sábado, 25 de dezembro de 2010

Diário de bordo - Na terra do Didi

Sábado (25/12/2010) – Natal!


Estamos em Sobral (CE), a quinta maior cidade do Estado, terra do Didi (o Renato Aragão). Ela é famosa no mundo, pois foi aqui, há 80 anos, que a Teoria da Relatividade de Einstein foi provada em um eclipse total. Amanhã visitaremos o museu, que hoje já avistamos. É uma cidade suja, sem ruas definidas, calçamento irregular, muita areia espalhada e um cheiro de esgoto no ar, mas, ao mesmo tempo, consegue ser linda por causa da arquitetura, que tem vários estilos, inclusive o art déco. Não vi tantos prédios assim a não ser em Miami.
É uma cidade de turismo religioso, e não é para menos, há igrejas maravilhosas aqui, visitamos todas, inclusive uma, a de Nossa Senhora dos Pretinhos, onde assistimos a um casamento, em plena noite de Natal. Ela estava toda iluminada por fora, coisa de cartão postal, imagens que não sairão da nossa memória. Aqui há também uma réplica do Arco do Triunfo, só que em homenagem a Nossa Senhora. Tudo aqui, aliás, está voltada para a igreja. O único jornal da cidade, semanal, tablóide, é da Paróquia. A diagramação é moderna, é bem colorido, mas a linha editorial...

A viagem de Teresina para cá foi tranquila. Estradas boas, mas GPS maluco, ele não conseguia se localizar. Não há grandes cidades entre Teresina e Sobral, só muitos povoados. Descemos uma serra maravilhosa, vimos cenas hilárias – uma placa indicava o estádio Coelhão, e só vimos cerca de arame, duas traves e muitos coqueiros. É claro que fiz foto. Como também do comércio de carne por aqui. Elas ficam estendidas, sem proteção, tomando poeira, fumaça e nem quero pensar que sorte de outras coisas...

Amanhã chegaremos em Fortaleza!!!Praia, sol, mar...

Diário de bordo - No porão da ditadura

Sexta-feira (24/12/2010)

Primeiro dia sem estrada. O dia começou lindo, com sol. Acordamos sem despertador, tomamos o café da manhã mais farto até agora. Não consegui escapar e acabei experimentando a tapioca com queijo e presunto e outra versão mais pesada: com bacon. Gostei, mas não dá pra encarar todos os dias como eles fazem por aqui. É pesada, tem uma hora que a massa cresce na boca. Depois do café, piscina, sol, leitura do jornal local – o melhor até agora, boa diagramação, mas linha editorial complicada – brincadeira com as crianças na água até cansar.

A proposta do dia era visitar os pontos turísticos da cidade. E foi o que fizemos: igrejas, palácios – a sede do governo é linda!!!!, o Palácio de Karnak, uma réplica de um templo do antigo Egito – pontes, rios, prédios antigos (cuja arquitetura vem sendo mantida, lindos) e o centro de artesanato. Visita despretensiosa, para compras e lazer. Quem dera!

O centro funciona em um prédio antigo, que no passado teve duas funções. Uma de suas fachadas servia para o teatro da cidade. A outra era sede do Exército. Unidos, os prédios agora formam um grande quadrado onde foram dispostas pequenas lojas, anfiteatro, salas de aula das diversas artes, entre outros. Precisei visitar uma ala inteira das lojinhas para perceber que todas elas, de tamanhos iguais, mais pareciam celas. E foram, no passado. Mas só entendi tudo na última porta, depois de comprar as lembranças de palha de bacuri, chaveiros, chapéus e licores. Naquele local, um grupo ouvia atentamente um piauiense empolgado. O sotaque e o modo de falar deles dificulta a compreensão de primeira, mas ele falava de ditadura militar e não deu pra não parar para ouvir.

Ele mostrava uma grade no chão, de onde podia se ver uma escada grande, íngreme, com degraus grossos. Então entendi de vez o que quer dizer, literalmente, a expressão “porões da ditadura”. O guia explicou que nos anos 60/70 aquela sede do Exército serviu para prender e torturar os piauienses. Eles eram presos, trazidos para o local, torturados (um bastão de madeira ainda está lá, em exposição), e muitas vezes jogados naquele porão. A descrição já era cruel, mas quando ele levantou a grade e perguntou quem queria descer, fui uma das primeiras (e poucas). Não sou ‘virgem’ no assunto. Tive o melhor professor de História que alguém que cresceu nos anos 70 poderia ter: Cristóvam Avelhaneda, um bravo, que se recusou a ensinar o que os militares queriam, ensinou o que quis. Fui amiga de Renato Rollemberg, cujo pai, o advogado e político Roberto Rollemberg, foi cassado por ajudar os mais necessitados. Conheci o Sr. Ruy Berbert, pai de Rui Carlos Berbert, estudante morto no Araguaia, cuja identificação dos ossos, décadas depois, eu acompanhei de perto. Li tudo, assisti aos documentários, filmes, estudei as músicas, mas, fisicamente, o mais perto que eu havia chegado nesta história tinha sido da sede do Exército na rua Tutóia, em São Paulo. De ímpeto, desci naquele porão. Meu filho, Eduardo, quis me acompanhar, mas não conseguiu ficar por muito tempo, como aconteceu com a Verônica, quando ela desceu com o pai.

Descer a escada é difícil. É estreita, rústica, com degraus muito altos. Mas para s presos não havia dificuldade porque eram jogados lá depois de torturados, de uma altura de quase 5 metros. A primeira impressão é escura. Não há luz, porque não há janela, só um retângulo de pedra úmida, estreito e alto. Deve ter uns 7 metros de comprimento por uns 3 metros de largura. Na parede ainda há os dois ganchos que prendiam os presos pelas mãos, em uma tortura psicológica que podia durar dias, semanas ou meses. Nas paredes ainda há o suporte para o pau-de-arara e a fiação com fios descascados. Há manchas nas paredes, que dizem, são de sangue. Mas o pior de tudo é o cheiro, amargo, azedo, podre. Dói o nariz, embrulha o estômago, enche os olhos de água.

“Por que as pessoas faziam isso?”, perguntaram meus filhos quando o pai e eu saimos. Foi um momento intenso quando explicamos que para eles serem livres como são hoje, muita gente precisou morrer. Eles estão mais atentos, curiosos, querem ouvir as histórias.

Saí atordoada. Almoçamos no meio da tarde, em outro shopping da cidade, também plano e agradável. No último tour da tarde, fomos conhecer mais pontes e prédios históricos e, sem querer, chegamos ao Maranhão. Sim, é o rio Parnaíba que divide os dois estados e ao atravessarmos uma ponte, conhecemos Timon, a primeira cidade maranhense.

Nesse passeio algumas coisas nos chamaram a atenção. Em Teresina, ao lado do rio Parnaíba, há um lava-jato alternativo. São desempregados que captam a água do rio e lavam os carros na rua mesmo, claro que por um preço mais acessível. As pessoas estacionam, sentam-se em bancos improvisados e numa rapidez absurda, os homens lavam os carros com a água do rio.

Outra curiosidade é que há um mercado de coisas usadas: fogão, geladeira, TV, a céu aberto, no centro da cidade. Cheguei a fotografar.

Depois de andar muito em uma cidade que tem dois sóis pra cada um (como parafraseou a Verônica de uma frase do Alexandre, meu amigo fotógrafo), voltamos ao hotel para descansar e ceiar. Noite simples, tranquila e deliciosa. Tomara que o Natal de todos que amamos tenha sido assim.

Diário de bordo - Ainda são muitos os Fabianos

Quinta-feira (23/12/2010)


Maurício se esqueceu de atualizar o relógio e quando ele tocou, no horário de verão de São Paulo, às 6h30, eram 5h30 da madrugada no Piauí!!!! Mas o hotel estava um movimento só. Acho que todos acordaram juntos e quiseram sair ao mesmo tempo. O que no Piauí é impossível. Eles não têm pressa. Muitas vezes, nem planejamento, nem organização. Explico: O café da manhã não foi suficiente para todos os hóspedes, algumas pessoas ficaram sem comer porque o hotel não tinha previsto o movimento (e nos povoados vizinhos não havia alimento, água e outros tipos de bebidas para prover o hotel, simples assim). Comemos o suficiente. O Maurício até arriscou uma carne seca com suco de cajá logo cedo (ai). Eu fiquei só no suco. Não tenho estômago pra tanto.
Comecei dirigindo e dei sorte porque depois de 3 horas no volante, quando passei a tarefa para o Maurício, foram 75 quilômetros pra esquecer. Primeiro porque o asfalto atrapalhava os buracos, da média de 120 quilômetros por hora que vínhamos fazendo (ops!), por 75 quilômetros tivemos que reduzir as vezes até para 40 quilômetros. A tortura durou uma eternidade. Depois porque revi cenas que pensava que jamais tornaria a ver.
Há 18 anos estive no Nordeste pela primeira vez, e uma cena em Alagoas me marcou: crianças na estrada, com pás nas mãos, tampavam e destampavam os buracos do asfalto (feitos pelo tempo ou por eles próprios) para ganharem um “dinheirinho” como pediam acenando com os dedos. Hoje vimos a mesma coisa no Piauí, em Campos do Buriti. Mas não eram mais só crianças. Crianças, moços e velhos, homens e mulheres, todos num sol de no mínimo 40 graus (lembrem-se, a Linha do Equador passa por aqui!) tendo só essa opção pra sobreviver. Vivem daquilo que lhes é jogado das janelas dos carros. No passado, além do dinheiro, quis dar um pacote de bolachas para um grupo de crianças de Alagoas. Elas pegaram o pacote, cheiraram o plástico da embalagem e não sabiam o que fazer com aquilo, não conheciam. Hoje não quis dar as bolachas, fiquei com medo daquela cena se repetir. Fui dando as moedas de 1 real que tinha até que elas se acabaram e as pessoas pedindo, não. Me senti incapaz, não resolvi os problemas de quem eu dei a moeda, não resolvi os problemas dos outros. E eles também não conseguirão resolver este problema. Vão trocar seus votos pelas cestas básicas que lhes derem, porque precisam sobreviver (embora a não reeleição doMão Santo e do Heráclito já sejam um bom indicativo). Ainda existem muitos Fabianos e agora eu entendo porque o “sertanejo é um forte”.
Almoçamos em Floriano, a terceira maior cidade do estado e olha, ela é bem menor do que Jales...O almoço foi uma delícia, em um restaurante de hotel onde fomos apresentados à cajuína, um suco de caju diferente do que conhecemos. Bem, a paisagem só mudou na entrada da capital Teresina, grande, plana e com todos os problemas das capitais, em especial o trânsito caótico, as ruas mal sinalizadas e a pobreza exposta pelas ruas. Aqui elas não estão debaixo dos pontilhões porque alguém decidiu transformar estes vãos em shppings da natureza, lojas que vendem plantas e flores. Ideia original e genial.
Estamos no melhor hotel, com vista para o Rio Poty (Poty era o nome da cidade antes de Teresina), de frente aos shoppings e eu ainda me sinto tão culpada pelas crianças que não pude ajudar pela estrada. Meus filhos levaram um “baque”. Não imaginavam a pobreza. Agora sabem que existe e é cruel, desumana. Jantamos em um dos shoppings que tem tudo o que os outros têm, inclusive as franchisings, mas uma característica singular: ele é térreo, aliás tudo em Teresina é plano, só há 10 anos eles começaram a construir prédios, em um bairro específico, Ilhotas, onde ficam os hotéis, como o que nós estamos. Dormimos como anjos...

Cidades: Barra de Santana, Palmeira do Piauí,Alvorada do Gurguéia, Colônia do Gurguéia, Eliseu Martins, Canto do Buriti, Pajeu do Piauí, Flores do Piauí, Itaueira, Floriano, Angical, Santo Antônio dos Milagres, São Pedro do Piauí, Agricolândia, Lagoinha do Piauí, Olho D´Agua do Piauí, Miguel Leão, Monsenhor Gil, Lagoa do Piauí, Demerval Lobão, Teresina (PI).

