sábado, 25 de abril de 2009

A culpa é da mídia

A maioria dos políticos brasileiros usa o poder erroneamente e depois culpa a mídia pela divulgação das barbaridades. Seria cômico se não fosse triste. Não dá pra comentar. Só lamentar. E esperar que os eleitores guardem bem os nomes de deputados e senadores que não têm ética, moral nem honra (sem contar um linguajar decente como exige o cargo que ocupam).

Ciro Gomes e senadores criticam a cobertura da mídia no caso das cotas de passagens
Da Redação do Comunique-se

No dia 22/04, o deputado Ciro Gomes(PSB-CE) contestou a divulgação de matérias na imprensa que creditavam ao Ministério Público a informação sobre o uso da cotas de passagens feitas pelo deputado.

"Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados". "Pode escrever o caralho aí", repetiu várias vezes o deputado aos jornalistas.

Para Dora Kramer, colunista de política do O Estado de S. Paulo, O Dia e BandNews FM, a atitude do deputado só prejudica o Parlamento. “Isso não contribui para a imagem do Parlamento. Não é essa a maneira de argumentar, só mostra que não tem argumento”, avalia.

Críticas do Senado
O senador Almeida Lima(PSDB-SE) classificou como uma irresponsabilidade a publicação da matéria “Farra das passagens chega ao Senado”, publicada pelo Correio Braziliense no dia 22/04.

“Voltarei à tribuna porque preciso desse desagravo ao jornal Correio Braziliense, que não agiu com seriedade quando ele diz 'Farra das passagens chega ao Senado'. Isso é uma irresponsabilidade, não só do jornal como do jornalista. Isto é uma excrescência”, afirmou o senador segundo o Congresso em Foco.

“Ele foi ouvido pela matéria, as informações estão corretas, mas é o direito dele criticar, é o direito de qualquer cidadão”, afirma Leandro Colon, repórter que escreveu a matéria publicada no Correio Braziliense.

O senador Epitácio Cafeteira(PTB-MA)disse que existe uma onda de denuncismo na mídia. “A imprensa está numa onda de denuncismo que pode levar a fechar esta Casa do Congresso”.

Outros membros do Senado, como José Agripino (DEM -RN), também criticaram a imprensa, afirmando que a mídia está quase misturando joio com trigo.

“Isso nada mais é do que um desejo de que a crítica não exista. Não há argumentos do Parlamento. O Parlamento tem tantos instrumentos de comunicação, mas demonstra que não sabe se comunicar”, conclui Dora.

Isso pode ser bom...

Comissão do MEC quer garantir liberdade curricular dos cursos de Jornalismo
Miriam Abreu, do Rio de Janeiro (Comunique-se)

O Presidente da Comissão formada pelo Ministério da Educação para aplicar novas diretrizes curriculares aos cursos de Jornalismo, José Marques de Mello, deixou claro que o objetivo do grupo é garantir “a liberdade curricular nas universidades e estabelecer diretrizes que não sejam uma camisa de força. Vamos respeitar as diversidades regionais, não queremos um tipo de jornalismo chapado. Defendemos uma formação básica genérica e unificada, mas cada curso deve procurar uma vocação”, explicou ele ao Comunique-se, ao término da audiência realizada na manhã desta sexta-feira, no Recife.

Ele avaliou como produtivo o encontro com representantes das associações, entidades de classe e jornalistas profissionais. “Todos nos trouxeram propostas concretas do perfil do novo jornalista, das competências deste profissional".

O presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, apresentou um resumo das sugestões da entidade para o estimulo à qualidade do ensino do jornalismo. “Somos contrários à dupla formação, à complementação da formação, favoráveis ao curso específico dentro do campo da comunicação. Pedimos também uma audiência depois da que será realizada em São Paulo, em 18/05, para a apresentação da conclusão do resultado final do trabalho desse grupo de especialistas”, contou Murillo.

Ele lamentou a ausência de representantes das entidades patronais, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert). “Espero que essa ausência não signifique que essas entidades sejam contra a formação superior, já que são contra a obrigatoriedade do diploma. Acho um desrespeito ao trabalho que esse grupo voluntário está desenvolvendo no sentido de qualificar o ensino no País”.

“Na verdade essa ausência não significa boicote. As entidades patronais têm mandado sugestões, não estão ausentes. Nem sempre as datas das audiências são viáveis para todos”, respondeu Mello.

As audiências têm sido um avanço, na avaliação do presidente da Comissão. Ele está ciente de que há posições contrárias e deixou claro que o grupo vai estabelecer diretrizes “consensuais, que atendam à sociedade”.

Sobre as contribuições recebidas por e-mail até 30/03, ele conta que o grupo já leu as sugestões. “Há muita coisa pontual, repetitiva. Uma equipe do MEC está fazendo uma grade com essas contribuições”.