sexta-feira, 26 de junho de 2009

Fim do diploma 15: Vamos conhecer outros argumentos!


O texto abaixo é da colunista Barbara Gancia (foto). Foi publicado na Folha de S.Paulo, caderno Cotidiano, no dia 19 de junho, dois dias após a decisão do STF. Quero que você leia com atenção e, antes de vociferar, considere os argumentos e, se for o caso, rebata-os com inteligência, raciocínio, e não com o "estômago".

Jornalismo é uma profissão que pouco tem a ver com a teoria. Aprende-se apenas enfiando a mão na massa


NA QUARTA-FEIRA , assim que saiu a decisão do STF tornando inconstitucional a exigência do diploma de jornalismo como condição para o exercício da profissão, recebi uma longa mensagem lamentando a determinação. Veja: "Barbara, pelo amor de Deus, somos jornalistas. Eu estudei, me dediquei, tirei notas boas, mas, acima de tudo, amo a profissão. Agora, qualquer detentor do conhecimento que saiba escrever pode exercer a profissão sem fazer curso, sem gastar o dinheirão que eu gastei."

Interrompo antes que o sangue suba-me à cabeça: como assim, "qualquer detentor do conhecimento que saiba escrever"? Será que o amigo missivista acha que a decisão do STF tornará o processo de seleção em jornais, revistas etc. menos rigoroso? A ideia não continua sendo de que jornalistas devem ser pessoas detentoras de conhecimento que saibam escrever? E a quem ele defende, aos cursos de jornalismo ou à profissão que diz amar?

Ele prossegue: "Estou indignado pelo fato de distorcerem artigos da Constituição a favor do convencimento que jornalista agora nem precisa de universidade. Como não precisa? Tivemos aulas de filosofia, ética, cultura popular, sociologia, teoria da comunicação...".

Pelo visto, ficou faltando aquela aulinha básica de redação, né não? De que adianta estudar teoria da comunicação quando se acaba escrevendo uma feiúra como "a favor do convencimento que"? O colega me faz uma pergunta muito da mal formulada, mas tudo bem: "Barbara, você concorda com o STF quando ele compara a desnecessariedade do diploma com o fato de um bom chef de cozinha não precisar de certificado para cozinhar?"

Eu diria que a analogia feita pelo STF não poderia ser mais acertada. Jornalismo é o tipo de profissão que pouco tem a ver com teoria. Aprende-se enfiando a mão na massa. E como no Brasil os cursos muitas vezes são caça-níqueis ou ministrados por professores que não conseguiram uma vaga na Redação de um grande jornal ou na TV, a faculdade de jornalismo resulta em uma espetacular perda de tempo.

Desde sempre, vejo focas saírem da faculdade e chegarem à Redação completamente despreparados e relatando histórias de terror. Cito uma clássica. Certa vez estava parlamentando com o editor quando, vinda da faculdade, uma estagiária disse que, naquele dia na sala de aula, o professor discorrera longamente sobre as desvantagens de se trabalhar com o editor em questão e na empresa em que todos nós trabalhávamos. O editor perguntou o nome do professor.

Quando a moça disse quem era, ele suspirou: "Esse eu tive que demitir por justa causa". Voltando à mensagem do jornalista que lamenta o fim da reserva de mercado. Diz ele que: "Os invasores não vão mais enfrentar as agruras do dia a dia numa universidade. Eu me fiz em dois por conta do meu TCC. E agora, tudo isso foi em vão?" Bem, quem mandou estudar apenas para passar de ano, não é mesmo?

E que medo irracional é esse de invasores, estamos falando de marcianos? Não é porque caiu a obrigatoriedade do diploma que a velha história sobre ter competência e se estabelecer deixou de vigorar. Por sorte, o trabalho do jornalista continua a ser uma vitrine em uma esquina movimentada: seu talento -ou a falta dele- será visto por todos os que passarem na frente da loja.

Um comentário:

  1. Bom, como aconselhado no início do post vou procurar não comentar os dizeres da Dona Barbara Gancia com o estômago, complicado este pedido mas vamos que vamos!

    Não se podia esperar da Gancia um outro posicionamento a respeito do assunto. Quem acompanha suas colunas na Folha de S. Paulo ou então quem já assistiu algum dos seus "incontáveis" programas no canal pago Bandsports sabe muito bem do que essa senhora da alta sociedade paulista é capaz de falar e comentar.

    Não é atoa que Gancia é conhecida no meio como a "fofoqueira da Folha" bom, deixo claro que mesmo não gostando dela acho o apelido um pouco pesado e ofensivo. Mas que ela atira para todos os lados no seu espaço impresso e eletrônico muitas vezes sem a mínima responsabilidade isso é fato.

    Talvez tenha faltado pra ela uma aulinha básica de ética. Agora justificar como acertada a decisão do STF por causa de um email recebido não tão bem elaborado, ou então pelo relato de um estagiário sobre UM professor não tão bem preparado, considero ainda poucos elementos para tal justificativa.

    "Eu diria que a analogia feita pelo STF não poderia ser mais acertada. Jornalismo é o tipo de profissão que pouco tem a ver com teoria."

    Fica difícil comentar este trecho não é verdade? Qualquer cabeça de bagre sabe que até mesmo dentro da prática há teoria, uma coisa está interligada na outra, uma depende da outra.

    Por fim, como sempre pocuro fazer, achar o lado bom e interessante dos fatos, a dona Gancia acerta no final do texto. "E que medo irracional é esse de invasores, estamos falando de marcianos? Não é porque caiu a obrigatoriedade do diploma que a velha história sobre ter competência e se estabelecer deixou de vigorar. Por sorte, o trabalho do jornalista continua a ser uma vitrine em uma esquina movimentada: seu talento -ou a falta dele- será visto por todos os que passarem na frente da loja."

    Ela está certa, não é preciso ter medo dos "marcianos" eles não terão culpa, o medo que se deve ter é dos donos das empresas jornalísticas que podem achar lindo ter um "marciano" em seu quadro de funcionários pelo simples fato da visita em frente de sua loja aumentar por causa da exposição pitoresca.

    Pois é Barbara Gancia a sua vitrine é das mais visitadas e comentadas. Quanta "BARBARAridade" já passou por lá não é mesmo?

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