terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ainda sobre política, o perfil do Serra

Bruna Bertolino escolheu um perfil do candidato à Presidência da República, José Serra.





Crédito: Do G1, em São Paulo


José Serra, de 64 anos, começou cedo na política. Em 1963, aos 21 anos, já era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). No ano seguinte, partiu para o exílio, para escapar da perseguição da ditadura.

No exterior, o tucano enfrentou dificuldades e não conseguiu concluir seus estudos de engenharia. Formou-se em economia, obteve diploma de mestre pela Universidade do Chile e tornou-se professor.

Ainda no Chile, atuou como funcionário da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), da Organização das Nações Unidas, e, após o golpe de Estado de Augusto Pinochet, em 1973, ficou preso no Estádio Nacional. Foi pereseguido de novo e embarcou para os EUA, onde, mais tarde, obteve doutorado pela Universidade de Cornell.

Retornou ao Brasil em 1978 e, quatro anos depois, participou do governo de Franco Montoro eleito em 1982 pelo PMDB.

Em junho de 1988, sob a liderança de políticos de expressão nacional, como Franco Montoro, Mario Covas e Fernando Henrique Cardoso, ajudou a fundar o Partido da Social Democracia (PSDB).

Em 2002, foi candidato à Presidência República pela coligação PSDB-PMDB. Disputou com Luiz Inácio Lula da Silva o segundo turno da eleição e perdeu. Assumiu a presidência nacional do PSDB no ano seguinte, e, depois, foi eleito prefeito de São Paulo em 2004.

Na Prefeitura impôs um ritmo "obsessivo" de trabalho, de acordo com assessores próximos que ainda servem ao seu sucessor, Gilberto Kassab (PFL-SP).

Em 2006, o candidato José Serra foi eleito governador de São Paulo com 57,93% dos votos válidos, em primeiro turno.



















Perfil do presidente

Em tempos de eleições, vamos divulgar o perfil do presidente Lula, escrito em 2006, e enviado como colaboração pelo Rafael Machi


LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA




Lula nasceu Luiz Inácio da Silva em uma família de humildes agricultores, na cidade de Garanhuns, em 27 de outubro de 1945. Sétimo filho do casal Aristides e Eurídice, teve contato desde cedo com questões que formariam boa parte de suas bandeiras sociais.

Aos 11 anos, foi obrigado a se mudar para São Paulo com a mãe e os irmãos depois do abandono do pai. Na cidade, morou com toda a família no fundo de um bar na Vila Carioca. Aos 12 anos, conseguiu emprego em uma tinturaria. Depois trabalhou ainda como engraxate e office-boy.

Em 1964, chegou à região que se tornaria símbolo de sua biografia política. Formado torneiro mecânico pelo Senai, Lula iniciou sua vida profissional em metalúrgicas de São Bernardo. Lá, ainda naquele ano, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente.

Em seguida, influenciado por seu irmão José Ferreira da Silva, o Frei Chico, militante de esquerda na época, começou a engajar-se nas lutas da categoria.

A partir daí, construiu uma trajetória vertiginosa no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Em 1972, tornou-se primeiro-secretário da entidade. Três anos depois, foi eleito presidente do sindicato com 92% dos votos.

Na esteira do processo de abertura política iniciado no final dos anos 70, Lula transformou-se no líder operário mais influente do País. Em março de 1979, na greve convocada pelo sindicato comandado por ele, mais de 100 mil metalúrgicos paralisaram a produção no ABC.

A repressão ao movimento estimulou Lula a pensar pela primeira vez na formação de um partido destinado a representar a classe trabalhadora.

Associado a intelectuais, sindicalistas, setores da igreja católica e movimentos sociais, Lula fundou o Partido dos Trabalhadores (PT) em fevereiro de 1980. Ainda naquele ano, uma outra greve no ABC o levaria à prisão.

Em 1982, acrescentou o "Lula" oficialmente ao nome e disputou o governo paulista. Dois anos depois, participou da campanha pela eleição direta para presidente, a "Diretas-Já".

A campanha acabou derrotada, mas fez de Lula uma liderança nacional. Em 1986, ele foi eleito o deputado constituinte mais votado do País.

A consequência óbvia da popularidade conquistada por Lula foi a disputa da primeira eleição presidencial no Brasil após o regime militar, realizada em 1989.

Lula, Paulo Maluf, Ulysses Guimarães e Mário Covas, entre outros pesos pesados da política nacional, participaram de uma campanha marcada por denúncias e ataques mútuos. No entanto, a vitória ficou com o então governador de Alagoas Fernando Collor de Mello.

Lula ainda disputaria outras duas eleições antes de ser eleito. Em 1994 e 1998, foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso, antigo aliado dos anos de sindicalismo.

Em 2002, porém, Fernando Henrique não conseguiu eleger o candidato que apoiava, José Serra. No dia em que completou 57 anos, Lula foi eleito presidente da República com quase 53 milhões de votos.

À frente do Planalto, Lula optou por uma política econômica conservadora, o que levou ao rompimento de setores da esquerda com o governo. Tachado de continuísta por antigos aliados, Lula viu ainda seu governo ser atingido por denúncias de corrupção.

Em 2005, o então deputado Roberto Jefferson denunciou um suposto esquema de financiamento da base de sustentação de Lula na Câmara articulado pelo governo. A crise do mensalão, como ficou conhecida, levou à queda de ministros e aliados muito próximos a Lula.

As denúncias não abalaram a popularidade do presidente nas classes de menor renda da população. O programa Bolsa-Família garante a Lula até o momento o favoritismo na disputa pela reeleição.

Lula era cotado por todos os institutos de pesquisa para vencer no primeiro turno quando novas denúncias atingiram o PT. Membros do partido e um assessor ligado à Presidência foram acusados de negociar um dossiê com supostas denúncias contra candidatos do PSDB.



Perfil de um ministro

Emanuel colaborou em dose dupla. Vejam:


Perfil de Wagner Gonçalves Rossi, ministro da Agricultura, Pecurária e Abastecimento

Fonte: Assessoria de Imprensa



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Wagner Gonçalves Rossi tem mais de 30 anos dedicados ao setor agrícola. Nascido em São Paulo, capital, vive em Ribeiro Preto, no interior do Estado, desde a década de 70, onde iniciou sua trajetória como empresário e produtor rural. Como ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Rossi defende o agronegócio brasileiro e o desenvolvimento sustentável em benefício da sociedade.