Diário de bordo - O esquecido Piauí

Quarta-feira (22/12/2010)


Café da manhã de hotel, sempre bom e farto. Estrada! Mas a paisagem mudou. Os campos plantados deram lugar para um sertão verde, nativo, de terra rochosa, sem a interferência do homem. Quilômetros e quilômetros de terra, sem homens, nem plantações, sertão, duro e seco sertão. O cenário não mudou quando entramos no Piauí, aliás, só piorou. As cidades transformaram-se em povoados, distantes, pobres, carentes, esquecidos, por Deus e pelos políticos (a partir de agora vou prestar mais atenção nos representantes do Piauí, eles são ruins demais porque a miséria grassa por aqui). A maioria das casas ainda é de pau-a-pique, com paredes de barro e folhas de coqueiro no teto. Não há plantação, nem criação, só o sol, a seca e, acho, o Bolsa-Família. Se não, como sobreviveriam? Os homens, sem nada pra fazer, se amontoam nos botecos, onde sempre há uma mesa de sinuca (impressionante!). As mulheres? As que não estão carregadas de filhos, estão “com o bucho cheio”, como se diz por aqui. Como sobrevivem?Não sei! Nas paradas nos postos, algumas surpresas: a comida é barata (10 reais o quilo) enquanto o combustível é caro, R$ 2,40 o litro do álcool (onde ele chega) e R$ 3,00 o litro da gasolina. Ainda assim, a frota de motos Honda e camionetes importadas é impressionante por aqui. Há casas de barro com camionetes estacionadas. E todos já têm motos, os burricos são enfeites perigosos na beira da rodovia (eles nunca estão presos e teimam em atravessar o asfalto). Bem, se comer já começava ser um problema a partir de São Paulo, encontrar um lugar pra dormir no Piauí passou a ser um desafio. Saímos de Araçatuba com todas as paradas planejadas, reservas feitas por telefone ou internet, mas...vendo alguns locais 'in loco' foi preciso desistir e tentar a sorte mais pra frente, pois não havia a mínima condição, especialmente para duas crianças. Foi assim, ao acaso, que achamos um oásis no deserto pra dormir, um hotel (Palace Hotel de Gurguéia, em Cristino Castro) com piscina onde as crianças se divertiram e nós pudemos ficar descansados. Pura sorte.

Cidades: Barreiras, Riachão das Neves, Santa Rita de Cássia, Formosa do Rio Preto (BA); Cristalândia do Piauí, Corrente, São Gonçalo do Urgunhães, Gilgo, Paus, Monte Alegre do Piauí, Redenção do Gurguéia, Contrato, Eugenópolis, Bom Jesus, Caiazeiras e Cristino Castro (PI).

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Diário de bordo - Goiás e Bahia, em pleno desenvolvimento

Terça-feira – 21/12/2010


Madrugamos novamente: 6h30. Café da manhã gostoso, com manteiga caseira mineira (hummm!). Malas no carro e estrada, linda, plana, verde, repleta de plantações: soja, milho, feijão, sorgo, em grande, grande quantidade. As planícies são lindas e as montanhas, cenas de filmes. A viagem foi muito tranquila, os poucos momentos de tensão foram sempre provocados pelos grandes caminhões graneleiros – a estrada é deles, saia da frente se quiser continuar. Outra coisa que impressiona é que os motoristas não se ajudam, em ultrapassagens, se alguma coisa apertar, não conte com o motorista do lado pra dar espaço, em Goiás ninguém sabe o que é isso não. No almoço, já na Bahia, saudades dos postos de São Paulo (snif!).

Chegamos em Luís Eduardo Magalhães um pouco antes do previsto, às 15h30 em São Paulo e 14h30 aqui (que não tem horário de verão). O GPS falhou e não localizamos o hotel onde fizemos reserva. Então, procuramos outro hotel – Paranoá - e nos hospedamos. A cidade é bem nova, de 1982. Antes se chamava Mimoso do Oeste, mas com a morte do deputado, filho do senador Antônio Carlos Magalhães (que foi governador do estado), o homenagem foi prestada. É perceptível que está em franco desenvolvimento. Em cinco anos, a população cresceu 216%, isso mesmo, mais que dobrou! As ruas, poucas asfaltadas, são sujas de terra com trânsito intenso e neurótico. Não tem sinalização, todas são duas mãos, no cruzamento há um coqueiro no meio para retorno e só. Há loiros e negros, numa mistura aparente das regiões sul e nordeste do país. Com uma característica: todos são baixos. Eu, com 1,70m, sou uma mulher muito alta e provoco alguns olhares. Mas o Maurício, com 1,90m, é a sensação. Ninguém nem disfarça para comentar. O comércio é confuso, lojas populares ao lado de Dell Ano e TKTS, boteco da esquina junto com Casa do Pão de Queijo e Cacau Show. Há muitos prédios em construção, muitos carros grandes e importados nas ruas, mas tudo vem da agricultura, pois não há indústrias por aqui. Jantamos (muito) no hotel e dormimos, não antes de lermos o jornal local. Diagramação como os antigos jornais a chumbo. Linha editorial governamental - li uma entrevista com o prefeito (que me trouxe péssimas memórias), na qual ele disse o que quis, sem contestações ou perguntas mais provocantes. Há uma jornalista que chegou agora para fazer parte do time. O empreendimento é de um advogado.

Cidades: Vale do Amanheer, Via Boa, Flores de Goiás, Alorada do Norte, Simolândia e Posse (GO); Correntina, São Domngos, São Desidério, Luís Eduardo Magalhães.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Diário de bordo - A aventura

A partir de hoje vou postar algumas anotações da viagem que minha família e eu estamos fazendo de carro pelo nordeste do país. Os textos não pretendem servir como um "jornalismo de turismo", são apenas apontamentos para reflexões futuras. Gostaria de compartilhar com vocês:


Segunda-feira – 20/12/2010


Levantamos às 6h30. Café da manhã rápido e 7h, estrada. Saí dirigindo, revivendo o percurso Jales-Iturama(MG) de anos atrás, quando lecionava lá (Meu Deus, parece que faz um século!). Estrada boa, sem sustos. Mas, depois de Iturama, em Campina Verde, hora do rally. Muito buraco na pista, aliás só tinha “panelas” e um restinho de asfalto. Mas até que me saí bem. Nenhum pneu furado nem roda torta. A paisagem compensou. Tudo muito verde, plano, plantado e bonito. Na parada para o almoço, em um posto da estrada, a primeira saudade de São Paulo: não há postos na rodovia como estamos acostumados. Meu espírito “mochileiro” sofre verdadeiros golpes nessas horas.

Chegamos em Cristalina (GO) no meio da tarde (15h). Aliás, Goiás foi nossa melhor surpresa do dia, o estado é mesmo um celeiro. Plantações imensas, cinturões lindos na paisagem e muita, muita tecnologia de grandes empresas (multinacionais – algumas são ‘educadas’ e colocam as palavras em português, outras não se dão ao trabalho e as placas indicativas são, na maioria, em inglês). Não vimos muitas pessoas trabalhando nas plantações, com exceção dos tratoristas, que trabalham em cabines climatizadas de máquinas que valem milhões: plantadeiras, irrigadeiras e outras “eiras”que não sei o nome, mas estão fazendo um trabalho gigantesco neste estado.

Cristalina é uma cidade de 30 mil habitantes, de quase 100 anos, famosa por seu subsolo rico em pedras semipreciosas, das quais são feitas desde peças de decoração para casa (a pedra bruta, cortada ao meio já é linda o suficiente) até jóias que valem bastante (pelo menos para o bolso de uma jornalista/professora e um advogado/professor). Mas é impossível sair de lá sem fazer compras...

Ficamos hospedados em um pousada: Reflexo e Tranquilidade, muito simples e gostosa.

Cidades: Jales, Vitória Brasil, Dolcinópolis, Turmalina, Populina (SP); Iturama, Honorópolis, Campina Verde, Prata, Uberlândia e Araguari (MG); Cumari, Catalão, Campo Alegre de Goiás, Ipameri e Cristalina (GO).

sábado, 18 de dezembro de 2010

Todo artista tem que ir aonde o povo está...

RIO DE JANEIRO (Da Redação), 15 de dezembro - O Extra, diário carioca que faz parte do mesmo grupo do jornal O Globo, anunciou nesta quarta-feira (15) o lançamento de sua Unidade Móvel, o Extra UM, que vai circular pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro para acompanhar de perto acontecimentos locais. Segundo comunicado, a redação itinerante, patrocinada pelo Guaravita, tem por objetivo tornar mais ágil a divulgação de notícias nas diversas plataformas do jornal. O veículo está preparado para transmissões ao vivo e para edição remota do jornal.
De acordo com Bruno Thys, diretor de unidade dos jornais populares da Infoglobo, a redação móvel possibilita apuração e veiculação de reportagens mais dinâmicas. "Com a Unidade, temos acesso às notícias em tempo real e produzimos conteúdo no local, com o que há de mais moderno na elaboração de matérias multimídia. Câmeras, computadores e programas de edição auxiliam as publicações nas mais diversas plataformas do jornal: celular, site e jornal", diz.

O que é jornalismo?

Em uma das minhas últimas visitas a São Paulo, comprei no Sebo do Messias, lá perto da Praça da Sé, um livro que reúne uma coletânea de textos de jornalistas brasileiros importantes tentando responder esta pergunta. Gostei do livro, é bem acadêmico, mas também gostei deste texto abaixo (nada acadêmico), retirado do blog Desilusões Perdidas. Leiam, reflitam e depois, comentem:

Jornalismo é vocação. É mais ou menos como ser padre. É sacerdócio. Missão. Entrega total. Tem que fazer voto de pobreza. Voto de castidade também rola e, hoje, rola até mais para o jornalista do que para o padre. Enquanto os padres estão bem soltinhos por aí, os jornalistas são os reclusos. A redação é seu mosteiro. Seu claustro.

Jornalismo é a fé em dias melhores. É acreditar em milagres.
Jornalismo não é para aventureiros. Se você ainda não sabe o quer da vida, descubra primeiro. Nem pense em estudar Jornalismo antes disso. Tem gente que está em dúvida entre Veterinária e Administração e, do nada, decide cursar Jornalismo. Porque é chique, porque a gente fica famoso, porque a gente fica importante. Fica porra nenhuma.
Jornalismo não se escolhe por causa da dica que você viu na caixa do Toddynho.
Jornalismo é dedicação. É perseverança.
Jornalismo é abdicar de um monte de coisa e gente.
Jornalismo é o marido boêmio e safado que seduz as moças no bar, o marido que você já prometeu largar um milhão de vezes, mas não larga, porque ele sempre te convence que você não saberia viver sem ele. E sem ele você não saberia mesmo viver.
Jornalismo é a trepada bem-dada. É gozar ao ver a matéria que deu tanto trabalho publicada. Matéria publicada na capa, então, é algo pra lá de sublime. É sexo tântrico. Jornalismo é o tesão de ir pra rua, é o tesão de conhecer gente que você não imaginava existir, é o tesão de viver essa coisa viva chamada História.
Jornalismo é o pau duro. Sem Viagra.

sábado, 20 de novembro de 2010

Todo mundo virou jornalista!

Imperdível! Mais uma do blog Desilusões perdidas. Visite!

Com o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista, muita gente de outras áreas passou a exercer a profissão, sem qualquer qualificação. Clássicas técnicas de entrevista, por exemplo, têm sido substituídas por métodos nada ortodoxos de busca pela informação. O blog denuncia alguns casos mais assustadores.


A moça do telemarketing
- Eu gostaria muito de poder estar entrevistando o senhor. O senhor teria um minutinho para poder estar respondendo algumas perguntas?
- É rápida essa entrevista, querida? É que eu tô no trânsito.
- Super-rápida, senhor. Para a sua segurança e para a minha também, gostaria de estar informando que a entrevista estará sendo gravada. Tudo bem?

O médico
- Você vai me desculpar, mas o que as cirurgias que eu já fiz ou os casos de hipertensão arterial na minha família têm a ver com a minha trajetória artística, musical? Você pediu para fazer o meu perfil profissional ou uma anamnese?
- Fica calmo, são só perguntinhas de rotina. Fumante?

A prostituta
- Alô, Sharon? Tá a fim de um frila bom? Mas, escuta, desta vez é cobertura completa, ok? Apuração, redação, texto final, fotos e até legenda de fotos. Topa?
- (mascando chiclete). Claro que topo, editor. Só que a completa, você sabe, é mais cara.

