segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Responda rápido

Atualidade, qualidade daquilo que é atual, do momento.
Sendo assim, o que justifica ter em uma prova de atualidades questões sobre quem foi Conde D´Eu e onde nasceu Ana Nery? Monarquia e Guerra do Paraguai? Aconteceu no concurso para jornalistas da prefeitura de Araçatuba. Duas vagas, 95 inscritos. Aguardem os resultados!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Sugestão

A Folha da Região de Araçatuba publicou hoje, no caderno Vida, entrevista do repórter Jean Oliveira com o jornalista Daniel Piza. Recomendo a leitura, pois Piza é uma das referências do jornalismo cultural no País.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Diário de bordo - Na terra de Jorge Amado

2 de janeiro, 2011

Do sertão de Euclides da Cunha para o mar de Ilhéus. A paisagem muda drasticamente a cada quilômetro rodado. E não foram poucos, uma média de 500 quilômetros por dia, às vezes menos, mas muitas vezes mais. Houve dias que foram mais de 10 horas dentro do carro, fora as paradas. Mas não cansamos, tudo era novidade, olhos, ouvidos, enfim, todos os sentidos estavam antenados.

Das pedras que nasciam no solo de Canudos, vimos o verde da mata Atlântica, rios extensos e caudalosos, e paisagens deslumbrantemente (?) verdes. Propriedades antigas, de cana, café ou mesmo cacau mantêm as construções centenárias, com casas grandes e senzalas. Há montanhas, animais, mais pessoas. A estrada que chegamos em Ilhéus é simplesmente linda!

A cidade, uma grata surpresa, um misto de presente e prosperidade com ares de passado, especialmente nas construções. Mar, ponte, luzes, casario, hotéis, o cenário é de filme. Só não deu pra curtir mais porque de novo o GPS 'paulou' e nos mandou pra longe, muito longe do hotel, o que deixou o Maurício preocupado, pois estava escurecendo.

Chegamos em Ilhéus no final da tarde. Vimos o pôr do sol da ponte mais linda da cidade (de onde mais tarde veríamos os golfinhos). Nosso hotel foi um espetáculo à parte. Construído em 1930, encostado no mar, foi o primeiro prédio de andares, com elevador, de Ilhéus. Foi construído por um barão do cacau, servia como banco, no primeiro andar, e depósito da fruta (imaginem) no segundo andar. Os outros andares eram destinados a hotel e restaurante com vista privilegiada para a baia. Nos anos 1990, foi restaurado por um dos filhos do construtor. Só para se ter uma ideia, o pé direito do quarto tinha uns cinco metros de altura. O elevador era daquele modelo antigo, com portas de ferro, que precisam ser puxadas para o aparelho se movimentar. Nem preciso dizer que as crianças adoraram.

Estar em Ilhéus foi como reviver as obras de Jorge Amado que li na adolescência, algumas com permissão outras escondidas de mamãe. Reconheci as ruas, as construções, a igreja do casamento de Dona Flor e seus dois maridos, o bar do Nacib, da Gabriela; o Bataclã, da Maria Machadão. E até vi algumas Gabrielas, mulatas bonitas...Mas é onde a ficção também se conturba com a realidade. Muitos 'gringos' estão lá para conhecer os lugares que leram nas obras traduzidas do autor baiano, mas precisam conviver com as prostitutas de cais, os bêbados e drogados, e muitos, muitos malandros, prontos para aplicar golpes nos turistas, de todos os cantos do País e do mundo. Uma pena...

