segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Black2Black

Este foi o nome de um evento ocorrido no final de semana no Rio de Janeiro. Em meio a palestras, conferências, exposições e muita música, a ideia era discutir o que significa ser negro no Brasil e no mundo.
Toda a cobertura feita pela Globo e transmitida no primeiro jornal de manhã foi pautada pela valorização do negro (o que é politicamente correto), mas o repórter (experiente) só ouviu a realizadora do evento: uma branca. Nem precisa conhecer semiótica pra prestar atenção na incoerência...

Experiências do jornalismo esportivo



Conciliar teoria e prática. Oportunizar o diálogo e a troca de experiências entre acadêmicos de jornalismo e profissionais reconhecidos no mercado de trabalho. Estes são alguns dos objetivos das aulas de Jornalismo Especializado ministradas por mim no Centro Universitário Toledo de Araçatuba.
Neste semestre, iniciamos o trabalho com Jornalismo Esportivo. E na última sexta-feira, dia 29, recebemos nas salas de aula dos 8o. semestres, nas turmas da manhã e da noite, a visita do jornalista Carlos Alberto Tilim, da Folha da Região de Araçatuba.
Formado na primeira turma do UniToledo e no mercado de trabalho há mais de 20 anos, Tilim contou aos alunos muito da sua experiência diária no caderno de esportes e como a formação acadêmica auxiliou no seu desempenho profissional.
Durante sua palestra aos alunos, ele fez questão de salientar que a editoria de esportes é tão importante quanto as demais, que é muito importante manter-se íntegro e não aceitar favores de ninguém para poder ter autonomia na profissão, e deu outras dicas como gravar sempre as entrevistas, procurar se informar sobre as leis para não correr o risco de sofrer processos na Justiça, entre outras.
Ao final, respondeu questões dos alunos, que gostaram do encontro.
Quero agradecer publicamente ao profissional que dispensou horas da sua sexta-feira para atender, graciosamente, a um pedido meu.
Sua gentileza e vontade de ajudar as novas gerações de jornalistas me faz acreditar que este nosso mundinho é mesmo muito especial.

Questionamentos


O que faz uma profissional de sucesso como Sônia Bridi (foto), que já foi correspondente da TV Globo na China (uma das maiores potências mundiais na atualidade), direcionar sua carreira para as noites de domingo, no Fantástico, com entrevistas com Victor & Léo e, pior, a de ontem, com Belchior?
O compositor e cantor fugiu para o Uruguai porque está afogado em dívidas e sem pagar a pensão alimentícia dos filhos (e portanto corre o risco de ser preso), mas se recusou a tratar destes assuntos e ficou apenas prometendo novos lançamentos e shows, algo que nem se sabe se será cumprido porque não houve sequer filmagem dele em estúdio.
Se é pra provar que a Globo é capaz de localizar alguém "desaparecido", isto já foi feito melhor por outro repórter, Roberto Cabrini, que conseguiu uma entrevista exclusiva com Paulo César Farias, aquele das falcatruas do governo Collor (e que motivaram o Impeachment). O repórter localizou PC Farias em Londres quando a polícia brasileira sequer imaginava onde ele pudesse estar.
Ou será que na luta pela audiência, uma empresa midiática é capaz de recrutar todos os seus valores mesmo que seja para alavancar um produto quase "falido"?
Será que depois de tantos anos de trabalho e uma carreira de sucesso, uma jornalista do porte do Sônia Bridi ainda não pode escolher o que quer - e o que não quer fazer - dentro da Globo?
Ou ainda, será que depois de tantos anos de trabalho árduo, estar no Fantástico é mais tranquilo?
O que acham?

sábado, 29 de agosto de 2009

Coloque na sua lista

Roberto Hirao, ombudsman da Folha da Tarde entre 1992 e 1994, lança o livro “70 Lições de Jornalismo: Colunas do ombudsman da Folha da Tarde”, pela Publifolha, neste sábado (29/08), em São Paulo.
Trata-se de uma coletâena de 70 colunas de Hirao durante dois anos de trabalho no jornal do Grupo Folha, com observações críticas e rigorosas sobre as matérias publicadas no veículo. A obra aborda também o tratamento da Folha da Tarde em fatos que vão do impeachment de Fernando Collor ao tetracampeonato da seleção brasileira de futebol. Em uma das colunas o ombudsman questiona a publicação da imagem do suicídio de uma estudante na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
O autor do livro foi repórter, redator e diretor de Redação. Começou sua carreira no Última Hora e assumiu a editoria de Cidades da Folha de S.Paulo em 1973. Na Folha da Tarde foi editor e ombudsman.

Concursos públicos exigem diploma

O fim da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão ainda não atingiu a maioria dos órgãos públicos. Dos oito concursos abertos atualmente, todos exigem graduação específica.

Os valores pagos estão entre R$ 1.090,46 e R$ 6.611,39. Os órgãos com inscrições abertas são: Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (CE), Prefeitura de Caucaia (CE), Agência de Fomento do Estado do Amazonas, Câmara de Vereadores de Lajes (SC), Conselho Regional de Nutricionistas – 1ª Região, Companhia Pernambucana de Saneamento, Prefeitura de Santo Antônio do Monte, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. No total os concursos oferecem 20 vagas, oito efetivas e 12 para cadastro de reserva.

O concurso que oferece a maior remuneração é o do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região, no Ceará. Para o cargo de Analista Judiciário, especializado em Comunicação Social, o salário é de R$ 6.611,39.

Em julho, logo após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o edital da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), empresa vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, foi alterado e passou a não exigir diploma para o cargo de analista em Comunicação Social.

Iniciativa contrária a da FINEP foi adotada pela Câmara Municipal de Maceió. No início desta semana, a Casa aprovou a obrigatoriedade da graduação em Jornalismo para a contratação de servidores pelos poderes Executivo e Legislativo da cidade. A lei se aplica aos cargos de comissão, jornalismo, publicidade e relações públicas, e espera apenas a sanção do prefeito para entrar em vigor.

*Retirado do Comunique-se

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Ainda o diploma

Em uma audiência pública realizada ontem, o presidente da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, defendeu a regulamentação da profissão de jornalista para garantir a qualidade técnica e ética na profissão.
De acordo com ele, a liberdade de expressão é um princípio da Constituição, mas ela mesma cria restrições para aperfeiçoar o exercício dessa liberdade, como a proibição do anonimato, a preservação da imagem e o direito de resposta. O posicionamento difere do entendimento do Supremo Tribunal Federal por occasião da queda do diploma para o exercício da nossa profissão.
Segundo a deputada Maria do Rosário, do PT (RS), que também participou do encontro, o Congresso deve legislar sobre o tema. Ela é favorável à exigência do diploma. Em sua opinião, a decisão do STF deve ser questionada e cabe ao Congresso legislar sobre o assunto.
Vários deputados que estiveram presentes defenderam o retorno da obrigatoriedade do diploma. Jô Moraes (PCdoB-MG) defendeu a aprovação pelo Congresso das propostas que tratam sobre o tema. Fernando Ferro (PT-PE), afirmou que o tema é sensível porque parte dos parlamentares é comprometida por possuírem vínculos de propriedade com veículos de comunicação.
A audiência foi convocada pelas comissões de Ciência e Tecnologia e de Educação e Cultura da Câmara. A iniciativa é da deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO). Para o debate foram convidadas entidades representativas do setor.
Convidado, Gilmar Mendes não compareceu.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Uma questão de ética?

Foi meu amigo querido, Clemerson Mendes, quem me contou.
Na terça, dia 25, no Jornal Gente e na Manhã Bandeirantes, dois programas de rádio da RB da Capital, o repórter Agostinho Teixeira entrevistou um dos diretores do Centro de Detenção de São Bernando do Campo. Sem saber que estava sendo gravado, esse diretor revelou que os detectores de metal não funcionam e que não há bloqueadores de celular. Não deu outra. Quando a entrevista foi ao ar, a Secretaria de Administração Penitenciária afastou o funcionário.
O mesmo repórter ligou para um presidiário e se fez passar por um bandido para mostrar como é feita a negociação dos esquemas dentro da cadeia. Que sabe mais?
Ouça a primeira matéria e, na sequência, a sua repercussão clicando nos endereços abaixo.
Depois me responda: nosso Código de Ética atual exige que o jornalista Agostinho fizesse isso, muito provavelmente, não teria as informações que conseguiu. Como você analisa está disparidade entre teoria e prática?

nesse link aqui --> http://radiobandeirantes.com.br/audios_rb/09_08/090824_pho_celular.mp3

nesse link aqui --> http://radiobandeirantes.com.br/audios_rb/09_08/090824_pho_celular.mp3

Guerra dos sexos nos blogs

Mulheres criaram um blog (veja abaixo) para defender outras mulheres de ataques sexistas, especialmente na política. É a tecnologia na guerra dos sexos. Vale a pena conferir:http://sexismonapolitica.wordpress.com/2009/08/24/por-que-um-blog-sobre-sexismo-na-politica/

terça-feira, 25 de agosto de 2009

TV Cultura agora tem Univesp TV e Multicultura

A Fundação Padre Anchieta (TV Cultura) lança dia 26/08, em São Paulo, a Univesp TV (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) e o Multicultura. O primeiro projeto foi elaborado em conjunto com a Unesp e o Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. O Multicultura reunirá o acervo dos 40 anos da TV Cultura.
Os canais fazem parte da multiprogramação possível pela TV digital.
A Univesp TV será dedicada à formação universitária, mas diferente das TVs Universitárias, a programação será produzida por profissionais. A proposta é transmitir aulas virtuais, conferências, debates e palestras.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Como cair em descrédito


Os jornais, emissoras de TV e sites foram enfáticos nos últimos dias: A Miss Brasil, Larissa Costa (Rio Grande do Norte), era uma das favoritas para o título de Miss Universo, concurso disputado ontem (domingo) à noite em algum lugar paradisíaco do mundo com transmissão ao vivo por uma emissora de TV brasileira.
A morena bonita estava empatada com a Miss Indonésia em pesquisa realizada pela internet. Foram chamadas de capa, matérias em programas de rádio e TV, fotos e mais fotos, entrevistas em sites, e ao final, a Miss Venezuela levou o título. Certo está o código de ética dos jornalistas na Alemanha. O que não é fato, não é notícia, é especulação. É por estas e outras que cada vez mais nossa profissão cai no descrédito...

domingo, 23 de agosto de 2009

A cruzada das mulheres

Maravilhoso o texto publicado no blog do jornalista Luiz Carlos Azenha sobre "A cruzada das mulheres". Merece ser lido, guardado, lembrado. O texto é extenso, pois trata-se de um ensaio, mas serão minutos preciosos investidos por você para melhor compreender o mundo.

A cruzada das mulheres
Por NICHOLAS D. KRISTOF e SHERYL WuDUNN

http://www.nytimes.com/2009/08/23/magazine/23Women-t.html

NO SÉCULO XIX, o maior desafio moral foi a escravidão. No século 20, foi a vez do totalitarismo. Neste século, é a brutalidade infligida a tantas mulheres e meninas em todo o mundo: tráfico sexual, ataques com ácido, noivas queimadas e estupros em massa.

Porém, o combate às injustiças que as mulheres sofrem nos países pobres é de primordial importância -- a oportunidade que elas representam em termos econômicos e geopolíticos é ainda maior. “As mulheres sustentam metade do céu”, diz um ditado chinês, embora isso seja na maior parte dos casos apenas uma aspiração: em grande parte do mundo, garotas são analfabetas e mulheres, marginalizadas.

