulto". No programa não parece existir brechas para que ela seja mostrada como algo mais do que um clone bizarro.
Sua personalidade irrequieta é cutucada o tempo todo, mas existe sobretudo um esvaziamento de conteúdo e inocência, como se da criança só pudessem ser vistas a fragilidade e a inconstância, suscetíveis às manipulações e moldagens do adulto.
E o futuro de Maisa, como será? Que caminhos terá sua carreira sob as asas de um tutor que pode ser o maioral da comunicação, mas que pelo visto não tem condições de pensar no melhor para a garotinha?
E ela, que parece tão esperta, tão viva, teria condições de impor limites às doses cavalares de vulgaridade e manipulação a que é submetida? Assim como Shirley Temple conquistou o coração do rígido John Ford, teria Maisa condições de despertar sentimentos na pedra que o patrão parece ser?

SÉRGIO ALPENDRE é crítico da revista de cinema "Contracampo". FOLHA DE S. PAULO 24/05

Importante destacar que após os fatos tratados acima, a Justiça determinou que o quadro do programa de Sílvio Santos "conversando" com Maísa fosse retirado do ar, decisão que permanece até hoje.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Exemplo de comunicação organizacional/jornalismo empresarial

Recebi a mensagem abaixo no meu e-mail pessoal. Não sei como chegaram até mim, mas sei que como chegaram em mim, chegaram em mais uma dezena, centena, milhares (?) de pessoas. Claro que se fosse apenas mais uma propaganda, eu deletava sem ler. Mas como sou mãe - condição de milhares de mulheres brasileiras, aliás - tive o cuidado de ler, pois o assunto (e o título do texto) chamaram a minha atenção. É um exemplo de como fazer comunicação organizacional e até jornalismo empresarial. Fica aqui registrado.



15.06.2009
Filhos Tiranos ou Pais Despreparados?
Até meados dos anos 60, as regras dentro de casa eram impostas aos jovens. Hoje, é bastante comum um acordo entre pais e filhos. Antes, os pais davam broncas, colocavam os filhos de castigo e cortavam regalias porque era assim que as coisas funcionavam e ponto final. Hoje, cada bronca precisa ser acompanhada de boas justificativas. Um dos motivos disto é que os jovens atuais são muito bem informados. Outro dado é que eles nasceram num ambiente já bastante marcado pela educação liberal. Com a revolução comportamental dos anos 60, a difusão dos métodos pedagógicos e de todo o sistema de informação, a liberdade passou a dar o tom nas relações entre pais e filhos. A tal ponto que hoje se vive o oposto da rigidez: em muitos lares, os pais é que se sentem desorientados e os filhos, na ausência de quem estabelecer limites para sua conduta, assumindo o papel de tiranos. Nessas condições, é natural que estabelecer limites de conduta se transforme numa tarefa difícil.

Á idéia de que a liberdade é a melhor resposta em todas as situações, somam-se culpas cultivadas pelos pais. Por trabalharem e passar pouco tempo com os filhos, é comum que um casal se torne permissivo com os desejos dos jovens para compensar sua ausência. E às vezes não é nem a culpa que causa o estrago: é o desejo de fugir da tarefa difícil que é educar um adolescentes. Alguns pais acusam a falta de tempo como subterfúgio. Outros usam a medicalização, ao menor sinal de que alguma coisa está fora dos eixos, os pais correm para um consultório médico, em vez de tomar a eles próprios as rédeas da situação. Acreditar que a escola possa assumir sozinha o papel do educar um adolescente é uma saída pela tangente bastante comum também. A permissividade chegou a um ponto em que os próprios colégios estão tendo de chamar a atenção dos pais para seus deveres . No fundo, o que eles procuram é uma saida do problema. Querem uma justificativa externa para o mau comportamento dos filhos e têm a falsa idéia de que dois comprimidos por dia resolvem qualquer problema.

