segunda-feira, 11 de maio de 2009

Folha de S.Paulo seleciona projetos de pesquisa sobre jornalismo

A dica é da professora Karenine Miracelly, que divido agora com vocês:

A Folha dá início hoje a um concurso para incentivar pesquisas sobre a história do jornalismo brasileiro. Chamado de Folha Memória, o programa selecionará três projetos de pesquisa e premiará seus autores com uma bolsa de R$ 2.300 mensais -mediante reembolso de despesas.
Nos seis meses em que receberão essa ajuda de custo, os candidatos selecionados deverão conduzir sua pesquisa com rigor acadêmico e transformá-la em um texto de interesse geral e caráter jornalístico. Eles serão orientados por um jornalista da Folha.
O melhor dos três trabalhos será publicado em livro editado pela Publifolha, e seu autor ganhará um laptop.
No concurso, que tem patrocínio da Pfizer, a história do jornalismo deve ser entendida em sentido amplo - ou seja, podem ser investigados fenômenos de qualquer época do jornalismo do país.
Os projetos também não precisam se restringir ao estudo de nenhum meio jornalístico específico -podem ser estudados veículos impressos, on-line etc.
Poderá inscrever seu projeto quem estiver concluindo ou tenha concluído graduação em qualquer universidade brasileira. Só será aceita a inscrição de um projeto por pessoa e as pesquisas devem ser individuais.

Inscrição e seleção
A inscrição deve ser feita no site http://folhamemoria.folha.com.br, até o dia 28 de junho. Ao se inscrever o candidato preenche uma ficha à qual anexará o projeto de pesquisa. No site está também regulamento detalhado do concurso.
A seleção passa por três fases. Na primeira, 30 projetos finalistas serão selecionados pela Folha e encaminhados para uma banca composta pela historiadora Isabel Lustosa, da Fundação Casa de Rui Barbosa, pela jornalista Renata Lo Prete, editora do Painel, e por Silvia Prevideli, consultora em Comunicação Corporativa da Pfizer. Essa banca escolherá os três contemplados com as bolsas, cujos nomes serão divulgados em 9 de agosto.
A partir do dia 10 de agosto, os três bolsistas devem começar a trabalhar na pesquisa, cujo resultado final deverá ser entregue seis meses mais tarde a
uma outra banca.
Nessa etapa, os avaliadores serão Eleonora de Lucena, editora-executiva do jornal, Nicolau Sevcenko, professor de história da USP, e Cristiane Santos, gerente de Comunicação Corporativa da Pfizer. Eles vão escolher o trabalho vencedor, que será divulgado no mês de fevereiro de 2010.

A maturidade que o Jornalismo Infantil precisa

Depois das aulas da disciplina de Jornalismo Especializado, sobre Jornalismo Infantil, os acadêmicos Cláudio Henrique e Anderson Soares, do 7o. semestre do Centro Universitário Toledo de Araçatuba, chegaram a conclusão que este segmento precisa amadurecer. Leia as razões:

O jornalismo tem o poder de influenciar a vida da sociedade em geral. Para o bem ou para o mal, a imprensa carrega esta responsabilidade de informar pessoas, fazendo delas seres conectados com os fatos, mesmo que de acordo com o viés ideológico que move determinado veículo. Se jornais, revistas, rádio, televisão e internet movem mentes adultas, nas crianças a mídia tem um livre acesso a ser explorado com conduta profissional e pedagógica. Mas será que o público infanto-juvenil aprecia com qualidade o que os meios de comunicação transmitem por meio da atuação jornalística?
O Jornalismo Infantil surgiu com o desejo de atrair o público mirim para as páginas impressas. Por meio de quadrinhos e atividades didáticas, as crianças foram encontrando um espaço didático anexado a várias páginas com letras, fotos e outras peculiaridades que no senso comum são taxadas como feitas para pessoas “mais velhas”.
Mas ao passar dos anos a novidade infantil caiu no marasmo, encontrando limitações até dentro de quem deveria apreciar o conteúdo de tablóides semanários. Vale ressaltar que a abordagem sobre o Jornalismo Infantil está até então restrita à mídia impressa, isso porque o gênero apresentado carece (e muito) de espaço em outros veículos. Dá para contar nos dedos quantas atrações para crianças podem ser consideradas jornalísticas no rádio, televisão ou até mesmo internet. O que se encontra são desenhos e mais desenhos, em uma linguagem que perdeu até mesmo o dom educativo.
Mas voltando ao âmbito impresso. A deficiência do Jornalismo Infantil no Brasil começa na abordagem de temas. É inadmissível querer ganhar a atenção dos pequenos por meio de uma linguagem arcaica e mimosa. Entre “amiguinho” e outros “inhos”, o veículo acaba definindo a criança como uma alienada mirim, a qual não cresce jamais.
O distanciamento da realidade infanto-juvenil é outra limitação dos informativos atuais. Os veículos acreditam que o leitor vive apenas de jogos de vídeo-game, quadrinhos, desenhos e compras, esquecendo que a criança vive em uma sociedade e tem o direito de ser formada sobre tal. E o passar dos anos foi abolindo temas relevantes para as mentes mirins, tais como: cidadania, esportes, escola, entre outros, até mesmo temas mais polêmicos, como a política e violência, as quais fazem parte do cotidiano infantil.
Se o Jornalismo Infantil está perdendo a capacidade de informar, tampouco o gênero forma; é lamentável notar como algumas publicações e até mesmo outras veiculações são chamadas grosseiramente de informação. Abordar a roupa de determinada atriz para a moda mirim se tornou muito mais importante do que falar de pedofilia, algo que precisa ser esclarecido perante o pequeno público, que não é mais inocente como na época da revista Tico-Tico, criada em 1905 e considerada a primeira revista infantil feita no País.
Os jornalistas e veículos do gênero infantil deveriam olhar com mais sensatez para exemplos que vêm das escolas, onde existem atividades informativas com jornais, revistas, rádio e tevê. Fazer cidadania por meio da informação é o que as crianças precisam, pois elas devem amadurecer tendo como companhia informação didática sim, mas que também a faça cidadã. Passou da hora de o Jornalismo Infantil finalmente amadurecer.