Visitamos todos os pontos turístícos e praias possíveis nos dois dias que passamos por lá. Adorei o peixe no Bar Vesúvio, o dia na Praia dos Milionários, o passeio pelo centro histórico, mas especialmente conhecer a casa que foi de Jorge Amado e hoje é um centro cultural. Fiz comprinhas básicas no centro de artesanato e nem as horas na oficina mecânica pra trocar os dois pneus fizeram com que perdéssemos o bom humor. Um dia voltaremos...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Uma pausa para um texto especial

Vou dar um tempo no diário de bordo pra reproduzir texto do blog "Desilusões Perdidas" que, volto a insistir, precisa ser lido sempre:



A dona de casa disse; o comandante do Bope afirmou; o presidente da República garantiu; o ministro da Educação explicou; o autor do gol da vitória ressaltou; o diretor teatral destacou; o delegado do 13º DP concluiu; o economista-chefe do BWY Investment avaliou; o secretário de Transportes salientou; a principal testemunha do homicídio contou; a prefeita prometeu; o técnico da seleção justificou; a ex-mulher do ex-chanceler de alguma ex-república soviética fez uma declaração bombástica; o presidente do Banco Central, por meio de nota, divulgou; o líder da bancada governista no Senado argumentou; o líder da oposição no Senado contra-argumentou; o Papa comunicou; a atriz global, em sua visita à Ilha de Caras, confidenciou; o gerente de Marketing anunciou; os refugiados de algum conflito na África relataram; o diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental ponderou; o perito criminal analisou; os meteorologistas previram; a assessoria de imprensa, por meio de release, desmentiu; o vereador acusou; o advogado de defesa criticou; a ex-BBB revelou em seu Twitter.




E a imprensa, que merda, se tornou refém deste maldito jornalismo declaratório.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Diário de Bordo - Canudos e Euclides da Cunha

Sábado, 1 de janeiro de 2011

Ainda em Jaguaribe (CE) vivemos uma experiência legal. Éramos os únicos hóspedes do hotel, assim, quando fomos tomar o café da manhã, ele foi feito na hora, só pra nós. Sucos, lanches, frutas. Mas o destaque foi a atenção que a cozinheira deu especialmente ao Maurício. Já havíamos notado que mulher desacompanhada no sertão do nordeste é igual a nada. Nos hotéis, restaurantes e até algumas praias, todos se dirigem só aos homens. Houve vezes que, já na mesa dos restaurantes, com o Maurício no toalete, os garçons só vieram nos atender depois que ele chegou. Não penso que seja machismo. Acho que é a cultura mesmo. Em alguns lugares deste sertão é preciso ser muito macho pra sobreviver. Ser chefe de família onde a fome grassa e não há informação nem assistência para planejamento familiar (e portanto o casal nunca tem menos de cinco filhos) tem que ser muito forte e inteligente pra sobreviver e fazer a prole conseguir o mesmo.

Depois do café da manhã especial, estrada. Meu Deus, como o sertão é árido, especialmente esse da Bahia, onde chagamos depois de algumas horas de viagem. Nada brota do chão, só as pequenas árvores da caatinga, que agora estão com a copa miúda verde porque estamos na época em que mais chove por aqui (e olha que não pegamos um dia sequer de chuva, hein...). É quase impossível acreditar, mas é verdade: só brotam pedras do chão. Pedras mesmo. Não há pasto, não há animais, nem água. Passamos por muitas pontes com o leito do rio seco, alguns estão minguando e poucos, pouquíssimos, resistem com um fio maior de água (com exceção do São Francisco que é mesmo um grande mar neste sertão. Ele é lindo!). Só há casinhas de barro, teto de folha de coqueiro, o povo castigado, as muitas crianças seminuas e pedras, muitas pedras pelo caminho. Não na estrada. A BR continua um tapete, acaba de ser recapeada, tem trechos até sem sinalização ainda...

Impossível não pensar no bando de Lampião. Como conseguiram sobreviver tanto tempo debaixo de tanto sol, sem água? E como dava pra ser Maria Bonita no meio de tanta poeira, sem banho, só com muito suor? Com o ar condicionado do carro no máximo, às vezes o calor ainda é grande no meio do sertão. Minha sogra costuma contar que o avô, de Pernambuco, muitas vezes deu abrigo e alimentou os homens de Lampião por lá. Ele mesmo era conhecido da família. Todos eram muito bravos. Mas não é pra menos. A miséria e a fome devem mesmo deixar algumas pessoas enfurecidas. As que não ficam assim é porque se apegam na religião. Todas as cidades pelas quais passamos (Bahia, Piauí e Ceará) estão repletas de igrejas e santos, estes em proporções gigantescas. A fé alimenta este povo. É admirável como aceitam as privações e ainda têm esperanças.

