sábado, 20 de novembro de 2010

Todo mundo virou jornalista!

Imperdível! Mais uma do blog Desilusões perdidas. Visite!

Com o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista, muita gente de outras áreas passou a exercer a profissão, sem qualquer qualificação. Clássicas técnicas de entrevista, por exemplo, têm sido substituídas por métodos nada ortodoxos de busca pela informação. O blog denuncia alguns casos mais assustadores.


A moça do telemarketing
- Eu gostaria muito de poder estar entrevistando o senhor. O senhor teria um minutinho para poder estar respondendo algumas perguntas?
- É rápida essa entrevista, querida? É que eu tô no trânsito.
- Super-rápida, senhor. Para a sua segurança e para a minha também, gostaria de estar informando que a entrevista estará sendo gravada. Tudo bem?

O médico
- Você vai me desculpar, mas o que as cirurgias que eu já fiz ou os casos de hipertensão arterial na minha família têm a ver com a minha trajetória artística, musical? Você pediu para fazer o meu perfil profissional ou uma anamnese?
- Fica calmo, são só perguntinhas de rotina. Fumante?

A prostituta
- Alô, Sharon? Tá a fim de um frila bom? Mas, escuta, desta vez é cobertura completa, ok? Apuração, redação, texto final, fotos e até legenda de fotos. Topa?
- (mascando chiclete). Claro que topo, editor. Só que a completa, você sabe, é mais cara.

O jogador de futebol
– Você foi convocado pra reforçar a editoria de política nas eleições. Bem-vindo!
– Obrigado, professor, quer dizer, editor. A gente tá vindo pra somar e a editoria tá unida e espera fazer uma grande cobertura.
– Ah, serão 64 dias de trabalho na redação. Sem folga.
– Sem folga? Sério que rola concentração aqui também?

O assaltante
- Vai passando a informação, vai passando a informação! Rápido, porra! Eu quero o lead inteiro, vai! O que, quem, quando, onde, como e por quê! Tá demorando!
- O “como” e o “por quê” eu não tenho.
- Como não tem?
- Não tenho. Eu juro!
- Qué morrê? Passa logo o lead inteiro, porra!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Enem: reportagem mostra fragilidades da prova

Definitivamente, o Ministério da Educação vai precisar se profissionalizar para dar conta do Enem. Ano após ano os erros absurdos são maiores. E haja dinheiro para consertar tantos equívocos. Vejam mais essa:

Enem: Jornal mantém identidade de repórter em sigilo e diz que responderá em caso de ação


Anderson Scardoelli e Izabela Vasconcelos, do Comunique-se


A identidade do repórter do Jornal do Commercio (PE), que divulgou o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), continua em sigilo. Procurada pela reportagem, a direção do jornal diz que prefere não revelar o nome do jornalista. O repórter, que fez o exame e enviou ao veículo o tema da redação, pode ser processado pelo MEC, que alega que o profissional "cometeu ato ilícito ao atentar contra as regras do certame".
A editora-chefe do site do Jornal do Commercio, Benira Maia Barros, disse que o veículo não recebeu nenhuma notificação da Polícia Federal ou do MEC. No entanto, Benira disse que caso sejam notificados de algum processo, a ação será encarada pelo Jornal do Commercio, preservando a identidade do repórter. A editora alegou que não era a intenção do jornal divulgar o tema da redação, mas que o caso "serviu para comprovar a fragilidade do sistema da organização”.
No último domingo (7/11), já no local da prova, o repórter foi ao banheiro e usou o celular para enviar o tema da redação aos colegas do jornal, que divulgaram a informação. Segundo o MEC, divulgar o conteúdo do Enem dentro do local da avaliação e antes do horário permitido para a saída é um ato ilegal.
Na tarde desta segunda-feira (08/11), devido a outros problemas como erros de impressão, a Justiça Federal do Ceará suspendeu a prova por meio de liminar. A decisão tem efeito em todo o Brasil, mas cabe recurso.
Polêmicas do Enem
Não é a primeira vez que o Enem causa polêmica. No ano passado, um furo de repórteres do Estadão adiou a prova em 45 dias. Os jornalistas Sérgio Pompeu e Renata Cafardo descobriram que a íntegra da prova havia vazado da gráfica e estava sendo negociada em R$ 500 mil.

domingo, 7 de novembro de 2010

Adoro este blog!