Não é um acidente que esses mesmos países estejam desproporcionalmente afundados em pobreza e partidos por fundamentalismos e caos. Há um reconhecimento crescente por todos – do Banco Mundial aos membros do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA e a ONGs como CARE - de que concentrar políticas assistenciais em meninas e mulheres é o mais efetivo modo de combater a pobreza global e o extremismo. É por isso que a ajuda externa tem sido cada vez mais dirigida a mulheres. O mundo está acordando para uma poderosa verdade: mulheres e meninas não são o problema; são a solução.

Um dos lugares para se observar essa alquimia de gênero são os enlameados becos das encostas do Paquistão. Numa favela nos arredores da grande cidade de Lahore, uma mulher chamada Saima Muhammad se derretia em lágrimas todas as tardes. De face redonda, com cabelos lisos e negros ocultos por uma burca, Saima mal tinha uma rúpia [moeda afegã] e seu marido, preguiçoso e desempregado, não estava exatamente em condições de se tornar um empregado. Ele vivia frustrado e furioso, e descontava batendo em Saima todas as noites. A casa deles estava caindo aos pedaços e Saima teve que mandar sua filha caçula viver com uma tia, já que não havia comida suficiente para todos.

"Minha cunhada tirava sarro de mim, dizendo: 'Você não consegue nem alimentar seus filhos'", lembrou Saima quando Nick a encontrou dois anos atrás numa viagem ao Paquistão. “Meu marido me batia, meu cunhado me batia. Eu tinha uma vida horrível”. O marido de Saima acumulou uma dívida de mais de 3 mil dólares, e parecia que esses empréstimos iriam oprimir a família por muitas gerações. Então quando o segundo filho de Saima nasceu e descobriu-se que era mais uma menina, a sogra de Saima, uma mulher dura e insensível chamada Sharifa Bibi, desafiou-a de forma humilhante.

“Ela não irá nunca ter um filho”, disse Sharifa ao marido de Saima, na frente desta. “Então você deve se casar de novo. Ter uma segunda esposa”. Saima ficou chocada e correu para fora, soluçando. Mais uma esposa significaria ainda menos dinheiro para alimentar e educar as crianças. E a própria Saima seria marginalizada no âmbito doméstico, descartada como uma meia velha. Durante dias ela vagou chocada, com olhos vermelhos. O mínimo acidente a fazia se derramar em lágrimas histéricas.

Foi nesse momento que Saima associou-se a Kashf Foundation, uma organização paquistanesa de microcrédito que empresta pequenos valores em dinheiro a mulheres pobres para que abram um negócio. Kashf é uma típica instituição de microcrédito, no que toca o empréstimo quase que exclusivamente a mulheres, em grupos de 25 pessoas. Essas mulheres garantem as dívidas umas das outras e se encontram a cada duas semanas para efetuar os pagamentos e debater um assunto social, como o planejamento familiar ou de escolarização para as meninas. Uma paquistanesa é frequentemente proibida de sair de casa sem a permissão do marido, mas eles toleram estas reuniões porque as mulheres voltam com dinheiro e idéias para investimentos.

Saima tomou um empréstimo de US$ 65,00 e usou o dinheiro para comprar contas e tecidos, os quais ela transformou em lindos bordados que então vendeu aos comerciantes do mercado de Lahore. Ela usou o lucro para comprar mais contas e tecido, e logo montou um comércio de bordados — a única pessoa em sua casa a fazer tal coisa. Saima trouxe de volta da casa da tia sua filha mais velha e começou a pagar as dívidas do marido.

Quando os comerciantes passaram a encomendar mais bordados do que Saima poderia produzir, ela contratou vizinhos para ajudá-la. Em um dado momento, trinta famílias estavam trabalhando para ela, inclusive seu marido — "sob minha direção", explica com um brilho nos olhos. Saima havia se tornado a grande empreendedora de seu bairro, e foi capaz de pagar toda a dívida de seu marido, manter suas filhas na escola, reformar a casa, instalar água encanada e comprar uma televisão.

“Agora todos vêm a mim pedir dinheiro emprestado, as mesmas pessoas que viviam me criticando”, disse Saima, exultando de satisfação, “e os filhos daqueles que me criticavam agora vêm à minha casa ver TV”.

Atualmente, Saima está um pouco acima do peso e exibe um anel dourado no nariz, assim como vários outros anéis e braceletes nos dois pulsos. Ela exala auto-confiança ao oferecer uma longa visita a sua casa e a seu comércio, ostentosamente mostrando a televisão e o novo encanamento. Ela nem mesmo finge ser subordinada a seu marido. Ele passa a maior parte do dia vagando ao redor, ocasionalmente a ajudando com o trabalho, mas sempre tendo de aceitar ordens de sua mulher. Tornou-se mais bem-impressionado com as mulheres em geral: Saima teve uma terceira filha, mas agora isso não é mais um problema. "Meninas são tão boas quanto meninos", explica ele.

A "nova" prosperidade de Saima tem transformado as perspectivas de educação da família. Ela planeja mandar todas as três filhas para o ensino médio bem como para a faculdade. Ela traz tutores para melhorar seus trabalhos escolares, e sua filha mais velha, Javaria, é a primeira em sua classe. Perguntamos a Javaria o que ela queria ser quando ela crescesse, pensando que ela provavelmente aspiraria ser uma médica ou uma advogada. Javaria inclinou sua cabeça. "Gostaria de fazer bordado", ela disse.

A respeito de seu marido, Saima disse: "Temos um bom relacionamento agora". Ela explicou: "Nós não brigamos, e ele me trata bem". E quanto a encontrar outra esposa que pudesse lhe gerar um filho? Saima ri consigo mesma da questão: "Agora ninguém diz nada sobre isso". Sharifa Bibi, a sogra, olhou chocada quando perguntamos se ela queria que seu filho tomasse uma segunda esposa para lhe dar um filho. "Não, não", disse. "Saima está trazendo muito para essa casa... Ela põe um teto sobre as nossas cabeças e comida na mesa".

Sharifa até mesmo permite que Saima seja totalmente dispensada de agressões por seu marido. "Uma mulher deve saber seus limites, caso contrário, seu marido tem o direito de bater nela", disse Sharifa. "Mas se uma mulher ganha mais que seu marido, é difícil para ele discipliná-la."

O que devemos tirar de histórias como a de Saima? Tradicionalmente, a condição das mulheres era vista como um problema "brando" - notável, mas à margem. Inicialmente nós mesmos refletimos essa visão em nosso trabalho como jornalistas. Preferíamos focar nas questões internacionais "sérias", como disputas de mercado ou proliferação de armas. Nosso despertar aconteceu na China.

Após nos casarmos em 1988, mudamo-nos para Pequim para sermos correspondentes do New York Times. Sete meses depois nos vimos em torno da Praça da Paz Celestial assistindo a tropas atirar com suas armas automáticas contra protestantes pró-democracia. O massacre custou entre 400 e 800 vidas e trespassou o planeta; imagens dolorosas dos assassinatos apareciam constantemente na primeira página dos jornais e nas televisões.

Já no ano seguinte nos defrontamos com um obscuro mas meticuloso estudo demográfico que descrevia uma violação dos direitos humanos que tinha levado mais de dezenas de milhares de vidas. Esse estudo descobriu que 39 mil bebês do sexo feminino morriam anualmente na China porque seus pais não proporcionavam a elas o mesmo atendimento médico e atenção que os meninos recebiam — e isso levando em conta apenas o primeiro ano de vida.

Como resultado, morriam tantos bebês do sexo feminino desnecessariamente a cada semana na China quanto morriam os que protestavam na Praça da Paz Celestial. Essas garotas chinesas nunca receberam um centímetro de cobertura na imprensa, e nós começamos a pensar se nossas prioridades jornalísticas não estavam distorcidas.

Um padrão similar emergia em outros países. Na Índia, uma noiva é incendiada a aproximadamente cada duas horas, para punir uma mulher por oferecer um dote inadequado ou para que o homem possa se casar de novo — mas isso raramente vira notícia. Quando um proeminente dissidente é preso na China, nós damos artigo de página inteira; quando 100 mil garotas são raptadas e traficadas para bordeis, nós sequer consideramos isso notícia.

Amartya Sen, o irrequieto economista premiado com o Nobel, desenvolveu uma escala de desigualdade entre os sexos que é uma impressionante lembrança da dimensão da tragédia das noivas queimadas: “Mais do que 100 milhões de mulheres estão desaparecidas”, escreveu Sen em um ensaio clássico em 1990 no The New York Review of Books, delineando um novo campo de pesquisas.

Sen notou que, em circunstâncias normais, mulheres vivem mais do que homens, e assim há mais mulheres do que homens em boa parte do mundo. Já em lugares onde mulheres têm um status profundamente desigual, elas eventualmente desaparecem. A China tem 107 homens para cada 100 mulheres em sua população total (e uma desproporção ainda maior entre recém-nascidos), e a Índia tem 108. A importância da proporção entre sexos, Sen descobriu mais tarde, é que cerca de 107 milhões de mulheres estão desaparecidas no mundo hoje. Estudos que se seguiram calcularam um número levemente diferente, resultando em projeções figurativas entre 60 milhões e 107 milhões.

Muitas garotas desaparecem em parte por não terem acesso ao mesmo tratamento médico e alimentação que os meninos. Na Índia, por exemplo, elas têm menos probabilidade de ser vacinadas do que garotos e só são levadas ao hospital quando estão doentes. Como resultado, no país as meninas entre 1 a 5 anos de idade têm 50% mais probabilidade de morrer do que os meninos da mesma idade. Além disso, máquinas de ultra-som permitem às mulheres grávidas descobrir o sexo do seu bebê - e abortá-lo se for menina.

As estatísticas globais sobre abuso de mulheres estão crescendo. Isso sugere que mais meninas e mulheres estão desaparecendo agora no planeta, precisamente porque elas são do sexo feminino, em comparação com o número de homens que foram mortos nos campos de batalha de todas as guerras do século XX. O número de vítimas desse rotineiro "femicídio" excede em muito o número de pessoas assassinadas em todos os genocídios do século passado.

Para as mulheres que sobrevivem, o tratamento é, às vezes, chocantemente brutal. Se você está lendo este artigo, a frase "discriminação de gênero" pode conjurar pensamentos relativos a salários desiguais, equipes esportivas financiadas de forma precária ou ser tocada de forma indesejada pelo chefe. Nos países em desenvolvimento, milhões de mulheres e garotas estão, na verdade, escravizadas.

Embora seja difícil precisar o número com exatidão, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma agência da ONU, estima que a qualquer hora do dia há 12,3 milhões de pessoas atadas a trabalhos forçados de diversos tipos, incluindo servidão sexual. Só na Ásia, há cerca de um milhão de crianças trabalhando no comércio de sexo e mantidas sob condições indistinguíveis da escravidão, de acordo com um relatório da ONU.

Meninas e mulheres são trancafiadas em bordéis e espancadas se ousarem resistir, alimentadas apenas com o suficiente para as manter vivas e muitas vezes sedadas com drogas – para as pacificar e, com frequência, deixá-las viciadas. A Índia provavelmente tem mais escravos modernos do que qualquer outro país.

Outra carga brutal para as mulheres nos países pobres é a mortalidade maternal, com uma mulher morrendo em trabalho de parto a cada minuto. No Niger, país da África Ocidental, uma mulher tem uma chance em sete de morrer dando à luz em algum momento de sua vida. (Essas estatísticas são algo duvidosas, porque mortalidade maternal não é considerada suficientemente significativa para requerer coleta cuidadosa de dados.)

