domingo, 21 de fevereiro de 2010

Alguém me socorre?

Estou começando a me desesperar....


51% das escolas de
jornalismo reprovadas

Quem foi que errou?

Alberto Dines

O assunto foi manchete da Folha de S.Paulo, chamada destacada no Jornal do Brasil, O Globo e pequena no Estado de S.Paulo. Não é para menos: 23% dos cursos superiores de engenharia elétrica, mecânica, economia e jornalismo avaliados pelo Ministério da Educação não oferecem condições adequadas de ensino.

O mais grave da notícia – pelo menos no tocante a quantidades – só foi destacado por O Globo: o pior desempenho foi dos cursos de jornalismo, que tiveram um índice de reprovação de 51% !

O não dito é ainda mais preocupante: a imprensa foi a última a saber. Surpreendida, como sempre, incapaz de prevenir e antecipar. Jamais investigou aquilo que lhe diz respeito. Deu as costas tanto ao seu interesse como ao interesse público.

Essa é a grande verdade: as empresas jornalísticas não estão minimamente interessadas em acompanhar a produção da matéria-prima essencial para alimentar a sua qualificação: recursos humanos. Fazem aqueles cursinhos de treinamento para badalar os resultados, aproveitam os mais expeditos, cumprem a lei do diploma e o resto que se dane.

Combinação de descaso com inapetência, ambos alimentados pelo interesse pecuniário: fiscalizar as escolas de jornalismo significa antes de tudo denunciar o descalabro do ensino superior privado, hoje um dos grandes anunciantes da mídia diária. Dois dos maiores jornais brasileiros (Folha e Globo) ostentam entre os seus colaboradores regulares o lobista-mor do ensino superior privado, Arnaldo Niskier. E isto não acontece por acaso ou em função do talento do escriba: é acerto mesmo – toma lá, dá cá.

A divulgação desses dramáticos resultados confirma o que este Observador vem dizendo aqui, desde 1997:

O ensino do jornalismo precisa ser reexaminado. Professor de disciplinas técnicas deve ser jornalista, com militância profissional reconhecida e comprovada (além dos demais atributos acadêmicos).
Uma escola de jornalismo deve coexistir com um projeto jornalístico regular e permanente. Não se ensina medicina sem um hospital, clínica ou ambulatório.
A pós-graduação em jornalismo é uma necessidade. É preciso separá-la definitivamente da pós em comunicação. A base é comum mas são matérias distintas, assim como farmacologia e medicina. O orientador de monografias ou teses sobre jornalismo deve ser um professor com experiência comprovada em redações para impedir que os trabalhos de pós-graduação em jornalismo continuem a conter as asneiras que serão reforçadas em trabalhos posteriores.
O provão veio para ficar. Se algumas definições precisam ser reexaminadas, que sejam reexaminadas. Se alguns critérios precisam ser revistos, que sejam revistos. Mas o processo regulador e fiscalizador como um todo não pode ser revertido. Ser contra o provão hoje é o mesmo do que proclamar-se contra a reforma do Judiciário.

Pipocas

A.D.

Narcisa Tamborindeguy, a socialite carioca que neste ano forma-se em jornalismo, ganhou a capa do segundo caderno de O Globo (12/2/00) com chamada na primeira página. E o que fez a moça? Não fez. Ganhou o destaque pela não-notícia – o seu livro foi recusado por uma editora popular, também do Rio. A fabricação de celebridades não precisa de pretextos, qualquer coisa serve. Não fosse pela obra-prima que está produzindo, a divina Narcisa seria capa por que trocou de faculdade: ameaçada de expulsão de um estabelecimento (privado, é claro), foi contratada por outro. Certamente com bolsa de estudos.
O UOL faz hoje o onanista de amanhã. Eis as razões por que um adolescente precisa ser assinante do maior provedor brasileiro de internet, publicadas em cores num anúncio de página inteira – nas revistas saiu em página dupla: "Porque só no UOL ele pode encontrar tudo sobre sexo; porque pode entrar no comVC e conversar on-line sobre sexo; porque pode entrar na estação de esportes e saber tudo sobre peladas; porque pode encontrar nos amigos virtuais uma namorada para fazer sexo virtual; porque só no UOL ele pode encontrar no Miner um bom creme para espinhas."
O verbo mais usado na primeira página do JB tem sido "esquentar".
Sessão espírita em O Globo (14/2/00): "Noel Nutels aprova genéricos" (título de matéria na página 17). Noel Nutels morreu há 20 anos, a instituição que leva o nome do famoso sanitarista é Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels. O redator do título poderia usar "laboratório" ou "saúde pública".

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Na África, jornais ainda reinam

Caríssimos,

Eis-me aqui novamente. Agora, com a ajuda da Simone Dias, ex-aluna, atual companheira de pós, colega de trabalho. Ela enviou esta colaboração. Concordo com a Simone de que será interessante dividir este assunto com todos vocês. Grande abraço!


Um artigo muito interessante chegou às minhas mãos por indicação da amiga Ana Estela, que muitos devem conhecer em razão de seu blog, o Novo em Folha, (http://novoemfolha.folha.blog.uol.com.br) meu vizinho aqui na Folha Online.