O jogador de futebol
– Você foi convocado pra reforçar a editoria de política nas eleições. Bem-vindo!
– Obrigado, professor, quer dizer, editor. A gente tá vindo pra somar e a editoria tá unida e espera fazer uma grande cobertura.
– Ah, serão 64 dias de trabalho na redação. Sem folga.
– Sem folga? Sério que rola concentração aqui também?

O assaltante
- Vai passando a informação, vai passando a informação! Rápido, porra! Eu quero o lead inteiro, vai! O que, quem, quando, onde, como e por quê! Tá demorando!
- O “como” e o “por quê” eu não tenho.
- Como não tem?
- Não tenho. Eu juro!
- Qué morrê? Passa logo o lead inteiro, porra!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Enem: reportagem mostra fragilidades da prova

Definitivamente, o Ministério da Educação vai precisar se profissionalizar para dar conta do Enem. Ano após ano os erros absurdos são maiores. E haja dinheiro para consertar tantos equívocos. Vejam mais essa:

Enem: Jornal mantém identidade de repórter em sigilo e diz que responderá em caso de ação


Anderson Scardoelli e Izabela Vasconcelos, do Comunique-se


A identidade do repórter do Jornal do Commercio (PE), que divulgou o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), continua em sigilo. Procurada pela reportagem, a direção do jornal diz que prefere não revelar o nome do jornalista. O repórter, que fez o exame e enviou ao veículo o tema da redação, pode ser processado pelo MEC, que alega que o profissional "cometeu ato ilícito ao atentar contra as regras do certame".
A editora-chefe do site do Jornal do Commercio, Benira Maia Barros, disse que o veículo não recebeu nenhuma notificação da Polícia Federal ou do MEC. No entanto, Benira disse que caso sejam notificados de algum processo, a ação será encarada pelo Jornal do Commercio, preservando a identidade do repórter. A editora alegou que não era a intenção do jornal divulgar o tema da redação, mas que o caso "serviu para comprovar a fragilidade do sistema da organização”.
No último domingo (7/11), já no local da prova, o repórter foi ao banheiro e usou o celular para enviar o tema da redação aos colegas do jornal, que divulgaram a informação. Segundo o MEC, divulgar o conteúdo do Enem dentro do local da avaliação e antes do horário permitido para a saída é um ato ilegal.
Na tarde desta segunda-feira (08/11), devido a outros problemas como erros de impressão, a Justiça Federal do Ceará suspendeu a prova por meio de liminar. A decisão tem efeito em todo o Brasil, mas cabe recurso.
Polêmicas do Enem
Não é a primeira vez que o Enem causa polêmica. No ano passado, um furo de repórteres do Estadão adiou a prova em 45 dias. Os jornalistas Sérgio Pompeu e Renata Cafardo descobriram que a íntegra da prova havia vazado da gráfica e estava sendo negociada em R$ 500 mil.

domingo, 7 de novembro de 2010

Adoro este blog!

O blog "Desilusões Perdidas", do Duda Rangel, é um dos espaços desta rede mundial que merece ser visitado por quem se interessa por jornalismo. Dá uma olhadinha na definição de matéria de jornalismo diário que ele faz abaixo: perfeita! Apesar da frustração, esta efemeridade serve, também, pra mostrar o quando nós, jornalistas, não podemos acreditar que somos melhores, como naquela piadianha costumeira: "Médico acha que é Deus, jornalista tem certeza!".
Leiam e reflitam.


Efêmera


Repórter de jornal diário passa horas apurando uma matéria, entrevista Deus e o capeta, toma esporro do chefe, escreve, revisa, corrige aqui e acolá. E a matéria acaba rapidinho na vala comum. Resiste apenas 24 horas. Envelhecimento precoce. Morte súbita. Dá até pena. Só quem escreveu a mantém viva. Saboreia a cria até enjoar. Sonha mostrar pros netos. Do resto do mundo só ganha desprezo. Repugnância. A matéria de ontem está condenada a enrolar peixe e banana na feira. A ser fuzilada pela merda dos passarinhos. Pelo mijo dos cães.

sábado, 6 de novembro de 2010

Entrevista com Caco Barcellos (sim, ele é o máximo!)

Para as aulas de Jornalismo Especializado no 8o. semestre no Centro Universitário Toledo de Araçatuba, os alunos foram instigados a produzir conteúdo com as "estrelas" da Semana de Comunicação, a Secomt. Entre os destaques estava Caco Barcellos, entrevistado pelos alunos Angélica Neri, Cristiano Morato, Luis Eduardo, Dandara Fuhrmann e Carol Ferretti. Acompanhe o pingue-pongue e depois responda: ele não é mesmo o máximo?



“Por enquanto, sou [o repórter] das injustiças sociais”


Caco Barcellos, o repórter das injustiças sociais, como ele mesmo se define, foi destaque no encerramento da 10ª Secomt (Semana de Comunicação Toledo), em Araçatuba.
O palestrante tem, por excelência, uma postura equilibrada, entre o jornalista e o cidadão-comum. Atento ao que lhe rodeia, demonstra sensibilidade, sem perder o profissionalismo. Sabe transmitir valores, compartilhar experiências, provocar reflexões e despertar interesses.
No programa “Profissão Repórter”, da Rede Globo, Caco convive com jovens jornalistas. Enfrenta vários desafios e uma missão: mostrar a notícia com diferentes ângulos. Um formato ousado e atrativo, que lhe rende méritos.
Caco Barcellos também é referência em jornalismo investigativo, destacando-se, principalmente, em apurações sobre o tráfico e a violência. Não só em trabalhos televisivos, mas também em livros que conquistaram sucesso no meio jornalístico, como “Rota 66” e “Abusado”.
O primeiro tem a premissa de envolver o leitor em uma situação real, mas pouco explorada pela mídia: conflitos entre policiais e jovens da periferia, sob a ótica das vítimas. O segundo evidencia o universo das drogas e os protagonistas do tráfico, até então desconhecidos pela sociedade.
Durante a palestra, o jornalista apresentou duas reportagens. Além de falar sobre a produção e consequente repercussão, Caco Barcellos comentou sobre direcionamentos, personagens, mercado de trabalho e como empreender na área - a possibilidade de dar a volta por cima.
Para o profissional, o olhar diferenciado e crítico, a apuração responsável e o compromisso com as fontes são ferramentas indispensáveis na prática jornalística. Dentre seus ideais está a defesa dos menos favorecidos e o respeito ao próximo. “Quando o país deixar de ser injusto, eu vou ser o repórter das justiças sociais. Por enquanto, sou das injustiças sociais”, afirma.
O jornalista, que já foi taxista, não nasceu em “berço de ouro”. Aos 12 anos vendeu passes escolares, depois ajudou na venda de frutas e verduras. Mais tarde enfrentou uma carriola, juntando vidros e ossos.
As palavras bem colocadas, a tranquilidade, o sorriso sereno de Caco Barcellos e a facilidade de compartilhar experiências não surpreendem. São peculiaridades dignas de quem, “por sorte”, venceu os obstáculos, e, com coragem, aprendeu a contar histórias.

Jornalismo Investigativo
Caco Barcellos cita que teve dificuldades para introduzir a prática do jornalismo investigativo na TV. Era um trabalho incomum. “Fui contra tudo e contra todos, forçando barras para investigar histórias de longo curso. No começo, tinha grandes resistências, mas depois gostaram, porque impressionava muito”.

Quais são as maiores deficiências do jornalismo atual?

Temos conteúdos que nos deixam de boca aberta, mas que não têm relevância. São conteúdos que somente visam a audiência. É preciso que os profissionais tenham o desejo de fazer a diferença. Os jornalistas devem ouvir os vários lados e saber contextualizar.

Qual a diferença entre a investigação feita pelo jornalista Tim Lopes e a sua?

São métodos diferentes. O Tim usava uma câmera escondida e não se apresentava como jornalista. Eu, ao contrário, raramente uso uma câmera escondida. Eu sempre me apresento, faço questão de mostrar que tenho uma câmera. Sou repórter, assumo integralmente, na frente do acusado. Acho muito importante também o trabalho que ele fazia, mas são situações diferentes. [...] No meu jeito, às vezes, corremos o mesmo risco. Uma cobertura de tiroteio em uma favela, uma rebelião, uma guerra, terremoto, enfim, nas catástrofes da natureza, é inevitável. Com câmera escondida ou não, a avalanche passa por cima de você, se não tiver no lugar certo, na hora certa.

A possibilidade de empreender é um dos assuntos da palestra. Como o empreendedorismo pode ser inserido no jornalismo?

Há características do bom empreendedor, segundo especialistas, que você pode detectar também na nossa função. Um repórter que trabalha com luz própria, um cara inquieto. Às vezes, diante de uma dificuldade, ele inventa situações para sair dela. É uma pessoa permanentemente focada na sua meta, não abre mão dela. A persistência é uma característica importante do empreendedor, a criação, a autodeterminação, e, sobretudo, a inquietude intelectual.

Tanto no livro “Rota 66”, quanto no “Abusado”, você registrou informações que até então foram poupadas por outros profissionais. Qual foi a reação do público, e até mesmo das fontes?

Não foi surpresa constatar que as pessoas acharam aquilo inédito, diferente de tudo que se costuma ler, assistir e acompanhar pela imprensa de um modo geral. Justamente por isso que eu quis fazer esses livros. Havia uma temática muito importante para a vida de muita gente, que era pouco abordada. No caso do “Abusado”, meu último livro, que lida com o universo das drogas, eu tinha essa convicção porque trabalhei muito tempo na cobertura desse assunto. Os protagonistas do tráfico eram desconhecidos da sociedade, porque a imprensa costuma cobrir esses eventos a partir do olhar de quem não estava envolvido: é o olhar da polícia, é o olhar da classe média, alta, das áreas mais nobres da cidade, e jamais o olhar do morro. Por isso eu quis fazer esse livro no morro, pra ter o olhar deles sobre esse problema. Claro que surpreende, porque as pessoas não tinham isso na cobertura cotidiana. Eu achava que era um grande motivo pra fazer o livro. Ora, se tanta gente não sabe dessa história aqui, vou aproveitar para contá-la. No “Rota”, da mesma maneira. Ali trata dos conflitos entre a Polícia Militar, Civil e jovens pobres da periferia, que sempre são abordados sobre a ótica da polícia, e nunca sobre a ótica do jovem, da família do jovem que é morto. Então eu quis tratar esse tema na ótica da vítima.

Quais são as suas dicas para que os jovens jornalistas não caiam em armadilhas e não publiquem informações falsas?

Trabalhar, trabalhar e trabalhar muito. Checar, checar e checar. Nada contra dossiê, mas dossiê através dos outros: que interesse ele tem ao fazer aquele dossiê? Que partido ele quer defender? Qual é o interesse da empresa que está atrás daquilo? Se não quiser perder tempo em apurar a origem da fonte, cheque se o dossiê é verdadeiro, vá atrás das histórias.



VÍDEO








Caco Barcellos concede entrevista à imprensa - confira outros destaques:

AUDIO

Jornalismo Ambiental - Sacolas ecológicas de Lavínia

Caríssimos,
Assistam ao vídeo produzido pela Naira Mendes e pelo Luís Eduardo. Eles fizeram um "casamento" perfeito das aulas de Jornalismo Especializado e Mídia Local e Regional. Nem preciso dizer que professora Ágatha e eu ficamos muito satisfeitas, não é?



http://www.youtube.com/watch?v=XHxN92E9Cno

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ainda sobre política, o perfil do Serra

Bruna Bertolino escolheu um perfil do candidato à Presidência da República, José Serra.





Crédito: Do G1, em São Paulo


José Serra, de 64 anos, começou cedo na política. Em 1963, aos 21 anos, já era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). No ano seguinte, partiu para o exílio, para escapar da perseguição da ditadura.

No exterior, o tucano enfrentou dificuldades e não conseguiu concluir seus estudos de engenharia. Formou-se em economia, obteve diploma de mestre pela Universidade do Chile e tornou-se professor.