Apesar do tímido crescimento indiano, uma mulher ainda tem uma chance em 70 de morrer durante trabalho de parto. Em contraste, o mesmo risco nos EUA é de 1 em 4.800; na Irlanda, de 1 em 47.600. A razão para a discrepância não é que não saibamos como salvar a vida das mulheres nos países pobres. E sim que as mulheres pobres e analfabetas da África e da Ásia nunca foram prioridade em seus próprios países ou para as nações doadoras.

Abbas Be, uma bela adolescente na cidade indiana de Hyderabad, tem pele cor de chocolate, cabelos negros e dentes tão brancos que resplandescem — além de um adorável sorriso, que a tornava ainda mais comercializável.

O dinheiro era curto em sua família, e por isso quando tinha por volta de 14 anos ela conseguiu um emprego como doméstica na capital, Nova Delhi. Ao invés disso, ela foi trancafiada em uma casa de prostituição, apanhou com um taco de cricket, foi estuprada por uma gangue e foi avisada que teria que dar conta dos clientes. Três dias após sua chegada, Abbas e todas as outras 70 garotas no prostíbulo foram forçadas a se reunirem em torno de uma adolescente e de seus cafetões, enquanto estes davam-lhes um exemplo do que acontece quando uma delas resiste a um cliente. A garota problemática foi despida, imobilizada, humilhada e ridicularizada, antes de apanhar brutalmente e em seguida ser esfaqueada no estômago, até que morreu por hemorragia na frente de Abbas e das outras.

Abbas nunca recebeu pagamento pelo seu trabalho. Qualquer sinal de insatisfação a levava a apanhar ou pior; em duas outras ocasiões ela assistiu ao assassinato de mulheres que afrontaram os seus gerentes. Por fim, Abbas foi libertada pela polícia e voltou para Hyderabad. Ela encontrou uma casa em um abrigo gerenciado por Prajwala, uma organização que aceita garotas resgatadas de prostíbulos e as ensina novas habilidades.

Abbas está obtendo uma educação e aprendeu a ser encadernadora; ela também serve de conselheira para outras garotas sobre como evitar que sejam vítimas de tráfico. Como encadernadora treinada, Abbas consegue ganhar um salário digno e agora ajuda a irmã mais nova a frequentar a escola também. Com educação, elas estarão muito menos vulneráveis ao tráfico. Abbas passou de escrava a produtora, contribuindo para o desenvolvimento econômico da Índia e ajudando a sustentar sua família.

Talvez a lição deixada por Abbas e Saima seja a mesma: em muitos países pobres, o maior recurso inexplorado não são os campos de petróleo ou minas de ouro; são as mulheres e garotas que não são educadas e nunca vão ter uma presença na economia formal. Com educação e ajuda para começar negócios, mulheres pobres podem ganhar dinheiro e ajudar seus países e suas famílias. Elas talvez também representem a maior esperança para combater a pobreza global.

No leste asiático, conforme observamos durante nossos anos de cobertura regional, as mulheres já se beneficiaram com as profundas mudanças sociais. Em países como Coréia do Sul, Malásia, China e Tailândia, meninas que vivem nas áreas rurais e contribuíram anteriormente de maneira insignificante para a economia nacional já frequentaram a escola e receberam uma educação formal, o que lhes dá autonomia para se mudarem para a cidade e buscar trabalho nas fábricas. Isso aumentou bastante a força de trabalho formal e também causou um dividendo demográfico no país quando as mulheres decidiram esperar para ter filhos. Na década de 1990, de acordo com as nossas estimativas, cerca de 80% dos funcionários nas linhas de montagem no litoral chinês eram mulheres e a proporção no cinturão de produção do leste asiático era de pelo menos 70%.

A jornada de trabalho era longa e as condições eram péssimas, assim como nas fábricas precárias de trabalho escravizante abertas durante a Revolução Industrial no Ocidente. Porém, as camponesas estavam ganhando dinheiro, ajudando a sustentar os parentes na cidade natal e, às vezes, tornavam-se até a principal fonte de renda dentro de casa. Elas adquiriram novas habilidades que elevaram seu status social. Os ocidentais vêem essas fábricas precárias e pensam na exploração dos operários e muitas dessas fábricas realmente são tão ruins como dizem os críticos.

Mesmo assim, nos países pobres há quem diga que a única coisa pior do que ser explorado em uma fábrica precária é não ser explorado em uma fábrica precária. O trabalho mal pago no ramo de produção beneficiou mulheres em países como a China porque essas atividades não exigiam muita força e a flexibilidade física acabou lhes dando uma vantagem sobre os homens, diferentemente do que ocorre no trabalho agrícola, na construção ou em outras atividades mais pesadas tipicamente disponíveis em países pobres.

Pode parecer estranho, mas essas fábricas precárias na Ásia ajudaram a conferir autonomia às mulheres. Há cem anos, muitas mulheres na China ainda tinham os pés amarrados. Hoje, apesar de a discriminação, a desigualdade e o assédio persistirem, a cultura se transformou. Nas cidades grandes, vimos que o homem chinês geralmente se encarrega de mais tarefas do lar do que um estadunidense típico. E os pais no meio urbano geralmente ficam contentes e até preferem ter apenas uma filha mulher, que são melhores na hora de cuidar dos pais idosos do que os filhos homens.

Por que organizações de microcrédito geralmente focam sua assistência nas mulheres? E por que todos se beneficiam quando as mulheres se integram à força de trabalho e trazem contracheques para casa com regularidade? Uma razão envolve um pequeno segredo sujo da pobreza global: parte do sofrimento dos mais pobres é causado não apenas pela baixa renda, mas também pelo mal-uso do dinheiro pelos pobres – especialmente pelos homens. Com uma frequência surpreendente, cruzamos com uma mãe de luto por ter acabado de perder um filho por malária, ou por falta de um mosquiteiro de US$ 5,00; a mãe diz que a família não tinha condições de comprar um mosquiteiro, mas depois encontramos o pai em um bar perto dali. Ele vai ao bar 3 vezes por semana, gastando US$ 5,00 por semana.

Nossas entrevistas e levantamentos de dados disponíveis sugerem que as famílias mais pobres no mundo gastam, aproximadamente, 10 vezes mais (20% de sua renda, em média) em uma combinação de álcool, prostituição, doces, refrigerantes e banquetes extravagantes do que em gastos com educação para seus filhos (2%). Se as famílias pobres podem gastar em educação tanto quanto gastam em bebidas e prostituição, haveria uma mudança nas perspectivas dos países pobres. Meninas que têm de ficar em casa e deixam de ir às escolas seriam as principais beneficiadas.

Além disso, uma maneira de realocar os gastos das famílias dessa forma seria colocar mais recursos nas mãos das mulheres. Uma série de estudos revelou que quando mulheres possuem bens ou recebem recursos, há uma maior probabilidade de que o dinheiro da família seja gasto em alimentação, medicamentos ou habitação e, consequentemente, de que as crianças sejam mais saudáveis.

Na Costa do Marfim, um projeto de pesquisa examinou as diferentes plantações que homens e mulheres cultivam para seu próprio proveito: homens plantam café, cacau e abacaxi, e mulheres plantam banana-da-terra, bananas, cocos e verduras. Em alguns anos as "plantações dos homens" têm boa colheita e eles tiram a sorte grande, e em outros anos são as mulheres que prosperam.

O dinheiro é de certo modo compartilhado. Mas, ainda assim, a economista Esther Duflo, do Massachusets Institute of Technology (M.I.T.), descobriu que quando as "colheitas dos homens" dão frutos, a família gasta mais dinheiro com tabaco e álcool; quando as mulheres obtêm uma boa colheita, a despesa familiar é mais dirigida à comida. “Quando as mulheres têm maior poder de comando, a saúde das crianças e a nutrição melhoram", afirma Duflo.

Implicações concretas dessa pesquisa: por exemplo, os países doadores deveriam chamar a atenção dos países pobres para ajustar suas leis de modo que, quando um homem morrer, sua propriedade seja passada preferencialmente a sua viúva, e não para seus irmãos. Os governos deveriam tornar fácil para as mulheres ter propriedade e contas bancárias – 1% dos proprietários de terra do mundo são mulheres – e facilitar que as instituições de microcrédito se tornem bancos onde as mulheres possam guardar dinheiro.

E claro, é justo perguntar: empoderar as mulheres é correto e bom, mas é possível fazê-lo de forma efetiva? A ajuda externa realmente funciona? William Easterly, economista da Universidade de Nova York, tem argumentando de maneira incisiva que atirar dinheiro nos países pobres tem baixo resultado. Alguns africanos, incluindo Dambisa Moyo, autora de "Dead Aid", diz a mesma coisa. Críticos apontam que não tem havido uma correlação entre o volume de recursos de ajuda destinada a países pobres e as taxas de crescimento econômico dessas nações.

Nossa impressão, francamente, é que tais críticas são apenas parcialmente corretas. Ajudar as pessoas é muito mais difícil do que parece. As experiências relacionadas à ajuda muitas vezes acabam funcionando de maneira diferente à esperada ou oferecem resultados difíceis de serem replicados ou implementados em larga escala. Ainda assim, também temos visto, tanto de forma empírica quanto nas estatísticas, evidências de que algumas formas de ajuda têm sido muito efetivas. A entrega de vacinas e outros tipos de apoio na área da saúde têm reduzido o número de crianças que morrem a cada ano com menos de 5 anos: o número, que era de 20 milhões em 1960, caiu para menos 10 milhões atualmente.

Em geral, ajuda parece funcionar melhor quando focada em saúde, educação e microcrédito (embora o microcrédito de alguma forma tenha sido menos bem-sucedido na África do que na Ásia). Em cada caso, crucialmente, a ajuda tem sido mais efetiva quando direcionada para mulheres e meninas; quando os especialistas em políticas fazem as contas, eles em geral descobrem que estes investimentos têm uma rede econômica de retorno. Apenas uma pequena porção de ajuda tem como alvo mulheres e garotas, mas cada vez mais doadores reconhecem que investir nelas significa obter o melhor custo-benefício.

No início dos anos de 90, a ONU e o Banco Mundial começaram a proclamar o recurso potencial que meninas e mulheres representam. “Investimento na educação de meninas pode muito bem ser o investimento de mais alto retorno disponível nos países em desenvolvimento", escreveu Larry Summers quando era economista chefe do BM. Fundações e grupos privados de assistência também moveram suas engrenagens. “As mulheres são a chave para acabar com a fome na África”, declarou o Hunger Project. O Centro para Desenvolvimento Global lançou um relatório de impacto explicando "porque e como colocar mulheres no centro do desenvolvimento". A ONG CARE escolheu mulheres e meninas como as peças centrais de seus esforços anti-pobreza. Desigualdade de gêneros afeta o crescimento econômico", concluiu o fundo de investimentos Goldman Sachs num relatório de pesquisa de 2008 que enfatizava o quanto os países em desenvolvimento poderiam melhorar suas performances econômicas através da educação de meninas.

Bill Gates se recorda de ter sido convidado a falar em público na Arábia Saudita e se dar conta de estar enfrentando uma audiência segregada. Quatro quintos dos ouvintes, à esquerda, eram homens. O quinto restante, à direita, era formado de mulheres, todas cobertas com xador* e véus negros. A divisão separou os dois grupos. Próximo ao final da apresentação, durante a sessão de perguntas e respostas, um espectador observou que a Arábia Saudita tinha como objetivo ser um dos 10 países líderes em tecnologia até 2010 e perguntou se a meta era realista. “Bem, como vocês não utilizaram metade do talento do pais", disse Gates, "não conseguirão sequer chegar perto dos top 10". O pequeno grupo à direita irrompeu em ovação acalorada.