Ocupou importantes cargos na administração pública federal e estadual, sendo o mais recente a presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Já foi secretário de diversas pastas do Governo do Estado de São Paulo (Transportes, Infraestrutura Viária, Educação, Esportes e Turismo), além de presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

Casado, Rossi é pai de cinco filhos e tem doze netos. A carreira política teve início em 1983, tornando-se parlamentar por cinco legislaturas, até 2002. Primeiro, foi deputado estadual de São Paulo por dois mandatos. Depois, deputado federal por mais três mandatos. No Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) exerceu diversas atividades, desde Líder do Governo (1984/85 e 1990) até Primeiro Vice-Líder (1997/98 e 2001/02) e Vice-Presidente Nacional (1997/98). Rossi também já foi Relator da Ordem Econômica e Social da Constituinte Estadual de São Paulo e Presidente das comissões de Fiscalização e Controle e de Educação da Câmara Federal.

Dentre as participações em conselhos, comitês e câmaras, destacam-se a atividade de Membro Titular do Conselho Nacional de Política Agrícola do Mapa, Conselho do Agronegócio do Mapa, Conselho de Administração da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), Conselho de Administração da Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (Casemg), Conselho de Administração da Conab e Conselho de Administração da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Como suplente, foi membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar da Presidência da República, Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e Grupo Gestor do Programa de Aquisição de Alimentos do MDS. Além de cargos de administração, gerência e diretoria na iniciativa privada.

Com sólida formação em escolas e universidades no Brasil e exterior, Wagner Rossi é graduado pela faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), graduado em Administração de Empresas pela Universidade de Ribeirão Preto e pós-graduado em Economia Política (USP). É mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas, Ph.D em Administração e Economia da Educação pela Bowling Geen State University of Ohio (EUA). Para complementar suas atividades acadêmicas, fez o curso de educação popular com o professor Paulo Freire, na University of Michigan (EUA).

Também publicou livros, artigos em jornais e revistas científicas, além da participação em reuniões e simpósios, bancas examinadoras de mestrado e doutorado e orientou teses acadêmicas. Foi professor nas mais prestigiadas universidades do País, dentre elas a Universidade de São Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp), Federal de São Carlos (UFSCar) e Estadual Paulista (Unesp). Rossi também coordenou o primeiro curso de extensão universitária sobre administração rural para graduados na Universidade de Ribeirão Preto.

Wagner Rossi já foi contemplado com o título de cidadão honorário por mais de cem municípios paulistas. Medalhas de Honra ao Mérito também recebeu da Marinha do Brasil, Assembléia Legislativa de Minas Gerais, Polícia Militar do Estado de São Paulo e Secretaria Nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional.

Um pouco de Sílvio Santos

Contribuição de Emanuel Naba, do 4o. semestre. Valeu!



Perfil: Sílvio Santos


Fonte:Site http://www.microfone.jor.br/silvio_santos.htm






O empresário Senor Abravanel - verdadeiro nome de Sílvio - está na TV desde a metade da década de 50. O jovem Abravanel iniciou-se no rádio e logo de cara conseguiu uma vaga de locutor na Rádio Nacional. Na TV o começo foi como parte da produção do programa "A Praça da Alegria", da TV Paulista, por seu grande amigo, e já falecido, Manoel de Nóbrega, que conheceu nos bastidores da rádio.



Já na TV, Sílvio Santos passou a ser o divulgador do carnê Baú da Felicidade. No início da década de 60 fez sua estréia na TV Paulista, com o programa "Vamos Brincar de Forca?". Devido ao grande e imediato sucesso a emissora logo colocou Sílvio no ar aos domingos. No início ele até considerou a idéia "inadequada", mas seu destino estava traçado. Na época o diretor artístico da TV Paulista era Paulo Gramont.



O programa, que começou com duas horas de duração, passou para três horas e em 1966 - quando já era exibido pela Rede Globo, que havia comprado a TV Paulista - o programa de Sílvio Santos, "Música e Alegria" já atingia quatro horas de duração. Só em 1968 surgiu o nome "Programa Sílvio Santos", quando já era transmitido com seis horas de duração.



O "Programa Sílvio Santos" também foi apresentado nas TVs Tupi e Record, após a saída do apresentador da Rede Globo em janeiro de 76. Na metade dos anos 70, Sílvio Santos, já possuía inúmeras empresas e 50% das ações da TV Record, junto com a família Machado de Carvalho. Conta-se no "meio" que as ações da TV Record foram adquiridas através de uma negociação secretíssima, já que uma das cláusulas do contrato com a Rede Globo o impedia de ter ações de outras emissoras.

Sílvio conseguiu a concessão da TVS - RJ e no ano de 1976 exibia seu programa simultaneamente em São Paulo pela Record e Tupi e, no Rio de Janeiro, pela Tupi e TVS. Com o fechamento da TV Tupi Sílvio partiu para montar o Sistema Brasileiro de Televisão. A Rede foi inaugurada no dia 19 de agosto de 1981, com a transmissão da solenidade de assinatura das próprias concessões.

Da Lapa para o mundo:

Filho de imigrantes gregos de poucos recursos, Silvio Santos, nasceu na Lapa boêmia, e mostrou-se desde cedo um visionário. As circunstâncias adversas e os obstáculos sempre foram superados por uma tenacidade fora do comum, pela certeza de progredir, do desejo de ganhar dinheiro, aliado a uma imaginação fértil, e sempre acompanhado pela sorte.



O Camelô:

Ainda menino, andando pela Avenida Rio Branco, Sílvio observou um camelô vendendo, com enorme facilidade, carteirinhas plásticas porta-títulos de eleitor por 5 mil réis e, seguindo-o, verificou que o mesmo as comprava por 2 mil réis do atacadista, na Rua Buenos Aires. Comprou, então uma carteirinha, com uma moeda de 2 mil réis, e saiu pela avenida vendendo-a dizendo ser a última. Foi buscar mais duas. E assim nascia o camelô que fazia ponto na Avenida Rio Branco com Rua do Ouvidor.

Um dia o "rapa" chegou e Silvio Santos não conseguiu fugir a tempo, porém, ao invés de ser levado para o Juizado de Menores, o Diretor de Fiscalização da Prefeitura, Renato Meira Lima, percebendo tratar-se de um estudante que se expressava corretamente e de "boa voz", deu-lhe um cartão para que procurasse um amigo na Rádio Guanabara, onde estava se realizando um concurso de locutores, do qual participam em torno de 300 candidatos. Nesse concurso estavam inscritos rapazes que tornaram-se famosas figuras do mundo artístico, como Chico Anísio, José Vasconcelos, Celso Teixeira, entre outros. Silvio Santos foi o primeiro colocado, sendo admitido como locutor. Por ser o salário mensal na rádio inferior ao que ele ganhava em menos de uma semana como camelô, após um mês pede demissão e volta para a Avenida Rio Branco.