Impossível não associar religião e povo nesta parte do sertão com Canudos. Aliás, quando Maurício fez este roteiro de viagem, entre as opções estava passar ou não por Canudos, nós dois optamos por visitar e tentar entender o que foi a saga de Antônio Conselheiro e seus seguidores. Valeu a pena!

Canudos fica na região de Bendegó (BA), onde em 1784, no vilarejo de Monte Santo, um menino chamado Bernardino da Motta Botelho encontrou uma pedra diferente enquanto pastoreava. Em 1810, os cientistas da Sociedade Real de Londres atestaram que se tratava de uma rocha espacial que havia se chocado com a Terra depois de viajar milhões de quilômetros pelo universo. O meteorito, o maior já encontrado na América do Sul, está hoje no saguão do Museu Nacional do Rio de Janeiro, como conta o jornalista Laurentino Gomes em seu “1808”.

Nesta região especial aconteceu outra história importante e ao mesmo tempo triste do Brasil. Incomodados com um líder religioso e seus seguidores, a República enviou três tropas – a última com mais de 10 mil homens – para um massacre que matou centenas de mulheres, crianças e trabalhadores. O episódio – a Guerra de Canudos – teve cobertura especial de Euclides da Cunha, escritor brasileiro que cobriu o conflito para o jornal o Estado de S.Paulo, que depois se transformou na obra “Os Sertões”, leitura obrigatória para todo postulante a jornalista.

Conhecer o Parque de Canudos, com os sítios arqueológicos preservados pela Universidade da Bahia foi mágico! As sensações são quase indescritíveis, justo pra mim, professora de redação. No Vale da Morte me comovi imaginando as centenas de soldados mortos pelos conselheiristas e, ao mesmo tempo, tantas vidas de mulheres e crianças tiradas de forma tão cruel. Estive em uma trincheira, no caminho sagrado onde havia as procissões de Conselheiro, vi desenhos que Euclides da Cunha fez para enviar ao governo, fotos espetaculares de alguém que estava no lugar certo na hora errada. Acho que as crianças não entenderam muito tantas emoções, mas mais maduras, nas aulas de História, vão entender melhor.

Terminamos a viagem à noite, na cidade com o nome de Euclides da Cunha (que eu já admirava e agora idolatro, menos pelas obras de literatura e mais por vasculhar o país e descobri-lo e descrevê-lo, fosse no nordeste ou no norte). A cidade é antiga, os paralelepípedos e as construções denotam isso. Mas não tivemos muito tempo de explorá-la, só tomamos um lanche gostoso perto do hotel (Bastos) e caímos na cama, não antes sem acompanharmos toda a cobertura da posse da nova presidente Dilma Roussef. Aliás, em todos os postos que paramos para abastecer ou comer (nosso primeiro almoço do ano foi muito ruim, em um posto de estrada, daqueles eventos que servem para ser esquecidos), todas as televisões estavam sintonizadas nos noticiários e é perceptível a esperança dos nordestinos na nova presidente.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Diário de Bordo - Ano Novo e a História

Sexta-feira, 31 de dezembro de 2010


Último dia de um ano incrível. Sol (dois pra cada um por aqui), céu azul, poucas nuvens, todas brancas, e brisa do mar, fresca, deliciosa. Dormimos muito bem, tomamos um café da manhã mais uma vez farto e decidimos ficar pelo hotel até a hora da partida. Fomos até a sala de jogos, onde nos divertimos com sinuca, dominó, banco imobiliário e batalha naval. Olhamos o mar mais algumas vezes e, depois do almoço, estrada, rumo a Jaguaribe.