Os gestores de políticas públicas também entenderam o recado. O presidente Obama nomeou um novo Conselho da Casa Branca sobre Mulheres e Meninas. Talvez ele tenha sido doutrinado por sua mãe, que foi uma das primeiras a usar os microcréditos para mulheres quando trabalhava para lutar contra pobreza na Indonésia. A secretária de Estado Hillary Rodham Clinton é integrante do Conselho da Casa Branca e elegeu uma ativista talentosa, Melanne Verveer, para dirigir o novo Escritório do Departamento de Estado de Assuntos Globais sobre a Mulher. Em Capitol Hill, o Comitê do Senado de Relações Internacionais colocou a senadora Barbara Boxer como a responsável pelo novo sub-comitê que lida com assuntos relacionados à mulher.

Outra razão para educar e dar poder às mulheres é que o maior envolvimento feminino na sociedade e na economia parece minar o extremismo e o terrorismo. É sabido de longa data que um fator de risco para turbulências e violência é a proporção de jovens na população do país. Agora está emergindo que a dominação masculina na sociedade também é um fator de risco; as razões ainda não foram completamente entendidas, mas pode ser que quando as mulheres são marginalizadas a nação tende a adotar a cultura movida a testosterona de um campo militar ou vestiário masculino.

Isso é parte dos motivos pelos quais o Estado-Maior das Forças Armadas e especialistas internacionais em segurança esforçam-se para encontrar um modo de aumentar a educação das garotas em países como o Afeganistão – e generais tem tido encontros com Greg Mortenson, que escreveu sobre construir escolas para mulheres em seu best-seller "Three Cups of Tea" [Três Xícaras de Chá]. Na verdade, alguns estudiosos dizem acreditar que a principal razão para os países islâmicos serem desproporcionalmente afligidos pelo terrorismo não são os ensinamentos muçulmanos sobre infiéis ou violência, mas os baixos níveis de educação e participação na força de trabalho das mulheres.

Então, como seria uma agenda de combate à pobreza a partir do apoio às mulheres? Você pode começar com a educação das meninas – o que não significa apenas a construção de escolas. Existem outros meios inovadores a nossa disposição. Um estudo no Quênia, feito por Michael Kremer, economista de Harvard, analisou seis abordagens diferentes para melhorar a performance educacional, desde o provimento gratuito de livros até programas de bolsa para crianças.

A abordagem que elevou mais a pontuação nos testes foi a que ofereceu às meninas, cuja pontuação nos testes da sexta-série estava entre as 15% maiores da classe, uma bolsa de 19 dólares para a sétima e oitava série (e a honra de reconhecimento em uma assembléia). Meninos também se saíram melhor, aparentemente porque eles eram pressionados pelas meninas ou porque não queriam passar pelo constrangimento de serem deixados para trás.

Outro estudo queniano mostrou que a doação de um novo uniforme escolar – no valor de seis dólares – a cada 18 meses reduziu significativamente as taxas de evasão escolar e gravidez. Da mesma forma, há uma crescente evidência de que uma forma de contribuir para a manutenção das meninas na escola secundária é ajudá-las a lidar com a menstruação.

Por medo de manchas e fluxos que possam constrangê-las, às vezes, as meninas ficam em casa durante o período menstrual e essas faltas as deixam para trás e, eventualmente, levam à evasão. Equipes de ajuda estão testando dar às garotas adolescentes africanas absorventes e também fornecer acesso a um banheiro, onde podem trocá-lo. A "Campanha para a Educação da Mulher" (Campaign for Female Education), uma organização voltada a levar mais meninas para a escola, na África, ajuda-as em seus períodos de menstruação, e um novo grupo, "Empresas de Saúde Sustentável" (Sustainable Health Enterprises) procura fazer o mesmo.

E assim, se o Presidente Obama quisesse adotar uma política de ajuda externa que fosse assentada em aspectos sobre o papel das mulheres no desenvolvimento, ele faria bem em começar pela educação. Sugeriríamos um esforço de US$ 10 bilhões durante cinco anos para educar meninas ao redor do mundo.

Essa iniciativa teria como foco a África, mas também apoiaria — e incitaria — países asiáticos como Afeganistão e Paquistão a fazer melhor. Esse plano também repercutiria como uma política demográfica, uma vez que reduziria significativamente os índices de natalidade — ajudando, desta forma, países pobres a superar obstáculos demográficos ao crescimento econômico.

Mas o presidente Obama pode considerar duas diferentes propostas. Nós recomendaríamos que os Estados Unidos patrocinassem uma campanha global para eliminar a deficiência de iodo ao redor do globo, ajudando os países a promover a iodização do sal. Cerca de um terço das residências dos países em desenvolvimento não conseguem ter iodo suficiente, e o resultado é muitas vezes má-formação cerebral nos estágios fetais.

Por razões ainda não esclarecidas, isso afeta particularmente fetos do sexo feminino e em geral significa perda de 10 a 15 pontos nos testes de Q.I.. Uma pesquisa desenvolvida por Erica Field, em Harvard, descobriu que as filhas de mulheres às quais foi dado iodo tiveram desempenho consideravelmente melhor na escola. Outra pesquisa sugere que os benefícios advindos da iodização do sal valem nove vezes seu custo.

Nós também recomendaríamos que os Estados Unidos anunciassem um programa de 12 anos de duração, ao custo de 1,6 bilhão de dólares, para erradicar fístula obstétrica, um dano infligido no parto que é um dos maiores flagelos às mulheres nos países em desenvolvimento. Uma fístula obstétrica, que é um buraco criado no interior do corpo devido a dificuldades de parto, deixa a mulher incontinente, mau cheirosa, muitas vezes aleijada e rejeitada em sua vizinhança — embora os danos causados pela fístula possam ser reparados por algumas centenas de dólares.

Dr. Lewis Wall, presidente da Worldwide Fistula Fund, e Michael Horowitz, um agitador conservador em assuntos humanitários, elaboraram o plano de 12 anos de duração — que é eminentemente prático e baseado em métodos comprovados. A evidência de que fístulas podem ser evitadas ou reparadas vem da pobre região de Somaliland, um enclave ao nordeste da Somália, onde uma extraordinária enfermeira e parteira chamada Edna Adan construiu sua própria maternidade-hospital para salvar as vidas das mulheres ao redor. Ex-primeira-dama da Somália e uma oficial da World Health Organization, Adan utilizou suas economias para construir o hospital, o qual é apoiado por um grupo de admiradores nos Estados Unidos que chamam a si mesmos de Amigos do Hospital Maternidade Edna.

Não obstante todas as preocupações legítimas sobre quão bem a ajuda humanitária é empregada, investimentos em educação, iodização do sal de cozinha e auxílio-maternidade têm confirmado um histórico de sucesso. E as somas são modestas: todos os três componentes de nosso plano juntos correspondem aproximadamente ao que os EUA têm enviado ao Paquistão desde o 11 de setembro — um montante que praticamente não se concretizou em nada válido, seja para os paquistaneses ou para os estadunidenses.

Um dos vários grupos de ajuda humanitária, que por razões pragmáticas se concentram em assuntos femininos, é Heifer International, uma instituição de caridade com sede no Arkansas que existe há décadas. Essa organização dá vacas, cabras e galinhas para fazendeiras em países pobres. Ao assumir a presidência de Heifer em 1992, a ativista Jo Luck viajou à África, onde um dia se viu sentada no chão com um grupo de mulheres em um vilarejo do Zimbabwe. Uma delas era Tererai Trent.

Tererai é uma mulher de rosto comprido, com maçãs do rosto proeminentes e pele morena clara; ela tem a testa alta e tranças nagô apertadas. Como muitas mulheres mundo afora, ela não sabe quando nasceu e não tem documentos como certidão de nascimento. Quando criança, Tererai não obteve educação formal, em parte por ser menina e porque esperava-se que ela assumisse o trabalho doméstico.

Ela colocava o gado para pastar e cuidava dos irmãos mais novos. O pai dizia "vamos mandar seus irmãos para a escola porque eles serão os chefes da família". Tinashe, irmão de Tererai, foi obrigado a ir para a escola, onde era um aluno indiferente. Tererai implorou permissão para ir também, mas não a obteve. Tinashe trazia seus livros todas as noites, e Tererai se debruçava sobre eles, aprendendo sozinha a ler e a escrever. Pouco depois ela estava fazendo o dever de casa para o irmão.

A professora ficou intrigada, pois Tinashe não era um bom aluno em classe, mas sempre entregava as tarefas feitas em casa simplesmente impecáveis. Finalmente, a professora percebeu que a letra da lição de casa era diferente daquela nas tarefas feitas em sala de aula e encostou Tinashe contra a parede até que ele confessou a verdade. Foi então que a professora procurou o pai, disse que Tererai era uma estudante prodígio e implorou para que ele a deixasse frequentar a escola. Depois de muito convencimento, o pai permitiu que Tererai fosse à escola durante alguns tempo, mas a entregou ao casamento quando ela tinha cerca de 11 anos de idade.

O marido de Tererai a impediu de frequentar à escola, ficava irritado por ela saber ler e a espancava sempre que ela tentava praticar a leitura lendo um jornal velho. Na verdade, ele também a espancava por vários outros motivos. Ela odiava seu casamento, mas não havia escapatória. "Se você é mulher e não tem instrução, o que mais se pode fazer?", ela pergunta.

Ainda assim, quando Jo Luck veio falar com Tererai e outras jovens do vilarejo, ela insistiu que as coisas não precisavam ser dessa forma. Ela continuou dizendo que elas poderiam alcançar seus objetivos, repetindo constantemente a palavra “realizável”. As mulheres notaram a repetição e pediram para a intérprete para explicar o significado de “realizável”. Isso deu a Luck a chance de dar um empurrãozinho. “Quais são suas expectativas?” perguntou ela ao grupo de mulheres, por meio de um intérprete. Tererai e as outras ficaram intrigadas com a pergunta, porque elas não tinham expectativa alguma. Mas Luck as motivou a pensaram em seus sonhos, e, com relutância, elas começaram a pensar no que queriam.

Tererai timidamente falou sobre suas esperanças de ser educada. Luck reagiu rapidamente, e disse que seria possível chegar lá e a aconselhou a escrever suas metas e segui-las meticulosamente. Depois que Luck e sua comitiva se foram, Tererai começou a estudar por conta própria, escondida do marido, enquanto criava seus cinco filhos. Meticulosamente, com a ajuda de amigas, ela escreveu seus objetivos em um pedaço de papel: “Um dia irei aos Estados Unidos”, ela começou, essa é a Meta 1.

Ela acrescentou que conseguiria um diploma escolar, um mestrado e um doutorado — todos sonhos incrivelmente absurdos para uma pastora de gado casada do Zimbabwe que tinha menos de um ano de formação escolar. Mas Tererai pegou o pedaço de papel e o enrolou em três camadas de plástico para protegê-lo e em seguida o colocou em uma lata velha. Ela enterrou a lata sob uma rocha no pasto para onde levava seu gado.