Faturando no Carnaval:

Ao lado de seu irmão Léo, durante o o desfile das Escolas de Samba, à época realizados na Avenida Rio Branco, onde apenas um cordão de isolamento separava o público dos desfilantes, dado a grande afluência do público que se formava na avenida, as pessoas que ficavam posicionadas mais atrás do isolamento, pouco ou nada conseguiam enxergar, surgindo daí a idéia de levaram vários caixotes para a avenida, onde os alugavam para que parte da platéia, pudesse assistir as apresentações das Escolas de Samba de então.

Paraquedista:

Aos 18 anos Silvio Santos alistou-se na Escola de Paraquedista do Exército, em Deodoro, e nos dias de folga trabalhava em rádio, com Silveira Lima, na Rádio Mauá. Ao dar baixa no Exército, transferiu-se para a rádio Tupi, "aposentando" definitivamente o camelô.

Na Barca da Cantareira:

Trabalhando em Niterói, na Continental, todas as noites embarcava na última barca com destino ao Rio, próximo à meia-noite, ao lado de bailarinas que trabalhavam em dancings e cabarés, surgindo a idéia de sonorizar a barca para animar as viagens. Pediu demissão da rádio, e com o dinheiro da indenização foi para a casa de eletrodomésticos J. Isnard comprar o equipamento. Fez uma proposta onde a loja lhe cederia todo o equipamento necessário para sonorizar a Barca Cantareira, e ele, por um ano faria anúncios do refrigerardor "Climax", do qual eram revendedores exclusivos. A mloja topou. E aí nasceu o homem de negócios, chefe de seu próprio empreendimento.



Contato comercial:

Sílvio passou a vender anúncios aos comerciantes do Rio e de Niterói. Aos domingos a barca ia a Paquetá levar turistas, numa viagem que durava duas horas, o que deixava todo mundo impaciente. Ao ligar o sistema de som, muitos passageiros punham-se a dançar e Silvio Santos percebe que o consumo de água nos bebedouros aumentava freneticamente. Mãos a obra. Vai a Cia. Antártica, que lhe empresta um balcão de madeira e tinas de gelo, e começa a vender cerveja e guaraná na barca. Cria ainda uma promoção onde para cada cerveja e refrigerante comprado, o cliente recebia um lápis e uma cartela de bingo. No meio da viagem parava a música e o pessoal sentava nos bancos e começava o jogo, que distribuia prêmios como bolsas de plástico, quadros e jarras. O negócio se desenvolveu tanto, que, Silvio Santos se tornou o cliente que mais vendia guaraná e cerveja Antártica, no mercado do Rio de Janeiro.

Até que um dia a barca sofre um acidente e os reparos demorariam alguns meses para serem concluídos, deixando o bingo literalmente no estaleiro.

Chegada a São Paulo:

Silvio Santos vai a São Paulo, e lá encontra-se com um colega com o qual havia trabalhado na Rádio Tupi, que lhe diz que a Rádio Nacional de São Paulo estava precisando de locutor. Acerta por 3 meses e como o bar montado na barca estava se perdendo no estaleiro, aluga um salãozinho ao lado da rádio, onde instala-o, criando um "ponto dos artistas".

Nesse período, cria uma revista chamada "Brincadeiras para Você", cujo conteúdo apresentava palavras cruzadas, charadas, anedotas, etc...

Nos Circos:

Sílvio começou também a fazer shows em circos, onde apresenta os artistas, conta piadas, canta, aflorando a facilidade de se comunicar com a platéia. Surge o animador.

O peru que fala:

Manoel da Nóbrega convida Silvio Santos para ser o animador do famoso quadro "Cadeira de Barbeiro", em substituição a Hélio de Souza, que acabara de deixar a Rádio Nacional.

Pela timidez e também por uma hipersensibilidade à luz, Silvio Santos é apelidado por Ronald Golias de "peru", e Manoel da Nóbrega aproveita o gancho para anunciá-lo como "Silvio Santos o Peru que fala".

Formou uma grande caravana de artistas, que passou a ser chamada de "A caravana do Peru que Fala".

Baú da Felicidade:

Em sérias dificuldades surgidas pela má fé de um sócio alemão, Manoel da Nóbrega solicita que Silvio Santos interceda perante os clientes lesados, garantindo que todos seriam ressarcidos de seus prejuízos junto ao Baú da Felicidade, que à época tratava-se de um baú de brinquedos, onde os clientes pagavam parcelas antecipadas e recebiam o produto por ocasião do Natal. Ao invés de encerrar as atividades do Baú da Felicidade, Silvio Santos propõem sociedade à Manoel da Nóbrega, e reformula sua gestão.

Durante os 4 anos em que foram sócios, Manoel da Nóbrega nunca foi ao Baú e, mesmo com todo o progresso alcançado pela empresa, decide afastar-se, sem querer nada em troca, cedendo sua parte a Silvio Santos. por fim aceita receber o dinheiro que lá investiu.

Finalmente, a TV:

Em 1964, Silvio Santos lança-se na televisão como animador, na TV Globo, canal 5 de São Paulo. O programa cresceu, tomou conta das tardes de domingo, dando origem ao programa que todo brasileiro conhece, o "Programa Silvio Santos", que por mais de 13 anos ocupou 9 horas da programação dominical da Globo, além das 5 horas semanais na extinta TV Tupi, canal 4 de São Paulo



Dentre os programas apresentados por Sílvio Santos, destacamos: Vamos Brincar de Forca, Música e Alegria, Pra Ganhar é Só Rodar, Partida de Cem, Jogo do Sobe e Desce, Sim ou Não, Jogo do Diga-Diga, Três no Jogo, Roletrando, Festival da Casa Própria, Namoro na TV, A Justiça dos Homens, Vida de Artista, Gente Que é Artista, Essas Crianças, Show de Calouros, Cuidado Com a Buzina, Corrida de Fórmula B, Quina de Ouro, O Casamento na TV, Rainha Por Um Dia, Hot, Hot, Hot, Cidade X Cidade, Domingo no Parque, Qual é a Música ? , Jogo das Famílias, Passe ou Repasse, Quem Sabe mais, Homem ou Mulher? , Enshowclopédia, Arrisca Tudo, O Preço Certo, Sua Majestade, o Ibope, Show da Loteria, Os Sinos de Belém, Show de Prêmios, Eles e Elas, Casais na Berlinda, Vestibular do Amor, Casados na TV, Ela Disse, Ele Disse, Boa Noite, Cinderela, Os Galãs Cantam e Dançam, Viva o Samba, Pergunte e Dance, Vamos Nessa, Sílvio Santos Diferente, Porta da Esperança, Clube dos Quinze, Só Compra Quem Tem, TV Animal, Namoro no Escuro, Se Rolar...Rolou, Xaveco, Quer Namorar Comigo? , Em Nome do Amor, Topa Tudo Por Dinheiro, Tentação e Show do Milhão.