Ainda no Chile, atuou como funcionário da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), da Organização das Nações Unidas, e, após o golpe de Estado de Augusto Pinochet, em 1973, ficou preso no Estádio Nacional. Foi pereseguido de novo e embarcou para os EUA, onde, mais tarde, obteve doutorado pela Universidade de Cornell.

Retornou ao Brasil em 1978 e, quatro anos depois, participou do governo de Franco Montoro eleito em 1982 pelo PMDB.

Em junho de 1988, sob a liderança de políticos de expressão nacional, como Franco Montoro, Mario Covas e Fernando Henrique Cardoso, ajudou a fundar o Partido da Social Democracia (PSDB).

Em 2002, foi candidato à Presidência República pela coligação PSDB-PMDB. Disputou com Luiz Inácio Lula da Silva o segundo turno da eleição e perdeu. Assumiu a presidência nacional do PSDB no ano seguinte, e, depois, foi eleito prefeito de São Paulo em 2004.

Na Prefeitura impôs um ritmo "obsessivo" de trabalho, de acordo com assessores próximos que ainda servem ao seu sucessor, Gilberto Kassab (PFL-SP).

Em 2006, o candidato José Serra foi eleito governador de São Paulo com 57,93% dos votos válidos, em primeiro turno.



















Perfil do presidente

Em tempos de eleições, vamos divulgar o perfil do presidente Lula, escrito em 2006, e enviado como colaboração pelo Rafael Machi


LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA




Lula nasceu Luiz Inácio da Silva em uma família de humildes agricultores, na cidade de Garanhuns, em 27 de outubro de 1945. Sétimo filho do casal Aristides e Eurídice, teve contato desde cedo com questões que formariam boa parte de suas bandeiras sociais.

Aos 11 anos, foi obrigado a se mudar para São Paulo com a mãe e os irmãos depois do abandono do pai. Na cidade, morou com toda a família no fundo de um bar na Vila Carioca. Aos 12 anos, conseguiu emprego em uma tinturaria. Depois trabalhou ainda como engraxate e office-boy.

Em 1964, chegou à região que se tornaria símbolo de sua biografia política. Formado torneiro mecânico pelo Senai, Lula iniciou sua vida profissional em metalúrgicas de São Bernardo. Lá, ainda naquele ano, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente.

Em seguida, influenciado por seu irmão José Ferreira da Silva, o Frei Chico, militante de esquerda na época, começou a engajar-se nas lutas da categoria.

A partir daí, construiu uma trajetória vertiginosa no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Em 1972, tornou-se primeiro-secretário da entidade. Três anos depois, foi eleito presidente do sindicato com 92% dos votos.

Na esteira do processo de abertura política iniciado no final dos anos 70, Lula transformou-se no líder operário mais influente do País. Em março de 1979, na greve convocada pelo sindicato comandado por ele, mais de 100 mil metalúrgicos paralisaram a produção no ABC.

A repressão ao movimento estimulou Lula a pensar pela primeira vez na formação de um partido destinado a representar a classe trabalhadora.

Associado a intelectuais, sindicalistas, setores da igreja católica e movimentos sociais, Lula fundou o Partido dos Trabalhadores (PT) em fevereiro de 1980. Ainda naquele ano, uma outra greve no ABC o levaria à prisão.

Em 1982, acrescentou o "Lula" oficialmente ao nome e disputou o governo paulista. Dois anos depois, participou da campanha pela eleição direta para presidente, a "Diretas-Já".

A campanha acabou derrotada, mas fez de Lula uma liderança nacional. Em 1986, ele foi eleito o deputado constituinte mais votado do País.

A consequência óbvia da popularidade conquistada por Lula foi a disputa da primeira eleição presidencial no Brasil após o regime militar, realizada em 1989.

Lula, Paulo Maluf, Ulysses Guimarães e Mário Covas, entre outros pesos pesados da política nacional, participaram de uma campanha marcada por denúncias e ataques mútuos. No entanto, a vitória ficou com o então governador de Alagoas Fernando Collor de Mello.

Lula ainda disputaria outras duas eleições antes de ser eleito. Em 1994 e 1998, foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso, antigo aliado dos anos de sindicalismo.

Em 2002, porém, Fernando Henrique não conseguiu eleger o candidato que apoiava, José Serra. No dia em que completou 57 anos, Lula foi eleito presidente da República com quase 53 milhões de votos.

À frente do Planalto, Lula optou por uma política econômica conservadora, o que levou ao rompimento de setores da esquerda com o governo. Tachado de continuísta por antigos aliados, Lula viu ainda seu governo ser atingido por denúncias de corrupção.

Em 2005, o então deputado Roberto Jefferson denunciou um suposto esquema de financiamento da base de sustentação de Lula na Câmara articulado pelo governo. A crise do mensalão, como ficou conhecida, levou à queda de ministros e aliados muito próximos a Lula.

As denúncias não abalaram a popularidade do presidente nas classes de menor renda da população. O programa Bolsa-Família garante a Lula até o momento o favoritismo na disputa pela reeleição.

Lula era cotado por todos os institutos de pesquisa para vencer no primeiro turno quando novas denúncias atingiram o PT. Membros do partido e um assessor ligado à Presidência foram acusados de negociar um dossiê com supostas denúncias contra candidatos do PSDB.



Perfil de um ministro

Emanuel colaborou em dose dupla. Vejam:


Perfil de Wagner Gonçalves Rossi, ministro da Agricultura, Pecurária e Abastecimento

Fonte: Assessoria de Imprensa



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Wagner Gonçalves Rossi tem mais de 30 anos dedicados ao setor agrícola. Nascido em São Paulo, capital, vive em Ribeiro Preto, no interior do Estado, desde a década de 70, onde iniciou sua trajetória como empresário e produtor rural. Como ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Rossi defende o agronegócio brasileiro e o desenvolvimento sustentável em benefício da sociedade.

Ocupou importantes cargos na administração pública federal e estadual, sendo o mais recente a presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Já foi secretário de diversas pastas do Governo do Estado de São Paulo (Transportes, Infraestrutura Viária, Educação, Esportes e Turismo), além de presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

Casado, Rossi é pai de cinco filhos e tem doze netos. A carreira política teve início em 1983, tornando-se parlamentar por cinco legislaturas, até 2002. Primeiro, foi deputado estadual de São Paulo por dois mandatos. Depois, deputado federal por mais três mandatos. No Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) exerceu diversas atividades, desde Líder do Governo (1984/85 e 1990) até Primeiro Vice-Líder (1997/98 e 2001/02) e Vice-Presidente Nacional (1997/98). Rossi também já foi Relator da Ordem Econômica e Social da Constituinte Estadual de São Paulo e Presidente das comissões de Fiscalização e Controle e de Educação da Câmara Federal.

Dentre as participações em conselhos, comitês e câmaras, destacam-se a atividade de Membro Titular do Conselho Nacional de Política Agrícola do Mapa, Conselho do Agronegócio do Mapa, Conselho de Administração da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), Conselho de Administração da Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (Casemg), Conselho de Administração da Conab e Conselho de Administração da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Como suplente, foi membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar da Presidência da República, Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e Grupo Gestor do Programa de Aquisição de Alimentos do MDS. Além de cargos de administração, gerência e diretoria na iniciativa privada.

Com sólida formação em escolas e universidades no Brasil e exterior, Wagner Rossi é graduado pela faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), graduado em Administração de Empresas pela Universidade de Ribeirão Preto e pós-graduado em Economia Política (USP). É mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas, Ph.D em Administração e Economia da Educação pela Bowling Geen State University of Ohio (EUA). Para complementar suas atividades acadêmicas, fez o curso de educação popular com o professor Paulo Freire, na University of Michigan (EUA).

Também publicou livros, artigos em jornais e revistas científicas, além da participação em reuniões e simpósios, bancas examinadoras de mestrado e doutorado e orientou teses acadêmicas. Foi professor nas mais prestigiadas universidades do País, dentre elas a Universidade de São Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp), Federal de São Carlos (UFSCar) e Estadual Paulista (Unesp). Rossi também coordenou o primeiro curso de extensão universitária sobre administração rural para graduados na Universidade de Ribeirão Preto.

Wagner Rossi já foi contemplado com o título de cidadão honorário por mais de cem municípios paulistas. Medalhas de Honra ao Mérito também recebeu da Marinha do Brasil, Assembléia Legislativa de Minas Gerais, Polícia Militar do Estado de São Paulo e Secretaria Nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional.

Um pouco de Sílvio Santos

Contribuição de Emanuel Naba, do 4o. semestre. Valeu!



Perfil: Sílvio Santos


Fonte:Site http://www.microfone.jor.br/silvio_santos.htm






O empresário Senor Abravanel - verdadeiro nome de Sílvio - está na TV desde a metade da década de 50. O jovem Abravanel iniciou-se no rádio e logo de cara conseguiu uma vaga de locutor na Rádio Nacional. Na TV o começo foi como parte da produção do programa "A Praça da Alegria", da TV Paulista, por seu grande amigo, e já falecido, Manoel de Nóbrega, que conheceu nos bastidores da rádio.



Já na TV, Sílvio Santos passou a ser o divulgador do carnê Baú da Felicidade. No início da década de 60 fez sua estréia na TV Paulista, com o programa "Vamos Brincar de Forca?". Devido ao grande e imediato sucesso a emissora logo colocou Sílvio no ar aos domingos. No início ele até considerou a idéia "inadequada", mas seu destino estava traçado. Na época o diretor artístico da TV Paulista era Paulo Gramont.



O programa, que começou com duas horas de duração, passou para três horas e em 1966 - quando já era exibido pela Rede Globo, que havia comprado a TV Paulista - o programa de Sílvio Santos, "Música e Alegria" já atingia quatro horas de duração. Só em 1968 surgiu o nome "Programa Sílvio Santos", quando já era transmitido com seis horas de duração.



O "Programa Sílvio Santos" também foi apresentado nas TVs Tupi e Record, após a saída do apresentador da Rede Globo em janeiro de 76. Na metade dos anos 70, Sílvio Santos, já possuía inúmeras empresas e 50% das ações da TV Record, junto com a família Machado de Carvalho. Conta-se no "meio" que as ações da TV Record foram adquiridas através de uma negociação secretíssima, já que uma das cláusulas do contrato com a Rede Globo o impedia de ter ações de outras emissoras.

Sílvio conseguiu a concessão da TVS - RJ e no ano de 1976 exibia seu programa simultaneamente em São Paulo pela Record e Tupi e, no Rio de Janeiro, pela Tupi e TVS. Com o fechamento da TV Tupi Sílvio partiu para montar o Sistema Brasileiro de Televisão. A Rede foi inaugurada no dia 19 de agosto de 1981, com a transmissão da solenidade de assinatura das próprias concessões.

Da Lapa para o mundo:

Filho de imigrantes gregos de poucos recursos, Silvio Santos, nasceu na Lapa boêmia, e mostrou-se desde cedo um visionário. As circunstâncias adversas e os obstáculos sempre foram superados por uma tenacidade fora do comum, pela certeza de progredir, do desejo de ganhar dinheiro, aliado a uma imaginação fértil, e sempre acompanhado pela sorte.



O Camelô:

Ainda menino, andando pela Avenida Rio Branco, Sílvio observou um camelô vendendo, com enorme facilidade, carteirinhas plásticas porta-títulos de eleitor por 5 mil réis e, seguindo-o, verificou que o mesmo as comprava por 2 mil réis do atacadista, na Rua Buenos Aires. Comprou, então uma carteirinha, com uma moeda de 2 mil réis, e saiu pela avenida vendendo-a dizendo ser a última. Foi buscar mais duas. E assim nascia o camelô que fazia ponto na Avenida Rio Branco com Rua do Ouvidor.

Um dia o "rapa" chegou e Silvio Santos não conseguiu fugir a tempo, porém, ao invés de ser levado para o Juizado de Menores, o Diretor de Fiscalização da Prefeitura, Renato Meira Lima, percebendo tratar-se de um estudante que se expressava corretamente e de "boa voz", deu-lhe um cartão para que procurasse um amigo na Rádio Guanabara, onde estava se realizando um concurso de locutores, do qual participam em torno de 300 candidatos. Nesse concurso estavam inscritos rapazes que tornaram-se famosas figuras do mundo artístico, como Chico Anísio, José Vasconcelos, Celso Teixeira, entre outros. Silvio Santos foi o primeiro colocado, sendo admitido como locutor. Por ser o salário mensal na rádio inferior ao que ele ganhava em menos de uma semana como camelô, após um mês pede demissão e volta para a Avenida Rio Branco.