Por mais que se fala nos direitos sagrados das crianças e dos adolescentes, não se pode perder de vista que a cada direito corresponde um dever. Perdeu-se a noção de reciprocidade. Os pais são obrigados a bancar a melhor educação escolar para os filhos? Então os filhos também devem esforçar-se para passar de ano. O filho ganhou um carro ao entrar na faculdade, mas logo em seguida desistiu do curso sem mais nem menos? Então não será uma injustiça ele perder sua regalia de andar motorizado. Os pais precisam aceitar a idéia de que tal tomar esse tipo de atitude não vai fragilizada seus filhos, muito pelo contrário. Um adolescente típico carrega sempre na ponta da língua munição para atacar os pais quando esses tentam colocá-lo na linha: chamam eles de caretas, repressores e por aí afora.

A título de se colocarem como amigos os filhos, muitos pais acabam sendo cúmplices de erro que em nada contribuem para a formação deles. Nunca custa lembrar: a função do pai não é ser amigo e confidente, para isso, os adolescentes têm suas turmas, papel de pai é ser pai.

Jovens educados de maneira negligente correm o risco de se tornar adultos infelizes e desajustados. Uma educação sem limites faz com que muitas vezes essas pessoas se revelem sem aptidão para lidar com as frustrações naturais da vida. Elas têm dificuldade para se relacionar em ambientes marcados por hierarquias, como o trabalho, e, em muitos casos, não conseguem nem mesmo se emancipar, tanto do ponto de vista emocional quanto no financeiro. Tivemos a era da repressão depois a era da liberalização e em muitos momentos, temos hoje a era dos excessos. Nem sempre é fácil achar um equilíbrio entre cada uma dessas eras, mas importa tentar buscar, se você não conseguir, busque ajuda de um profissional capacitado. Abaixo cito algumas regras importantes:

• Os pais não devem se omitir em dar broncas, sem medos de causar traumas e frustrações, quando o filho agir de forma que possa prejudicar a outras pessoas, os animais e o meio ambiente.
• Quando o diálogo não funcionar dentro de casa, não tem choro nem vela: cabe aos pais a palavra final sobre qualquer assunto.
• Drogas: os pais têm o direito de questionar o filho, vigiá-lo e até mesmo a invadir sua intimidade se desconfiar de envolvimento com elas.
• Os pais não devem se intimidar com a prática de muitos jovens de transformar seu quarto em fortaleza. Sempre que tiverem um bom motivo, e mesmo que não sejam bem vindos, eles estão liberados para entrar.
• Liberdade para fazer o que se quer da vida tem limites: os pais devem exigir que os filhos estudem e podem aplicar castigos como corte de mesada e da internet se perceberem que eles não estão cumprindo seus deveres.
• Os pais podem, e devem, frear o apetite consumista dos filhos.
• Ter conversas sérias sobre sexo é uma necessidade. Se o adolescente se negar, acusando os pais de caretas, eles podem exigir que o jovem sente-se e ouça o que têm a dizer. Os pais também não tem a obrigação de aceitar, só porque é moderno, que os filhos mantenham relações sexuais em casa.
• Eles não são obrigados a proporcionar luxos quando o filho passa de ano ou entra na faculdade. Ao ir bem na escola, o adolescente está apenas cumprindo sua obrigação.
• Os pais têm direito a um mínimo de vida pessoal. Pelo menos de vez em quando, não devem se privar de um jantar romântico ou uma viagem sem a presença dos filhos. E também não devem se sujeitar à tirania da agenda dos adolescentes no fim de semana.
• Seus filhos precisam saber com clareza o que é ou não é aceitável. Dê as regras e diga aos seus filhos o que espera deles.
• Fique calma. Você é quem está no controle. Não responda uma birra com um acesso de raiva ou gritaria. Você é ou adulto da situação e não pode deixar a criança ou adolescente se sobrepor à você.
• Uma vez que você estabelecer uma regra, não a mude e faça questão que todos, incluindo seu marido, mantenham o que foi determinado. Se as regras do jogo mudam a cada dia, ou são esquecidas, a culpa pelo mau comportamento é o dos pais, não dos filhos.
• Estabeleça hora para acordar, comer, tomar banho e dormir na sua casa em. A rotina é a base de uma boa vida familiar. Depois que a ordem estiver estabelecida, você pode ser um pouco flexível, nestes casos.
• Não esqueça que os filhos aprendem muito mais observando o comportamento dos pais do que ouvindo o que eles dizem.
• Demonstrem afeto incondicional por seu filho. Isso não o tornará mimado. É muito saudável abraçar e beijar os filhos, independentemente da idade. Faça elogios com mais frequência do que críticas. Os elogios podem ser de dois tipos. Um deles é o incondicional, cujo sentido seja o de “eu a amo você pelo que você é”. Esse afeto não precisa ser conquistado, nunca será perdido e demonstrá-lo deixa seus filhos seguros e eleva sua auto-estima. A outra forma é o elogiou condicional: “eu gostei do que você fez”. Seus filhos ficam sabendo que o pai e a mãe notam quando eles agiram de modo correto ou terminaram com sucesso uma tarefa em geral vão tentar acertar de novo. Isso também nos ajuda a aprender o valor do trabalho árduo quando se quer atingir um objetivo. A melhor recompensa para seu filho é atenção, elogio e amor.
• Envolva-se com a vida de seu filho. A falta de monitoramento aumenta os riscos de se envolverem com drogas, álcool, delinquência e gravidez precoce. Envolver-se com as atividades dos filhos é também ter informações sobre a vida deles, seus amigos, e seus interesses. Parece simples, mas a prática exige real e genuíno interesse dos pais pela vida dos filhos, e não apenas o desejo de espionar ou de controlá-los.
• Trate seu filho com respeito. A criança trata os outros de forma como é tratada pelos pais.