Em seguida Tererai começou a tomar aulas por correspondência e a economizar dinheiro. Sua auto-confiança aumentou a medida que ela se saia de forma brilhante em seus estudos, e se tornava líder comunitária de Heifer. Ela surpreendia a todos com seu excelente trabalho escolar, e os trabalhadores humanitários de Heifer a motivaram a pensar em estudar nos Estados Unidos. Um dia em 1998, ela recebeu um aviso que tinha sido aceita na Universidade Estadual do Oklahoma.

Alguns de seus vizinhos achavam que uma mulher deveria se concentrar na educação de seus filhos, não na sua própria. “Não posso falar da educação de meus filhos se eu mesma não tiver educação”, era a resposta de Tererai. “Se eu educar a mim mesma, eu posso então educar meus filhos”. E assim ela embarcou em um avião e voou para os EUA.

No estado de Oklahoma, Tererai usou todo o crédito que tinha e trabalhava à noite para ganhar dinheiro. Ela graduou-se, trouxe seus cinco filhos para os EUA e começou um mestrado, e então voltou ao seu vilarejo. Ela desenterrou sua lata guardada sob uma pedra onde havia escrito suas metas. Marcou aquelas que já tinha alcançado e enterrou a lata novamente.

No Arkansas, ela conseguiu um emprego trabalhando para Heifer — ao mesmo tempo em que cursava o mestrado. Ao concluí-lo, Tererai voltou novamente para o seu vilarejo. Depois de abraçar a sua mãe e irmã, ela desenterrou sua latinha e verificou a próxima meta. Agora cursa um doutorado na Western Michigan University.

Tererai já terminou as disciplinas do curso e está finalizando uma tese sobre programas de combate a AIDS entre os pobres da África. Ela se tornará uma pessoa economicamente produtiva para o continente e uma figura importante na batalha contra a AIDS. E quando completar o doutorado, Tererai voltará à vila e, depois de abraçar seus entes queridos, sairá para o campo e desenterrará sua lata de novo.

Existem muitas metáforas para o papel exercido pela assistência internacional. De nossa parte, gostamos de pensar na ajuda como uma espécie de lubrificante, umas poucas gotas de óleo na caixa de marchas do mundo em desenvolvimento, de modo a que as engrenagens possam se mover livremente e por conta própria. Isso é no que a assistência para Tererai resultou: numa pequena ajuda onde e quando ela conta mais, o que muitas vezes significa focá-la em mulheres como ela. E agora Tererai se move suave e livremente por conta própria — verdadeiramente apta a sustentar metade do céu.

Nicholas D. Kristof é editorialista do New York Times e Sheryl WuDunn foi correspondente do Times e trabalha na área de finanças e em filantropia. Esse ensaio é uma adaptação de seu livro Half the Sky: Turning Oppression Into Opportunity for Women Worldwide [Metade do Céu: Transformando Opressão em Oportunidades para Mulheres ao Redor do Mundo], que será lançado no mês que vem por Alfred A. Knopf. Você pode saber mais sobre Half the Sky no site http://nytimes.com/ontheground.

O cinema de Glauber

Recebi e-mail da acadêmica Fabrícia Lopes, 6o. semestre de Jornalismo na Toledo de Araçatuba, que reproduzo abaixo por acreditar ser de interesse de todos aqueles que gostam de cinema, mas, principalmente, de todas as pessoas - inclusive jornalistas - que querem aumentar sua bagagem cultural. Espero por vocês lá.

Glauber Rocha será tema de discussões


O SESC Birigui dá continuidade ao projeto “A Hora do Ócio”, em agosto com um programa especial sobre o cineasta Glauber Rocha.
Nesta segunda edição, o projeto que exibe curtas-metragens para universitários que ficam ociosos enquanto esperam o transporte público para voltar para casa, apresenta o programa “Em Torno de Glauber”, com três vídeos sobre a vida e obra do diretor baiano.
As obras apresentadas buscam desconstruir o mito Glauber Rocha, mantendo suas propostas de linguagem e estética.
As sessões gratuitas acontecem nos dias 24, 25 e 26 de agosto, sempre às 22h, no Laboratório de Rádio do Unitoledo, com mediação do jornalista Diego Assunção, especializado em crítica de cinema.

Em Torno de Glauber
Nascido em 14 de março de 1939, na Bahia, Glauber Rocha foi um cineasta controvertido e incompreendido no seu tempo, além de ter sido patrulhado tanto pela direita como pela esquerda brasileira. Ele tinha uma visão apocalíptica de um mundo em constante decadência e toda a sua obra denotava esse seu temor.
Glauber faleceu em 22 de agosto de 1981 vítima de septicemia, ou como foi declarado no atestado de óbito, de choque bacteriano, provocado por broncopneumonia que o atacava há mais de um mês. Residia há meses em Sintra, cidade de veraneio portuguesa, e se preparava para fazer um filme, quando começou a passar mal.
Glauber de Andrade Rocha foi um dos integrantes mais importantes do cinema novo, movimento iniciado no começo dos anos 1960.

Agende-se:
A Voz do Morto (1999)
A trajetória de Glauber Rocha.
Dia 24 de agosto (segunda-feira)
Breve currículo: 17º Guarnicê de Cine-Video do Maranhão, onde recebeu o prêmio de Melhor Trilha Sonora Adaptada.
Direção: Vitor Ângelo / Gênero: Documentário / Duração: 13 minutos.

Memória de Deus e do Diabo em Monte Santo e Cocorobó (1984)
Dia 25 de agosto (terça-feira)
Os caminhos percorridos pelo cineasta durante as filmagens de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, dirigidos pela ânsia de despertar a consciência dos homens e promover a liberdade.
Breve currículo: Prêmio Melhor Filme de Ficção no X Festival de Cinema da Bahia.
Direção: Agnaldo Siri Azevedo / Gênero: Documentário/ Duração: 11 minutos.

A Degola Fatal (2004)
O documentário mostra o funeral do cineasta narrado por ele mesmo.
Dia 26 de agosto (quarta-feira)
Breve currículo: Premiado na 3ª seleção de Curtas da Petrobrás 2003.
Direção: Clóvis Molinari Junior e Ricardo Favilla / Gênero: Documentário/ Duração: 13minutos.

SERVIÇO - As exibições acontecem nos dias 24, 25 e 26, às 22h, no Laboratório de Rádio do Unitoledo (Rua Afonso de Toledo, 595, Jardim Sumaré). Grátis. Apoio cultural: DCE João Amazonas e Unitoledo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Mídia e Idoso

Com as alunas Gabriela Saran e Naiara Messias, do 8o. sem. de Jornalismo da Toledo, participei, nesta quarta-feira, dia 19, do I Encontro sobre Comunicação e Cidadania "A Terceira idade e os meios de comunicação - a imagem do idoso na sociedade". O evento aconteceu na Faac - Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação da Unesp, campus de Bauru (SP), organizado pelo Prof. Dr. Pedro Celso Campos (de Penápolis - SP).
De caráter científico, mas ao mesmo tempo bem acessível a todos os públicos, os convidados - Prof. Dr. Francisco Sierra Caballero (Decano da Faculdad de Comunicación de la Universidad de Sevilla-Espanha) e Profa. Dra. Beltrina Côrte (gerontóloga da PUC-SP)- abordaram o envelhecimento e como a mídia trata do assunto. Resumindo: a propaganda trata do tema com menos preconceito do que o jornalismo.
A experiência foi muito gratificante pra mim por vários motivos e já estou preparando um texto sobre o assunto. Gabriela e Naiara também preparam um sobre a experiência delas, que pretendo divulgar aqui nos próximos dias (viu meninas?).
A grande lição é que o jornalismo para a 3a. idade é um campo aberto, com inúmeras possibilidades e quem se especializar encontrará um mercado muito significativo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Jornalismo do bem X jornalismo do mal

Postei há alguns dias, aqui neste espaço, um texto intitulado Jornalismo e Cidadania. Ele é um resumo da minha introdução do mestrado e havia sido publicado primeiramente pela Folha da Região de Araçatuba. Soube hoje, através de um e-mail do colega, Alexandre Ribeiro, o Carioca, que o Jornal de Jales também reproduziu o artigo.
O texto que reproduzo abaixo, com autorização, é do Carioca, radialista por vocação, jornalista por profissão. Há anos da imprensa regional, ele está indignado com o que chamou de "jornalismo do mal" e expoe bem do que se trata nas linhas a seguir.
Todos os estudantes de Jornalismo, mas especialmente quem milita na profissão precisa refletir sobre o que ele, corajosamente, expõe. Vejamos:


Oi Ayne. Parabéns pelo seu artigo de hoje no JJ. Seu pensamento é compartilhado por muita gente. Até tempos bem recentes (antes do Lula), a imprensa tinha uma enorme credibilidade diante da população, mas agora parece que alguns governos fazem questão de desmoralizá-la, principalmente aquela que mostra suas mazelas, com o objetivo de desqualificar suas críticas.

Sabemos todos nós que imprensa totalmente imparcial não existe, afinal, fazer reportagem, significa reportar o que vemos, repassar para outras pessoas a informação que obtivemos, portanto, repercutir a impressão que temos de um fato para outros que não o conhecem. Inevitável que a reportagem carregue a nossa interpretação particular. Isso é totalmente legítimo. Desde que honesto, sem segundas intenções ou objetivos escusos.
Até dispensável dizer isso a uma professora de jornalismo como você. Mas preciso dizer que como profissional que forma novos profissionais desta área, acho que você acaba se tornando uma espécie de representante da classe, portanto, sua palavra tem peso importante aqui fora. Então, acredito que ao mesmo tempo em que prega o “Jornalismo do Bem”, deveria combater frontalmente o que qualquer um chamaria de “Jornalismo do Mal”, que prejudica a sociedade, o trabalho dos colegas e denigre a profissão.
Não é uma crítica que faço aqui, mas apenas uma recomendação de quem tem testemunhado a farsa com a qual alguns colegas conduzem a notícia. Gostaria de vê-la mais incisiva contra essa prática porque sei que a sua orientação será seguida por colegas já formados e por outros em formação.

Explico o que seria o tal “Jornalismo do Mal”. É básico, o vemos todos os dias em todos os lugares e em quase todos os veículos.