O Sílvio com 18 anos, no Exército.

Ilustre convidado - perfil de Caco Barcellos

Caco Barcellos estará no Unitoledo nesta sexta-feira, dia 8 de outubro. O curso de jornalismo está em festa. Ele é mesmo o máximo! Pra aumentar a expectativa e contribuir com a aula de gêneros, a aluna Barbara, do 4o sem, encontrou este perfil dele escrito pelo jornalista Ricardo Alexandre, diretor da Época. Enjoy yourself!


Incansável

Escrevi esse perfil do jornalista Caco Barcellos para a Revista Fantástico de novembro de 2007. Foi uma das raríssimas chances que a carreira nos dá de fazer um perfil do jeito que deve ser feito: com acesso total ao personagem, com tempo para pesquisa e reportagem, com estrutura para embarcar Brasil afora com o entrevistado, com um baita fotógrafo como o Kiko Ferrite do nosso lado. Foi meu primeiro trabalho para a Editora Globo, a partir do convite do grande José Ruy Gandra. Fui editor-executivo nessa edição, daí logo fui convidado para assumir a “Monet”, no início de 2008, e da “Monet”, agora, parto para a Época São Paulo. Ou seja, é um trabalho pra lá de especial no meu coração.

Isso tudo sem contar o prazer descomunal de entrar um pouco na cabeça de Caco Barcellos, figura histórica do jornalismo brasileiro, e ser humano absolutamente intrigante. Evidentemente, apurei muito mais do que cabia no (generoso) espaço da revista. Aqui está a versão original, na íntegra. E abaixo está a foto usada na abertura da revista, no Senado, em que eu acabei aparecendo sem querer.

Eduardo Suplicy está com pressa. Cercado por aquele sufocante 360º de fotógrafos, repórteres, cinegrafistas e técnicos, o senador só tem “dois minutos, desculpe” para contar sobre a conversa que tivera, a portas fechadas, com o presidente do Senado, Renan Calheiros, até aquela hora da noite – o último encontro dos dois antes da votação que decidiria o destino do alagoano, no dia seguinte, no Plenário. Suplicy tinha um horário agendado na TV Senado, então, de fato, só respondeu à primeira pergunta, com típica calma e riqueza de detalhes, fazendo de conta que não ouvia as outras questões que lhe eram disparadas durante suas pausas de respiração. Foi quando Suplicy avistou Caco Barcellos, enterrado naquele coliseu humano, com os joelhos flexionados para não obstruir a câmera, e abriu um parêntese no meio da entrevista mais esperada do Brasil. “Muito boa a reportagem sobre os motoboys do ‘Profissão Repórter’!”, disse o senador, sorrindo, para o jornalista. E continuou a falar, do ponto exato em que havia parado.

Eu – tão longe que não aparecesse na TV, tão perto que não perdesse nenhum movimento – já nem me espantava mais. Por onde passava, Caco era interceptado, elogiado, recebia pedidos para fotos, autógrafos e, muitas sugestões de reportagens. Algumas horas antes, o senador Delcídio Amaral havia autorizado Caco a adentrar com exclusividade no Plenário. “Gente séria a gente tem de prestigiar!”, escancarou o petista. Recebeu o repórter com elogios, perguntou sobre Mano Brown, recomendou os livros de Thomas Friedman sobre o Oriente Médio e assinou uma autorização para filmagens de trás da imaculada cadeira do presidente da casa.

É verdade que um ambiente tão cheio de cerimônia e bajulação não é o natural de Caco Barcellos. Há 35 anos, ele é mais conhecido por dar voz aos fracos, levar a periferia para a televisão, denunciar arbitrariedades do Estado. Mas também é preciso dizer que Caco não é só isso. Nesse tempo todo, fez coisas tão variadas quanto perseguir Rod Stewart para a revista “Pop” ou mergulhar no universo da máfia calabresa, a N’drangheta, para a Globo. Há dois anos, Caco vem se reinventando com um projeto ao mesmo tempo pessoal e coletivo chamado “Profissão Repórter” em que lidera um grupo de 16 jovens jornalistas em pautas tão diversas quanto a festa do peão de boiadeiros em Barretos ou o tal especial sobre os motoboys assistido por Suplicy..

Tanto por seu formato (vários pontos de vista sobre uma mesma história) quanto pela variedade temática, “Profissão Repórter” é um retrato muito mais fiel de Caco Barcellos. Mais do que um paladino da justiça, ele é o repórter brasileiro por excelência. Convicto, incansável.

Embora tenha uma noção muito precisa sobre o tipo de jornalismo que pratica, por mais que conversássemos longa e abertamente nas seis sessões de entrevistas para essa matéria (duas em Brasília, duas em Maringá, no Paraná, mais duas em São Paulo), curiosamente, nem o próprio Caco parece notar o quanto este ponto de sua carreira, o mais alto, é tributário de tudo o que ele já fez – e, principalmente, de tudo o que ele viveu.

Vícios de taxista

Andar de carro com Caco Barcellos é uma experiência esquisita. Ele, o venerável repórter investigativo, guarda inacreditáveis vícios de taxista: Em Brasília, fez questão de buscar sua equipe no aeroporto, dirigindo ele mesmo o carro um-ponto-zero alugado; revelou ter certos problemas quando um ônibus o ultrapassa (“taxista ser ultrapassado por um ônibus é uma vergonha!”); faz campanha pessoal contra a existência de pontos de táxi (“taxista tem de estar na rua!”) e vê cada espaço impraticável como um desafio para a arte da baliza: “se cabe, eu estaciono”, gosta de repetir. Tudo com aquela calma, elegância, bom-humor e simpatia, o que deixa tudo ainda mais esquisito.