Esta cidade tem o nome de um grande rio que a margeia. É antiga, muito antiga. A igreja é de antes da Revolução Francesa, 1756, imaginem! As ruas são de paralelepípedo, colocados por escravos, é claro. O centro, onde a cidade nasceu, tem um prédio maravilhoso, onde hoje funciona a prefeitura. Era a intendência da cidade. Intendência??? Remonta às figuras dos governantes antes da vinda da família real. Meu Deus! Estávamos literalmente pisando e respirando história. As crianças ouviram tudo com atenção. Principalmente quando o pai explicou o “nascimento” da assistência social no Brasil. Na intendência de Jaguaribe tem uma placa que conta quando o rei pediu ao governante local que auxiliasse as pessoas do lugar devido à grande seca de 1766 naquele lugar. Foi um exemplo concreto dos “socorros públicos” previstos na Constituição do Império.

Outra surpresa boa foi o hotel. Acho que era a única coisa nova do lugar. Existe há 8 anos, mas a ala onde ficamos, de andares, foi inaugurada há dois meses. Tudo novinho!!!! Arquitetura moderna, preocupação com design de interior, peças de revista, estranhamos...Isso não é comum no Nordeste. Mas tem explicação. O dono do hotel ganhou duas vezes na mega-sena. Na primeira vez, com prêmio menor, melhorou a padaria que tinha, investiu no comércio. Na segunda vez, com prêmio maior, comprou fazenda, os dois postos de combustíveis da cidade, o hotel – que reformou e ampliou – e a família tem mais de 40 lojas de O Boticário pela região.

“Mas se a dona precisar esfregar o chão da calçada do hotel, ela faz. Eles são muito trabalhadores”, contou um dos funcionários. Aliás, temos encontrado tantos personagens interessantes, com cada história! Esse mesmo funcionário disse que todos na cidade ganham salário-mínimo, poucos ganham mais. Mas com 300 reais ele é capaz de fazer compras no supermercado para 3 meses. Nós já havíamos notado que as coisas aqui têm um custo de vida bem menor que o nosso. E se quiserem estudar, nunca vimos tanto campus de universidade estadual ou federal. Em Jaguaribe mesmo, há campus de universidade federal, de estadual e profissionalizante, como a Fatec. “Aqui só não estuda quem não quer”, disse o moço.

Mas o destaque foi mesmo nossa ceia de Ano Novo. Fomos ao “melhor restaurante” da cidade, como nos indicaram: O “Chico Rico”. Um quiosque grande, com um telão de datashow e DVD do sertanejo Daniel e participação especial do padre Fábio de Melo. Pedimos a especialidade da casa: churrasco (carne, linguiça, carneiro e frango), que veio acompanhado de baião de dois, arroz de leite e mandioca frita. Definitivamente, uma ceia diferente e muito gostosa.

Terminamos a noite com uma visita na igreja para as orações de agradecimento, um passeio pelo centro e telefonemas para a família. Saudades!

Diário de Bordo - Praia do Futuro

Quinta-feira, 30 de dezembro de 2010


Não é preciso muito tempo para descobrir que dizer que uma praia de Fortaleza é bonita torna-se redundância. Litoral Leste ou Oeste, a verdade é que a natureza é simplesmente linda neste lugar. Hoje fomos conhecer a Praia do Futuro, no litoral Leste. Ela é famosa pelas porções de caranguejos e pelas baladas noturnas. Na verdade, ficamos mesmo foi com o sabor do mar porque de caranguejo mesmo só comemos os pasteis e as baladas noturnas não são programas para as crianças, então...

A areia é branca e limpa, o mar de um azul turquesa incrível e as ondas na medida exata para a gente se divertir sem medo. Ela é toda estruturada para o turismo. As mesmas barracas grandes, equipadas com tudo de melhor para provocar o bem-estar dos visitantes e também há salvas-vidas atentos. Novamente conseguimos uma boa mesa próxima ao mar e as crianças adoraram a manhã. Maurício e eu nos revezamos porque também é preciso cuidado com os pertences. Nem os seguranças das barracas são capazes de cuidar de tanta gente e tantos, tantos ambulantes. Eles vendem de tudo, de queijo quente, porções de camarão e bijouterias a tatuagens e até massagens. Há serviços de manicure e pedicure na areia, acreditam? E há clientes para tudo, podem acreditar.