É quando uma determinada instância de poder, público ou econômico (às vezes ambos), subverte os veículos para impor a sua “verdade” através de meios torpes. Mas é, principalmente, a forma inversa de subversão de valores. Ou seja, quando um veículo se sujeita a este tipo de prática, usando seu alcance para influenciar a vida de seus leitores, espectadores ou ouvintes. Não por acreditar no que publica, mas por acreditar que o que publica lhe renderá dividendos futuros. Ou ainda quando deixa de noticiar determinado fato por considerar que poderá perder dividendos.
O resultado são as frequentes intervenções dos departamentos comerciais nas redações e as constantes ameaças aos repórteres e editores. Muitas vezes, quem tem influência externa em determinado veículo avalia que os outros também estão ao alcance de seu poder. Não são eles os culpados, mas os mal-profissionais praticantes do “Jornalismo do Mal” que autorizam os detentores dos poderes a comparar TODOS os veículos com o mais baixo dos chantagistas. Ao conhecer um jornalista ou empresário chantagista, se acham no direito de estender esse conceito a todos os demais. Ou pelo menos tentar.
O “Jornalismo do Mal” deixa de cumprir a principal função do jornalismo em uma sociedade civilizada: a de informar a população. Parece óbvio, mas não é. Quando deixam de cumprir essa função com lisura, deixam de ser jornalistas para serem comerciantes da informação. Por interesses particulares, os “jornalistas do mal” omitem informações valiosas ou distorcem outras que poderiam ajudar a mudar a vida da população, seja em atitudes, votos, opiniões ou mesmo em conhecimento que lhes foi sonegado.
Não podemos, DE FORMA ALGUMA, classificar como “Jornalismo do Bem”, os veículos que se prostituem em troca de contratos com o poder público ou privado, omitindo ou distorcendo informações, ao bel prazer do contratante.
Onde está o bem feito por um veículo que só noticia a troca de um secretário municipal para elogiar a posse do substituto? Onde está o bem feito por um veículo que, de uma hora para outra, resolve “comprar” o projeto de determinada vereadora só porque tem interesses sexuais sobre ela? Onde está o bem feito pelo veículo que ignora por meses a fio as decisões tomadas pela Câmara dos vereadores, apenas porque eles não quiseram anunciar nas suas tradicionais mensagens natalinas? Onde está o bem feito pelo veículo que promove intensa campanha contra o comandante da polícia, culpando-o pela baderna e os congestionamentos em frente à sua sede e ignora a mesma baderna e os mesmos congestionamentos quando ela finalmente se muda para outro local? Onde está o bem feito pelo veículo que defende ou ataca o vereador conforme o contrato de publicidade que a empresa dele assina (assinou ele fala bem. Não assinou ele fala mal)? Onde está o bem feito pelo veículo que ataca a polícia em favor de acusados por crimes graves como sonegação fiscal, formação de quadrilha, contrabando e descaminho, somente porque são seus anunciantes? Onde está o bem feito por um veículo que prega a proibição de carros de som por medo da concorrência, mas omite que seus clientes emporcalham a cidade com os panfletos impressos na sua gráfica? Onde está o bem feito pelo veículo que ignora solenemente os sete processos movidos contra seu prefeito, somente porque detém um contrato de publicidade com a Prefeitura? Onde está o bem feito pelo veículo que ignora os claros indícios de desvios de centenas de milhares de reais do dinheiro público simplesmente porque um dos principais envolvidos é seu parceiro em promoções publicitárias e seu anunciante? Onde está aí o tal "Jornalismo do Bem"? Não seria a hora de um exame de consciência sobre o que é comércio da informação e comércio da opinião? Qual o legado queremos deixar? O de idealista que sonha com um futuro melhor para todos (mais adequado aos jornalistas), o de influenciador das massas (mais adequado aos políticos populistas) ou o de negociante do undergound (mais adequado aos lobistas corruptos)?
O que bastaria para classificar o “Jornalismo do bem”? Manter uma ONG, noticiar festas beneficentes, promover campanhas radiofônicas para ajudar pessoas carentes, distribuir bicicletas no Natal, plantar árvores nas avenidas, pertencer a um Clube de Serviço ou a uma entidade assistencial?
Nada disso adianta coisíssima alguma, se nas páginas do seu jornal ou nos programas de sua rádio ou TV, o jornalista engana o povo, omitindo ou distorcendo informações conforme o balanço de sua conta bancária!
Se seus anunciantes são a favor da lei antifumo ele também é, se seus anunciantes são a favor da meia-entrada para o a festa do peão, ele também é, se a empresa de ônibus deixa de anunciar, ele passa a pregar a sua substituição e assim por diante. Esse é o “jornalismo do Mal”, que engana seu público, prejudica seus colegas equiparando-os a jornais de aluguel, reduz a qualidade de sua classe profissional e banaliza o elogio fácil, desqualificando a crítica idônea.
O fato de termos entre os colegas ocupantes de cargos de confiança do prefeito, proprietários de agências de publicidade contratadas pela Prefeitura, presidente da Câmara e do Partido de apoio ao Prefeito já nos coloca (a classe) em situação extremamente desconfortável e os coloca em situação totalmente suspeita. O povo cobra nas ruas a idoneidade da classe e a postura destes colegas, perfeitos exemplares do “Jornalismo do Mal”, só traz descrédito à profissão e joga no mesmo “saco de gatos” os profissionais idôneos e os à venda.
Acredito que "Jornalismo do Bem" não é um conceito incompleto aplicado a quem tem apenas alguma atividade social, mas a quem tem isso e também cumpre com todos os seus deveres profisisonais perante a sociedade. Esse deveria ser o primeiro requisito. Não se espera que o jornalismo mude o mundo. Do jornalismo, espera-se que ele seja honesto e que cumpra com a sua função primordial: informar, garantir o direito à informação correta, idônea, límpa e honesta. Sem isso, de nada adianta o resto. Nem mesmo as inúmeras atividades sociais, que ficam parecendo um sacrifício pessoal para remissão de pecados.
Até tolero que determinados veículos façam esse tipo de coisa, afinal, cabe também ao leitor, ouvinte e telespectador discernir sobre o que é notícia pura e simples e opinião ou “direcionamento”. Mas não tolero que essa prática seja vendida como a mais pura verdade e que os jornalistas que a praticam posem de imparciais ou donos da verdade. Compra sua mensagem quem quer. Mas o que se vende é a notícia, não a opinião e quem vende a opinião não pode ser classificado como “Jornalismo do Bem”, ainda que tenha outros requisitos para tal.

A gente não quer só comida!

Resultado da enquete que perguntou sobre o que os seguidores deste blog gostariam de ver mais nas páginas dos jornais diários: Arte e Cultura. Foram 40% dos votos totais. Os demais votos ficaram para Turismo e (20%), Lazer e Entretenimento (20%) e matérias destinadas ao público masculino (20%). Obrigada aos eleitores! Preparem-se para novas indagações.

sábado, 15 de agosto de 2009

Oficina para elaboração de pôster

O pôster tem sido um dos meios mais usados para que os iniciantes na pesquisa científica participem de eventos da área. No curso de Jornalismo do UniToledo o tema é abordado na disciplina de Técnicas de Redação: Projetos e Produtos agora no segundo semestre.
Para se ter uma ideia de como o assunto é relevante, prestem atenção na disposição de algumas instituições, como a PUC-SP, de padronizar seus trabalhos:

A Comissão de Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)promove em agosto e setembro oficinas para elaboração de pôster, voltado aos alunos pesquisadores que participarão do 18º Encontro de Iniciação Científica da PUC-SP. As oficinas acontecem dias 19/8 (17h45 às 18h45), 24/8 (17h45 às 18h45), 26/8 (17h45 às 18h45), 31/8 (17h45 às 18h45), 2/9 (17h45 às 18h45) e 9/9 (12h30 às 13h30 e 17h45 às 18h45): os interessados devem se inscrever pelo e-mail scerrato@pucsp.br, informando seu nome completo, a data e o horário em que pretende participar do evento. Os locais serão informados oportunamente aos alunos inscritos.

Curso sobre JORNALISMO E ORIENTE MÉDIO

A Confederação Israelita do Brasil e a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação realizam entre 24 e 28 de agosto, em São Paulo, o curso “Jornalismo e Oriente Médio” voltado para estudantes e profissionais de comunicação.
O programa visa debater e esclarecer temas que vão desde a história até a abordagem e cobertura jornalística na região. As aulas serão ministradas por profissionais de meios de comunicação e de docentes com experiência internacional.
O curso será realizado diariamente das 11h30 às 13h30 na Estação Brigadeiro da Intercom (Av. Brigadeiro Luis Antônio 2050, 3° andar). As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas através do email contato@jornalismoeorientemedio.com ou por cadastro no site do evento (www.jornalismoeorientemedio.com).
Para receber um certificado de participação é preciso ter uma freqüência mínima de quatro palestras.
Confira a programação do curso “Jornalismo e Oriente Médio”:
24/08
Tema: História da região
Palestrante: Francisco Moreno de Carvalho – médico e historiador

25/08
Tema: Jornalismo em diferentes países
Palestrante: Gustavo Chacra – correspondente de O Estado de S.Paulo em Nova York, realizou coberturas em Israel e países árabes, mantém o blog Diário do Oriente Médio

26/08
Tema: Geopolítica e alianças
Palestrante: Celso Garbarz – historiador, com mestrado na Universidade Hebraica de Jerusalém

27/08
Tema: Jornalismo de Paz
Palestrante: Dov Shinar – jornalista e doutor em comunicação pela Universidade Hebraica de Jerusalém, leciona atualmente em faculdades de Israel e Canadá

28/08
Tema: Um correspondente brasileiro em Israel
Palestrante: Alberto Gaspar – repórter especial da Rede Globo, foi correspondente da emissora no Oriente Médio e em Buenos Aires

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Parabéns Lilian!


Lilian Castilho foi minha aluna no curso de jornalismo da Toledo. Depois, minha orientanda de TCC nota 10 tratando da ética dos jornalistas nas assessorias de imprensa. Por uma série de fatores felizes, acabou sendo minha "afilhada" de pós-graduação, período em que dividimos muitas canecas de chocolate quente. É jornalista em Santa Fé do Sul (SP) e agora, mestranda pela Cásper Líbero, na capital. Parabéns amiga! Estamos todos orgulhosos. Sucesso! Você agora é uma referência para meus alunos.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

JORNALISMO E CIDADANIA

“O jornal é a oração matinal do homem moderno”. A frase não é minha, é de Hegel e foi pronunciada há muito tempo embora permaneça atual. Vivemos, hoje, na sociedade da informação. Alguns acordam com o rádio-relógio a informar as últimas notícias. Muitos ligam os aparelhos de televisão e o próprio rádio nos noticiários enquanto se arrumam ou se dirigem para mais um dia de trabalho.
Quem tem tempo, toma café da manhã folheando as páginas dos jornais. Quem não tem, nas grandes cidades recebe de graça seu exemplar na porta do metrô e entre uma estação e outra, consome as informações. Se não quiser ler, pode prestar atenção nas telas instaladas nos vagões e ônibus, equipados para informar todo tipo de necessidade humana: temperatura e previsão do tempo, situação do trânsito, mercado financeiro, política, conflitos, catástrofes...
Nas versões mais sofisticadas até os celulares atualizam seu portador sobre o que acontece no mundo, em tempo real. Enfim, há um exército de profissionais que se dedica a nos apresentar e explicar o mundo. E é destas apresentações e explicações que nasce o conhecimento da realidade que o homem assume no seu dia-a-dia.
Entretanto, quando a grande maioria destas informações é produzida pelo e para o showjornalismo e vêm embaladas em pacotes que, quando se espreme, sai sangue, a imprensa perde seus dois principais papéis históricos: 1) o ideal de esclarecer os cidadãos, e 2) de ser o meio de defesa dos interesses da sociedade contra quaisquer violações ou abusos.
A questão que se coloca na atualidade é como ter, ao mesmo tempo, uma tecnologia que amplia de forma inimaginável a circulação de dados elevando este momento à era da sociedade da informação e, ao mesmo tempo, assistir à atividade jornalística atravessando um período de descrédito significativo – um dos exemplos é a não necessidade do diploma para o exercício da profissão - deixando, na maior parte da população, uma sensação de impotência apesar da avalanche de notícias que alcança os brasileiros nas vinte e quatro horas do dia, mas que o torna impassível diante da maioria dos fatos.
Para combater essa sensação de alienação promovida por todos estes fatoresé que nasceu, primeiramente nos Estados Unidos, o civic journalism, termo sem tradução ideal para o português e por isto mesmo confundido com outros gêneros. No Brasil, ele ainda não é muito conhecido e vem sendo chamado ora de jornalismo cidadão, ora de jornalismo cívico, ora de “jornalismo do bem”. Os cursos superiores não têm aulas sobre ele previstas em suas grades curriculares, só algumas instituições já se anteciparam convocando especialistas para palestras ou cursos de extensão.
Mas alguns veículos de comunicação já descobriram seus benefícios. A TV Cultura, com três programas baseados neste novo modelo, é uma delas. E agora os veículos regionais podem lucrar com o civic journalism uma vez que um estudo de caso desenvolvido no programa de mestrado em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo conseguiu mostrar que além de um jornalismo mais ético, esse novo formato pode ser até mais rentável por atrair mais leitores que se identifiquem com a resolução dos problemas locais e da região.
No século XVIII, os iluministas acreditavam que esclarecido, o povo tomaria as melhores decisões para a sociedade. Dois séculos depois, Juan Diaz Bordenave afirmou que a sociedade só pode mudar aquilo que conhece. E José Marques de Melo insiste que nos três gêneros jornalísticos – informativo, opinativo e interpretativo -, a imprensa deve ajudar a formar uma sociedade mais justa.
Todos estão certos. E da mesma maneira que a tecnologia vem evoluindo em benefício da informação e do conhecimento, o modo de fazer jornalismo também precisa mudar. É preciso dar um basta na exploração da dor alheia que nada constrói. Basta de especulações. O que ainda não aconteceu nem é fato, portanto foge até da definição de notícia.
Se o jornalismo deseja ser o quarto poder, chegou a hora de recuperar a credibilidade do público. Para isto, é necessário trabalhar com conceitos como cidadania e responsabilidade social. É preciso despertar a sociedade para ações concretas que a ajudem a solucionar efetivamente os problemas comunitários.


