terça-feira, 7 de abril de 2009

Guerra na mídia

Antes de ler o texto abaixo, peço que vocês tentem fazer isso da foma mais isenta possível, sem conceitos previamente estabelecidos. Depois, busquem no seu conhecimento de mundo, outros fatos que possam ajudá-los a entender a situação em debate. Não vale opinar antes de compreender o histórico e o contexto da situação. E não se esqueçam de analisar: quais os interesses corporativos permeiam esta questão?

Record relembra 'ditabranda' e volta a atacar a Folha de S. PauloDa Redação do Comunique-se

A Rede Record voltou a atacar a Folha de S. Paulo durante a sua programação. Em reportagem de 13 minutos veiculada no Domingo Espetacular de 05/04, a emissora fala sobre a atuação do Grupo Folha durante o regime militar. Sob o título “O escândalo da ‘ditabranda’”, a matéria traz relatos de ex-presos políticos e relembra o editorial da Folha publicado no dia 17/02, que cunhou o termo “ditabranda”.

De acordo com a reportagem, a posição da Folha de S. Paulo “revoltou as vítimas da ditadura militar” e “reabriu feridas que pareciam cicatrizadas”.

“Os torturadores riam de mim, porque eu tinha leite, porque sangrava. Era mais ou menos rir de novo. Alguém rindo da minha história”, disse a ex-jornalista da Folha da Tarde, do Grupo Folha, Rose Nogueira sobre o polêmico editorial. Ela foi presa em 1969, um mês após ter tido um filho.

A reportagem também trata do assassinato do metalúrgico Joaquim Alencar Seixas. De acordo com relato do seu filho, Ivan Seixas, a morte de Joaquim foi publicada nos jornais antes de acontecer.

“O segundo exército divulgava notas oficiais. Todos os jornais deram. A única que comemorou, não deu simplesmente a nota, foi a Folha da Tarde. Porque era um jornal a serviço da repressão. É isso. Eles deram porque precisavam falar todos os dias que tinham matado alguém”, afirmou Ivan Seixas.

Além dos relatos de vítimas, a Record procurou representantes de instituições e intelectuais que criticaram o editorial da Folha.

“Quando a gente vê determinados meios de comunicação falando que não ocorreu uma ditadura, mas uma ‘ditabranda’, não podemos esquecer que determinados meios de comunicação também financiaram a tortura, só que agora eles estão renegando o passado”, disse a cientista política Vera Chaia.

O presidente do Movimento dos Sem Mídia, Eduardo Guimarães, foi um dos entrevistados. Ele organizou uma manifestação contra o editorial da Folha em frente à sede do jornal.

“É branda porque eles querem renegar a história, porque a história não os favorece. Eles querem dizer que, sim, apoiamos, pero no mucho. Apoiamos, mas era branda. Como que uma justificativa”, afirmou.

A guerra entre a Record e a Folha de S. Paulo começou no dia 17/03. Por meio de reportagem veiculada no Jornal da Record, a emissora acusou o jornal de publicar “notícias caluniosas” e anunciou que iria “responder em sua programação a qualquer novo ataque (...) e recorrer à Justiça em todos os casos em que a honra da empresa fosse atingida”.

Três dias depois, a Folha publicou editorial contra-atacando, afirmando que a Record pretendia “mover algo como uma campanha, pois a mesma mixórdia de reportagem canhestra e investida de comercial” estava sendo “repetida à exaustão”.

“O que é prática de jornalismo verdadeiro se torna - na percepção tosca dos atuais dirigentes da Record, acostumados a reduzir qualquer questão a seu aspecto comercial - uma suposta campanha contra a emissora. A mesma percepção levou a Igreja Universal a orquestrar litigância de má-fé na Justiça contra este jornal e a repórter Elvira Lobato, por conta de reportagens sobre subterrâneos financeiros daquele empreendimento religioso”, afirmou a Folha no editorial “Os ataques da Record”, publicado em 20/03.