Nem sempre é possível fazer com que todas essas regras sejam praticados. Mas importa tentar. Então, se você sente alguma dificuldade em lidar com seu filho, criança ou adolescente procure ajuda de um psicólogo capacitado.

Dra. Ieda Dreger
CRP:
12/03799 - SC

Ainda dá tempo

Desde que a novela sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista começou, espero, ansiosamente, que os coleguinhas consigam uma forma de mostrar para a sociedade a importância da nossa graduação (especialização, mestrado, doutorado...). Não adianta levantar bandeira, apitar, bater tampas de panela, gritar palavras de ordem se a população não entender para o que servem nossos quatro anos de estudo (no mínimo). É preciso informar, esclarecer, formar opiniões, enfim, tudo aquilo que fazemos no dia-a-dia para os outros e agora precisamos fazer por nós. Volto a insistir, não é uma questão de reserva de mercado, é uma questão de lutar pela formação de profissionais capacitados, com senso de ética e justiça social. Por isso acredito que ainda da tempo uma vez que a votação foi adiada de novo. Veja:

Supremo marca julgamento do diploma para o dia 17/06
Sérgio Matsuura, do Rio de Janeiro, para o Comunique-se

O Supremo Tribunal Federal marcou para a próxima quarta-feira (17/06) o julgamento do Recurso Extraordinário 511961, que trata da obrigatoriedade ou não do diploma de graduação em jornalismo para o exercício da profissão. É a terceira vez que o processo é incluído na pauta.

Em duas oportunidades o julgamento foi adiado por falta de tempo. É possível que isso volte a acontecer, já que o recurso é o quinto tema da pauta. Nesta quarta-feira (10/06), o alongamento na análise dos casos Goldman e Mensalão foi o motivo do adiamento.

"Aquilo virou uma novela. Cada adiamento é um grande investimento que a Fenaj e os sindicatos fazem. Nossos advogados não moram em Brasília, os sindicatos bancam delegações, os estudantes bancam as passagens. Acho uma desconsideração", afirma o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murillo de Andrade.