* Este texto foi publicado pelo jornal Folha da Região de Araçatuba no dia 07/08/09.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

É censura

A primeira enquete deste blog perguntou se a decisão da Justiça de proibir o jornal O Estado de S.Paulo de publicar fatos relacionados à vida do filho do presidente do Senado, José Sarney, ambos acusados de atos ilícitos, era um cerceamento à liberdade de imprensa - a popular censura - ou era um direito da Justiça para apurar melhor os fatos devido ao sigilo.
Onze visitantes votaram. Dez (90%) afirmaram que se tratava de censura. Um (10%) apenas foi a favor da decisão da Justiça. Obrigada pela participação.
Tem pergunta nova na enquete. Quem se habilita?

Jornalismo cultural

Para aqueles que desejam se especializar em uma área do jornalismo cultural, eis uma boa oportunidade, dica da grande Talita, jornalista e artista que vem fazendo muita falta em Araçatuba:

Oficinas Culturais realizam Workshop de Crítica Musical

Começam na próxima semana as inscrições para o Workshop de Crítica Musical, com o jornalista Bruno Dias, que acontece dia 12 de setembro na Oficina Cultural Timochenco Wehbi. O workshop abordará como escrever sobre música, pesquisar, ler opiniões divergentes para ampliar o campo de visão, e as técnicas para a reportagem musical, pontos importantes para jornalistas que pretendem seguir a área cultural.
Para o coordenador da atividade, com a popularização de blogs e a velocidade com que lançamentos aparecem na internet, a crítica musical de muitos desses novos meios acaba se tornando raza, devido à falta de bagagem de seus autores. “A crítica musical não é só ouvir o CD e resenhar; existe todo um processo para que essa resenha/crítica não fique na mesmice”, afirma.
Assim, serão apresentadas durante o workshop formas de contextualização histórica para a análise de obras clássicas e de lançamentos, que possa servir como base aos participantes na prática. Os participantes também ouvirão CDs selecionados e serão incentivados a realizarem um debate crítico.
A atividade é destinada a profissionais e estudantes de jornalismo e música, e demais interessados. As inscrições são gratuitas e se estendem até dia 10/9 (ou até serem preenchidas as vagas).

Bruno Dias é editor da revista eletrônica www.urbanaque.com.br e repórter de entretenimento do portal Abril.com (editora Abril), em São Paulo. É formado em jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social “Jornalista Roberto Marinho” (Presidente Prudente). Ex-editor da coluna “Caras Novas” da Revista Bizz. Já colaborou com as revistas Rolling Stone Brasil, Monet e Mundo Estranho. Foi palestrante da edição 2008 do Festival Casarão, em Porto Velho (RO), onde debateu o tema “Midia Independente”. Ministrou a palestra “A Música Independente no Brasil” pelas Oficinas Culturais em 2008.

Serviço:
Workshop de Crítica Musical - 30 vagas
12/9 – sábado, das 8h às 12h
Inscrições: até 10/9
Local: Oficina Cultural Regional Timochenco Wehbi
Av. Manoel Goulart, 2109 – Anexo 1
Vl. Santa Helena - Presidente Prudente SP
Horário de atendimento: segunda a sexta-feira, das 9h às 18h
Fone: (18) 3221-2959

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Novo encontro de blogueiros

O secretário de Cultura de Araçatuba, o professor Hélio Consolaro, marcou para o próximo dia 20, às 20h, na Casa da Cultura "Adelino Brandão" (rua Anita Garibaldi, 75Centro) um encontro entre blogueiros da cidade e região. Ele quer conversar, discutir ideiais, melhorar esta mídia livre. Estão todos convidados!

Perguntar ofende

Existe um livro com este título. É bem legal. Mostra algumas perguntas idiotas feitas por coleguinhas que não se preparam para as entrevistas e ... viram motivo de piada. Não poderia ser diferente.
O texto abaixo é uma contribuição da amiga e companheira do Jornal de Jales, Maria de Lourdes Parra, uma das melhores redatoras com quem tive o prazer de trabalhar.
É claro que não passa de uma brincadeira dela, mas precisamos cuidar para não repetir, na profissão, perguntas imbecis como as lembradas abaixo. Porque quem pergunta o que quer, pode ouvir o que não quer.
A proposta da Lurdinha é de TOLERÂNCIA ZERO para com estas pessoas e profissionais. Vejam se concordam com ela e depois comentem qual a sua pergunta idiota preferida:


1. Quando te vêem deitado, de olhos fechados, na sua cama, com a luz apagada e te perguntam:
- Você tá dormindo?
- Não, to treinando pra morrer!

2. Quando a gente leva um aparelho eletrônico para a manutenção e o técnico pergunta:
- Tá com defeito?
- Não, é que ele estava cansado de ficar em casa e eu o trouxe para passear.

3. Quando está chovendo e percebem que você vai encarar a chuva, perguntam:
- Vai sair nessa chuva?
- Não, vou sair na próxima.

4. Quando você acaba de levantar, aí vem um idiota (sempre) e pergunta:
- Acordou?
- Não.. Sou sonâmbulo!

5. Seu amigo liga para sua casa e pergunta:
- Onde você está?
- No Pólo Norte! Um furacão levou a minha casa pra lá!

6. Você acaba de tomar banho e alguém pergunta:
- Você tomou banho?
- Não, mergulhei no vaso sanitário!

7. Você tá na frente do elevador da garagem do seu prédio e chega um que pergunta:
- Vai subir?
- Não, não, to esperando meu apartamento descer pra me pegar.

8. O homem chega à casa da namorada com um enorme buquê de flores. Até que ela diz:
- Flores?
- Não! São cenouras.

9. Você está no banheiro quando alguém bate na porta e pergunta:
- Tem gente?
- Não! É o cocô que está falando!

10. Você chega ao banco com um cheque e pede pra trocar:
- Em dinheiro? ?
- Não, me dá tudo em clipes e borrachinhas.

Ainda quero viver em um mundo onde a caneta vencerá a espada...


Assistindo às barbaridades que têm acontecido no Senado, tenho duas sensações: uma, mais covarde, confesso, é de comprar um barquinho, colocar minha família dentro, e viajar pelo mundo, sem destino e sem data pra retornar. A outra é tentar mudar o fluxo das coisas. Mas só tenho a caneta. E eles têm a espada...O que fazer?
Enquanto me decido, acompanhem mais uma verdade escondida:

Sarney já quis calar Jornal do Brasil como conseguiu agora com o Estadão


O atual presidente do Senado, José Sarney, disse em sua defesa que nunca processou jornalistas. Usando de um neologismo, posso dizer que ele "faltou com a verdade". Segundo notícia do Comunique-se veiculada hoje, ele moveu três ações contra o Jornal Pequeno, do Maranhão, e uma contra o colunista do Estadão, João Mellão Neto, deputado por São Paulo. Em 1994, "o senador processou o Jornal do Brasil pela publicação de matérias sobre suas propriedades, máfia dos anões do Orçamento e denúncias de corrupção". Sarney acusou o veículo de campanha infame contra ele. Mas o jornal ganhou a causa com a seguinte defesa:
“Não foi o ’Jornal do Brasil’ quem o feriu e magoou. Foi a sua própria conduta improbidosa, o seu desdém pela justificação dos seus atos, o seu comportamento, ora ostensivamente ilícito, ora no mínimo nebuloso (...) ao invés de fingir-se ultrajado, como nunca se sentiu realmente, tanto que se absteve de defender-se e explicar-se, de vir à luta contra todos os órgãos de imprensa, que se viram forçados a não ocultar do público os seus desmandos, os seus abusos, o seu descaso pelos deveres de bem governar...”.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Tudo de bom

Muitos de vocês já conhecem. Outros já ouviram falar. Mas deve haver algum desavisado que não conhece as maravilhas do Domínio Público. Simplificando muito: é uma biblioteca virtual com obras consagradas da literatura mundial disponibilizadas gratuitamente para leitura e/ou impressão. Agora não há mais desculpa. Não leu por quê?

http://www.dominiopublico.gov.br

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Responda a enquete

Caríssimos,
Algumas perguntas me intrigam. Tenho as minhas respostas, mas gostaria de saber a opinião dos colegas. Por isto inseri no blog um espaço para enquetes. Está do ladinho direito da tela, logo abaixo da minha apresentação. Espero que vocês participem e me ajudem a fortalecer minhas opiniões ou mudá-las. Abs.

Agende-se

Caríssimos, segue o calendário de cursos do Comunique-se. Eu, por exemplo, adoraria fazer alguns: em Fortaleza, em João Pessoa, em Vitória...