Caco trabalhou como taxista entre 1970 e 1973, para reforçar o orçamento que lhe permitia pagar a faculdade. Naquele tempo, ele já estava convicto de sua vocação para contar histórias. Nem sempre foi assim. Cláudio Barcelos de Barcelos nasceu em 1950 no bairro Partenon, a porta de entrada para a periferia porto-alegrense. Até abandonar a faculdade de matemática (onde entrou buscando um caminho para a de engenharia), não imaginava que as crônicas que escrevia secretamente desde a adolescência pudessem significar uma vocação profissional.

“Eu precisava ganhar dinheiro”, lembra ele, na sala de embarque do Aeroporto de Congonhas, olhando para seu copo de café como se fosse o túnel do tempo. “Eu quase fui padre”, ele corta. “Porque eu sabia muitas frases em latim e era coroinha, então o pároco me fez essa sugestão. Ele ficou muito decepcionado quando perguntei de volta: ‘Padre ganha bem?’”

Filho de um faz-tudo e de uma dona-de-casa, Caco trabalhava desde os 12, primeiro vendendo passes escolares, depois ajudando um tio na venda de frutas e verduras, depois juntando cacos de vidro e ossos em uma carriola que comprara em sociedade com seu grande amigo Nenélio.

Quando cursava matemática, apareceu a oportunidade de juntar mais um dinheirinho. Era uma vaga no jornal alternativo “Dluct”, mantido por um grupo de hippies gaúchos. “Eles eram politizados, intelectualizados pra caramba e estavam interessados em formar novos profissionais.” Caco escrevia suas matérias à mão, porque não tinha direito de usar as máquinas de escrever da redação.

O “Dluct” chamou a atenção do lendário jornalista Jefferson Barros, que em 1972 estava promovendo uma pequena revolução no jornal gaúcho Folha da Manhã. Uma de suas medidas mais importantes – para a carreira de Barcellos ainda mais – foi transformar as páginas “policiais”, que basicamente acompanhavam prisões e ações policiais, numa seção chamada “Sociedade”, alterando drasticamente o enfoque das pautas. “Até então, o repórter policial era a escória do jornalismo, e não fazia muito além do que reproduzir e ampliar os boletins de ocorrência”, conta Caco, que naquele mesmo ano transferiu-se para o curso de jornalismo. “Na ‘Folha da Manhã’ eu desenvolvi o hábito de ouvir o lado do torturado, não só o do torturador.”

Foi só quando seu salário como repórter foi equiparado ao de taxista que Caco encostou seu carro. E continuou no matutino até 1974, quando publicou uma reportagem sobre os abusos dos carcereiros no Presídio Central de Porto Alegre. No texto, Caco descrevia com jargões futebolísticos como os policiais chutavam a cabeça dos presos. Jefferson Barros foi pressionado a demiti-lo. Mais de 20 colegas se solidarizaram com o repórter e se demitiram também. Aquele grupo fundou a Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre. Confiante de seu talento, mas sem perspectiva de trabalho, com sua esposa grávida, Caco decidiu deixar o Rio Grande do Sul.

Cabeça-de-vento
Nos quatro ou cinco dias que esta reportagem o acompanhou, Caco esqueceu a chave dentro do quarto de hotel, perdeu o cartão de embarque durante uma conexão, esperou em vão uma bagagem que estava sendo despachada automaticamente entre dois vôos e esqueceu parte dos documentos necessários para o credenciamento no Senado Federal. O repórter é tão absorto em seu trabalho que desenvolveu uma espécie de avoamento crônico. Em sua própria casa, diz que sua família decidiu nunca despedir-se dele, porque é certo que dali a dez minutos ele volta para buscar algo esquecido.

Caco mora em um apartamento de quatro dormitórios no bairro de Higienópolis, Zona Oeste de São Paulo, certamente erguido nos tempos em que os prédios de apartamentos eram amplos e confortáveis como uma casa. Ele vive ali desde 2004, quando voltou de sua experiência como correspondente na Europa. Caco é casado com a estilista Beatriz Fragelli, a Bibi, e mora com os dois filhos deste seu segundo casamento: Iuri, 16, e Alice, 9 anos.

Quando se mudou para São Paulo, em 1975, as preocupações de Caco eram não muito maiores do que sobreviver como jornalista e sustentar o filho, Ian, que ainda nasceria. Usava de sua opção macrobiótica para cozinhar a cabeça dos peixes que os feirantes normalmente lançavam fora (“é onde está o maior número de vitaminas”, explica) e se deslocava de ônibus para as reportagens para economizar o dinheiro do táxi. Ainda sob influência do hippismo, ajudou a fundar a revista “nanica” “Versus”. Mas o dinheiro vinha mesmo da colaboração para veículos como o “Jornal da Tarde”. Seriam cinco anos de jornalismo independente.

Em 1978, o editor do “JT”, Luiz Fernando Mercadante, assumiu a direção de jornalismo da TV Globo e tentou levar alguns de seus melhores repórteres, como Luis Fernando Silva Pinto e Caco Barcellos. “Eu recusei”, lembra o gaúcho. “Disse algo como ‘a Globo é um veículo muito oficial, vocês detestam furo, estão sempre falando bem do governo. Me deixa feliz correndo atrás das minhas histórias.” Evidentemente, ele ainda era um hippie.

Dois anos depois, decidiu ir até a Nicarágua após ter assistido a uma cobertura sobre a Revolução Sandinista, com “repórteres em cima dos carros dos guerrilheiros, acompanhando a linha de frente”. Caco chegou na América Central no meio da contra-revolução, que desaguaria em uma guerra civil contra o governo. Sem dinheiro, ia toda manhã ao hotel em que os jornalistas estrangeiros estavam hospedados, e saía com os bolsos cheios de suprimentos para o dia.

Quando o conflito se tornou ainda mais violento, Caco descobriu um enfoque diferente para sua pauta: uma barricada de instigação formada por pré-adolescentes. A função daqueles garotos era atrair soldados para emboscadas, onde os adultos pudessem matá-los. Depois de alguns dias de acompanhamento, Caco foi confundido com um espião e feito refém pelo grupo. Quando a confusão foi finalmente desfeita, os adultos pediram para que o brasileiro ficasse e registrasse a operação deles. Caco saiu com material para seu primeiro livro, “Nicarágua: A Revolução das Crianças”. O livro só saiu em 1982, depois de meses ignorado: “Os editores não me recebiam e eu achava um tanto humilhante deixar os originais com as secretárias”, conta. “Percebi que eu teria de me tornar conhecido primeiro, se quisesse publicar próximo livro.”