Porém, apesar dos altos custos, Murillo confirma que nova manifestação será realizada na próxima semana.

"Nós vamos estar lá de novo. Embora não tenhamos recursos, somos teimosos. Mais que teimosos, acreditamos que a nossa causa é justa", diz.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Palavras são como pontes antigas

O texto que reproduzo hoje é de um amigo querido, Prof. Dr. Paulo Custódio de Oliveira. Foi publicado no Jornal de Jales do dia 31 de maio de 2009 e precisa ser divulgado aqui pelo perfeito exemplo de como é importante trabalhar bem as palavras, articular o pensamento, escrever com clareza, mas, ao mesmo tempo, com toques da literatura, que sempre encantam.
O texto é bom como o próprio Paulo. Tive o prazer de trabalhar com ele no Sistema Anglo de Ensino, nas várias unidades da região de Fernandópolis, Jales e Santa Fé do Sul, por quase 20 anos (ai! esqueci de dizer que comecei muito cedo...). Nos últimos anos, trabalhávamos no mesmo dia, às quintas-feiras, na unidade de Jales. Era só alegria, pelo menos pra nós (os alunos amargavam aula de redação - minha, de literatura - do Paulo, e de filosofia - do Pérsio; tinham que pensar muuiittoo!!!). Pérsio foi outro anjo na minha vida. Assim, todas as quintas eram o céu: eu podia escolher a sala, o bloco de aulas, tudo o que quisesse, tinha todas as facilidades de uma dama no meio de dois cavalheiros.
As conversas nos pequenos intervalos afastavam qualquer cansaço. Tinha muito riso, muita música e poesia. Depois disso, nunca mais minhas quintas-feiras foram iguais...
Quando decidi mudar de vida, lá estavam os dois para me apoiar. Quando entrei no mestrado, ligaram os dois pra me parabenizar. No dia da minha defesa, lá estava o Paulo, no telefone, me dizendo palavras lindas e eu emocionada no meio do trânsito louco da capital.
Enfim, tudo isso pra dizer que as lembranças do professor de literatura que levava violão pra cantar com os alunos, era o melhor mestre de cerimônia das formaturas e a única pessoa que me fez cantar em público (pra quase 700 pessoas) são inesquecíveis.
Sim Paulo, você daria um excelente jornalista. Pena que a literatura te conquistou antes...