15/8/2009
Estratégias de Atendimento em Assessoria de Imprensa
Oficina
Brasília/DF

15/8/2009
Planejar e Executar - Gestão para Profissionais de Comunicação
Oficina
Fortaleza/CE

22/8/2009
Gerenciamento de Crise
Oficina
São Paulo/SP

24/8/2009
Jornalismo 2.0 - Hipermídia e Redes Sociais
Curso Presencial
São Paulo/SP

25/8/2009
Planejar e Executar - Gestão para Profissionais de Comunicação
Curso Presencial
São Paulo/SP

28/8/2009
Planejar e Executar - Gestão para Profissionais de Comunicação
Oficina
Recife/PE

29/8/2009
Estratégias de Atendimento em Assessoria de Imprensa
Oficina
São Paulo/SP

12/9/2009
Comunicação Interna
Oficina
São Paulo/SP

12/9/2009
Redação e Estilo para Jornais e Revistas
Oficina
Juiz de Fora/MG

19/9/2009
Relações com a Mídia - Técnicas para emplacar uma pauta
Oficina
Rio de Janeiro/RJ

19/9/2009
Comunicação Interna
Oficina
Ribeirão Preto/SP

26/9/2009
Jornalismo Online
Oficina
João Pessoa/PB

26/9/2009
Comunicação Corporativa na Web 2.0
Oficina
São Paulo/SP

3/10/2009
Planejar e Executar - Gestão para Profissionais de Comunicação
Oficina
Vitória/ES

3/10/2009
Aplicação de Media-Training
Oficina
São Paulo/SP

3/10/2009
Comunicação Interna
Oficina
Rio de Janeiro/RJ

17/10/2009
Estratégias de Atendimento em Assessoria de Imprensa
Oficina
Porto Alegre/RS

17/10/2009
Redação e Estilo para Jornais e Revistas
Oficina
Salvador/BA

23/10/2009
Planejar e Executar - Gestão para Profissionais de Comunicação
Oficina
Brasília/DF

24/10/2009
Assessoria em Órgãos Públicos
Oficina
São Paulo/SP

14/11/2009
Radiojornalismo
Oficina
São Paulo/SP

14/11/2009
Estratégias de Atendimento em Assessoria de Imprensa
Oficina
Juiz de Fora/MG

28/11/2009
Estratégias de Atendimento em Assessoria de Imprensa
Oficina
São Paulo/SP

28/11/2009
Redação e Estilo para Jornais e Revistas
Oficina
Brasília/DF

4/12/2009
Planejar e Executar - Gestão para Profissionais de Comunicação
Oficina
Rio de Janeiro/RJ

5/12/2009
Comunicação Interna
Oficina
São Paulo/SP

12/12/2009
Jornalismo Online
Oficina
São Paulo/SP

12/12/2009
Reportagem em Televisão
Oficina
São Paulo/SP

12/12/2009
Comunicação Interna
Oficina
Florianópolis/SC

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Frase do Dia

O Marco Senche foi aluno, depois colega professor e, quem sabe um dia, vire meu chefe. Ele tem um hábito muito legal que é colecionar frases. Melhor: depois de selecioná-las, disponibiliza-as para alguns escolhidos. Sou uma delas e vou dividi-las também com vocês, especialmente aquelas que têm a ver com a nossa profissão. A de hoje é:

"Sábios nos encantam e estúpidos nos cansam. Os meios digitais apenas ampliaram o poder de ambos, mas a escolha de quem ouvir ainda é nossa." Martha Gabriel

domingo, 2 de agosto de 2009

Jornalistas participam de curso sobre Direito

Algumas pessoas se surpreendem quando ficam sabendo que faço um curso de pós-graduação lato sensu, aos sábados, e muitas vezes participo de cursos de extensão. Perguntam: "Por que você continua estudando?" ou então "Depois do mestrado não é melhor fazer doutorado do que estes outros cursos?"
A resposta é simples: Para ser um profissional bem sucedido, mas principalmente para ser professor, tem que ter a disposição de aprender sempre. Se no doutorado, no mestrado ou nas especializações, não importa. Onde acredito que vou aprender, lá estou eu. Sempre é possível aproveitar novas técnicas dos colegas, conhecer novas visões além das minhas, discutir conceitos com outros públicos.
Foi pensando assim que me matriculei no curso sobre noções de Direito para jornalistas ministrado em julho na Toledo. Foi muito legal. Ouvi especialistas do Direito, pude perceber outras visões que podem ser abordadas no módulo de jornalismo policial, da disciplina de Jornalismo Especializado que ministro, e reencontrei pessoas queridas.
O texto abaixo foi produzido pelas estagiárias da Assessoria de Imprensa do Centro Universitário Toledo e demonstra bem tudo o que aconteceu durante o curso:


Jornalistas e estudantes aprendem noções gerais do Direito

Por Nilma Ruas
Publicada em 23 de Julho de 2009

Com linguagem técnica, porém transmitida de forma compreensível e dinâmica, os palestrantes do curso “Simplificando o Direito” promovido pelo curso Damásio Evangelista de Jesus passaram noções gerais dessa área a jornalistas e estudantes de Jornalismo. O curso ocorreu nas salas da unidade de Araçatuba, localizada no prédio 2do UniToledo, entre os dias 14 e 16 de julho. O evento contou com presença de dez alunos do curso de Jornalismo do UniToledo.
No primeiro dia (14), o curso teve como tema as fases do processo penal (desde a ocorrência da infração até a prisão e execução) e tipos de infrações penais. O palestrante foi o advogado criminalista Flávio Cardoso. Ele apresentou tipos de infrações penais e leis baseadas em acontecimentos reais e conhecimento público divulgados pela imprensa.
Com Gustavo Nicolau, no penúltimo dia (15) os alunos puderam ter noções e exemplificações do direito civil na atualidade. Já no último dia (16), a palestra ficou por conta de André Fígaro, que descreveu os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Os assuntos abordados foram: eleição, leis, regulamentos, Constituição Federal, Ministério Público e Advocacia Pública. No final de cada palestra, houve debate entre os participantes a fim de aplicar o conteúdo apresentado em casos reais.
Para o aluno do 7º semestre de Jornalismo Carlos Eduardo Furlaneti, o curso serviu como uma complementação. “É uma necessidade buscarmos o conhecimento, para que possamos atuar, informando o público de forma correta no dia a dia”, observa.
Segundo a professora do Jornalismo do UniToledo, Ayne Regina Gonçalves Salviano, que esteve presente nas palestras, o curso proporcionou uma nova visão de assuntos já conhecidos por ela. “Essas novas informações vão melhorar minhas aulas de jornalismo policial, na disciplina de Jornalismo Especializado, para os acadêmicos do último ano. Valeu a pena ter participado”, ressalta.

sábado, 1 de agosto de 2009

Não dava pra perder a piada...

Recebi este texto de uma amiga, a Lidiane, que ainda será jornalista. Por hora, ela ganha a vida como professora, em São Paulo. Chama-se MATEMÁTICA DE MENDIGO, mas poderia ser: QUE PAÍS É ESSE?

Um sinal de trânsito muda de vermelho para verde em média a cada 30 segundos. Então, a cada minuto, um mendigo tem 30 segundos para faturar pelo menos 20 centavos, o que, em uma hora dará: 60 x 0,20 = R$12,00.
Se ele trabalhar 8 horas por dia, 25 dias por mês, em um mês terá faturado:
25 x 8 x 12 = R$ 2.400,00.
Uma vez que quem doa nunca dá somente 20 centavos, se ele conseguir uma moeda de R$1,00 (o que não é raro), pode descansar tranqüilo debaixo de uma árvore sem nenhum chefe pra 'encher o saco' por causa disto.
Entrevistei uma mulher que pede esmolas e que sempre vejo trocar seus rendimentos na padaria. Então lhe perguntei quanto ela faturava por dia. Imagine o que ela respondeu?
É isso mesmo, de 45 a 55 reais em média por dia, o que dá, nos 25 dias: 45 x 25 = R$ 1.125,00 ou 25 x 55 = R$ 1.375,00.
Moral da História: É melhor ser mendigo do que estagiário ou professor (do Ensino Fundamental e Médio da rede pública) ou pelo visto, ser estagiário e professor é pior que ser mendigo.

Inscrições para Encontro de Pesquisadores em Jornalismo encerram em agosto

Atenção jornalistas recém-formandos e formandos com os TCCs no forno, em fase de acabamento. Este evento serve direitinho para vocês e todos deveriam pensar sobre:

As inscrições de trabalhos para o 7º Encontro Nacional dos Pesquisadores em Jornalismo, organizado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), encerram no próximo dia 10 de agosto. O evento será realizado na Universidade de São Paulo, dos dias 25 a 27 de novembro.
O encontro discutirá as mudanças no jornalismo e a queda da exigência de diploma para o exercício da profissão. Universitários também podem enviar trabalhos, desde que em co-autoria com profissionais já formados.
As informações sobre inscrições de trabalhos estão disponíveis no site do evento: http://sbpjor.org.br/evento/

Especialização em Jornalismo Econômico

O programa Master em Jornalismo criou uma especialização em Jornalismo Econômico. O curso será dirigido por Carlos Alberto Di Franco. Maria Helena Tachinardi, ex-editora da Gazeta Mercantil e assessora de imprensa da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), será a coordenadora.
Entre os professores estão Fábio Giambiagi, chefe do Departamento de Risco de Mercado do BNDES; Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp e ex embaixador do Brasil nos Estados Unidos e Grã-Bretanha; Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócio da FGV; Roberto Teixeira da Costa, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários e presidente da Câmara de Arbitragem da Bolsa de Valores de São Paulo; e Angel Arrese, professor e ex-vice-diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha).
O curso está dividido em duas partes: Economia e Finanças (Mercados de capitais e de câmbio, Comércio internacional, Setor bancário e macroeconomia e Corporações e empreendimentos) e Jornalismo Econômico (Cobertura de economia e finanças). As aulas serão ministradas entre os dias 19 e 23/10 e 16 e 20/11. Procure mais informações no site do programa: http://www.masteremjornalismo.org.br/master/economico/

Tenho certeza que vocês também conseguiriam...

CNN anuncia finalistas de concurso

A CNN divulgou a lista com os dez finalistas do Concurso Universitário de Jornalismo. Os jurados: Eduardo Acquarone, editor do Fantástico e do Profissão Repórter; Patrícia Carvalho, editora do Jornal da Globo; e Thiago Doria, colunista de tecnologia da MTV.

Este concurso é um evento nacional, promovido pela Turner Internacional e aberto exclusivamente a estudantes de jornalismo. O tema deste ano foi “O uso da tecnologia no desenvolvimento social” e o objetivo é incentivar o desenvolvimento do talento dos participantes na elaboração de matérias jornalísticas televisivas.

Acompanhe o trabalho dos vencedores:
Nome: Ana Paula Godoy Fernandes
Matéria: Sud Mennuci e a internet
Universidade de São Paulo – USP
Link: http://www.youtube.com/watch?v=nSrOw7V7LXg


Nome: Breno Barreto de Oliveira
Matéria: Internet gratuita no Morro Dona Marta
Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ
Link: http://www.youtube.com/watch?v=dZC6V7pv10g

Nome: Eliane Cristina Couto da Nóbrega
Matéria: Construindo sonhos!
Universidade Federal da Paraíba – UFPB
Link: http://www.youtube.com/watch?v=H06-KbKTXBY

Nome: Fláira Fernanda Cardoso Ferro
Matéria: INDIOS ON LINE
Universidade Católica de Pernambuco – Uniacap
Link: http://www.youtube.com/watch?v=Aa8VSEQ2kBE

Nome: José Tarcísio da Silva Oliveira Filho
Matéria: Incluindo conhecimentos: o Telecentro de Porto Firme
Universidade Federal de Viçosa – UFV
Link: http://www.youtube.com/watch?v=nOHBXvutPYM

Nome: Laura de Moraes Borges
Matéria: Projeto Tela Interativa - Oficina De Tv Digital
Universidade Estácio de Sá
Link: http://www.youtube.com/watch?v=_7s9WhXfLsE

Nome: Luís Gustavo Nolasco de Souza Ferro
Matéria: AuxÌlio Digital
Instituto Superior de Ciências Aplicadas
Link: http://www.youtube.com/watch?v=DhzD3K3Xq5I

Nome: Marcos César de Oliveira Pinheiro
Matéria: Revolução no Processo de Juta e Malva
Universidade Federal do Amazonas – UFAM
Link: http://www.youtube.com/watch?v=ACi6idb--3c

Nome: Renan de Carvalho Gouvea
Matéria: Alunos encontram desaparecidos na internet
Unaerp
Link: http://www.youtube.com/watch?v=seGcSHdFzV8

Nome: Victor Hugo Andrade Garcia
Matéria: Álcool da batata-doce traz esperança a agricultores
Universidade Federal do Tocantins
Link: http://www.youtube.com/watch?v=nrtY6Vep5Kg

Frase do dia

"O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter."(Cláudio Abramo)