sexta-feira, 3 de julho de 2009

Fim do diploma 18: O que pensa Gay Talese

Adoro Gay Talese. Mais do que Truman Capote. A opinião de Gay sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão é importante, precisa ser lida, porque, como afirmou corretamente o acadêmico Márcio Braciolli, estagiário na Folha da Região de Araçatuba, não é um papel que diz o que somos. Leiam com atenção, ponderem e comentem:

"A decisão é provavelmente certa", diz Gay Talese sobre queda do diploma

Da Redação do Comunique-se

Convidado da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), o jornalista Gay Talese afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, pode ser favorável para a democracia.
“Um diploma não torna você um jornalista. Fiquei sabendo da decisão do Supremo Tribunal Federal brasileiro e é uma decisão provavelmente certa. O que faz alguém um jornalista e, mais do que isso, um profissional necessário, é ter posse de informações que vão influenciar as escolhas dos cidadãos de um país”, disse o jornalista, conhecido como o percurssor do "New Journalism" em entrevista ao G1.
Para Talese, as faculdades de jornalismo não são o melhor lugar para aprender jornalismo, mas que boas instituições "ensinam princípios ignorados com frequência na profissão, como equidade, precisão e objetividade. E como pesquisar profundamente um assunto”.
O jornalista avalia que a crise na imprensa é causada pela falta de inovação. “Se o jornalismo deixa de lado a tarefa de fazer um trabalho realmente notável então ele se torna dispensável. Neste momento, o jornalismo precisa definir o que fará para se diferenciar de qualquer um que tenha tecnologia à disposição”, avaliou.
"Não há mais excelentes repórteres"
Talese também afirmou que hoje em dia não existem mais excelentes repórteres e que os jornalistas só reproduzem as versões oficiais. “Não há mais excelentes repórteres, heróis como existiam nos anos 60. Pessoas que faziam, por exemplo, a cobertura da Guerra do Vietnã, e que colocavam em dúvida o que o governo dizia. Em 2002, 2003, já não havia mais ninguém assim. Ao cobrir o Afeganistão, o Iraque, os jornalistas não podiam mais ver por si só, eles só reproduziam o que lhes era dito pelos militares”.
Entre outros assuntos, Talese destacou que Obama seria um ótimo personagem para um perfil. “Ele é provavelmente o personagem mais interessante que eu já vi na minha vida. Ele é o homem mais interessante de todos porque sua vida é tão improvável, sua história e trajetória são tão inacreditáveis.”, afirmou.

Um comentário:

  1. Belíssimo artigo, mas há ressalvas quanto a modernidade dos meios de comunicação, a comparação com a Guerra realmente mostra que os jornalistas doavam mais de si, tinham que fazer um trabalho e consequentemente eram envolvidos diretamente com os fatos. A tecnologia trouxe facilidades e atualmente os profissionais são muito exigidos por notícias na hora. Muitas vezes de uma manchete, com o passar das horas vão surgindo novos personagens e as entrelinhas são desvendadas, para o espectador é cansativo ouvir falar do mesmo assunto por semanas.
    Contudo, o diploma não é o único diferencial de um profissional, mas ainda sou a favor da busca do conhecimento, envolvimento com o ofício e aperfeiçoamento contínuo.

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