terça-feira, 22 de setembro de 2009

É pelos sonhos que vamos...

Ombudsman da Folha diz que jornal não atende maior parte de suas sugestões

Izabela Vasconcelos, de São Paulo, para o Comunique-se

O ombudsman da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, na "Sabatina na Folha", evento realizado nesta segunda-feira (21/09), afirmou que na maioria das vezes a redação não atende suas sugestões. Lins também disse que não sabe como medir quando algo foi feito por sua sugestão ou por outros motivos, já que não tem uma relação estreita com a redação.
Uma de seus mais recentes apontamentos, que ainda aguarda uma posição dos jornalistas, foi do caso da regulação da imprensa argentina. “Sugeri que a redação faça uma avaliação entre a proposta de Lei de mídia argentina e o que é feito em outros países, como Estados Unidos, porque acho que não seja algo tão diferente”.
Principais erros do jornal
Questionado sobre os principais erros cometidos pelo jornal desde que assumiu o cargo, em 2008, Lins destacou o episódio da ficha falsa da ministra Dilma Rousseff e a matéria que alertava, com dados desatualizados e fora de contexto, a possibilidade de a Gripe A infectar 35 milhões de brasileiros em dois meses.
Outro fato que não deveria ocupar manchete da Folha, em sua opinião, foi a morte de Michael Jackson. “A morte dele não é manchete para a Folha. É manchete para a Contigo. Deve ser primeira página, mas não manchete”.
Além de criticar o jornal, como é sua função, Lins destacou a cobertura dos conflitos entre Palestina e Israel como um trabalho bem feito pela equipe de reportagem, que mantém um correspondente na região dos conflitos.
O que irrita o ombudsman
O jornalista declarou que uma das coisas que mais o “irritam” no jornal é quando a redação publica um assunto e depois “some” com o tema, perde os desdobramentos. Lins também criticou a postura da redação quando, em certas ocasiões, o veículo só reage aos fatos. Além disso, o jornalista também disse que o jornal tem disposição para cobrir apenas corrupções na política, mas não acompanha como deveria a tramitação e aprovação de leis importantes para os cidadãos, entre outros fatos do Congresso.
Além de responder perguntas da platéia, Lins foi entrevistado pelo colunista da Folha Marcelo Coelho, Eleonora Gosman, correspondente do jornal argentino Clarín, Verónica Goyzueta, correspondente do espanhol ABC, e Eugênio Bucci, professor da ECA-USP e colaborador de O Estado de S. Paulo.

Carlos Eduardo Lins e Silva já chegou a um patamar na profissão que pode se dar ao luxo de escolher o que e onde fazer. Se continua como ombusdman da Folha, mesmo não tendo suas sugestões acatadas como gostaria, ainda assim não deve desanimar, pois está fazendo seu trabalho correta e dignamente.
O leitor é capaz de avaliar os erros (muitos deles graves) cometidos pelo veículo ao ler a coluna do jornalista. E, assim, seu trabalho, voltado mais ao público do que à empresa midiática, tem significado importante. Quem sabe, informado, os leitores passem a cobrar as mudanças sugeridas pelo ombudsan, e assim sim a Folha vai ter que mudar sim!

Jornalismo Econômico

Chato, difícil, para engravatados...
Não são poucas as definições pessimistas para o Jornalismo Econômico.
Entretanto, se as pessoas tivessem consciência da importância de saber ler as entrelinhas dos números da inflação, dos juros, dos preços...certamente o país não seria tão miseravelmente desigual.
Penso em tudo isso enquanto releio Jornalismo Econômico, de Suely Caldas (Editora Contexto). Livro simples, de linguagem fácil, acessível, direta, clara e objetiva. A obra é indicada para todos os acadêmicos de Jornalismo e coleguinhas que quiserem conhecer um pouco mais da área, suas histórias e, especialmente, a importância destas notícias na vida dos cidadãos.
Para deixar um gostinho de "quero mais", só algumas frases da autora:

"É preciso reconhecer que quem por vezes pode deixar o jornalismo econômico difícil e chato é o próprio jornalista."

"...(o jornalismo econômico) é um guia de sobreviência indispensável para nossa vida cotidiana".

Leiam e depois me digam o que acharam.