A nação, o povo e o território

As palavras são como pontes antigas. Não temos como não usá-las mas o melhor é que apenas as olhássemos de longe. Se puder, não se detenha sobre nenhuma palavra, querido leitor. Essas do título são exemplo claro disso. Parece que as conhecemos muito bem, mas a verdade é que uma pergunta radical sobre seus significados nos embaraçaria. Reconhecemos na palavra “povo” uma certa quantidade de pessoas que moram em determinado espaço. Quando estes se sentem unidos, dizemos que ele se constitui uma nação. A coerência interna permite que uns indivíduos se identifiquem com os outros. Essas pessoas precisam de uma língua, de uma história e de um território comuns.
Celebrar os heróis nacionais, como fizemos no último dia 21 de abril, é uma maneira de se construir uma narrativa organizadora. Digo construir porque o herói, como eu disse, foi transformado em narrativa quando alguns indivíduos perceberam que não tínhamos história e precisávamos de uma. Não existe muita coisa para sustentar a concepção de nação além dessa história imaginada por essas pessoas. Por isso é tão importante oferecer imagens que corporifiquem as idéias que os nacionais têm de si mesmos. Alguém que permita que esses homens se sintam corajosos e determinados. Um povo precisa de uma narrativa para manter-se unido. Quando ela está bem instalada na mente de um indivíduo, torna-se possível exigir-se dele as atitudes que salvaguardem a paz e a riqueza da nação.
Por esse mesmo motivo é tão complicado parar sobre a palavra nação. Seu significado também é muito frágil. Que características o herói deve apresentar para unificar um determinado povo?
Não se iluda. Qualquer resposta rápida é insuficiente. O conceito de povo não é claro para ninguém. Considera-se que um determinado grupo de pessoas pode ser chamado de povo quando elas gostam das mesmas comidas, celebram moda parecida e riem das mesmas piadas. Nesse caso, teríamos alguns problemas para chamar o povo brasileiro de nação. Somos um povo muito plural. Os costumes são muito díspares. Não me sinto nada parecido com os gaúchos. Sinto-me distante dos nordestinos. E nem lembro dos índios.
A idéia de território também não é muito segura. Não podemos dizer que evocar o território como alicerce da nacionalidade traga alguma tanquilidade. Até ontem conhecíamos um lugar chamado “União soviética”, tinha mapa com limites enormes e tudo mais. Hoje em dia a gente nem se lembra dela direito. Os mapas mudaram e ninguém falou nada. Portanto, se amanhã o país Brasil for desenhado sem a Amazônia, não acredito que vá acontecer muita coisa. As pessoas esquecem-se rapidinho de como eram as fronteiras e passam a aceitar com serenidade o novo formato do país. Tenho até impressão de que isso já começou.
Além disso, há nações sólidas sem território. Lembremos dos bascos e dos Israelense. O povo de Israel empreendeu verdadeira cruzada para conseguir um lugar na terra. Fizeram renascer a língua hebraica que já estava morta. Lutam pelo terreno até hoje. Os bascos estão em condição pior. Ainda continuam sem nenhuma terra. Nem por isso se consideram espanhóis.
Vês? Quando tomamos as palavras, vagamos de uma quase significado para um quase sentido. Sempre. Como as pontes velhas, elas sustentam precariamente os pensamentos. Causa-nos angústia estar diante delas, perguntar-lhes o que nos trazem. Quando há resposta, o significado pobre ou terrível, desvela sempre a instabilidade do real.

PAULO CUSTÓDIO DE OLIVEIRA
(Prof. de Literatura da UNIJALES e do Anglo)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Polêmica

Acompanhem esta série de informações divulgadas pelo Comunique-se e depois me digam o que pensam sobre o assunto.

Jornais declaram guerra contra blog da Petrobras

A iniciativa da Petrobras de criar o blog Fatos e Dados, onde a estatal expõe os questionamentos da imprensa e as repostas dadas aos veículos, gerou uma situação de conflito entre a empresa e os principais órgãos de imprensa do País. O jornal O Globo, por exemplo, dedicou, na edição desta terça-feira (09/06), sete matérias e um editorial ao tema, além de chamada na primeira página.

“A estatal alega praticar a ‘transparência’ ao cometer o erro de divulgar material de propriedade de profissionais e veículos de imprensa. Ser cada vez mais transparente é um objetivo correto para a estatal, caso ela não o use como justificativa para agir deslealmente com os meios de comunicação. A Petrobras errou, e espera-se que volte atrás nos procedimentos nada éticos que adotou no atendimento à imprensa”, afirma O Globo no editorial "Ataque à imprensa".

A Folha de S. Paulo de hoje traz dois artigos sobre o blog, ambos contrários à iniciativa da estatal. Além disso, cinco matérias foram publicadas sobre o tema, sendo que a de maior destaque foi sobre o comunicado da Associação Nacional de Jornais, que considera a atitude da Petrobras antiética.

O artigo “A transparência dos brucutus”, do jornalista da Folha Igor Gielow, considera o blog uma tentativa de “esvaziar a bola das denúncias que inevitavelmente chegarão ao seu balcão, contrainformação pura”. Já Plínio Fraga, em “Lodo não é petróleo”, trata o blog como uma “estratégia intimidatória”.