Nem foi pelo reconhecimento que Caco reconsiderou a passagem para a televisão. Ele estava em Nova York, em outra viagem atrás de reportagens. “E fiquei apaixonado pelos documentários que eram produzidos na TV americana”. Procurou primeiro a TV Globo em Nova York, mas tudo o que conseguiu foi trabalhar como técnico em algumas matérias de Lucas Mendes. Caco só seria chamado em 1983, após passar pelas revistas “Istoé” e “Veja”, para fazer parte de um “redesenho” do “Globo Repórter”. Entretanto, o projeto demorou tanto a decolar que a Abril Vídeo, produtora da Editora Abril que havia comprado toda a grade noturna da TV Gazeta de São Paulo, contratou o gaúcho. Caco só retornaria à Globo em 1985, definitivamente.

“Eu comecei nos últimos anos da ditadura militar, uma época em que as fontes oficiais eram truncadas”, ele lembra. “Então aprendi desde cedo a contar uma história sem depender das fontes oficiais. Aliás, tanto melhor seria a história quanto mais fontes oficiosas eu tivesse.”

Coração de estudante

A presença de Caco – esse comedor-de-cabeça-de-peixe, rapaz feito refém na Nicarágua, ex-hippie, repórter investigativo e imã de problemas – na maior emissora do país sempre causou certo estranhamento. Mano Brown fala com ele, mas não com a Globo, como se fossem figuras dissociadas profissionalmente. Caco é visto como um símbolo de uma certa visão esquerdizada de jornalismo, herói dos estudantes de comunicação, capa da “Caros Amigos” – geralmente o tipo de gente que despreza qualquer organização com o tamanho e influência que a Globo tem: “Esse estranhamento desconsidera que tudo o que Caco fez desde 1985, ele fez dentro da Globo”, lembra Luiz Cláudio Latgé, diretor de jornalismo da emissora em São Paulo. “É um trabalho em que a gente sempre apostou, investiu. Não é um ponto fora da curva, é fruto da pluralidade que a emissora tem.”

A primeira fase de Caco na emissora, fase que se intensificou até o início dos anos 90, foi dedicada à cobertura policial, invertendo o ponto de vista da narrativa: ao invés da lógica das viaturas e dos PMs, o lado de quem é preso e torturado sem provas. O auge dessa fase foi a publicação do livro “Rota 66: A História da Polícia Que Mata”, em 1992, que surgiu da idéia de identificar todos os assassinatos cometidos pela polícia militar de São Paulo. Foram cinco anos passados em cemitérios e necrotérios para chegar ao nome de 4200 inocentes – de um total de 12 mil que a própria PM assumiria publicamente.

Como não poderia deixar de ser, durante uma palestra para estudantes de jornalismo em Maringá, a primeira pergunta é sobre “Rota 66”. “A polícia é perfeita para mim, eu não tenho do que reclamar”, ele responde. “Mas eu sou do tipo de pessoa que além de se preocupar com o próprio filho, se preocupa com o filho do vizinho, mesmo que ele more há 15 quilômetros da minha casa, onde a cidadania não chega.” Caco começa a despejar dados desconcertantes: sete entre cada dez presidiários são brancos, mas seis entre dez mortos pela polícia são negros; em um país em que a pena de morte é uma cláusula pétrea, a polícia aplica a pena capital 1.500 vezes por ano; entre as 46 mil assassinatos anuais no Brasil, não mais de 5% é fruto de assaltos; 20% é fruto de ação policial e o restante de discussões resolvidas por um “cidadão de bem” com uma arma na mão.

Entretanto, era flagrante certa decepção dos estudantes quando Caco Barcellos deixou claro que seu compromisso maior não é político, é jornalístico. Heresia suprema: ele acredita que a cobertura do velho caso Collor e do recente Renan Calheiros são exemplos de “denuncismo” da imprensa, a serviço da polêmica, não da informação. “Denuncismo é aquele jornalismo baseado em declarações ou dossiês”, explica. “Barbaridades que são quase sempre publicadas atendendo interesses políticos de terceiros e nunca são checadas. Apuração leviana, irresponsável e sobretudo incompetente baseada em apenas declarações. Isso não seria grave em si, desde que não atingisse a honra de alguém.”

Caramba. Depois de conversar com Caco, o “denuncismo” começou a saltar nas páginas da grande imprensa brasileira, como se fosse uma caneta fosforescente destacando na minha cabeça onde fulano foi “acusado de negociar”, cicrano foi “acusado de montar esquema”, beltrano foi “acusado de desviar verba”, falatório sobre o qual semanas e semanas de manchetes são vendidas. Mas, se é assim há tanto tempo e se vende-se tanta revista com isso, não seria exatamente este o tipo de jornalismo que a nossa classe média espera de nós? “Só se você quiser enxergar a imprensa como algo arrogante, irresponsável e julgador”, responde Caco. “Eu não quero essa definição pra mim. Isso combinaria mais com um delegado.”

Seu terceiro livro, “Abusado: O Dono do Morro Santa Marta”, foi publicado em 2003, durante os quatro anos que passou como correspondente da TV Globo na Europa, cobrindo especialmente assuntos ligados ao terrorismo. Antes de mudar-se com a família para Londres, Caco apresentou o programa semanal “Espaço Aberto” na Globonews, sobre iniciativas positivas na periferia, ao mesmo tempo em que mantinha suas reportagens para o “Globo Repórter”, “Jornal Nacional” e “Fantástico”.

Tão logo voltou ao Brasil, Caco Barcellos levou à direção da Globo o projeto do “Profissão Repórter” – uma nova fase, ao mesmo tempo totalmente integrado dentro da linha de respeito obsessivo pela curiosidade jornalística e pela ausência de verdades absolutas em torno de qualquer tema. “Muita gente me pára para dizer que o formato do “Profissão Repórter” é uma novidade na televisão”, ele conta. “Mas é a coisa mais velha do mundo, ir para a rua e ouvir as pessoas. As pessoas mais simples, as fontes não oficiais, observar o mundo respeitando a gente da rua. Quanto mais longe dos gabinetes, mais próximo da verdade nós estaremos.”