Deixamos a praia – onde havíamos almoçado – para "conhecer" o hospital da Unimed. Eduardo voltou a se sentir mal. Chegar no local não foi tão difícil. O GPS e os moradores locais ajudam muito. Cena conhecida: ambientes lotados de pessoas aguardando atendimento. Não tivemos problemas: apresentamos a carteirinha e logo fomos atendidos. A médica não encontrou nada, mesmo assim receitou algo contra um possível vírus.

Mais tranquilos, todos fomos visitar um mercado de artesanato no centro da cidade. O “mercadão” é uma construção redonda, de quatro andares com centenas de boxes que vendem de tudo, de rede a renda, de pinga a doces, de roupa a chaveiros, enfim...O que se quiser que lembre o Ceará e Fortaleza, lá tem!!! Foi onde compramos a maioria das lembrancinhas da família. Um passeio delicioso, que culminou com uma volta de carro pelo centro histórico da cidade, que é lindo, antigo, com muitos prédios preservados. Há uma catedral gótica que lembra algumas igrejas que vi na região de Bourdeax, na França.

Já era noite quando retornamos ao hotel para mais um jantar delicioso (eles fazem sopas incríveis por aqui, há uma de peixes que amei!), música na beira da piscina e cama, não antes de arrumar um monte de bagagem, pois amanhã seguimos para o Espírito Santo, com algumas paradas.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Diário de Bordo - Revisão Geral

Quarta-feira, 29 de dezembro de 2010


Acordar depois de dormir muiittooo. Tomar café pronto, sem trabalho. Eita vidinha boa!
Prevenido, Maurício tirou o dia para cuidar do carro: revisão geral, rodízio de pneus, alinhamento, balanceamento etc. e tal. Até agora, depois de 3,2 mil quilômetros, só um prego em um dos pneus, que o borracheiro aconselhou a não tirar, nos incomodou. A dica é calibrar o pneu todo dia, até a volta (ou enquanto ele aguentar). Fiquei com as crianças no hotel, entre a piscina, leitura e algum descanso. Depois do jantar, ficamos na piscina curtindo música ao vivo.

Diário de Bordo – Beach Park

Bem que tento, mas não tenho conseguido manter este diário de bordo em dia, às vezes pelo cansaço, outras vezes por conta da falta de tecnologia e mesmo de sinal de internet em alguns confins. Enfim...seguem mais alguns relatos de uma viagem inesquecível!
Terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Realizamos um sonho das crianças. Eles queriam conhecer o Beach Park. Levamos. Valeu o dia, eles se divertiram muito e nós ficamos felizes por eles, mas também por realizarmos algumas aventuras com todos aqueles brinquedos que dão um “friozinho” na barriga.

O Beach Park é muito parecido com o Thermas dos Laranjais de Olímpia, o Wet'n'Wild, perto de São Paulo, e o Hot Park de Rio Quente, em Goiás. A única vantagem extra em Fortaleza é o cenário: a praia é paradisíaca, daquelas com coqueiros imensos, areia branca e mar calmo e azul esverdeado. É possível curtir tanto a praia (exclusiva) como o parque e suas atrações. Mas chegar até ele...

Achar o Beach Park em Fortaleza é uma aventura. Não espere indicações pela cidade, elas não existem. O turismo é pensado via agências de viagem. Nós estávamos por nós mesmos. Assim, do nosso hotel até o lugar foram mais de 60 minutos e um zilhão de paradas para perguntar o caminho. O bom é que aqui o povo é muito hospitaleiro, faz questão de ajudar.

A região onde o parque foi instalado está em pleno desenvolvimento, há centenas de empreendimentos imobiliários, residenciais e comerciais. O que me causou espanto foi ver as construções entre as dunas, aquelas montanhas de areia branca que se movimentam com o vento, um dia estão aqui e no outro... Mas como não sei nada de engenharia, acho que aquelas pessoas devem saber o que estão fazendo. Só para se ter uma ideia da movimentação das dunas, a areia já está invadindo a pista de acesso ao parque. Tem duas montanhas imensas de areia branca entre as faixas de ir e vir. Quando passamos, um carro-pipa tentava conter os grãos para não descerem e tomarem o asfalto. Achei estranho. Até quando vão impedir a força da natureza?