“A traquinagem do blog da Petrobras mostra a opção da empresa pelo lodo, como se este fosse também petróleo”, afirma Fraga em seu artigo.


Petrobras rebate acusações da Associação Nacional de Jornais

A Petrobras respondeu em seu blog Fatos e Dados ao comunicado divulgado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ). A estatal afirma que “respeita os princípios universais da liberdade de imprensa, tanto que, em nenhum momento, se esquivou de responder às perguntas enviadas, de forma direta e clara. Tampouco usou de qualquer meio para evitar a publicação de reportagens e notas, mesmo quando a empresa está sendo atacada”.

A ANJ, em seu comunicado, classificou a criação do blog da Petrobras como uma “atitude antiética” e uma “canhestra tentativa de intimidar jornais e jornalistas”. Para a entidade, a divulgação da íntegra de perguntas e respostas dos jornalistas “configura uma violação do direito da sociedade a ser livremente informada, pois evidencia uma política de comunicação que visa a tutelar a opinião pública”.

Leia o comunicado na íntegra:

A propósito da nota da Associação Nacional dos Jornais sobre o blog Fatos e Dados, emitida pela entidade em 08/06/2009, a Petrobras declara:

O blog foi lançado com o objetivo de apresentar fatos e dados recentes da Petrobras, o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), e garantir a total divulgação dos esclarecimentos solicitados pela imprensa e as respectivas respostas enviadas aos jornalistas. A Petrobras respeita os princípios universais de liberdade de imprensa, tanto que, em nenhum momento, se esquivou de responder às perguntas enviadas, de forma direta e clara. Tampouco, usou de qualquer meio para evitar a publicação de reportagens e notas, mesmo quando a empresa está sendo atacada.

A noção de confidencialidade e sigilo, como a própria nota da ANJ registra, é um princípio que norteia a relação dos jornalistas com suas fontes (pessoas ou empresas, consultorias). O objetivo principal é preservar aqueles que passam informações aos jornalistas e que, por qualquer motivo, precisam ou querem se manter no anonimato. Mas não há compromisso semelhante de confidencialidade e sigilo da fonte para o jornalista, pois isso limitaria o próprio caráter público e aberto da informação.

Quanto à suposta ameaça citada na nota da ANJ, em seus parágrafos três e quatro, esclarecemos que a Petrobras respeita a imprensa e jamais faria ou fez qualquer ameaça a jornalistas ou jornais. A nota se refere, na verdade, a uma mensagem de segurança padrão e automática, sem qualquer vínculo com o relacionamento com a imprensa e veiculada há anos na correspondência eletrônica emitida a partir do correio eletrônico da Petrobras, por todos os funcionários da empresa. Essa é uma proteção amplamente adotada por provedores confiáveis, e mensagens semelhantes acompanham emails enviados por jornalistas de diferentes veículos. No caso da Petrobras, a mensagem é destinada, principalmente, aos empregados da empresa. Isso pode ser facilmente constatado pela própria leitura da íntegra da mensagem (O emitente desta mensagem é responsável por seu conteúdo e endereçamento. Cabe ao destinatário cuidar quanto o tratamento adequado. Sem a devida autorização, a divulgação, a reprodução, a distribuição ou qualquer outra ação em desconformidade com as normas internas do Sistema Petrobras são proibidas e passíveis de sanção disciplinar, cível e criminal). O foco interno fica bem claro na citação às normas internas do Sistema Petrobras e na menção a sanções disciplinares, o que só é possível adotar em relação a funcionários.

A Petrobras reafirma que, assim como os veículos de comunicação, defende a livre e ampla circulação de idéias, informações e conhecimento. Como companhia de capital aberto e maior empresa do Brasil, com negócios em diversos países, consideramos que é nosso dever garantir que clientes, acionistas, parceiros e toda a sociedade tenham pleno acesso aos esclarecimentos prestados por nós. Este é o nosso único objetivo.


