terça-feira, 26 de maio de 2009

Gazeta Mercantil, um dos ícones do jornalismo econômico do país, deve fechar

O futuro da Gazeta Mercantil é incerto. O jornal sofre pelo não pagamento de dívidas, principalmente trabalhistas. Foi levantada a possibilidade de os funcionários assumirem a publicação. Porém, ela está praticamente descartada devido ao prazo curtíssimo de pagamento das dívidas.

O antigo dono, Luis Fernando Levy, havia prometido para hoje um posicionamento sobre o encerramento das atividades. Entretanto, não se pronunciou. Na redação da Gazeta, o clima de incerteza continua. Os funcionários podem ser realocados em outras publicações da empresa CBM, que controla o jornal há cinco anos. Mas poucos acreditam na possibilidade.

“É muito difícil que todo mundo seja realocado. O pensamento da redação é de que todos estaremos desempregados. Eles também falam dos pagamentos, mas nada que eles afirmam se concretiza, então é difícil acreditar em realocação também”, diz um repórter.

A CBM afirmou que se responsabilizará por todos os pagamentos pelos cinco anos que controlou a Gazeta, mas não disse nada sobre as dívidas anteriores.

É a crise...

Em defesa do livre exercício do livre pensar



Ainda sobre a obrigatoriedade do diploma para jornalistas, Carlos Teixeira (foto), um dos profissionais de destaque da TVI de Araçatuba, e acadêmico do curso de Jornalismo no Centro Universitário Toledo de Araçatuba, também tem sua opinião formada. Ele, que já está no mercado há anos, tem seu trabalho reconhecido pela comunidade e, ainda assim, buscou os bancos acadêmicos para se profissionalizar, tem argumentos que precisam ser considerados. Leiam e comentem.


"Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo."

Françoise Marie Arouet Voltaire (1694-1778)

A frase do filósofo francês Voltaire retrata muito bem o contexto das discussões em torno da obrigatoriedade do diploma de jornalismo no Brasil. Os portadores dos “canudos” e sindicalistas (muitos sem o “tal” canudo) defendem que o documento acadêmico continue sendo obrigatório para o exercício da profissão. Muitos estão míopes e não conseguem enxergar o cerne da questão, que está bem em frente aos seus olhos. O exercício do jornalismo não deve ser prerrogativa apenas de quem faz o curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Outros “graduados” podem ter a mesma capacidade de articulação de um jornalista.

A idéia de que apenas este curso habilita o cidadão a escrever uma reportagem ou relatar um fato, dando todas as interpretações que derivam dele, é equivocada. Os defensores do diploma dizem que o jornalista deve ter uma “boa formação humanista, cultural e ética”. Apenas o curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo oferece isso? Então os alunos dos cursos de história, letras, filosofia, direito e tantos outros não têm este conteúdo? É claro que têm e podem, sob o ponto de vista dos conteúdos apresentados nestes cursos, apresentar uma visão diferente de um fato e retratá-lo ao leitor, caso tivessem a oportunidade de fazê-lo como jornalistas.

A disputa em torno da questão vem sendo travada há muito tempo. As baixas já atingiram diferentes lados, com perda salarial, falta de ética, censura e tantos outros mecanismos que ceifaram o direito de pronúncia de quem se prontifica a expor a própria opinião ou divulgar as de outrem.

O fato é que o Supremo Tribunal Federal tem em mãos a responsabilidade de mudar o estado das coisas e proporcionar uma maior liberdade de expressão no Brasil. Os ministros do STF estão prestes a fazer exatamente o que Voltaire disse em sua célebre frase, à época da Revolução Francesa, quando defendeu a liberdade de expressão. Se os digníssimos ministros decidirem pela não obrigatoriedade do diploma, será possível presenciar uma mudança no comportamento das pessoas, no que diz respeito a liberdade de expressão.

Um fato interpretado por um jornalista, pode ter uma interpretação totalmente diferente de um advogado, de um engenheiro ou de um filósofo. O leitor, com o conhecimento que detiver, fará a sua avaliação conforme a ótica que lhe for apresentada e o país poderá ter um jornalismo mais pluralista e livre. Todos têm a ganhar com isso.

Quanto às técnicas jornalísticas, com seus offs, cabeças, leads e etc... elas serão ensinadas em cursos de extensão, de aprimoramento, para que os “livres pensadores/escritores” possam dominar a técnica da produção industrial. É certo que não haverá redução do número de vagas nas universidades e serão criadas outras oportunidades para manter o rendimento financeiro, com os tais cursos técnicos e/ou de aprimoramento.

Para aqueles que defendem a obrigatoriedade do diploma, sem analisar as nuances da questão, fica mais uma frase de Voltaire:

"A necessidade obrigatória de falar e o embaraço de nada ter para falar, são duas coisas capazes de tornar ridículo ainda mais o maior homem". – Voltaire