segunda-feira, 1 de junho de 2009

Aparente descaso

Na sequência de ideias e opiniões sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista, eis a contribuição do acadêmico Diuân Feltrin, do 5o. semestre de Jornalismo do UniToledo. Leiam, reflitam e comentem.

Imagine ser atendido por um médico que jamais passou pela universidade. Certamente as consequências não seriam boas. Profissionais da medicina possuem como instrumento de trabalho a vida humana e, para tanto, passam por um longo processo de especialização, cujos requisitos englobam vários anos de graduação e residência. O Supremo Tribunal Federal discute uma polêmica questão: é necessário diploma para se exercer a profissão de jornalista? O fato tem gerado embates justificáveis. A hipótese da não obrigatoriedade do diploma acarreta na desvalorização do jornalismo e, por consequência, o ingresso de indivíduos desprovidos de bases indispensáveis para o bom exercício da profissão.

É válido afirmar que para se exercer o jornalismo com esmero é necessário “dom”. No entanto, tal regalia é inútil quando dissociada de embasamentos técnicos e teóricos. A capacidade de expressar-se intelectualmente de modo a propagar mensagens com clareza e poder de persuasão provém dos diversos tipos de conhecimentos adquiridos no decorrer de nessa formação (científico, filosófico, religioso e empírico). Mas desprezar a eficácia da sabedora somada aos quatro anos nos bancos universitários é tão surreal quanto acreditar em duendes. A graduação em jornalismo nos garante poder de discernir o que vai ou não ao encontro dos interesses coletivos, atendo-se inclusive a questões éticas e morais.

A lei de imprensa revogada há pouco tempo era retrógrada e ineficiente. Não poderia ser de outra forma, visto que sua idealização se deu em plena ditadura militar. Entretanto, extinguir esta lei não exterminou a escassez de bom senso e a incapacidade de raciocínio sobre o poder transformador do jornalismo. Delegar a qualquer indivíduo despreparado a possibilidade de persuadir grandes massas por meio da divulgação de informações não passa de uma escancarada irresponsabilidade.

Bons profissionais da mídia nacional não frequentaram curso de graduação específico em jornalismo, isto é fato. Além do mais, figuras importantes como Assis Chateaubriand e Samuel Wainer sequer se aproximaram dos portões universitários. Apesar disso, acreditar que o êxito se repetirá não passa de uma utopia barata, visto que a competitividade do mercado aumenta progressivamente. Exigem-se, portanto, profissionais capacitados e preferencialmente advindos de universidades bem conceituadas. O que se valoriza mais no atual mercado do jornalismo: Profissionais graduados em comunicação social, ou em outra área? Ou pior: será que aceitariam “profissionais” desprovidos de diploma? Não é necessário muito esforço para desvendar o enigma.

Um comentário:

  1. Esse é o meu amigo Diuan, companheiro de luta das boas causas, concordo contigo, a de saber utilizar as palavras para se retirar o maximo de aproveitamento da compreensão do público. Freud, em Introdução a Psicánalise, já diz:"as palvras tem o poder de ajudar e derrubar uma pessoa. Ou para não ir longe, temos na biblia, em Tiago, cap5, do mesmo jeito que um fagulha de fogo pode queimar uma floresta inteira, uma palavra mau dita pode destruir com a vida de uma pessoa. A lingua é orgão mais venenoso e imprudente que o homem possui.
    Abraços! Fique com Deus!

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