Faturando no Carnaval:

Ao lado de seu irmão Léo, durante o o desfile das Escolas de Samba, à época realizados na Avenida Rio Branco, onde apenas um cordão de isolamento separava o público dos desfilantes, dado a grande afluência do público que se formava na avenida, as pessoas que ficavam posicionadas mais atrás do isolamento, pouco ou nada conseguiam enxergar, surgindo daí a idéia de levaram vários caixotes para a avenida, onde os alugavam para que parte da platéia, pudesse assistir as apresentações das Escolas de Samba de então.

Paraquedista:

Aos 18 anos Silvio Santos alistou-se na Escola de Paraquedista do Exército, em Deodoro, e nos dias de folga trabalhava em rádio, com Silveira Lima, na Rádio Mauá. Ao dar baixa no Exército, transferiu-se para a rádio Tupi, "aposentando" definitivamente o camelô.

Na Barca da Cantareira:

Trabalhando em Niterói, na Continental, todas as noites embarcava na última barca com destino ao Rio, próximo à meia-noite, ao lado de bailarinas que trabalhavam em dancings e cabarés, surgindo a idéia de sonorizar a barca para animar as viagens. Pediu demissão da rádio, e com o dinheiro da indenização foi para a casa de eletrodomésticos J. Isnard comprar o equipamento. Fez uma proposta onde a loja lhe cederia todo o equipamento necessário para sonorizar a Barca Cantareira, e ele, por um ano faria anúncios do refrigerardor "Climax", do qual eram revendedores exclusivos. A mloja topou. E aí nasceu o homem de negócios, chefe de seu próprio empreendimento.



Contato comercial:

Sílvio passou a vender anúncios aos comerciantes do Rio e de Niterói. Aos domingos a barca ia a Paquetá levar turistas, numa viagem que durava duas horas, o que deixava todo mundo impaciente. Ao ligar o sistema de som, muitos passageiros punham-se a dançar e Silvio Santos percebe que o consumo de água nos bebedouros aumentava freneticamente. Mãos a obra. Vai a Cia. Antártica, que lhe empresta um balcão de madeira e tinas de gelo, e começa a vender cerveja e guaraná na barca. Cria ainda uma promoção onde para cada cerveja e refrigerante comprado, o cliente recebia um lápis e uma cartela de bingo. No meio da viagem parava a música e o pessoal sentava nos bancos e começava o jogo, que distribuia prêmios como bolsas de plástico, quadros e jarras. O negócio se desenvolveu tanto, que, Silvio Santos se tornou o cliente que mais vendia guaraná e cerveja Antártica, no mercado do Rio de Janeiro.

Até que um dia a barca sofre um acidente e os reparos demorariam alguns meses para serem concluídos, deixando o bingo literalmente no estaleiro.

Chegada a São Paulo:

Silvio Santos vai a São Paulo, e lá encontra-se com um colega com o qual havia trabalhado na Rádio Tupi, que lhe diz que a Rádio Nacional de São Paulo estava precisando de locutor. Acerta por 3 meses e como o bar montado na barca estava se perdendo no estaleiro, aluga um salãozinho ao lado da rádio, onde instala-o, criando um "ponto dos artistas".

Nesse período, cria uma revista chamada "Brincadeiras para Você", cujo conteúdo apresentava palavras cruzadas, charadas, anedotas, etc...

Nos Circos:

Sílvio começou também a fazer shows em circos, onde apresenta os artistas, conta piadas, canta, aflorando a facilidade de se comunicar com a platéia. Surge o animador.

O peru que fala:

Manoel da Nóbrega convida Silvio Santos para ser o animador do famoso quadro "Cadeira de Barbeiro", em substituição a Hélio de Souza, que acabara de deixar a Rádio Nacional.

Pela timidez e também por uma hipersensibilidade à luz, Silvio Santos é apelidado por Ronald Golias de "peru", e Manoel da Nóbrega aproveita o gancho para anunciá-lo como "Silvio Santos o Peru que fala".

Formou uma grande caravana de artistas, que passou a ser chamada de "A caravana do Peru que Fala".

Baú da Felicidade:

Em sérias dificuldades surgidas pela má fé de um sócio alemão, Manoel da Nóbrega solicita que Silvio Santos interceda perante os clientes lesados, garantindo que todos seriam ressarcidos de seus prejuízos junto ao Baú da Felicidade, que à época tratava-se de um baú de brinquedos, onde os clientes pagavam parcelas antecipadas e recebiam o produto por ocasião do Natal. Ao invés de encerrar as atividades do Baú da Felicidade, Silvio Santos propõem sociedade à Manoel da Nóbrega, e reformula sua gestão.

Durante os 4 anos em que foram sócios, Manoel da Nóbrega nunca foi ao Baú e, mesmo com todo o progresso alcançado pela empresa, decide afastar-se, sem querer nada em troca, cedendo sua parte a Silvio Santos. por fim aceita receber o dinheiro que lá investiu.

Finalmente, a TV:

Em 1964, Silvio Santos lança-se na televisão como animador, na TV Globo, canal 5 de São Paulo. O programa cresceu, tomou conta das tardes de domingo, dando origem ao programa que todo brasileiro conhece, o "Programa Silvio Santos", que por mais de 13 anos ocupou 9 horas da programação dominical da Globo, além das 5 horas semanais na extinta TV Tupi, canal 4 de São Paulo



Dentre os programas apresentados por Sílvio Santos, destacamos: Vamos Brincar de Forca, Música e Alegria, Pra Ganhar é Só Rodar, Partida de Cem, Jogo do Sobe e Desce, Sim ou Não, Jogo do Diga-Diga, Três no Jogo, Roletrando, Festival da Casa Própria, Namoro na TV, A Justiça dos Homens, Vida de Artista, Gente Que é Artista, Essas Crianças, Show de Calouros, Cuidado Com a Buzina, Corrida de Fórmula B, Quina de Ouro, O Casamento na TV, Rainha Por Um Dia, Hot, Hot, Hot, Cidade X Cidade, Domingo no Parque, Qual é a Música ? , Jogo das Famílias, Passe ou Repasse, Quem Sabe mais, Homem ou Mulher? , Enshowclopédia, Arrisca Tudo, O Preço Certo, Sua Majestade, o Ibope, Show da Loteria, Os Sinos de Belém, Show de Prêmios, Eles e Elas, Casais na Berlinda, Vestibular do Amor, Casados na TV, Ela Disse, Ele Disse, Boa Noite, Cinderela, Os Galãs Cantam e Dançam, Viva o Samba, Pergunte e Dance, Vamos Nessa, Sílvio Santos Diferente, Porta da Esperança, Clube dos Quinze, Só Compra Quem Tem, TV Animal, Namoro no Escuro, Se Rolar...Rolou, Xaveco, Quer Namorar Comigo? , Em Nome do Amor, Topa Tudo Por Dinheiro, Tentação e Show do Milhão.



O Sílvio com 18 anos, no Exército.

Ilustre convidado - perfil de Caco Barcellos

Caco Barcellos estará no Unitoledo nesta sexta-feira, dia 8 de outubro. O curso de jornalismo está em festa. Ele é mesmo o máximo! Pra aumentar a expectativa e contribuir com a aula de gêneros, a aluna Barbara, do 4o sem, encontrou este perfil dele escrito pelo jornalista Ricardo Alexandre, diretor da Época. Enjoy yourself!


Incansável

Escrevi esse perfil do jornalista Caco Barcellos para a Revista Fantástico de novembro de 2007. Foi uma das raríssimas chances que a carreira nos dá de fazer um perfil do jeito que deve ser feito: com acesso total ao personagem, com tempo para pesquisa e reportagem, com estrutura para embarcar Brasil afora com o entrevistado, com um baita fotógrafo como o Kiko Ferrite do nosso lado. Foi meu primeiro trabalho para a Editora Globo, a partir do convite do grande José Ruy Gandra. Fui editor-executivo nessa edição, daí logo fui convidado para assumir a “Monet”, no início de 2008, e da “Monet”, agora, parto para a Época São Paulo. Ou seja, é um trabalho pra lá de especial no meu coração.

Isso tudo sem contar o prazer descomunal de entrar um pouco na cabeça de Caco Barcellos, figura histórica do jornalismo brasileiro, e ser humano absolutamente intrigante. Evidentemente, apurei muito mais do que cabia no (generoso) espaço da revista. Aqui está a versão original, na íntegra. E abaixo está a foto usada na abertura da revista, no Senado, em que eu acabei aparecendo sem querer.

Eduardo Suplicy está com pressa. Cercado por aquele sufocante 360º de fotógrafos, repórteres, cinegrafistas e técnicos, o senador só tem “dois minutos, desculpe” para contar sobre a conversa que tivera, a portas fechadas, com o presidente do Senado, Renan Calheiros, até aquela hora da noite – o último encontro dos dois antes da votação que decidiria o destino do alagoano, no dia seguinte, no Plenário. Suplicy tinha um horário agendado na TV Senado, então, de fato, só respondeu à primeira pergunta, com típica calma e riqueza de detalhes, fazendo de conta que não ouvia as outras questões que lhe eram disparadas durante suas pausas de respiração. Foi quando Suplicy avistou Caco Barcellos, enterrado naquele coliseu humano, com os joelhos flexionados para não obstruir a câmera, e abriu um parêntese no meio da entrevista mais esperada do Brasil. “Muito boa a reportagem sobre os motoboys do ‘Profissão Repórter’!”, disse o senador, sorrindo, para o jornalista. E continuou a falar, do ponto exato em que havia parado.

Eu – tão longe que não aparecesse na TV, tão perto que não perdesse nenhum movimento – já nem me espantava mais. Por onde passava, Caco era interceptado, elogiado, recebia pedidos para fotos, autógrafos e, muitas sugestões de reportagens. Algumas horas antes, o senador Delcídio Amaral havia autorizado Caco a adentrar com exclusividade no Plenário. “Gente séria a gente tem de prestigiar!”, escancarou o petista. Recebeu o repórter com elogios, perguntou sobre Mano Brown, recomendou os livros de Thomas Friedman sobre o Oriente Médio e assinou uma autorização para filmagens de trás da imaculada cadeira do presidente da casa.

É verdade que um ambiente tão cheio de cerimônia e bajulação não é o natural de Caco Barcellos. Há 35 anos, ele é mais conhecido por dar voz aos fracos, levar a periferia para a televisão, denunciar arbitrariedades do Estado. Mas também é preciso dizer que Caco não é só isso. Nesse tempo todo, fez coisas tão variadas quanto perseguir Rod Stewart para a revista “Pop” ou mergulhar no universo da máfia calabresa, a N’drangheta, para a Globo. Há dois anos, Caco vem se reinventando com um projeto ao mesmo tempo pessoal e coletivo chamado “Profissão Repórter” em que lidera um grupo de 16 jovens jornalistas em pautas tão diversas quanto a festa do peão de boiadeiros em Barretos ou o tal especial sobre os motoboys assistido por Suplicy..

Tanto por seu formato (vários pontos de vista sobre uma mesma história) quanto pela variedade temática, “Profissão Repórter” é um retrato muito mais fiel de Caco Barcellos. Mais do que um paladino da justiça, ele é o repórter brasileiro por excelência. Convicto, incansável.

Embora tenha uma noção muito precisa sobre o tipo de jornalismo que pratica, por mais que conversássemos longa e abertamente nas seis sessões de entrevistas para essa matéria (duas em Brasília, duas em Maringá, no Paraná, mais duas em São Paulo), curiosamente, nem o próprio Caco parece notar o quanto este ponto de sua carreira, o mais alto, é tributário de tudo o que ele já fez – e, principalmente, de tudo o que ele viveu.