Para o presidente da Petrobras, blog é 'novidade democrática'

O presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, defendeu a criação do blog Fatos e Dados, no qual a estatal publica a íntegra de perguntas e respostas encaminhadas aos jornalistas. Em sua opinião, o espaço é “fruto da democracia da informação que a internet traz” e “veio para ficar”.

Ao publicar os questionamentos da imprensa, o blog derruba o papel de intermediador entre a fonte e o público, exercido pela imprensa. “Estamos fazendo com que o público tenha acesso, ao mesmo tempo que o jornalista, à informação que estamos dando”.

“Como toda mídia, por definição, edita, estamos querendo apresentar a íntegra”, disse.

As declarações foram feitas nesta segunda-feira (08/06), durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. O presidente da estatal explicou que a iniciativa não é “coisa contra o jornalista”, tem apenas o objetivo de “dar transparência aos processos e não prejudicar o levantamento de fatos e dados”.

“Se o objetivo fosse como tática para esvaziar a matéria tudo bem, mas não é esse”, disse Gabrielli.

O presidente da Petrobras explicou que a criação do blog partiu da própria empresa e não da CDN, que foi contratada para gerenciar a crise criada pela instalação de uma CPI.

Com informações de O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Para que serve um blog? A Petrobrás responde...

Caríssimos, há novidades no ar. A Petrobrás acaba de descobrir uma ferramenta poderosíssima para garantir a sua imagem na mídia. Analisando o caso sob o ponto de vista da comunicação organizacional, seu blog Fatos e Dados é simplesmente perfeito. Por outro lado, analisando a questão sob o prisma dos veículos de comunicação, a situação não é bem assim. Leia o texto abaixo, reproduzido do site Comunique-se, e depois comente.

Blog da Petrobras cria polêmica entre jornalistas

Da Redação do Comunique-se


O blog institucional da Petrobras, Fatos e Dados, lançado no dia 02/06, tem sido alvo de críticas de jornalistas. A página tem publicado diariamente esclarecimentos, com as perguntas dos repórteres e as respostas dadas aos profissionais.

Veículos como O Globo e Folha de S. Paulo criticam a estatal por vazamento de informações, porque as respostas têm sido postadas antes da publicação das matérias nos jornais. Para a Petrobras, a publicação das perguntas e respostas não é ilegal porque as informações são publicas.

“A companhia entende que não houve quebra de confidencialidade ou ilegalidade na publicação das perguntas e respostas enviadas aos jornalistas (...) a relação entre a Petrobras e os veículos de comunicação que a interpelam é essencialmente pública (...) Tanto as respostas da Petrobras são públicas quanto as perguntas dos repórteres também o são, ou deveriam ser”, informa a estatal em seu blog.

A Petrobras diz que a página foi criada para apresentar dados e fatos recentes sobre as políticas da empresa e a posição sobre a CPI, além da publicação na íntegra das respostas aos questionamentos feitos pelos jornalistas.

"Guerra à imprensa"
No texto do blog de Reinaldo Azevedo, da Revista Veja, É hora de desprivatizar a Petrobras, o jornalista afirma que empresa decidiu “declarar guerra à imprensa” e que se trata de “manobra espúria” da companhia.

O jornalista Luis Nassif rebate em seu blog a acusação do O Globo de que a Petrobras estaria vazando as informações da imprensa. No post “O fim da era das perguntas em off” ele diz: “Depois de abusar de declarações em off, a imprensa começa a trabalhar o conceito das perguntas em off, uma inovação extraordinária.(...) Usar dossiês pode, divulgar grampos pode. Mas divulgar perguntas e respostas destinadas a matérias supostamente publicáveis não pode".

Procurada pelo Comunique-se, a Petrobras afirmou que continuará publicando seus esclarecimentos e respostas aos questionamentos dos jornalistas no blog, e que sempre que responde aos repórteres publica em seguida as respostas na íntegra em sua página.