Interessante e improvável à primeira vista. É sobre um mercado que sofre no resto do planeta, mas que ainda demonstra vitalidade na África: o de jornais impressos.

Por todo o mundo, e no Brasil não é diferente, o anúncio da morte iminente dos jornais é feito quase diariamente. De alguma forma, a mídia impressa sobrevive, mas tem dificuldades para estancar a queda de circulação. Expandi-la, então, é algo quase do outro mundo.

O artigo está no site da “Columbia Journalism Review”, especializado em mídia e afiliado a uma das mais prestigiadas instituições de ensino de jornalismo, a Universidade de Columbia, em Nova York (EUA).

O link é esse (em inglês): http://www.cjr.org/feature/a_passion_for_print.php

A autora, Karen Rothmyer, trata especificamente do Quênia, mas algumas das suas considerações me pareceram válidas para vários dos países africanos que já visitei. “Num período em que jornais estão morrendo como moscas nos EUA, o Quênia, um dos países mais pobres do mundo, tem 40 milhões de pessoas com uma aparentemente insaciável paixão pela mídia impressa”, diz ela.

Seu relato é o de novos jornais surgindo, tiragens em alta e do respeito que comandam por lá. Um jornaleiro empreendedor (daqueles tipos que parecem só aparecer na África) aluga jornais por meia hora, para quem não tem dinheiro para comprar um exemplar novo. Política move o noticiário, e pessoas vêem na página impressa certezas que não conseguem ter numa transmissão pelo outro veículo extremamente popular no continente, o rádio.

“Book no lies”, diz uma senhora, em inglês capenga, mostrando a credibilidade que a palavra no papel mantém. Do outro lado do continente, Ellen Johnson-Sirleaf, presidente da Libéria, conta uma história parecida em sua autobiografia. “Ma knows book” (“ela conhece livros”), diziam eleitores ao explicar porque votariam nela, em referência a seu extenso currículo acadêmico. Um fenômeno que une as duas pontas do continente, portanto.

A imprensa escrita na África impressiona ainda mais pela vitalidade porque desafia duas realidades: a da baixa escolaridade e a dos regimes autoritários (e que portanto não gostam de imprensa).

O padrão é muito parecido: um jornalão oficial, em cores e razoavelmente bem-feito, ligado ao governo, e uma infinidade de pequenos jornais independentes, geralmente semanais, e que incomodam.

Em Angola, por exemplo, os semanais são um fenômeno (nem todos são independentes, é verdade, pois muitos servem como vozes de políticos de oposição). Em Moçambique, começa a acontecer o mesmo. No Zimbábue, ainda são uma voz dissonante do diário oficial do regime do ditador Robert Mugabe, o “Herald”. E na África do Sul, há jornais para todos os gostos: desde o “Beeld”, para a comunidade africâner, até o “Sowetan”, para a nova classe média negra.

Não sou especialista nem tenho dados estatísticos, mas imagino que ajude muito o fato de a internet na África ser movida a lenha. Não há jornalismo online digno de nome, ainda, por lá. E a TV, por ser cara, costuma ser brinquedo do Estado: monótona, oficialesca, sem ser incomodada pela concorrência.

Restam os jornais e suas fotos chamativas e longas reportagens de política, futebol e crimes. Como diz a autora do texto, jornalistas podemos nos consolar com o fato de que em algum lugar do mundo, pelo menos por enquanto, os jornais continuam reinando.

Escrito por Fábio Zanini às 21h58

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ainda resta uma esperança

Lei torna obrigatório diploma para jornalistas da Prefeitura e da Câmara de BH

Da Redação do Comunique-se



Foi sancionado no dia 20/01 o Projeto de Lei 667/09, que torna obrigatório o diploma de jornalismo para a atuação como assessor de imprensa ou jornalista nos poderes Legislativo e Executivo de Belo Horizonte. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM).

A lei, de autoria dos vereadores Adriano Ventura (PT) e Luzia Ferreira (PPS), presidente da Câmara Municipal, tramitou nas comissões de Legislação e Justiça e de Administração Pública e foi aprovado em 2º turno no dia 23/12, durante reunião plenária. Um dos autores do PL, o vereador Adriano Ventura, é jornalista e professor de comunicação da PUC-Minas.

Apenas o artigo 2º do projeto foi vetado pelo prefeito Marcio Lacerda, porque definia quais seriam os atos privativos do jornalista, considerando exercício específico do jornalista uma série de atividades que não estariam de acordo com a Constituição, além de ultrapassar a competência do Legislativo.

"Entendemos como essencial a formação acadêmica e técnica aprendidas em faculdades especializadas para o desenvolvimento do trabalho jornalístico. O diploma representou um avanço para o país, profissionalizando a categoria cuja atuação era condicionada por relações pessoais e interesses outros distintos do verdadeiro sentido do Jornalismo, que é zelar pela qualidade da informação repassada à sociedade”, diz o texto de justificativa do PL apresentado pelos vereadores.

De acordo com a Câmara Municipal de Belo Horizonte, o objetivo da lei é valorizar a formação universitária especializada dos profissionais da imprensa, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão.