segunda-feira, 27 de abril de 2009

Jornalismo infantil: uma nova visão

Como já comentei anteriormente, a aula sobre jornalismo infantil, na disciplina de Jornalismo Especializado, rendeu ótimos frutos. Outro deles é o texto abaixo. Acompanhem:



A maturidade que o Jornalismo Infantil precisa

Anderson Soares
Cláudio Henrique


O jornalismo tem o poder de influenciar a vida da sociedade em geral. Para o bem ou para o mal, a imprensa carrega esta responsabilidade de informar pessoas, fazendo delas seres conectados com os fatos, mesmo que de acordo com o viés ideológico que move determinado veículo. Se jornais, revistas, rádio, televisão e internet movem mentes adultas, nas crianças a mídia tem um livre acesso a ser explorado com conduta profissional e pedagógica. Mas será que o público infanto-juvenil aprecia com qualidade o que os meios de comunicação transmitem por meio da atuação jornalística?
O Jornalismo Infantil surgiu com o desejo de atrair o público mirim para as páginas impressas. Por meio de quadrinhos e atividades didáticas, as crianças foram encontrando um espaço didático anexado a várias páginas com letras, fotos e outras peculiaridades que no senso comum são taxadas como feitas para pessoas “mais velhas”.
Mas ao passar dos anos a novidade infantil caiu no marasmo, encontrando limitações até dentro de quem deveria apreciar o conteúdo de tablóides semanários. Vale ressaltar que a abordagem sobre o Jornalismo Infantil está até então restrita à mídia impressa, isso porque o gênero apresentado carece (e muito) de espaço em outros veículos. Dá para contar nos dedos quantas atrações para crianças podem ser consideradas jornalísticas no rádio, televisão ou até mesmo internet. O que se encontra são desenhos e mais desenhos, em uma linguagem que perdeu até mesmo o tom educativo.
Mas voltando ao âmbito impresso. A deficiência do Jornalismo Infantil no Brasil começa na abordagem de temas. É inadmissível querer ganhar a atenção dos pequenos por meio de uma linguagem arcaica e mimosa. Entre “amiguinho” e outros “inhos”, o veículo acaba definindo a criança como uma alienada mirim, a qual não cresce jamais.
O distanciamento da realidade infanto-juvenil é outra limitação dos informativos atuais. Os veículos acreditam que o leitor vive apenas de jogos de vídeogame, quadrinhos, desenhos e compras, esquecendo que a criança vive em uma sociedade e tem o direito de ser formada sobre tal. E o passar dos anos foi abolindo temas relevantes para as mentes mirins, tais como: cidadania, esportes, escola, entre outros, até mesmo temas mais polêmicos, como a política e violência, as quais fazem parte do cotidiano infantil.
Se o Jornalismo Infantil está perdendo a capacidade de informar, tampouco o gênero forma; é lamentável notar como algumas publicações e até mesmo outras veiculações são chamadas grosseiramente de informação. Abordar a roupa de determinada atriz para a moda mirim se tornou muito mais importante do que falar de pedofilia, algo que precisa ser esclarecido perante o pequeno público, que não é mais inocente como na época da revista Tico-Tico, criada em 1905 e considerada a primeira revista infantil feita no País.
Os jornalistas e veículos do gênero infantil deveriam olhar com mais sensatez para exemplos que vêm das escolas, onde existem atividades informativas com jornais, revistas, rádio e tevê. Fazer cidadania por meio da informação é o que as crianças precisam, pois elas devem amadurecer tendo como companhia informação didática sim, mas que também a faça cidadã. Passou da hora de o Jornalismo Infantil finalmente amadurecer.

A Sangue Frio

A obra de Truman Capote é um clássico do jornalismo, por este motivo está sendo indicada no "Mundo dos jornalistas". Mas o melhor de tudo é que a resenha foi feita pela acadêmica Angélica Neri e enviada ao blog como contribuição. Valeu Angélica!



De uma simples nota a um surpreendente Jornalismo

A riqueza de detalhes e as descrições minuciosas de lugares, gestos, objetos, traços físicos e psicológicos das personagens, roupas, pensamentos e comportamentos, fizeram de “A Sangue Frio” um dos mais reconhecidos livrorreportagens da História.

Nele, Truman Capote traz, com linguagem simples e direta, os desdobramentos de um acontecimento real: o assassinato dos quatro membros da admirada família Clutter, na cidade de Holcomb, no Estado norte-americano de Kansas, em 1959.

O livro, editado pela Companhia das Letras, está em sua 5ª reimpressão, possui 440 páginas, e é referência quando o assunto é o surgimento de um novo gênero: o new journalism.

A obra é fruto da ousadia e comprometimento de Truman Capote, que ao ler no jornal uma pequena nota sobre o crime, decidiu apurar os fatos de uma maneira aprofundada.

Durante seis anos, o escritor se dedicou a investigar. Ele coletou informações, mantendo contato com conhecidos, testemunhas e, inclusive, com os próprios assassinos para a obtenção de aspectos importantes para a estrutura da reportagem. Capote apresentou, de uma maneira diferenciada, um jornalismo capaz de sensibilizar e estabelecer uma aproximação entre o leitor e os fatos, colocando em discussão o tabu da pena de morte e a adrenalina de um mistério.

A repercussão não poderia ser diferente: um verdadeiro sucesso! O texto ganhou espaço em quatro capítulos na revista The New Yorker, e em 1966 destacou-se no mercado editorial, agora como livrorreportagem, ficando conhecido em todo o mundo. Mais tarde, ganhou também prestígio no cinema.

“A Sangue Frio” sugere o rompimento do Jornalismo comum adotado na época. O autor dá um passo importante para a renovação, fato que é facilmente observado em uma narração objetiva e amplamente literária, capaz de provocar emoções e contradizer as regras jornalísticas até então utilizadas.

O livro “A Sangue Frio”, de Truman Capote, tornou-se um ícone do Jornalismo literário, um novo gênero jornalístico, atrativo para adolescentes e adultos, que surge com a evidente aproximação entre a realidade e a literatura, caracterizados pela mistura de sentidos, descrições determinantes e uma maneira peculiar de narrar.