O blog "Desilusões Perdidas", do Duda Rangel, é um dos espaços desta rede mundial que merece ser visitado por quem se interessa por jornalismo. Dá uma olhadinha na definição de matéria de jornalismo diário que ele faz abaixo: perfeita! Apesar da frustração, esta efemeridade serve, também, pra mostrar o quando nós, jornalistas, não podemos acreditar que somos melhores, como naquela piadianha costumeira: "Médico acha que é Deus, jornalista tem certeza!".
Leiam e reflitam.


Efêmera


Repórter de jornal diário passa horas apurando uma matéria, entrevista Deus e o capeta, toma esporro do chefe, escreve, revisa, corrige aqui e acolá. E a matéria acaba rapidinho na vala comum. Resiste apenas 24 horas. Envelhecimento precoce. Morte súbita. Dá até pena. Só quem escreveu a mantém viva. Saboreia a cria até enjoar. Sonha mostrar pros netos. Do resto do mundo só ganha desprezo. Repugnância. A matéria de ontem está condenada a enrolar peixe e banana na feira. A ser fuzilada pela merda dos passarinhos. Pelo mijo dos cães.

sábado, 6 de novembro de 2010

Entrevista com Caco Barcellos (sim, ele é o máximo!)

Para as aulas de Jornalismo Especializado no 8o. semestre no Centro Universitário Toledo de Araçatuba, os alunos foram instigados a produzir conteúdo com as "estrelas" da Semana de Comunicação, a Secomt. Entre os destaques estava Caco Barcellos, entrevistado pelos alunos Angélica Neri, Cristiano Morato, Luis Eduardo, Dandara Fuhrmann e Carol Ferretti. Acompanhe o pingue-pongue e depois responda: ele não é mesmo o máximo?



“Por enquanto, sou [o repórter] das injustiças sociais”


Caco Barcellos, o repórter das injustiças sociais, como ele mesmo se define, foi destaque no encerramento da 10ª Secomt (Semana de Comunicação Toledo), em Araçatuba.
O palestrante tem, por excelência, uma postura equilibrada, entre o jornalista e o cidadão-comum. Atento ao que lhe rodeia, demonstra sensibilidade, sem perder o profissionalismo. Sabe transmitir valores, compartilhar experiências, provocar reflexões e despertar interesses.
No programa “Profissão Repórter”, da Rede Globo, Caco convive com jovens jornalistas. Enfrenta vários desafios e uma missão: mostrar a notícia com diferentes ângulos. Um formato ousado e atrativo, que lhe rende méritos.
Caco Barcellos também é referência em jornalismo investigativo, destacando-se, principalmente, em apurações sobre o tráfico e a violência. Não só em trabalhos televisivos, mas também em livros que conquistaram sucesso no meio jornalístico, como “Rota 66” e “Abusado”.
O primeiro tem a premissa de envolver o leitor em uma situação real, mas pouco explorada pela mídia: conflitos entre policiais e jovens da periferia, sob a ótica das vítimas. O segundo evidencia o universo das drogas e os protagonistas do tráfico, até então desconhecidos pela sociedade.
Durante a palestra, o jornalista apresentou duas reportagens. Além de falar sobre a produção e consequente repercussão, Caco Barcellos comentou sobre direcionamentos, personagens, mercado de trabalho e como empreender na área - a possibilidade de dar a volta por cima.
Para o profissional, o olhar diferenciado e crítico, a apuração responsável e o compromisso com as fontes são ferramentas indispensáveis na prática jornalística. Dentre seus ideais está a defesa dos menos favorecidos e o respeito ao próximo. “Quando o país deixar de ser injusto, eu vou ser o repórter das justiças sociais. Por enquanto, sou das injustiças sociais”, afirma.
O jornalista, que já foi taxista, não nasceu em “berço de ouro”. Aos 12 anos vendeu passes escolares, depois ajudou na venda de frutas e verduras. Mais tarde enfrentou uma carriola, juntando vidros e ossos.
As palavras bem colocadas, a tranquilidade, o sorriso sereno de Caco Barcellos e a facilidade de compartilhar experiências não surpreendem. São peculiaridades dignas de quem, “por sorte”, venceu os obstáculos, e, com coragem, aprendeu a contar histórias.

Jornalismo Investigativo
Caco Barcellos cita que teve dificuldades para introduzir a prática do jornalismo investigativo na TV. Era um trabalho incomum. “Fui contra tudo e contra todos, forçando barras para investigar histórias de longo curso. No começo, tinha grandes resistências, mas depois gostaram, porque impressionava muito”.

