sexta-feira, 26 de junho de 2009

Aviso

A partir de hoje, e pelos próximos 30 dias, não conseguirei me aproximar do computador todos os dias. Os motivos são vários, mas a causa, uma só: férias! Assim, gostaria de avisar que este blog será atualizado sempre que possível, mas retornará à sua vida normal em agosto. Bom descanso a todos. Que recarreguem suas energias.

Diploma 17: Diploma cai, mas empresas ainda querem profissionais formados

O texto é de Cinthia Almeida, publicado no Comunique-se. Acredito que, como diz a matéria, a empresas midiáticas sérias - e inteligentes - continuarão preferindo os profissionais diplomados e capacitados.

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a exigência do diploma para o curso de jornalismo, dividiu a categoria e trouxe várias questões sobre a regulamentação da profissão. Jornalistas formados, não-formados, estudantes e professores querem saber, o que muda a partir de agora no mercado de trabalho?

Uma das principais portas de entrada na profissão é o programa de estágio. Três dos principais jornais do País usam deste meio para treinar futuros profissionais. Mesmo com a mudança na legislação, para alguns veículos de comunicação, ter curso superior ainda é um critério de seleção. Um exemplo é o jornal O Globo.

"Acreditamos no papel da escola"
“As organizações Globo respeitam a decisão do STF, mas acreditamos no papel da escola e na qualidade dos profissionais formados. Portanto, estar cursando ou ser formado em Comunicação Social continua sendo um dos critérios para a inscrição dos candidatos”, disse Luiza Correa, responsável pelo programa de estágio “Boa Chance” do jornal O Globo.

Por estar em andamento, o processo seletivo do Estadão não muda neste ano. Para o ano que vem ainda não se sabe se haverá alguma mudança.

“O processo seletivo para 2009 não terá mudanças porque já está na sua fase de encerramento das inscrições. Para 2010 não está nada decidido, pois a lei ainda é recente” informou Marisa Oliveira, responsável pelo “Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado” do jornal.

A Folha de S.Paulo não se preocupa com a decisão do STF. Mesmo antes dela, não exigia a graduação em Jornalismo.

“Nada mudou para o grupo Folha. O requisito principal para se inscrever no programa é o diploma. Qualquer pessoa que tenha curso superior concluído ou em curso, pode participar, basta que seja criativa, bem formada e julgue ter talento para jornalismo”, afirmou Ana Estela de Sousa Pinto, responsável pelo programa “Treinamento Folha” da Folha de S. Paulo.

Fim do diploma 16: Câmara de Araçatuba vota moção de repúdio

Este texto foi reproduzido do site do Centro Universitário Toledo de Araçatuba. A matéria é da acadêmica Barbara Franchesca Nascimento, do 1o. semestre de Jornalismo, e foi divulgada hoje, dia 26/06. Espero ver os interessados na Câmara!

O Legislativo de Araçatuba vota na sessão ordinária desta segunda-feira (dia 29) moção de repúdio à decisão dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) pela inconstitucionalidade da exigência do diploma em curso superior específico para atuação profissional como jornalista. O documento foi protocolado pelo vereador Arlindo Araújo (foto) que entendeu como equivocado o argumento utilizado pelos ministros para extinguir a obrigatoriedade do diploma.


De acordo com ele, é direito de todos os segmentos da sociedade e principalmente dos representantes públicos a manifestação contrária à anulação do decreto-lei 972/1969. “Ao perceber, pelos noticiários, o resultado da votação no STF, com oito votos a um para a extinção do diploma, eu entendi que seria necessário manifestar uma opinião oposta a essa decisão”, esclarece.

Na moção de repúdio, Araújo ressalta que a medida beneficia diretamente os grupos despreocupados com a ética e a educação brasileira, além de enfatizar que a liberdade de expressão e do livre pensamento, garantidos pela Constituição Federal, não podem ser confundidos com qualificação profissional, principalmente em nível de ensino superior. O legislador araçatubense alerta ainda para o perigo de tais decisões, as quais são utilizadas por regimes totalitários e representam um retrocesso na política democrática.

