terça-feira, 8 de setembro de 2009

Diferenças entre literatura e jornalismo


Em um encontro com Ignácio de Loyola Brandão, no Teatro Paulo Alcides Jorge, em Araçatuba, nesta noite, descobri porque sou jornalista e não escritora.
Ele, que é escritor, cronista, ensaista, autor de peça de teatro, jornalista e agora biógrafo (de Ruth Cardoso) - sem ter nenhum diploma - disse que a literatura é para quem quer se vingar das coisas, fatos e pessoas.
Deu o exemplo de si mesmo. Contou que era um menino feio e pobre de Araraquara, daqueles que se isolam na última carteira da sala de aula, esquecido por todos. Foi a literatura - na verdade, uma reescrita do clássico Branca de Neve - que o fez ser notado, aos 10 anos. Ele simplesmente matou os anões que escravizavam a princesa. Desde então, tem vivido na fantasia, na imaginação.
Alegre, divertido, comunicativo, contagiante, aos 73 anos silenciou uma plateia inteira com suas histórias perfeitas como aquelas que lemos nos seus 32 livros e tantas outras crônicas publicadas periodicamente nos jornais.
Então entendi porque sou jornalista e não escritora. Não fui a melhor da turma, mas também não fui a pior. Não era bonita, nem gostosa, mas tinha um pouco de inteligência e era esforçada. Não cresci com traumas, portanto não quis me vingar.
Quis contar histórias, reais, de pessoas que não podem fugir, mas enfrentar verdades difíceis. Achei - e ainda acho - que com meu trabalho posso mudar os finais, para melhor. Quem sabe?
Da experiência com Ignácio, cresceu a admiração. E a certeza que nasci para ser jornalista.

Um comentário:

  1. Que texto lindo, Ayne! Beijo,

    Suzana Varjão
    (jornalista e escritora)

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