segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Questionamentos


O que faz uma profissional de sucesso como Sônia Bridi (foto), que já foi correspondente da TV Globo na China (uma das maiores potências mundiais na atualidade), direcionar sua carreira para as noites de domingo, no Fantástico, com entrevistas com Victor & Léo e, pior, a de ontem, com Belchior?
O compositor e cantor fugiu para o Uruguai porque está afogado em dívidas e sem pagar a pensão alimentícia dos filhos (e portanto corre o risco de ser preso), mas se recusou a tratar destes assuntos e ficou apenas prometendo novos lançamentos e shows, algo que nem se sabe se será cumprido porque não houve sequer filmagem dele em estúdio.
Se é pra provar que a Globo é capaz de localizar alguém "desaparecido", isto já foi feito melhor por outro repórter, Roberto Cabrini, que conseguiu uma entrevista exclusiva com Paulo César Farias, aquele das falcatruas do governo Collor (e que motivaram o Impeachment). O repórter localizou PC Farias em Londres quando a polícia brasileira sequer imaginava onde ele pudesse estar.
Ou será que na luta pela audiência, uma empresa midiática é capaz de recrutar todos os seus valores mesmo que seja para alavancar um produto quase "falido"?
Será que depois de tantos anos de trabalho e uma carreira de sucesso, uma jornalista do porte do Sônia Bridi ainda não pode escolher o que quer - e o que não quer fazer - dentro da Globo?
Ou ainda, será que depois de tantos anos de trabalho árduo, estar no Fantástico é mais tranquilo?
O que acham?

2 comentários:

  1. Posso fazer uma quase comparação (relativa à politica—gem)? Se a Sônia Bridi tivesse no fim de carreira, e se tivesse sido Policarpo Quaresma...teria tido um triste fim. Não daria pra imaginar tal situação, se não a tivesse visto na televisão. Provocante aos pensamentos de quem começa a carreira neste instante (eu) diferenciar o futuro (no jornalimo)...daquilo que foi o presente de uma jornalista tão conceituada como a Sônia. É de estremecer os ideais. Talvez ela seja mesmo muito parecida com Policarpo e se deixou levar por um projeto político ganancioso (como vc mesmo citou, Ayne, a busca pela audiência). Outro fator que nos constrange, é saber que a população se interessa por casos como esse, que não muda em nada na vida das pessoas, nem intelectual, nem social e nem pessoalmente falando...enfim...
    Novamente na Sônia...talvez ela esteja cansada de lutar por um ideal, que defendeu tão bem durante anos, e passa por uma autotraição e se deixa levar por uma reportagem “cretina” como a passada.
    Agora, o que levaria um profissional como a Sônia a produzir tal reportagem...talvez...porque tenha que obedecer uma série de mandamentos estabelecidos por “grandões” ignorantes ao que é jornalismo...mas que estão no mercado (há muitos anos) em busca do ibope...dinheiro...poder...e por aí vai.
    (...)*

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  2. Pois é, professora! também senti a mesma coisa quando ví a reportagem tão anunciada durante todo o programa. Senti que duas coisas podem ter acontecido: ou a matéria era alguma "armação" ou a pauta realmente era horrível (para qualquer repórter). Sônia chegou ao local depois de muitas horas de viagem de carro e permaneceu outras tantas horas esperando o estrevistado que se recusou a falar sobre o que interessava ao público: os motivos de seu sumiço, da sua fuga.
    Deve ter voltado extremamente frustrada e imaginando como poderia resolver a matéria na ilha de edição. Aliás, quando percebeu que não tinha um bom material nas mãos, a própria Sõnia deve ter sentido vontade de sumir.EU fiquei com vergonha por ela.

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