Depois de votada em plenário, cópias da moção de repúdio serão encaminhadas para o Senado Federal e a Câmara de Deputados Federais com o intuito de mostrar a omissão dos representantes públicos em relação aos profissionais da informação. “O encaminhamento dessas cópias é uma forma de mostrar a inércia dos nossos legisladores, pois se houvesse uma decisão pela regulamentação do diploma para os profissionais de jornalismo, o STF teria que se ater a essa medida e os ministros não legislariam no lugar dos legisladores”, argumenta Araújo.

A sessão na Câmara de Araçatuba começa às 19h. O vereador espera que a sessão seja acompanhada por jornalistas, estudantes de jornalismo e professores da área.

Fim do diploma 15: Vamos conhecer outros argumentos!


O texto abaixo é da colunista Barbara Gancia (foto). Foi publicado na Folha de S.Paulo, caderno Cotidiano, no dia 19 de junho, dois dias após a decisão do STF. Quero que você leia com atenção e, antes de vociferar, considere os argumentos e, se for o caso, rebata-os com inteligência, raciocínio, e não com o "estômago".

Jornalismo é uma profissão que pouco tem a ver com a teoria. Aprende-se apenas enfiando a mão na massa


NA QUARTA-FEIRA , assim que saiu a decisão do STF tornando inconstitucional a exigência do diploma de jornalismo como condição para o exercício da profissão, recebi uma longa mensagem lamentando a determinação. Veja: "Barbara, pelo amor de Deus, somos jornalistas. Eu estudei, me dediquei, tirei notas boas, mas, acima de tudo, amo a profissão. Agora, qualquer detentor do conhecimento que saiba escrever pode exercer a profissão sem fazer curso, sem gastar o dinheirão que eu gastei."

Interrompo antes que o sangue suba-me à cabeça: como assim, "qualquer detentor do conhecimento que saiba escrever"? Será que o amigo missivista acha que a decisão do STF tornará o processo de seleção em jornais, revistas etc. menos rigoroso? A ideia não continua sendo de que jornalistas devem ser pessoas detentoras de conhecimento que saibam escrever? E a quem ele defende, aos cursos de jornalismo ou à profissão que diz amar?

Ele prossegue: "Estou indignado pelo fato de distorcerem artigos da Constituição a favor do convencimento que jornalista agora nem precisa de universidade. Como não precisa? Tivemos aulas de filosofia, ética, cultura popular, sociologia, teoria da comunicação...".

Pelo visto, ficou faltando aquela aulinha básica de redação, né não? De que adianta estudar teoria da comunicação quando se acaba escrevendo uma feiúra como "a favor do convencimento que"? O colega me faz uma pergunta muito da mal formulada, mas tudo bem: "Barbara, você concorda com o STF quando ele compara a desnecessariedade do diploma com o fato de um bom chef de cozinha não precisar de certificado para cozinhar?"

Eu diria que a analogia feita pelo STF não poderia ser mais acertada. Jornalismo é o tipo de profissão que pouco tem a ver com teoria. Aprende-se enfiando a mão na massa. E como no Brasil os cursos muitas vezes são caça-níqueis ou ministrados por professores que não conseguiram uma vaga na Redação de um grande jornal ou na TV, a faculdade de jornalismo resulta em uma espetacular perda de tempo.

Desde sempre, vejo focas saírem da faculdade e chegarem à Redação completamente despreparados e relatando histórias de terror. Cito uma clássica. Certa vez estava parlamentando com o editor quando, vinda da faculdade, uma estagiária disse que, naquele dia na sala de aula, o professor discorrera longamente sobre as desvantagens de se trabalhar com o editor em questão e na empresa em que todos nós trabalhávamos. O editor perguntou o nome do professor.

Quando a moça disse quem era, ele suspirou: "Esse eu tive que demitir por justa causa". Voltando à mensagem do jornalista que lamenta o fim da reserva de mercado. Diz ele que: "Os invasores não vão mais enfrentar as agruras do dia a dia numa universidade. Eu me fiz em dois por conta do meu TCC. E agora, tudo isso foi em vão?" Bem, quem mandou estudar apenas para passar de ano, não é mesmo?

E que medo irracional é esse de invasores, estamos falando de marcianos? Não é porque caiu a obrigatoriedade do diploma que a velha história sobre ter competência e se estabelecer deixou de vigorar. Por sorte, o trabalho do jornalista continua a ser uma vitrine em uma esquina movimentada: seu talento -ou a falta dele- será visto por todos os que passarem na frente da loja.