terça-feira, 6 de outubro de 2009

Caso Estadão/Enem: vendedores da prova são fontes?

Após ameaças, Estadão entrega fotos de envolvidos no caso Enem
Izabela Vasconcelos, de São Paulo, para o Comunique-se

Depois da repórter Renata Cafardo ter recebido ameaças pela denúncia de fraude no Enem, a diretoria do Grupo Estado decidiu entregar fotos dos envolvidos à Polícia Federal. Renata assinou, ao lado do repórter Sérgio Pompeu, a matéria sobre a fraude no Enem, o que levou ao adiamento do exame e abertura de investigações.

Após sofrer ameaças por telefone, Renata registrou boletim de ocorrência. A jornalista também foi intimada a depor na Polícia Federal, na sexta-feira (02/10). A fotos dos dois homens que pretendiam vender as provas do Enem ao jornal foram entregues à PF pelo departamento jurídico do Grupo Estado. Uma das imagens também foi publicada no Jornal da Tarde de sábado (03/10), com o título “Foi ele quem melou o Enem”.

Para o diretor de conteúdo do jornal O Estado de S.Paulo, Ricardo Gandour, a partir das ameaças, os dois homens não puderam ser encarados como fontes jornalísticas. “Discutimos bastante esse assunto, mas quando a repórter recebeu um telefonema com ameaças, passamos a considerar que o caso não era uma questão de fonte jornalística comum, mas uma questão de segurança pública”, declarou.

Sobre a questão do sigilo da fonte, o jornalista Laurindo Leal Filho, professor da USP e atual ouvidor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), considera que o caso não se enquadra nessa área. “Não é uma fonte jornalística, é um contraventor querendo tirar proveito da imprensa, é uma pessoa que está cometendo um delito, não enquadro como fonte jornalística”, defende.

A entrega das fotos e publicação de uma das imagens colaborou com a Polícia Federal na identificação de alguns dos envolvidos. Nesta segunda-feira (05/10), a PF ouviu o terceiro suspeito da fraude.

Dois homens procuraram a reportagem do jornal O Estado de S.Paulo no dia 30/09, com a pretensão de vender uma prova vazada do Enem. O veículo afirma que não aceitou a compra, mas fez a denúncia ao ministro da Educação, Fernando Haddad. O ministro afirmou, na última sexta-feira (02/10), que não não considera os dois homens como fonte jornalística e pediu a colaboração, na medida do possível, do jornal nas investigações.

6 comentários:

  1. Penso que essa história está meio que mal contada pelo Estadão. Fonte é fonte. Não existe fonte ruim ou fonte boa. Não existe fonte malvada e fonte boazinha. Se for assim, isto é, se formos entrar no terreno das "sensações", cada um vai tirar suas conclusões, e decidir abrir ou não o sigilo de suas fontes. A Constituição Federal protege a fonte, sem dizer que, se for um criminoso, poderá ser divulgado seu nome.
    Essa história pode começar a modificar o entendimento, no Brasil, sobre o conceito de "fonte".

    ResponderExcluir
  2. Querida, estou mandando de novo, pois não sei se a internet falhou. Se já tinha chegado, então não publique novamente, pois é cópia do anterior:

    Penso que essa história está meio que mal contada pelo Estadão. Fonte é fonte. Não existe fonte ruim ou fonte boa. Não existe fonte malvada e fonte boazinha. Se for assim, isto é, se formos entrar no terreno das "sensações", cada um vai tirar suas conclusões, e decidir abrir ou não o sigilo de suas fontes. A Constituição Federal protege a fonte, sem dizer que, se for um criminoso, poderá ser divulgado seu nome.
    Essa história pode começar a modificar o entendimento, no Brasil, sobre o conceito de "fonte".

    ResponderExcluir
  3. A fonte deve sempre ser preservada. Mas quando a fonte é o próprio autor do crime, a situação se modifica. O relato do criminoso sobre sua ação pode ser vista também como uma fonte ou como uma confissão, ele mesmo está se declarando culpado e todo crime deve ser punido. Ele sai da figura de fonte para se tornar um criminoso que resolveu se entregar através de um meio de comunicação. Se teve a idéia de relatar o fato para um veículo de imprensa é porque está disposto a pagar por ele.

    Luiz Henrique
    Prof(o): Sidnei

    ResponderExcluir
  4. Uma questão que leva-nos a imgainar é que se fonte deve ser preservada pois servirá como um canal das informaçoes, entao as pessoas nao sabem como definir o que é realmente "fonte".O fato das ameaças nada garante que isso foi pressao dos policias para que o caso se resolvesse mais rapido e abrirao mao de deixar em sigilo sua fonte,como alguns casos que ate hoje "ninguem" sabe se a fonte o usou ou ele usou a fonte.
    Gerciellen Lima
    Profº: Sidney

    ResponderExcluir
  5. Creio que a fonte perde totalmente credibilidade ao pedir dinheiro em troca. Se existisse realmente interesse de dilvulgar informação ela não pediria nada. A partir do momento em que a situação se torna mais séria como nesse caso de ameaças, vale sim divulgar a identidade do ameaçador. Não querendo desconsiderar a informação, pois sabemos que é sim bombástica e comprometedora, mais seria anti-ético o jornal não comunicar as autóridades competentes do acontecido e permitir que uma prova desse porte fosse aplicada nessa situação. O jornal agiu da melhor forma possível, e finalizando repito o que já disse "Se existisse realmente interesse de dilvulgar informação a fonte não pediria nada em troca". Lucas Gustavo - Profº Sidney

    ResponderExcluir
  6. FONTE PARA MIM "FONTE" É COISA MUITO SERIA,TEM QUE SER PRESEVADA,FAZ PARTE DO JORNALISMO LEVADO COM CREDIBILIDADE ATE CONCORDO COM CERTAS FORMAS DE ACERTOS COM FONTES:PAGAMENTOS,TROCAS DE FAVORES
    ,NA VIDA TUDO TEM SEU PREÇO.
    NA BUSCA PELA INFORMAÇÃO VERIDICA O JORNALISTA NÃO TEM LIMITES E QUANDO SE TEM UMA "FONTE"ELA TEM QUE SER PRESEVADA ,CONTRAVENÇÃO E COISA DE POLICIA,POR ISSO CONCORDO COM O JORNALISTA E PROFESSOR USP LAURINDO LEAL FILHO. Gilson Marolo. Profº Sidney.

    ResponderExcluir