Caco Buarque

Uma das funcionárias da Secretaria de Comunicação Social do Senado aproveita a pequena balbúrdia em sua sala, com cinco marmanjos da Globo tentando credenciamento para me perguntar, à miúda, em tom de segredo: “Vem cá, o Caco Barcellos é casado?”. A graça da pergunta fica no ar, triturada em alguns segundos de silêncio cômico, então devolvo no tom: “É. Mas ele não fala da vida pessoal!”

Conversamos muito sobre o que era evidente: o cara é uma celebridade, sujeito ao mesmo tipo de assédio e aos mesmos tipos de obrigações e limites dos artistas. Mas Caco não é artista, certo? “Eu não imaginava que a trajetória de um repórter pudesse passar pela notoriedade. Morria de vergonha de fazer as passagens [trechos das matérias em que o jornalista aparece falando na tela] com pessoas atrás de mim. Até hoje não sei me comportar quando sou abordado na rua. Eu paro, converso, mas às vezes a pessoa não quer conversar realmente, ela quer apenas exercitar uma curiosidade em relação a alguém que todo dia invade a casa dela.” Hoje, mais de 20 anos depois de estrear na Globo, Caco garante que não muda sua rotina por conta do assédio, muito menos adota a “performance” típica das celebridades. “Quem anda com segurança não quer ser incomodado, mas obviamente quer ser reconhecido por onde passa.”

Uma das meninas da Secretaria de Comunicação em Brasília chama Caco de “Chico Buarque do jornalismo”. Mais tarde, no avião de volta para São Paulo, ele lembra dos casos de assédio, como o da garota do Pará que lhe procurou com uma pepita de ouro nas mãos como pagamento para que ela pudesse lhe fotografar “no alto de seus aposentos”. Houve ainda uma advogada que por dois anos lhe escreveu cartas alternando uma suposta denúncia de tortura com parágrafos como “invejo os lábios que tocam os seus lábios”. Ou ainda aquela que sempre esperava as reportagens de Caco com um disco de música clássica pronto para fazer fundo para a imagem do repórter. “Mas, durante tantos anos, foram só alguns casos eventuais. Não é algo freqüente, realmente”. Nada parece incomodar Caco Barcellos.

“O que me tira do sério de verdade”, ele corrige. “É quando estou sendo maltratado em algum lugar público, como na fila de um banco ou em algum supermercado. De repente, alguém me reconhece, e todo mundo passa a me tratar bem. Eu já fiquei tão nervoso com isso que exigi: ‘pois agora você vai continuar me tratando mal se não eu vou chamar o gerente!’”

Aos inacreditáveis 57 anos, Caco Barcellos parece renovar seu fôlego não nas diversas fases de trabalho que empreendeu, mas no velho direito de se surpreender, de se indignar, de aprender, de ouvir, como se fosse um magrelo barbado do Partenon. “O que você está fazendo comigo” – Caco me olha em algum ponto entre meus olhos e meu gravador – “é o que mais gosto de fazer, em toda a nossa dinâmica de trabalho. Conhecer gente, ouvir histórias. Gosto da captação, do processo de conquista de confiança, da descoberta de cada personagem. É maravilhoso.” Pelo jeito, enquanto existir gente com alguma coisa para falar, Caco Barcellos não estará cansado o suficiente que não possa ouvi-la.

Já em solo, esperando sua bagagem aparecer na esteira, me ocorreu o quanto de sua vida de coroinha deixou marcas em seu senso de justiça e em sua ética. “Não acreditar em verdades absolutas é um traço totalmente não cristão”, ele reconhece. “Mas há uma influência totalmente cristã na minha formação, que é não me dar o direito de julgar, muito menos tirar a vida de alguém. Observar, apenas; jamais condenar a princípio”. E conclui: “Essa conduta, aliada da boa reportagem.” Claro.

Daqui ele vai para sua casa, compensar as poucas horas de sono no Paraná, mas à tarde sai novamente a campo para, em plena hora do rush, se espremer nos ônibus de São Paulo em busca de um personagem para o “Profissão Repórter”. Ele, que havia 24 horas era assediado feito um astro em Maringá, quer ouvir o mais comum dos homens. Celebridade esquisita, esse Caco Barcellos.

sábado, 2 de outubro de 2010

Perfil Mané Garrincha


Olha só, colaboração da Amanda Monzani. Muito legal. Depois damos os créditos.
Aproveito para dar a dica: vale a pena ler "Estrela Solitária", do Ruy Castro, uma biografia riquíssima deste jogador de futebol que até hoje é escalado para as melhores seleções do mundo.




Perfil – Mané Garrincha


Sua irreverência e genialidade encantam a todos até hoje. Até os que confessam não gostar de futebol se dobram aos dribles do “anjo de pernas tortas”, como foi chamado pelo poeta Carlos Drummond de Andrade.

Manuel Francisco dos Santos nasceu em Pau Grande, no Rio de Janeiro. Antes de encantar o mundo com seus dribles, Mané Garrincha (ou simplesmente Mané) enfrentou todas as agruras da miséria. Consta que as pernas tortas foram resultado de uma poliomielite adquirida na infância. Por causa da distrofia física, os médicos acharam que ele nunca seria capaz de andar direito, tampouco jogar bola. Erraram feio.

O gramado virava o picadeiro de Mané, a bola lhe era submissa e a partida virava uma festa. “É ai que estava o milagre. O povo ria antes da graça, da pirueta. Ria adivinhando que Garrincha ia fazer sua grande ária, como na ópera. Como se sabe só jogador medíocre faz futebol de primeira. O craque, o virtuoso e o estilista, prendem a bola. Sim, ele cultiva a bola como uma orquídea de luxo”, setenciava Nelson Rodrigues, ex-companheiro do Botafogo.

Os dribles de Garrincha não tomavam conhecimento do adversário. Fosse quem fosse, o marcador era sempre algum “João” parafusado na lateral. Quando a bola estava em seus pés, todos eram iguais.

Muitas vezes parecia que o craque lutava sozinho contra os onze adversários. Eles os perseguiam, lutavam em vão como touros. Mas Garrincha era um matador. Depois de driblar dois, três, quatro jogadores, colocava suas mãos na cintura e esperava. O silêncio das multidões era o prelúdio das gargalhadas.

O craque conheceu seu auge nas copas de 1958 e 1962. Na primeira, seu brilho foi um tanto ofuscado por um jovem e talentoso jogador chamado Pelé. Mas foi considerado o melhor de sua posição, a ponta-direita. Na segunda, Garrincha foi o responsável pela conquista do bicampeonato da seleção. Nessa Copa Pelé, já consagrado, não pôde jogar devido a uma contusão.

