segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Jornalismo Esportivo

Acompanhem o resumo do seminário sobre Jornalismo Esportivo apresentado pelos colegas Rafael e Paula. Mas, especialmente lembrem-se: Nos próximos anos, quando vocês estiverem atuando mais no mercado, o Brasil vai sediar dois eventos mundiais importantes - A Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016), o que significa alertar - Já começaram a se especializar?

Jornalismo esportivo é uma especialização da área da imprensa que trata do tema esporte, informando tudo sobre o assunto e seus desdobramentos. E a essência não muda. O profissional tem a incubência de informar ao público, de forma imparcial e com ética, o que acontece no mundo dos esportes.

Para Marques de Melo:
“...Trata-se do esporte como notícia...Além de ocupar espaço privilegiado nos veículos de informação geral (jornal, rádio ou televisão), constitui um dos ramos importantes da segmentação da indústria jornalística, ensejando publicações especializadas no campo da mídia impressa ou programas específicos no interior da mídia audiovisual. O esporte se faz propaganda, gerando mensagens publicitárias dos espetáculos ou dos produtos associados às práticas esportivas. Nesse sentido, a Publicidade Esportiva assume um papel fundamental na engrenagem do esporte midiático, financiando seus agentes e gerando divisas que dão sustentação econômica às instituições esportivas”.

Não basta apenas gostar de esportes, ter boa memória e boas fontes. É preciso ter criatividade,dedicação e conhecimento.

O jornalismo esportivo mistura notícia e entretenimento.

O jornalista pode se especializar em um tipo de esporte, porém deve conhecer todas as modalidades.

Estar ciente e preparado para cobrir outras editorias, caso aconteça um fato durante uma cobertura esportiva.


JORNALISMO ESPORTIVO NO MUNDO

De acordo Fonseca (1997), a história do jornalismo esportivo no mundo tem pouco mais de cem anos. Os primeiros registros que se tem é do Le Sport (1854), que publicava crônicas sobre haras, turfe e caça, além de sessões de canoagem, natação, pesca, boxe, bilhar e outros esportes.

“A primeira área esportiva a receber uma cobertura mais elaborada dos veículos impressos foi o hipismo, em meados do século XIX, na França. A grande imprensa só abriu espaço em 1875, num momento de mudanças sociais e de crescimento de esportes populares, pois, até então, só se registravam notas sobre o boxe, iatismo e esgrima. Por isso, os pioneiros do jornalismo esportivo surgiram nos jornais populares.” (FONSECA, 1997)

Início: Informações e explicações sobre como praticar os esportes.

Tornou-se esporte para as elites

“...Antes de 1939, havia a crônica esportiva e não um jornalismo organizado de cobertura de eventos. O primeiro órgão esportivo teria sido Bell´s Life, inglês,
depois chamado de Sporting Life. E, nos Estados Unidos, a imprensa esportiva só começou a destacar-se nos anos 20 deste século”. (Fonseca, 1997)

As primeiras transmissões esportivas televisivas aconteceram na década de 30, em diversos países. Nos Estados Unidos, uma partida de beisebol em 1935. Na Alemanha os Jogos Olímpicos de Berlim no contexto nazista em que Hitler queria mostrar a soberania Ariana, há um vídeo de divulgação dessa Olimpíada chamado Olímpia, em que há um resgate dos ideais Olímpicos.
A BBC, da Inglaterra, mostrou a primeira jornada de Wimbledon, para o público britânico em 1937. Na França, 1948, a primeira transmissão da Copa Mundial de Futebol, na íntegra.

Embora hoje o futebol seja o esporte mais explorado pela mídia, em 1894, o esporte, trazido para o Brasil por Charles Muller, não foi muito valorizado pela imprensa. Fonseca (1997) retrata essa posição:

“As pequenas colunas quase escondidas que tratavam do assunto foram crescendo apenas à medida que as pessoas passaram a comentar o esporte praticado por um pequeno grupo de jovens da sociedade. É por isso que a linguagem inicial da imprensa em relação ao futebol traduzia a posição intelectual de praticantes e torcedores”... (FONSECA, 1997)

Segundo Paulo Vinícius Coelho, a cobertura esportiva era vista com preconceito.

A importância dos veículos que se dedicavam ao esporte teve início em 1910. Nas páginas do jornal Fanfulla (SP) eram divulgadas notícias do futebol da época.

Nos anos 30, surgiu no Rio de Janeiro, o Jornal dos Sports. “(...) foi o primeiro diário exclusivamente dedicado aos esportes no país”.

Coelho ainda afirma que muitos períodicos surgiram e também desapareceram no século passado. Jornais destinavam espaços mínimos para as matérias sobre futebol.

A partir do interesse das classes mais altas, dos jornalistas e escritores mais respeitados é que a imprensa começou a se preocupar com o esporte, principalmente com o futebol.

No fim da década de 1960 é que os grandes cadernos de esportes tomaram conta dos jornais.

No entanto, foi somente nos anos 70 que as revistas esportivas tiveram vida regular.

A primeira reportagem filmada para a televisão ocorre em 1950, no jogo entre Portuguesa de Desportos e São Paulo, considerada o marco das transmissões esportivas na televisão brasileira.

Já nos anos 60 ocorre o declínio da rádio Pan-Americana, que era considerada a emissora dos esportes, anunciando o declínio de outras rádios, por causa da televisão, que direcionou as cotas de publicidade, patrocinadores e audiência.

