segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Comunicação corporativa

Especialistas em gerenciamento de crise apontam a "era da transparência"
Izabela Vasconcelos, de São Paulo, para o Comunique-se



“A crise financeira aumentou a pressão para uma clareza nas empresas. Essa é a era da transparência”, declarou o jornalista Flávio Castro, especialista em gerenciamento de crise e reputação Castro, durante o evento "Efeito Obama", em São Paulo. Ele mencionou o resultado de pesquisa publicada pelo The Economist e realizada junto a executivos de grandes empresas. Noventa e quatro por cento deles destacaram que o risco de manchar a reputação e a imagem de uma empresa aumentou muito nos últimos cinco anos.

Castro debateu com Cila Schulman, especialista em comunicação e estratégia de campanhas eleitorais e políticas, Expedito Filho, diretor da Máquina da Notícia em Brasília, e o antropólogo Renato Pereira, responsável pelas campanhas do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, sobre a exigência do mercado pela transparência de empresas e políticos.

Cila enfatizou que hoje as crises são mais surpreendentes que há anos. “Antes você tinha mais tempo para controlar as crises, para discutir. Hoje não, a crise vem e você não sabe de onde surgiu. É preciso fazer a prevenção da crise”, disse a jornalista.

Expedito Filho, que trabalhou como repórter nos principais veículos brasileiros, lembrou o caso de Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda que foi flagrado dizendo que “o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”.

O jornalista também falou do caso Collor, que passou de “caçador de marajás” a político derrotado, além dos casos de Marco Aurélio Garcia, nos gestos obscenos diante do acidente da TAM, à Marta Suplicy, com o “relaxa e goza” ao se referir à crise aérea. “Tudo isso mostra como é importante e decisivo a atenção nas palavras, na hora de um porta-voz explicar uma crise”.

Pereira falou do trabalho que desenvolveu ao assessorar o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, que, por ser o maior produtor de soja do mundo, ficou conhecido como a “motosserra de ouro” da floresta amazônica, e chegou a ser chamado de "estuprador da Amazônia" pela imprensa estrageira, além de ser criticado por veículos nacionais e instituições ambientais.

O desafio de Pereira foi constatar se os comentários contra Maggi se tratavam de uma crise de imagem ou política. “A nossa missão foi romper com o preconceito e criar uma ponte de entendimento entre mundos distintos”, afirmou ao se referir aos embates travados entre urbanistas e rurais.

O especialista criou uma agenda de iniciativas e definiu uma narrativa, a de que Maggi era um “líder buscando alternativas de desenvolvimento sustentável”. Com a nova agenda, o governador passou a discursar em eventos ambientais no Brasil e no exterior, apresentando suas propostas para o meio ambiente e para a agricultura. Algum tempo depois, Maggi passou a ser retratado em veículos como Veja, O Globo, entre outros, como uma “metamorfose”, o que desfez a imagem de político sem responsabilidade ambiental.