Quais são as maiores deficiências do jornalismo atual?

Temos conteúdos que nos deixam de boca aberta, mas que não têm relevância. São conteúdos que somente visam a audiência. É preciso que os profissionais tenham o desejo de fazer a diferença. Os jornalistas devem ouvir os vários lados e saber contextualizar.

Qual a diferença entre a investigação feita pelo jornalista Tim Lopes e a sua?

São métodos diferentes. O Tim usava uma câmera escondida e não se apresentava como jornalista. Eu, ao contrário, raramente uso uma câmera escondida. Eu sempre me apresento, faço questão de mostrar que tenho uma câmera. Sou repórter, assumo integralmente, na frente do acusado. Acho muito importante também o trabalho que ele fazia, mas são situações diferentes. [...] No meu jeito, às vezes, corremos o mesmo risco. Uma cobertura de tiroteio em uma favela, uma rebelião, uma guerra, terremoto, enfim, nas catástrofes da natureza, é inevitável. Com câmera escondida ou não, a avalanche passa por cima de você, se não tiver no lugar certo, na hora certa.

A possibilidade de empreender é um dos assuntos da palestra. Como o empreendedorismo pode ser inserido no jornalismo?

Há características do bom empreendedor, segundo especialistas, que você pode detectar também na nossa função. Um repórter que trabalha com luz própria, um cara inquieto. Às vezes, diante de uma dificuldade, ele inventa situações para sair dela. É uma pessoa permanentemente focada na sua meta, não abre mão dela. A persistência é uma característica importante do empreendedor, a criação, a autodeterminação, e, sobretudo, a inquietude intelectual.

Tanto no livro “Rota 66”, quanto no “Abusado”, você registrou informações que até então foram poupadas por outros profissionais. Qual foi a reação do público, e até mesmo das fontes?

Não foi surpresa constatar que as pessoas acharam aquilo inédito, diferente de tudo que se costuma ler, assistir e acompanhar pela imprensa de um modo geral. Justamente por isso que eu quis fazer esses livros. Havia uma temática muito importante para a vida de muita gente, que era pouco abordada. No caso do “Abusado”, meu último livro, que lida com o universo das drogas, eu tinha essa convicção porque trabalhei muito tempo na cobertura desse assunto. Os protagonistas do tráfico eram desconhecidos da sociedade, porque a imprensa costuma cobrir esses eventos a partir do olhar de quem não estava envolvido: é o olhar da polícia, é o olhar da classe média, alta, das áreas mais nobres da cidade, e jamais o olhar do morro. Por isso eu quis fazer esse livro no morro, pra ter o olhar deles sobre esse problema. Claro que surpreende, porque as pessoas não tinham isso na cobertura cotidiana. Eu achava que era um grande motivo pra fazer o livro. Ora, se tanta gente não sabe dessa história aqui, vou aproveitar para contá-la. No “Rota”, da mesma maneira. Ali trata dos conflitos entre a Polícia Militar, Civil e jovens pobres da periferia, que sempre são abordados sobre a ótica da polícia, e nunca sobre a ótica do jovem, da família do jovem que é morto. Então eu quis tratar esse tema na ótica da vítima.

Quais são as suas dicas para que os jovens jornalistas não caiam em armadilhas e não publiquem informações falsas?

Trabalhar, trabalhar e trabalhar muito. Checar, checar e checar. Nada contra dossiê, mas dossiê através dos outros: que interesse ele tem ao fazer aquele dossiê? Que partido ele quer defender? Qual é o interesse da empresa que está atrás daquilo? Se não quiser perder tempo em apurar a origem da fonte, cheque se o dossiê é verdadeiro, vá atrás das histórias.



VÍDEO








Caco Barcellos concede entrevista à imprensa - confira outros destaques:

AUDIO

Jornalismo Ambiental - Sacolas ecológicas de Lavínia

Caríssimos,
Assistam ao vídeo produzido pela Naira Mendes e pelo Luís Eduardo. Eles fizeram um "casamento" perfeito das aulas de Jornalismo Especializado e Mídia Local e Regional. Nem preciso dizer que professora Ágatha e eu ficamos muito satisfeitas, não é?



http://www.youtube.com/watch?v=XHxN92E9Cno