Estacionar no parque não é difícil, e a fila pra entrar é igual no Hot Park: imensa! E olha que os ingressos não são baratos, mais de 100 reais por cabeça. Mas estávamos todos lá, nós e as torcidas do Flamengo e do Corinthians. Só que acontece uma coisa depois que se cruza os portões: as atrações são tantas que a multidão se dilui e há filas para os brinquedos sim, mas as mesmas que nos parques similares e mesmo nos parques da Flórida (com a diferença que lá ninguém corta a fila e para esperar você tem música e/ou monitores de TV com atrações que te impedem de se cansar).

Há os brinquedos infantis – os quais Eduardo e Verônica ignoraram -, a piscina do maremoto e muitos, muitos escorregas, túneis, bóias e o Insano, um escorregador gigante, de 45 metros de altura, que dá a sensação de queda livre (pois o corpo chega a desgrudar do brinquedo) a uma velocidade absurda. Ah, mas eu só sei tudo isso pelas descrições e comentários daqueles que se arriscaram, eu não fui insana (e por sorte, as crianças ainda não podem ir).

Foi um dia bárbaro que terminou com jantar delicioso, música na beira da piscina e soninho ao som das ondas arrebentando na praia bem abaixo de nós.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Diário de bordo - Verônica, a destemida

Segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Segundo dia em Fortaleza. Depois de dormir muuuiiitttoooo, enfrentamos o café da manhã. Preciso confessar: não está nada difícil acordar todos os dias e ter a mesa posta e a refeição pronta. Café da manhã em hotel é tudo de bom, parece novela, tem de tudo: frutas, vários tipos de pães, bolos, bolachas, sucos, ovos mexidos, salsicha, tortas...Nem preciso dizer: Maurício, mas principalmente eu, teremos que entrar em um regime difícil quando tudo isso acabar (agora, não vou nem pensar nisso).

Dia de praia, escolhemos o litoral Oeste, especificamente a praia de Cumbuco, a mais próxima, pois estamos um pouco cansados de rodovia. Interessante dizer que na cidade de Fortaleza as praias não são aconselháveis para o banho. Tem muito a ver com o porto, devido ao óleo que vaza dos navios (dezenas deles!), além dos outros dejetos; mas especialmente porque o sistema de esgoto da cidade não foi devidamente construído ainda para ser lançado em alto-mar, portanto, fica tudo muito próximo.

Há também locais onde as ondas não arrebentam na areia, mas batem em muros de pedra construídos para impedir o avanço do mar. É o caso da praia onde ficamos hospedados. A colônia foi construída em um lugar alto. É possível descer e chegar a uma faixa de areia onde se pode fazer caminhadas, mas não dá para nadar porque naquele lugar o mar é profundo e tem rochas.

As praias de Fortaleza então estão divididas no Litoral Oeste e no Litoral Leste. Cumbuco fica no Oeste, a 35 quilômetros de Fortaleza. É praia de cartão postal, daquelas que os estrangeiros veem as fotos e escolhem o Brasil para passear no verão. Aliás, pessoas falando outros idiomas foi o que mais encontramos nesse dia. Os ônibus de excursão chegam e descarregam centenas de pessoas, mas Cumbuco está estruturada para receber  todos, as barracas são grandes, organizadas, têm de tudo - de cadeiras a espreguiçadeiras, até colchões de ar pra dormir debaixo dos coqueiros.

Pegamos uma mesa ótima, de frente para o mar, que aliás, tivemos que dividir com a visão dos cavalos e jegues, à disposição para pequenos passeios, que os moradores daqui cobram de 5 a 10 reais.