Vícios de taxista

Andar de carro com Caco Barcellos é uma experiência esquisita. Ele, o venerável repórter investigativo, guarda inacreditáveis vícios de taxista: Em Brasília, fez questão de buscar sua equipe no aeroporto, dirigindo ele mesmo o carro um-ponto-zero alugado; revelou ter certos problemas quando um ônibus o ultrapassa (“taxista ser ultrapassado por um ônibus é uma vergonha!”); faz campanha pessoal contra a existência de pontos de táxi (“taxista tem de estar na rua!”) e vê cada espaço impraticável como um desafio para a arte da baliza: “se cabe, eu estaciono”, gosta de repetir. Tudo com aquela calma, elegância, bom-humor e simpatia, o que deixa tudo ainda mais esquisito.

Caco trabalhou como taxista entre 1970 e 1973, para reforçar o orçamento que lhe permitia pagar a faculdade. Naquele tempo, ele já estava convicto de sua vocação para contar histórias. Nem sempre foi assim. Cláudio Barcelos de Barcelos nasceu em 1950 no bairro Partenon, a porta de entrada para a periferia porto-alegrense. Até abandonar a faculdade de matemática (onde entrou buscando um caminho para a de engenharia), não imaginava que as crônicas que escrevia secretamente desde a adolescência pudessem significar uma vocação profissional.

“Eu precisava ganhar dinheiro”, lembra ele, na sala de embarque do Aeroporto de Congonhas, olhando para seu copo de café como se fosse o túnel do tempo. “Eu quase fui padre”, ele corta. “Porque eu sabia muitas frases em latim e era coroinha, então o pároco me fez essa sugestão. Ele ficou muito decepcionado quando perguntei de volta: ‘Padre ganha bem?’”

Filho de um faz-tudo e de uma dona-de-casa, Caco trabalhava desde os 12, primeiro vendendo passes escolares, depois ajudando um tio na venda de frutas e verduras, depois juntando cacos de vidro e ossos em uma carriola que comprara em sociedade com seu grande amigo Nenélio.

Quando cursava matemática, apareceu a oportunidade de juntar mais um dinheirinho. Era uma vaga no jornal alternativo “Dluct”, mantido por um grupo de hippies gaúchos. “Eles eram politizados, intelectualizados pra caramba e estavam interessados em formar novos profissionais.” Caco escrevia suas matérias à mão, porque não tinha direito de usar as máquinas de escrever da redação.

O “Dluct” chamou a atenção do lendário jornalista Jefferson Barros, que em 1972 estava promovendo uma pequena revolução no jornal gaúcho Folha da Manhã. Uma de suas medidas mais importantes – para a carreira de Barcellos ainda mais – foi transformar as páginas “policiais”, que basicamente acompanhavam prisões e ações policiais, numa seção chamada “Sociedade”, alterando drasticamente o enfoque das pautas. “Até então, o repórter policial era a escória do jornalismo, e não fazia muito além do que reproduzir e ampliar os boletins de ocorrência”, conta Caco, que naquele mesmo ano transferiu-se para o curso de jornalismo. “Na ‘Folha da Manhã’ eu desenvolvi o hábito de ouvir o lado do torturado, não só o do torturador.”

Foi só quando seu salário como repórter foi equiparado ao de taxista que Caco encostou seu carro. E continuou no matutino até 1974, quando publicou uma reportagem sobre os abusos dos carcereiros no Presídio Central de Porto Alegre. No texto, Caco descrevia com jargões futebolísticos como os policiais chutavam a cabeça dos presos. Jefferson Barros foi pressionado a demiti-lo. Mais de 20 colegas se solidarizaram com o repórter e se demitiram também. Aquele grupo fundou a Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre. Confiante de seu talento, mas sem perspectiva de trabalho, com sua esposa grávida, Caco decidiu deixar o Rio Grande do Sul.

Cabeça-de-vento
Nos quatro ou cinco dias que esta reportagem o acompanhou, Caco esqueceu a chave dentro do quarto de hotel, perdeu o cartão de embarque durante uma conexão, esperou em vão uma bagagem que estava sendo despachada automaticamente entre dois vôos e esqueceu parte dos documentos necessários para o credenciamento no Senado Federal. O repórter é tão absorto em seu trabalho que desenvolveu uma espécie de avoamento crônico. Em sua própria casa, diz que sua família decidiu nunca despedir-se dele, porque é certo que dali a dez minutos ele volta para buscar algo esquecido.

Caco mora em um apartamento de quatro dormitórios no bairro de Higienópolis, Zona Oeste de São Paulo, certamente erguido nos tempos em que os prédios de apartamentos eram amplos e confortáveis como uma casa. Ele vive ali desde 2004, quando voltou de sua experiência como correspondente na Europa. Caco é casado com a estilista Beatriz Fragelli, a Bibi, e mora com os dois filhos deste seu segundo casamento: Iuri, 16, e Alice, 9 anos.

Quando se mudou para São Paulo, em 1975, as preocupações de Caco eram não muito maiores do que sobreviver como jornalista e sustentar o filho, Ian, que ainda nasceria. Usava de sua opção macrobiótica para cozinhar a cabeça dos peixes que os feirantes normalmente lançavam fora (“é onde está o maior número de vitaminas”, explica) e se deslocava de ônibus para as reportagens para economizar o dinheiro do táxi. Ainda sob influência do hippismo, ajudou a fundar a revista “nanica” “Versus”. Mas o dinheiro vinha mesmo da colaboração para veículos como o “Jornal da Tarde”. Seriam cinco anos de jornalismo independente.

Em 1978, o editor do “JT”, Luiz Fernando Mercadante, assumiu a direção de jornalismo da TV Globo e tentou levar alguns de seus melhores repórteres, como Luis Fernando Silva Pinto e Caco Barcellos. “Eu recusei”, lembra o gaúcho. “Disse algo como ‘a Globo é um veículo muito oficial, vocês detestam furo, estão sempre falando bem do governo. Me deixa feliz correndo atrás das minhas histórias.” Evidentemente, ele ainda era um hippie.

Dois anos depois, decidiu ir até a Nicarágua após ter assistido a uma cobertura sobre a Revolução Sandinista, com “repórteres em cima dos carros dos guerrilheiros, acompanhando a linha de frente”. Caco chegou na América Central no meio da contra-revolução, que desaguaria em uma guerra civil contra o governo. Sem dinheiro, ia toda manhã ao hotel em que os jornalistas estrangeiros estavam hospedados, e saía com os bolsos cheios de suprimentos para o dia.

Quando o conflito se tornou ainda mais violento, Caco descobriu um enfoque diferente para sua pauta: uma barricada de instigação formada por pré-adolescentes. A função daqueles garotos era atrair soldados para emboscadas, onde os adultos pudessem matá-los. Depois de alguns dias de acompanhamento, Caco foi confundido com um espião e feito refém pelo grupo. Quando a confusão foi finalmente desfeita, os adultos pediram para que o brasileiro ficasse e registrasse a operação deles. Caco saiu com material para seu primeiro livro, “Nicarágua: A Revolução das Crianças”. O livro só saiu em 1982, depois de meses ignorado: “Os editores não me recebiam e eu achava um tanto humilhante deixar os originais com as secretárias”, conta. “Percebi que eu teria de me tornar conhecido primeiro, se quisesse publicar próximo livro.”

Nem foi pelo reconhecimento que Caco reconsiderou a passagem para a televisão. Ele estava em Nova York, em outra viagem atrás de reportagens. “E fiquei apaixonado pelos documentários que eram produzidos na TV americana”. Procurou primeiro a TV Globo em Nova York, mas tudo o que conseguiu foi trabalhar como técnico em algumas matérias de Lucas Mendes. Caco só seria chamado em 1983, após passar pelas revistas “Istoé” e “Veja”, para fazer parte de um “redesenho” do “Globo Repórter”. Entretanto, o projeto demorou tanto a decolar que a Abril Vídeo, produtora da Editora Abril que havia comprado toda a grade noturna da TV Gazeta de São Paulo, contratou o gaúcho. Caco só retornaria à Globo em 1985, definitivamente.

“Eu comecei nos últimos anos da ditadura militar, uma época em que as fontes oficiais eram truncadas”, ele lembra. “Então aprendi desde cedo a contar uma história sem depender das fontes oficiais. Aliás, tanto melhor seria a história quanto mais fontes oficiosas eu tivesse.”

Coração de estudante

A presença de Caco – esse comedor-de-cabeça-de-peixe, rapaz feito refém na Nicarágua, ex-hippie, repórter investigativo e imã de problemas – na maior emissora do país sempre causou certo estranhamento. Mano Brown fala com ele, mas não com a Globo, como se fossem figuras dissociadas profissionalmente. Caco é visto como um símbolo de uma certa visão esquerdizada de jornalismo, herói dos estudantes de comunicação, capa da “Caros Amigos” – geralmente o tipo de gente que despreza qualquer organização com o tamanho e influência que a Globo tem: “Esse estranhamento desconsidera que tudo o que Caco fez desde 1985, ele fez dentro da Globo”, lembra Luiz Cláudio Latgé, diretor de jornalismo da emissora em São Paulo. “É um trabalho em que a gente sempre apostou, investiu. Não é um ponto fora da curva, é fruto da pluralidade que a emissora tem.”

A primeira fase de Caco na emissora, fase que se intensificou até o início dos anos 90, foi dedicada à cobertura policial, invertendo o ponto de vista da narrativa: ao invés da lógica das viaturas e dos PMs, o lado de quem é preso e torturado sem provas. O auge dessa fase foi a publicação do livro “Rota 66: A História da Polícia Que Mata”, em 1992, que surgiu da idéia de identificar todos os assassinatos cometidos pela polícia militar de São Paulo. Foram cinco anos passados em cemitérios e necrotérios para chegar ao nome de 4200 inocentes – de um total de 12 mil que a própria PM assumiria publicamente.

Como não poderia deixar de ser, durante uma palestra para estudantes de jornalismo em Maringá, a primeira pergunta é sobre “Rota 66”. “A polícia é perfeita para mim, eu não tenho do que reclamar”, ele responde. “Mas eu sou do tipo de pessoa que além de se preocupar com o próprio filho, se preocupa com o filho do vizinho, mesmo que ele more há 15 quilômetros da minha casa, onde a cidadania não chega.” Caco começa a despejar dados desconcertantes: sete entre cada dez presidiários são brancos, mas seis entre dez mortos pela polícia são negros; em um país em que a pena de morte é uma cláusula pétrea, a polícia aplica a pena capital 1.500 vezes por ano; entre as 46 mil assassinatos anuais no Brasil, não mais de 5% é fruto de assaltos; 20% é fruto de ação policial e o restante de discussões resolvidas por um “cidadão de bem” com uma arma na mão.

Entretanto, era flagrante certa decepção dos estudantes quando Caco Barcellos deixou claro que seu compromisso maior não é político, é jornalístico. Heresia suprema: ele acredita que a cobertura do velho caso Collor e do recente Renan Calheiros são exemplos de “denuncismo” da imprensa, a serviço da polêmica, não da informação. “Denuncismo é aquele jornalismo baseado em declarações ou dossiês”, explica. “Barbaridades que são quase sempre publicadas atendendo interesses políticos de terceiros e nunca são checadas. Apuração leviana, irresponsável e sobretudo incompetente baseada em apenas declarações. Isso não seria grave em si, desde que não atingisse a honra de alguém.”

Caramba. Depois de conversar com Caco, o “denuncismo” começou a saltar nas páginas da grande imprensa brasileira, como se fosse uma caneta fosforescente destacando na minha cabeça onde fulano foi “acusado de negociar”, cicrano foi “acusado de montar esquema”, beltrano foi “acusado de desviar verba”, falatório sobre o qual semanas e semanas de manchetes são vendidas. Mas, se é assim há tanto tempo e se vende-se tanta revista com isso, não seria exatamente este o tipo de jornalismo que a nossa classe média espera de nós? “Só se você quiser enxergar a imprensa como algo arrogante, irresponsável e julgador”, responde Caco. “Eu não quero essa definição pra mim. Isso combinaria mais com um delegado.”

Seu terceiro livro, “Abusado: O Dono do Morro Santa Marta”, foi publicado em 2003, durante os quatro anos que passou como correspondente da TV Globo na Europa, cobrindo especialmente assuntos ligados ao terrorismo. Antes de mudar-se com a família para Londres, Caco apresentou o programa semanal “Espaço Aberto” na Globonews, sobre iniciativas positivas na periferia, ao mesmo tempo em que mantinha suas reportagens para o “Globo Repórter”, “Jornal Nacional” e “Fantástico”.

