domingo, 21 de junho de 2009

Fim do diploma 7: obrigada por nada


O texto abaixo é da acadêmica Lívia Gaspar (foto), do 5o. semestre do curso de Jornalismo do UniToledo. Merece registro e comentários.

Indignada. É única palavra que existe no mundo neste momento que pode expressar o que eu sinto agora.

Qualquer um pode ser o que quiser, a hora que quiser. Para isso, basta ser honesto ou não. Existem advogados formados e advogados com diplomas falsos, médicos formados e médicos com diplomas falsos... Existem formas para ser o que quiser sem precisar sentar num banco de faculdade. Todo mundo sabe disso.

Não me levem a mal, não estou querendo menosprezar nenhuma profissão, certo? Mas até para ser uma manicure ou depiladora é preciso ter pelo menos um certificado de curso. Mas se eu quiser fazer a unha ou me depilar em casa, eu não preciso ter um. Mas a lei exige que em um salão de beleza a manicure, a depiladora, a cabeleireira, a colorista, a esteticista, a massagista, qualquer profissional dentro do estabelecimento tenha um certificado de curso. Se um fiscal aparecer no salão e esses profissionais não estiverem trabalhando de acordo com a lei, o estabelecimento perde o seu alvará de funcionamento.

Gilmar Mendes comparou a profissão de jornalista com a de um chefe de cozinha. Obviamente os cozinheiros não são pessoas nem melhores e nem piores do que os jornalistas, no fim das contas todos nós somos apenas seres humanos antes de exercer qualquer profissão, mas com certeza um restaurante bem conceituado tem em sua cozinha um chefe de cozinha que saiba realmente o que está fazendo, e certamente uma pessoa que fez faculdade de culinária tem mais conhecimento do que uma pessoa que não fez.

Aí vem a pergunta: "Mas a experiência não conta nada?". É claro que conta, conta muito. Mas o cara que passou uns anos fazendo a faculdade de culinária, estudando a "arte de cozinhar", vai saber coisas que podem fazer toda a diferença.

Diante disso, nos resta esperar que as empresas jornalística tomem uma atitude correta e não deixem de fora quem se esforçou pra ter um diploma.

“Mais do que indesejável, a exigência do diploma para jornalistas é impraticável. Como se proibirá o exercício da disseminação da informação pela internet?”, foi o que disse a advogada do Sertesp, Taís Gasparian, referindo-se à proliferação dos blogs.

Pelo amor de Deus! Os blogs não são meios jornalísticos! Eu escrevo o que eu quiser e bem entender no meu blog, e logicamente eu não preciso ser uma jornalista pra isso! Mas jornais devem ser escritos por jornalistas, independente de ser impresso, rádio, TV, internet, sinal de fumaça!

Obrigada, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello, por nada!

Fim do diploma 6: triste sim, vencida jamais

Como todos os jornalistas formados, fiquei muito triste com a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão (por motivos óbvios, e outros nem tanto).
Foram necessários alguns dias para reflexão, muita leitura e conversa até os ânimos ficarem refeitos. Agora posso dizer que meu abatimento inicial se transformou em força. Triste sim, mas vencida, nunca.
Agora sinto-me preparada para começar a me posicionar sobre o assunto sem ter escrever "com o estômago", mas com o cérebro. Neste primeiro post, gostaria de dizer que o STF errou - com exceção do ministro Marco Aurélio Mello - porque desconhece a profissão (como deve desconhecer outros assuntos importantes que também julgam!).
O relator Gilmar Mendes fez apenas vencer sua ira contra a Veja, fez matéria contra ele elaborada a partir de escutas telefônicas que chegaram até a redação no caso Daniel Dantas, mais um escândalo do atual governo petista.




Gilmar Mendes valeu-se do ditado "a vingança é um prato que se come frio". Sim, foi só isso o que ele fez e aqueles que votaram com ele também o fizeram porque temem os veículos de comunicação, afinal já foram flagrados batendo papo no MSN, falando mal de colegas ao lado, enquanto julgamentos importantes estavam acontecendo, entre outras barbaridades, basta só folhear a própria Veja dos últimos anos.
O que o STF fez foi valer-se de raciocíonio lógico, mas completamente equivocado, utilizado uma vez por um aluno meu, da 3a. série do Ensino Médio de uma escola particular de Jales.
Instigado a opinar sobre o problema da reforma agrária no país em uma das aulas de redação, o garoto, herdeiro de fazendas e fazendas no Mato Grosso, disse que havia uma solução para os problemas com o MST, era só matar todos os sem-terra.
Os ministros do STF devem ter pensado igual: para acabar com as denúncias contra eles, bastava acabar com os jornalistas. Meu aluno do colegial estava errado. Os ministros que votaram a favor da extinção do diploma também.
Se antes, com a obrigação do diploma, a sociedade tinha problemas devido a jornalistas sem ética (como muitos políticos, médicos, advogados, etc. e tal), agora sim é que as pessoas conhecerão as barbaridades que podem ser cometidas por quem desconhece os princípios básicos da Comunicação (que é ciência, sim!) e do jornalismo.
Quanto a nós, jornalistas formados, cabe a todos, provar que a formação acadêmica é o diferencial que as empresas midiáticas precisam para garantir a qualidade da informação.
Acredito nisso!

Fim do diploma 5: Jornalistas (diplomados ou não) uni-vos!!


Esta colaboração é do acadêmico Carlos Teixeira (foto), do 5o. semestre de Jornalismo no UniToledo e responsável pelo Jornalismo da TVi de Araçatuba.


O diploma caiu. Agora, não é preciso mais o diploma específico de jornalista para trabalhar na área. Advogados, engenheiros, filósofos e quaisquer outros formados poderão atuar nos meios de comunicação. Convenhamos, a decisão do Supremo Tribunal Federal era esperada. Essa medida devia ter sido tomada há muito tempo. Bom, mas antes tarde do que nunca.
Alguns coleguinhas acadêmicos, como eu, estão se perguntando: o que vou fazer agora? Continuo a estudar ou abandono tudo, já que não é preciso mais o diploma para atuar como jornalista. Meninos e meninas, fiquem atentos. O Supremo Tribunal Federal tirou do Estado o poder de decidir no nosso mercado de trabalho. O próprio mercado vai se regular e não vai deixar de contratar os profissionais que buscaram a qualificação, a formação profissional para atuar nos veículos de comunicação.
Algumas empresas já se posicionaram sobre isso. As faculdades sérias vão continuar sendo procuradas para fornecer os profissionais para as empresas. O que precisamos fazer, enquanto profissionais, é nos mobilizar para manter as nossas garantias trabalhistas. Apesar da não obrigatoriedade do diploma para atuar no meio, as empresas são obrigadas a manter os pisos salariais, dissídios coletivos e todos os benefícios da categoria. A obrigatoriedade acabou, mas os sindicatos e os direitos trabalhistas conquistados não!
Diante disso, o Sindicato dos Jornalistas deve mudar a sua postura, já que foi voto vencido, para angariar a simpatia de todos os profissionais para fortalecer a entidade e conquistar outros benefícios. Uma vez deglutida a decisão do Supremo, todos os envolvidos no processo devem rever os conceitos e adotar novas posturas diante da nova situação.