Segunda metade da década de 90 surge os primeiros sites dedicados aos esportes.

LINGUAGEM
No início: textos em formas de crônicas.

O principal cronista esportivo da história brasileira foi Nelson Rodrigues.

Anos 70: textos precisos e descritivos.

Linguagem acessível

Televisão – estilo jornalista-personagem

Jornais e revistas: adotam a descrição

JORNALISTAS X COMENTARISTAS

Coelho (2004)crítica que o mercado apenas permite a criação de jornalistas de futebol e automobilismo.

Não há jornalistas de basquete, vôlei, atletismo, judô, natação, etc.

Por isso, necessidade dos atletas como comentaristas para aprofundamento em grandes competições.

ERROS
Barbeiro e Rangel criticam o fato de não haver criatividade nas perguntas feitas aos jogadores ao saírem de campo, durante ou ao final da partida. São feitas sempre as mesmas indagações:

“O que você acha do jogo”; “como você vê o jogo”, “gostou da partida”, “como você está se sentindo com a derrota”


DICAS
A marca das transmissões é o improviso – Mas deve saber bem o português e as regras da modalidade esportiva a que foi destinado.

Privilégio a esportistas – nunca se deve privilegiar um competidor, mesmo sendo o favorito.

Não confundir emoção x paixão – A emoção ajuda a aquecer a transmissão, faz parte do esporte. A paixão atrapalha a isenção e a ética profissional. Ter cuidado para não endeusar o entrevistado. O jornalista deve ser racional e fugir da emoção.

Suíte – Sempre deve haver uma suíte didática do tema tratado, pois nem todos acompanham diariamente os esportes.
Acompanhar – A reportagem não termina quando ela é entregue na redação. Quando se está em entrevista coletiva, é necessário ficar atento até o entrevistado ir embora, pois às vezes a notícia mais importante é dita após o término da entrevista formal.
Desconfiar sempre – Como em qualquer outra editoria, é importante duvidar sempre da informação obtida.

Bastidores - A cobertura esportiva não se resume apenas cobrir o jogo, a coletiva de imprensa. É necessário cobrir os bastidores, oferecer um diferencial ao público.

Criatividade – É comum jornal copiar a pauta da TV, a TV da rádio, e a rádio do jornal. É fundamental ter criatividade e fugir das coberturas triviais, que são os treinos e os jogos da semana.

PAUTAS
As pautas do Jornalismo Esportivo incluem a cobertura de eventos (Jogos Olímpicos, Copas do Mundo, campeonatos, competições, treinos).

Não somente do futebol, mas do vôlei, basquete, natação, hipismo, vela, remo, judô, tênis, etc

As instituições que geram produtos e fatos (comitês olímpicos, federações esportivas, clubes, torcidas).

As políticas públicas para a área (Ministério do Esporte, secretarias do Esporte, construções de estádios, quadras e áreas de lazer) e o dia-a-dia do setor.

Bastidores do campo, quadras e pistas. Ex: contratações de jogadores e técnicos, escândalos políticos nos clubes, mal organização de eventos, etc.

Prestação de serviços: Informar como está o trânsito até os estádios, quais entradas estão mais vazias, valor dos ingressos, local de venda, horário do jogo, se houve algum acidente apontar uma via alternativa.

Necessidade de atividades físicas, uso de anabolizantes

Fontes:
COELHO, Paulo Vinicius. Jornalismo Esportivo. São Paulo: Contexto, 2004.
MELO, José Marques de. Jornalismo Brasileiro. Editora Sulina, 2003.
BARBEIRO, Heródoto; RANGEL, Patrícia. Manual do Jornalismo Esportivo. Disponível em:

3 comentários:

  1. Atualmente mercado esportivo na área áudio visual, onde a Rede Globo possui os direitos de transmissão dos principais eventos esportivos nacional , ditam algumas regras, quando será o horário do jogo, quais partidas serão transmitidas na TV fechada, pois a mesma empresa também possui os direitos de transmissão para o canal fechado.
    A empresa de comunicação rádio Jovem Pan AM, fez uma campanha na cidade de São Paulo, para não mais realizarem partidas de futebol no horário das 22 horas, pois torcedores e profissionais que trabalham na cobertura do evento, destacam que o evento por ser realizado no meio da semana, onde grande parte do público tem que acordar ainda de madrugada para trabalhar.
    O evento acaba muito tarde e para os torcedores retornarem para casa costumam chegar no período da madrugada, algumas pessoas não voltam para casa, se deslocam direto para o emprego.
    Mas o prefeito Gilberto Kassab, não bateu de frente com a “toda poderosa Rede Globo”, e vetou o projeto aprovado na Câmara daquela cidade, por que será?
    Agora fica a pergunta, existe democracia no esporte, os meios de comunicação defendem os interesses do seu público, ou tudo isso é apenas um detalhe.

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  2. Percebe-se que o jornalismo esportivo é o grande filão da atualidade. Inúmeros eventos estão por vir, o que gera a necessidade de os profissionais buscarem especialização.

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  3. O Rafa foi muito feliz ao apontar os erros do jornalismo esportivo. O fato de não haver criatividade nas perguntas irrita e constrange o público e o entrevistado.

    Que possamos sempre fazer diferente!

    abraços galera!

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