Tão logo voltou ao Brasil, Caco Barcellos levou à direção da Globo o projeto do “Profissão Repórter” – uma nova fase, ao mesmo tempo totalmente integrado dentro da linha de respeito obsessivo pela curiosidade jornalística e pela ausência de verdades absolutas em torno de qualquer tema. “Muita gente me pára para dizer que o formato do “Profissão Repórter” é uma novidade na televisão”, ele conta. “Mas é a coisa mais velha do mundo, ir para a rua e ouvir as pessoas. As pessoas mais simples, as fontes não oficiais, observar o mundo respeitando a gente da rua. Quanto mais longe dos gabinetes, mais próximo da verdade nós estaremos.”

Caco Buarque

Uma das funcionárias da Secretaria de Comunicação Social do Senado aproveita a pequena balbúrdia em sua sala, com cinco marmanjos da Globo tentando credenciamento para me perguntar, à miúda, em tom de segredo: “Vem cá, o Caco Barcellos é casado?”. A graça da pergunta fica no ar, triturada em alguns segundos de silêncio cômico, então devolvo no tom: “É. Mas ele não fala da vida pessoal!”

Conversamos muito sobre o que era evidente: o cara é uma celebridade, sujeito ao mesmo tipo de assédio e aos mesmos tipos de obrigações e limites dos artistas. Mas Caco não é artista, certo? “Eu não imaginava que a trajetória de um repórter pudesse passar pela notoriedade. Morria de vergonha de fazer as passagens [trechos das matérias em que o jornalista aparece falando na tela] com pessoas atrás de mim. Até hoje não sei me comportar quando sou abordado na rua. Eu paro, converso, mas às vezes a pessoa não quer conversar realmente, ela quer apenas exercitar uma curiosidade em relação a alguém que todo dia invade a casa dela.” Hoje, mais de 20 anos depois de estrear na Globo, Caco garante que não muda sua rotina por conta do assédio, muito menos adota a “performance” típica das celebridades. “Quem anda com segurança não quer ser incomodado, mas obviamente quer ser reconhecido por onde passa.”

Uma das meninas da Secretaria de Comunicação em Brasília chama Caco de “Chico Buarque do jornalismo”. Mais tarde, no avião de volta para São Paulo, ele lembra dos casos de assédio, como o da garota do Pará que lhe procurou com uma pepita de ouro nas mãos como pagamento para que ela pudesse lhe fotografar “no alto de seus aposentos”. Houve ainda uma advogada que por dois anos lhe escreveu cartas alternando uma suposta denúncia de tortura com parágrafos como “invejo os lábios que tocam os seus lábios”. Ou ainda aquela que sempre esperava as reportagens de Caco com um disco de música clássica pronto para fazer fundo para a imagem do repórter. “Mas, durante tantos anos, foram só alguns casos eventuais. Não é algo freqüente, realmente”. Nada parece incomodar Caco Barcellos.

“O que me tira do sério de verdade”, ele corrige. “É quando estou sendo maltratado em algum lugar público, como na fila de um banco ou em algum supermercado. De repente, alguém me reconhece, e todo mundo passa a me tratar bem. Eu já fiquei tão nervoso com isso que exigi: ‘pois agora você vai continuar me tratando mal se não eu vou chamar o gerente!’”

Aos inacreditáveis 57 anos, Caco Barcellos parece renovar seu fôlego não nas diversas fases de trabalho que empreendeu, mas no velho direito de se surpreender, de se indignar, de aprender, de ouvir, como se fosse um magrelo barbado do Partenon. “O que você está fazendo comigo” – Caco me olha em algum ponto entre meus olhos e meu gravador – “é o que mais gosto de fazer, em toda a nossa dinâmica de trabalho. Conhecer gente, ouvir histórias. Gosto da captação, do processo de conquista de confiança, da descoberta de cada personagem. É maravilhoso.” Pelo jeito, enquanto existir gente com alguma coisa para falar, Caco Barcellos não estará cansado o suficiente que não possa ouvi-la.

Já em solo, esperando sua bagagem aparecer na esteira, me ocorreu o quanto de sua vida de coroinha deixou marcas em seu senso de justiça e em sua ética. “Não acreditar em verdades absolutas é um traço totalmente não cristão”, ele reconhece. “Mas há uma influência totalmente cristã na minha formação, que é não me dar o direito de julgar, muito menos tirar a vida de alguém. Observar, apenas; jamais condenar a princípio”. E conclui: “Essa conduta, aliada da boa reportagem.” Claro.

Daqui ele vai para sua casa, compensar as poucas horas de sono no Paraná, mas à tarde sai novamente a campo para, em plena hora do rush, se espremer nos ônibus de São Paulo em busca de um personagem para o “Profissão Repórter”. Ele, que havia 24 horas era assediado feito um astro em Maringá, quer ouvir o mais comum dos homens. Celebridade esquisita, esse Caco Barcellos.

sábado, 2 de outubro de 2010

Perfil Mané Garrincha


Olha só, colaboração da Amanda Monzani. Muito legal. Depois damos os créditos.
Aproveito para dar a dica: vale a pena ler "Estrela Solitária", do Ruy Castro, uma biografia riquíssima deste jogador de futebol que até hoje é escalado para as melhores seleções do mundo.




Perfil – Mané Garrincha


Sua irreverência e genialidade encantam a todos até hoje. Até os que confessam não gostar de futebol se dobram aos dribles do “anjo de pernas tortas”, como foi chamado pelo poeta Carlos Drummond de Andrade.

Manuel Francisco dos Santos nasceu em Pau Grande, no Rio de Janeiro. Antes de encantar o mundo com seus dribles, Mané Garrincha (ou simplesmente Mané) enfrentou todas as agruras da miséria. Consta que as pernas tortas foram resultado de uma poliomielite adquirida na infância. Por causa da distrofia física, os médicos acharam que ele nunca seria capaz de andar direito, tampouco jogar bola. Erraram feio.

O gramado virava o picadeiro de Mané, a bola lhe era submissa e a partida virava uma festa. “É ai que estava o milagre. O povo ria antes da graça, da pirueta. Ria adivinhando que Garrincha ia fazer sua grande ária, como na ópera. Como se sabe só jogador medíocre faz futebol de primeira. O craque, o virtuoso e o estilista, prendem a bola. Sim, ele cultiva a bola como uma orquídea de luxo”, setenciava Nelson Rodrigues, ex-companheiro do Botafogo.

Os dribles de Garrincha não tomavam conhecimento do adversário. Fosse quem fosse, o marcador era sempre algum “João” parafusado na lateral. Quando a bola estava em seus pés, todos eram iguais.

Muitas vezes parecia que o craque lutava sozinho contra os onze adversários. Eles os perseguiam, lutavam em vão como touros. Mas Garrincha era um matador. Depois de driblar dois, três, quatro jogadores, colocava suas mãos na cintura e esperava. O silêncio das multidões era o prelúdio das gargalhadas.

O craque conheceu seu auge nas copas de 1958 e 1962. Na primeira, seu brilho foi um tanto ofuscado por um jovem e talentoso jogador chamado Pelé. Mas foi considerado o melhor de sua posição, a ponta-direita. Na segunda, Garrincha foi o responsável pela conquista do bicampeonato da seleção. Nessa Copa Pelé, já consagrado, não pôde jogar devido a uma contusão.

Se Garrincha foi chamado de “a alegria do povo”, sua vida foi marcada por muitas tragédias. No final dos anos 60, Mané entrou numa espiral de decadência. Seu casamento com a cantora Elza Soares, muito condenado na época, estava nas últimas.

Em 1982, depois de vários anos sem ser visto publicamente, um Garrincha catatônico surgiu em um carro alegórico da Mangueira, que lhe prestava homenagem naquele carnaval. Mané não conseguia nem ficar em pé para saudar a multidão que tanto lhe louvou.

Com a idade e a vida boêmia, Mané perdeu a agilidade para o futebol. Seus problemas se agravaram com o alcoolismo, que anos depois, morreu pobre e solitário Infelizmente, no futebol dos pernas de pau, dos medíocres e ordinários, há cada vez menos espaço para espetáculos de “pernas tortas”.

Perfis

Os estudantes do 2o. ano estão aprendendo sobre perfil. Veja alguns que eles pesquisaram...Esta é a colaboração da Fernanda sobre a Lady Gaga, bem legal!

O Coração Partido e as Fantasias Violentas de Lady Gaga
Por Neil Strauss – revista Rolling Stones – Brasil (edição 46)


Ela pula para cima de uma cadeira na frente do espelho de maquiagem, e assiste a uma edição preliminar do videoclipe de seu single mais recente, "Alejandro", sem som, em seu MacBook Pro. Levando em conta a inclinação que ela tem para roupas que chamam a atenção, a cena que ela assiste vez após outra é relativamente discreta.

"Está vendo? Não tem telefone nenhum na minha cabeça - nem cabine de telefone", ela diz. Então ela volta o vídeo e dá pausa. "Nem estou usando maquiagem aqui. Sou só eu, e as pessoas vão ver que aquilo que existe por baixo de tudo continua sendo eu." Ela faz uma pausa e saboreia a imagem por mais um instante: "E eu continuo conseguindo ser selvagem".

Claro que, algumas cenas mais para a frente no vídeo, ela está dançando com rifles militares que saem de seus peitos. "Certo, tudo bem, ainda tem um pouco de Lady Gaga ali", ela confessa com um sorriso.

A ex-Stefani Joanne Angelina Germanotta tem uma missão a cumprir: provar que Lady Gaga é arte e que a arte dela não é uma máscara. É a vida dela. E, se ela tivesse menos força de vontade, sua vida estaria saindo fora de controle neste momento: o avô dela está no hospital, o pai passou por cirurgia cardíaca recentemente e ela acabou de ser informada por médicos que corre o risco de desenvolver lúpus, uma doença autoimune que matou uma tia dela, antes mesmo de ela ter nascido.

Adicione a isso pressões de ascensão repentina ao domínio cultural, a ética de trabalho incansável, a turnê mundial aparentemente infindável e o fato de que ela já finalizou demos para o próximo álbum, e é possível imaginar uma estrela à beira do colapso. Mas não é assim que Gaga enxerga as coisas. "Nós deveríamos estar cansados", ela diz antes de cantar algumas das músicas novas que escreveu na estrada. "Não sei quem falou outra coisa, mas você tem que fazer um álbum e uma turnê. É assim que se constrói uma carreira. Eu disse ao meu empresário hoje: 'Estou ansiosa para tirar todos os meus discos de platina das paredes e abrir espaço para mais'."

Apesar de a esperteza e a ambição de Gaga ficarem bem claras, também dá para detectar certa ingenuidade e a disposição de acreditar nas pessoas quando se está cara a cara com ela. Quando seu road manager lhe diz para não mostrar as músicas novas para um jornalista, mesmo que ele concorde em não divulgar, ela ignora o aviso. "Ele vai escrever sobre outras coisas", ela diz. "Só quero que ele saiba quem eu sou."

E quem ela é? Algumas pessoas dizem que Lady Gaga tomou forma no dia em que ela e seu ex-produtor e namorado, Rob Fusari, inventaram o apelido, inspirado pela música "Radio Ga Ga", do Queen. Mas se você acompanhar a história e a música dela com cuidado, vai ver que está mais para o resultado de um coração partido: primeiro pelo pai, um roqueiro bissexto que parou de lhe dar dinheiro quando ela largou a faculdade; e depois pela gravadora Island/ Def Jam, que assinou contrato com ela e então a dispensou, nada impressionada com o rock de pianinho, ao estilo Fiona Apple que ela estava gravando na época, e, finalmente, o ingrediente mais devastador de todos, por uma relação tempestuosa e passional com um baterista de heavy metal, o único namorado que ela diz ter amado, logo antes de ficar famosa.

Depois que os dois terminaram, ela prometeu a si mesma que nunca mais amaria e faria com que ele amaldiçoasse o dia em que duvidou dela. E essa pode ser a origem de sua transformação de Stefani para Gaga. Como qualquer pessoa que a viu durante a turnê sabe - neste momento, isso significa cerca de 1,4 milhão de pessoas -, o show dela não é só um espetáculo de palco como o de Madonna ou do Kiss. É um exemplo de performance de arte altamente pessoal, fantasiada de espetáculo pop. Como ela repete vez após outra durante o show, ela é uma "free bitch" algo como uma "louca livre") e o público deve agir da mesma maneira: libertar-se não apenas das pressões da sociedade para se adaptar mas também do poder dos homens em sua vida, que tentam controlá-lo ou defini-lo. Ela vê seu público como uma coleção de miniversões de seu próprio eu rejeitado do ponto de vista social e romântico e, a certa altura, diz: "Vamos fazer um brinde para curar todos os corações partidos dos meus amigos fodidos". O sucesso dela é a vingança máxima dos deslocados.

Na noite seguinte em Birmingham, Lady Gaga está de novo no backstage, preparando-se para o show. Desta vez, está escutando Born to Run, de Bruce Springsteen, em vinil, usando uma bandana azul como homenagem na cabeça e um colete preto com tachas sem abotoar com um sutiã preto por baixo.

Quando ela usa palavras como "ousadia" ou descreve suas conquistas sexuais de homens bonitos, dá para ver por que os boatos de hermafroditismo a respeito dela são tão persistentes: às vezes, ela parece um homem gay preso em um corpo de mulher. Ela se senta calmamente no sofá, abaixa o volume e reflete sobre a noção de que Lady Gaga seja o produto derivado de um coração partido.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Entrevista sobre Jornalismo Econômico

Pra finalizar o trabalho sobre Jornalismo Econômico deste grupo, segue uma breve entrevista sobre o assunto:

Jornalismo Especializado –
Trabalho sobre Jornalismo Econômico
Prof:Ayne Salviano

Francine Serrador 26 114
Jean Fronho 25 345
Ricardo Moreira 25 438

Entrevista com Eduardo Jesus de Almeida, graduado em economia pela Universidade Estadual de Londrina, trabalha desde que se formou, em 2007, com consultoria econômica financeira e perícia trabalhista. Atualmente é delegado Municipal do Conselho Regional de Economia do estado de São Paulo, o Corecon-Sp, e consultor do projeto Incubadora de Penápolis, em parceria com o Sebrae-SP. Eduardo também faz parte da Ong Unidos pela Vida, associação que apoia crianças e jovens de Penápolis e região.

Qual o papel do economista na sociedade, e as diferenças em atuar no interior?

O Economista é um Cientista Humano, Social é o profissional que busca compreender, modelar e prever o comportamento dos indivíduos, instituições e os fenômenos econômicos. Ele tenta traduzir a realidade numérica, exata, para realidade econômica, humana, onde dados se tornam informações para nortearem estratégias que variam muito além da lógica matemática. O Economista no interior quando não trabalha no setor público, com sua visão macro, tende a atuar em empresas ou prestando consultoria para estas com a visão microeconômica e é tão útil quanto o primeiro. E é cada vez maior a consciência das empresas da necessidade do profissional de economia no auxilio de tomadas de decisões, pois este profissional é altamente qualificado para traçar estratégias minimizando riscos e maximizando lucros.

Atualmente atua Como você definiria o papel do jornalismo econômico na vida do profissional em economia?
O jornalismo econômico é fundamental para o embasamento crítico de conjuntura para todo o profissional da área. Um bom profissional só tem fundamento com boas informações. O jornalismo econômico ou "Economês" como também é chamada a linguagem própria da área, estampa todos os jornais nos mais diversos veículos de comunicação, pois são fundamentos intrínsecos à economia de mercado, empresas, governos e sociedade. Por isto o jornalismo econômico é imprescindível, ainda mais em um mundo cada vez mais globalizado onde a inflação, superávit primário e outros indicadores da China fazem empresas e governos no mundo todo repensarem seus investimentos. Tudo isto é transmitido pelo jornalismo econômico, que divulgam dados e pareceres de todos os agentes econômicos em toda parte do mundo.

Como você observa a cobertura dos meios de comunicação para o jornalismo econômico, no interior?

O Jornalismo Econômico do interior como toda economia, ainda não detém todas as ferramentas necessárias nem o profissionalismo que a capital tem condições de oferecer. Mas esta realidade esta se modificando, pois a economia do interior e seu jornalismo estão cada vez mais profissionais e buscando tecnologias para basear a realidade local e não somente fotocopiar a realidade da capital e sua metrópole.

Como você avalia o papel do jornalismo econômico na sociedade?

O Jornalismo Econômico não deveria ser apenas uma página no jornal, uma notícia na televisão ou no rádio, deveria ser mais absorvido, pois interfere diretamente na sociedade como: aumento da taxa selic, déficit em transações correntes ou outros fatos que são de utilidade pública, pois informam decisões que afetam o consumidor diretamente no curto prazo. Por isto que defendo, assim como o Conselho de Economia do Estado de SP, que jovens do ensino médio devam ter noções de economia para gerenciarem melhor suas vidas financeiras e terem capacidade crítica para se posicionarem depois de uma noticia econômica proferida.

Dicionário de economês

Para mostrar que Jornalismo Econômico não é uma especialização fácil, o mesmo grupo de alunos preparou um pequeno dicionário que vai servir de aperitivo para aqueles que desejam seguir este caminho. Vocês vão ver que pra ser jornalista econômico não basta só entender muito de jornalismo...


Jornalismo Especializado – Jornalismo Econômico
Prof: Ayne Salviano

Francine Serrador 26114
Jean Fronho 25345
Ricardo Moreira 25438

Dicionário Básico de Economês
AÇÃO - Ação é um título mobiliário que corresponde ao direito de uma fração de uma empresa, representando uma parte do capital social dela. Quem possui ações detém uma parte da empresa, e por isso recebe parte proporcional dos lucros. As ações podem ou não ser negociadas em Bolsas de Valores, trata-se de um título negociável, que representa a menor parcela em que se divide o capital de uma sociedade anônima.
ALCA - Associação de Livre Comércio das Américas - É uma proposta de união comercial entre 34 países das Américas. Ela vem sendo negociada desde meados dos anos 90 e tem como prazo para o encerramento das negociações, para vigência a partir de 2006.
ANBID - Associação Nacional dos Bancos de Investimento e Desenvolvimento - Entidade formada por várias instituições financeiras com sede no Rio de Janeiro.
Balança Comercial - Registra os valores FOB das exportações e o valor das importações. Se o valor das exportações superar os das importações, a balança comercial apresenta um superávit. Se acontecer o contrário teremos um déficit.
Banco Central do Brasil - O Banco Central do Brasil foi criado em 1964, para atuar como órgão executivo central do sistema financeiro nacional.
Bens Intermediários São aqueles bens que são absorvidos na produção de outros, como o açúcar nas balas, os componentes na televisão, etc.
Bolsa de Valores - Instituição com ou sem fins lucrativos na qual se negociam títulos e ações. Estas negociações podem ser feitas à vista ou a termo (com prazo definido de vencimento). Os negócios de oferta de compra e venda devem serem feitos em pregões. Modernamente estes pregões são eletrônicos, mas ainda existem pregões a viva-voz (ao vivo), quando operadores fazem suas ofertas aos gritos para seus colegas, num local físico determinado, também chamado pregão.
BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) é a principal instituição financeira de fomento no Brasil. Criado na década de 50 tem como objetivo impulsionar o desenvolvimento econômico do país - estimulando, via financiamento, com taxas de juros e prazos de especiais, as atividades agrícola, industrial e de serviços.
Caderneta de poupança - Depósitos de poupança, em dinheiro, tratam-se de uma aplicação de renda fixa que paga juros de 0,5% ao mês mais a variação da Taxa Referencial. Regra geral, oferece menor rendimento que outras aplicações de renda fixa. Mas é a aplicação mais procurada pelo pequeno investidor, porque costuma ter um menor limite mínimo de depósito. Também oferece algum nível de segurança.
Câmbio - Negociação de moeda estrangeira, através da compra, venda ou troca da moeda de um país pela de outro.
Capital - É a soma de todos os recursos, bens e valores, mobilizados para a constituição de uma empresa.
Capitalização - Ampliação do patrimônio via reinversão de resultados ou captação de recursos, pela emissão de ações.
Commodities - Termo em inglês que significa "mercadoria". Se referem a mercadoria em estado bruto ou produto primário com grande importância comercial, como por exemplo, café, milho, algodão, cobre, petróleo etc.
Demanda - Em economia é o desejo de consumo individual ou coletivo de bens e serviços, a determinado nível de preços.
Especulação - Negociação em mercado com o objetivo de ganho, em geral em curto prazo. Embora exista um senso comum diferente, especulação é uma atividade normal no mercado financeiro e em qualquer negócio.
Falência- Quando, através de ação judicial, uma empresa é declarada incapaz de saldar seus débitos nos prazos contratuais, ou mesmo se for beneficiada pelo adiamento dos prazos, caso da concordata. A falência pode ser pedida pelos representantes da própria empresa ou por um credor que tenha título de dívida vencida.
Imposto de Renda- Tributo cobrado das pessoas ou empresas sobre a renda obtida no exercício de suas atividades profissionais ou comerciais, ou ainda sobre os rendimentos resultantes de aplicações financeiras. No caso das pessoas, quanto maior a renda, maior a taxa de imposto a ser paga ao governo. Para as empresas, o porcentual do imposto depende do tipo da empresa e do regime no qual ela se enquadra. Aplicações financeiras têm alíquotas diferenciadas.
Indexação - É o processo de correção monetária de contratos expressos em moeda corrente, com base na variação de índices de inflação, com o objetivo de proteger o credor do contrato das perdas provocadas pela desvalorização sistemática da moeda (aumento generalizado de preços).
Inflação - Inflação é o nome que se dá ao processo de elevação do nível geral de preços, isto é, da média dos preços de uma economia, que provoca uma perda do poder aquisitivo da moeda. Inflação elevada é um forte sinal de instabilidade da economia.
Liquidez - No mercado financeiro, é a facilidade e rapidez com que se converte um investimento qualquer em moeda corrente, com a menor perda possível de rentabilidade. Quanto mais rápido um título ou bem pode ser vendido no mercado, com o menor nível de perda de rentabilidade, maior a sua liquidez.
Mercado de ações - Segmento do mercado de capitais, que compreende a colocação primária em mercado de ações novas emitidas pelas empresas e a negociação secundária (em bolsas de valores e no mercado de balcão) das ações já colocadas em circulação.
Nasdaq- National Association of Security Dealers Automated Quotation System. Bolsa norte-americana em que são negociados papeis de empresas de Internet, informática e alta tecnologia. Opera no mercado de balcão, cujos títulos são negociados por meio do pregão eletrônico.
Operador de pregão - Representante de uma sociedade corretora, que executa ordens de compra e de venda de ações no pregão de uma bolsa de valores.
Paraísos Fiscais - Países que oferecem incentivos às operações financeiras, por meio de vantagens como o sigilo total e a cobrança de impostos baixos ou nulos. Como exemplo pode citar: Hong Kong, Bahamas, Ilhas Caymann, Luxemburgo, Suíça e Panamá.
PIB - Produto Interno Bruto É a medida do produto gerado na economia durante um determinado período de tempo. O cálculo é feito em unidades monetárias (Reais, Dólares etc) porque essa é a única forma de somar coisas tão distintas como bens (carros, toneladas de trigo, etc) e serviços (o produto gerado em escolas, bancos, barbeiros, hospitais, etc).
Rentabilidade - Ganho ou perda monetária ocorrida em um investimento, provocados pela variação de preço do título financeiro, ou pelo recebimento de uma renda derivada da posse do bem, como o recebimento de dividendos ou de aluguel. A rentabilidade costuma ser apresentada em valores percentuais.
TBF - Taxa Básica Financeira - Criada em 29/07/1995 pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Para o cálculo é utilizado uma amostra de 30 maiores Instituições Financeiras do país, a partir da remuneração mensal média dos CDBs e RDBs no prazo de 30 a 35 dias. É uma espécie de TR mas sem o redutor. Tem por finalidade remunerar um novo tipo de caderneta de poupança com prazo mínimo de 90 dias criado pelo Governo dentro de um processo de desindexação. É um índice diário, divulgado pelo Banco Central com a cotação em % no período.