Se Garrincha foi chamado de “a alegria do povo”, sua vida foi marcada por muitas tragédias. No final dos anos 60, Mané entrou numa espiral de decadência. Seu casamento com a cantora Elza Soares, muito condenado na época, estava nas últimas.

Em 1982, depois de vários anos sem ser visto publicamente, um Garrincha catatônico surgiu em um carro alegórico da Mangueira, que lhe prestava homenagem naquele carnaval. Mané não conseguia nem ficar em pé para saudar a multidão que tanto lhe louvou.

Com a idade e a vida boêmia, Mané perdeu a agilidade para o futebol. Seus problemas se agravaram com o alcoolismo, que anos depois, morreu pobre e solitário Infelizmente, no futebol dos pernas de pau, dos medíocres e ordinários, há cada vez menos espaço para espetáculos de “pernas tortas”.

Perfis

Os estudantes do 2o. ano estão aprendendo sobre perfil. Veja alguns que eles pesquisaram...Esta é a colaboração da Fernanda sobre a Lady Gaga, bem legal!

O Coração Partido e as Fantasias Violentas de Lady Gaga
Por Neil Strauss – revista Rolling Stones – Brasil (edição 46)


Ela pula para cima de uma cadeira na frente do espelho de maquiagem, e assiste a uma edição preliminar do videoclipe de seu single mais recente, "Alejandro", sem som, em seu MacBook Pro. Levando em conta a inclinação que ela tem para roupas que chamam a atenção, a cena que ela assiste vez após outra é relativamente discreta.

"Está vendo? Não tem telefone nenhum na minha cabeça - nem cabine de telefone", ela diz. Então ela volta o vídeo e dá pausa. "Nem estou usando maquiagem aqui. Sou só eu, e as pessoas vão ver que aquilo que existe por baixo de tudo continua sendo eu." Ela faz uma pausa e saboreia a imagem por mais um instante: "E eu continuo conseguindo ser selvagem".

Claro que, algumas cenas mais para a frente no vídeo, ela está dançando com rifles militares que saem de seus peitos. "Certo, tudo bem, ainda tem um pouco de Lady Gaga ali", ela confessa com um sorriso.

A ex-Stefani Joanne Angelina Germanotta tem uma missão a cumprir: provar que Lady Gaga é arte e que a arte dela não é uma máscara. É a vida dela. E, se ela tivesse menos força de vontade, sua vida estaria saindo fora de controle neste momento: o avô dela está no hospital, o pai passou por cirurgia cardíaca recentemente e ela acabou de ser informada por médicos que corre o risco de desenvolver lúpus, uma doença autoimune que matou uma tia dela, antes mesmo de ela ter nascido.

Adicione a isso pressões de ascensão repentina ao domínio cultural, a ética de trabalho incansável, a turnê mundial aparentemente infindável e o fato de que ela já finalizou demos para o próximo álbum, e é possível imaginar uma estrela à beira do colapso. Mas não é assim que Gaga enxerga as coisas. "Nós deveríamos estar cansados", ela diz antes de cantar algumas das músicas novas que escreveu na estrada. "Não sei quem falou outra coisa, mas você tem que fazer um álbum e uma turnê. É assim que se constrói uma carreira. Eu disse ao meu empresário hoje: 'Estou ansiosa para tirar todos os meus discos de platina das paredes e abrir espaço para mais'."

Apesar de a esperteza e a ambição de Gaga ficarem bem claras, também dá para detectar certa ingenuidade e a disposição de acreditar nas pessoas quando se está cara a cara com ela. Quando seu road manager lhe diz para não mostrar as músicas novas para um jornalista, mesmo que ele concorde em não divulgar, ela ignora o aviso. "Ele vai escrever sobre outras coisas", ela diz. "Só quero que ele saiba quem eu sou."

E quem ela é? Algumas pessoas dizem que Lady Gaga tomou forma no dia em que ela e seu ex-produtor e namorado, Rob Fusari, inventaram o apelido, inspirado pela música "Radio Ga Ga", do Queen. Mas se você acompanhar a história e a música dela com cuidado, vai ver que está mais para o resultado de um coração partido: primeiro pelo pai, um roqueiro bissexto que parou de lhe dar dinheiro quando ela largou a faculdade; e depois pela gravadora Island/ Def Jam, que assinou contrato com ela e então a dispensou, nada impressionada com o rock de pianinho, ao estilo Fiona Apple que ela estava gravando na época, e, finalmente, o ingrediente mais devastador de todos, por uma relação tempestuosa e passional com um baterista de heavy metal, o único namorado que ela diz ter amado, logo antes de ficar famosa.

Depois que os dois terminaram, ela prometeu a si mesma que nunca mais amaria e faria com que ele amaldiçoasse o dia em que duvidou dela. E essa pode ser a origem de sua transformação de Stefani para Gaga. Como qualquer pessoa que a viu durante a turnê sabe - neste momento, isso significa cerca de 1,4 milhão de pessoas -, o show dela não é só um espetáculo de palco como o de Madonna ou do Kiss. É um exemplo de performance de arte altamente pessoal, fantasiada de espetáculo pop. Como ela repete vez após outra durante o show, ela é uma "free bitch" algo como uma "louca livre") e o público deve agir da mesma maneira: libertar-se não apenas das pressões da sociedade para se adaptar mas também do poder dos homens em sua vida, que tentam controlá-lo ou defini-lo. Ela vê seu público como uma coleção de miniversões de seu próprio eu rejeitado do ponto de vista social e romântico e, a certa altura, diz: "Vamos fazer um brinde para curar todos os corações partidos dos meus amigos fodidos". O sucesso dela é a vingança máxima dos deslocados.

Na noite seguinte em Birmingham, Lady Gaga está de novo no backstage, preparando-se para o show. Desta vez, está escutando Born to Run, de Bruce Springsteen, em vinil, usando uma bandana azul como homenagem na cabeça e um colete preto com tachas sem abotoar com um sutiã preto por baixo.

Quando ela usa palavras como "ousadia" ou descreve suas conquistas sexuais de homens bonitos, dá para ver por que os boatos de hermafroditismo a respeito dela são tão persistentes: às vezes, ela parece um homem gay preso em um corpo de mulher. Ela se senta calmamente no sofá, abaixa o volume e reflete sobre a noção de que Lady Gaga seja o produto derivado de um coração partido.