Enquanto Maurício se acomodava na barraca, fui acompanhar as crianças no mar, mas não deu tempo: Verônica, a destemida, não me esperou, correu, entrou, encontrou uma vala feita pela onda e tomou um grande susto com a primeira onda que estorou sobre ela. Só tive tempo de correr, encontrá-la no meio da espuma banca e puxá-la, acho que pela mão. Muito rápido, chgou um salva-vidas do meu lado, pra me ajudar se eu precisasse. Outra coisa boa: as praias daqui são bem policiadas e há salva-vidas, policiais militares, em todo o lugar. Eles são muito atentos!

O policial me explicou que a praia é naturalmente calma, mas que no dia anterior e hoje, aconteceu alguma coisa com o mar, que estava bravo, muito bravo. "Ontem, perdemos uma pessoa", me contou sobre um homem que um colega não conseguiu tirar com vida do mar. Era um avô, que tentou socorrer o neto. Conseguiu salvar a criança, mas foi puxado e até ser tirado, não resistiu. Não precisou de mais nada: passei o dia inteiro grudada nas crianças na beira da água. Elas se divertiram antes da arrebentação. Pena que minha herança africana não se fez valer e em vez de ficar bronzeada, fiquei completamente vermelha, apesar do protetor com fator de proteção solar 60. Sim, amigo Alexandre, aqui há dois sóis pra cada um!

Diário de Bordo - Em Fortaleza

Domingo, 26 de dezembro de 2010

Pensa em uma estrada ruim: é a que liga Sobral à Fortaleza. Muito buraco! Mas é uma exceção. O governo federal fez um trabalho e tanto e deixou as estradas, as BRs, todas recapeadas, bem sinalizadas, na maior parte dos 3 mil quilômetros que já andamos, está tudo parecendo um grande tapete negro.

Entretanto, além do trecho ruim, mais uma decepção: a menos de 100 quilômetros da capital do Ceará, vimos novamente os pedintes da estrada. Eles estão lá, crianças seminuas, mulheres maltratadas pela vida difícil e pelo sol, homens e idosos; todos jogam areia nos buracos para amenizar o impacto certeiro das rodas e, por este trabalho, pedem "dinheirinho". Mas logo tiram a areia para refazerem o serviço para o próximo carro. Arriscam a vida por centavos, quando muito, por um real. Dói na alma.

As cidades entre Sobral e Fortaleza são pequenas, estreitas, correm ao longo da estrada. E sujas, muita terra e muito lixo, jogado, espalhado, fico pensando que uma população que não dá conta do seu próprio lixo tem sérios problemas...Na verdade, eles são carentes de tudo. Mas impressiona muito a sujeira e a falta de higiene. Além de três marcas, que me chamaram muito a atenção durante toda a viagem até aqui. Em todo aglomerado (não dá nem pra chamar de cidade, às vezes) do Nordeste tem Bradesco, Honda e Assembleia de Deus.

Enfim, chegamos em Fortaleza! Capital grande, muito grande, leva-se muito tempo da entrada da rodovia até a orla. Tudo é longe, muito longe. Ainda bem que o GPS não falhou muito porque placas de sinalização são poucas e confusas, e o trânsito é caótico (e com isso ela se parece com São Paulo na hora do rush). A primeira impressão foi ambígua: grande, suja, velha, e ao mesmo tempo, de natureza exuberante, preparada para o turismo, especialmente para quem chega nela de avião e não vê suas mazelas - como o esgoto a céu aberto.

Almoçamos no centro da cidade, adivinha o que? Churrasco. Essa comida as crianças comem bem, mas as demais está sendo uma luta...Do restaurante até a colônia foi um passeio prazeroso, entre monumentos históricos do centro da cidade e o mar, com praias lindas. Ficamos no Sesc Iparana, uma delícia de lugar. Acomodações novas, apartamento amplo e bem ventilado, de frente para a piscina com bar molhado. O barulho do mar era um acalento e a brisa, refrescou a alma. Lugar limpo, bem organizado, com várias opções de lazer para a família e um agradável cardápio. Sem ostentação, porque em um lugar onde falta tanta coisa pra tanta gente seria até um insulto.

Aproveitamos o primeiro dia conhecendo e nos deliciando com o lugar....