sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Diário de Bordo - Ano Novo e a História

Sexta-feira, 31 de dezembro de 2010


Último dia de um ano incrível. Sol (dois pra cada um por aqui), céu azul, poucas nuvens, todas brancas, e brisa do mar, fresca, deliciosa. Dormimos muito bem, tomamos um café da manhã mais uma vez farto e decidimos ficar pelo hotel até a hora da partida. Fomos até a sala de jogos, onde nos divertimos com sinuca, dominó, banco imobiliário e batalha naval. Olhamos o mar mais algumas vezes e, depois do almoço, estrada, rumo a Jaguaribe.

Esta cidade tem o nome de um grande rio que a margeia. É antiga, muito antiga. A igreja é de antes da Revolução Francesa, 1756, imaginem! As ruas são de paralelepípedo, colocados por escravos, é claro. O centro, onde a cidade nasceu, tem um prédio maravilhoso, onde hoje funciona a prefeitura. Era a intendência da cidade. Intendência??? Remonta às figuras dos governantes antes da vinda da família real. Meu Deus! Estávamos literalmente pisando e respirando história. As crianças ouviram tudo com atenção. Principalmente quando o pai explicou o “nascimento” da assistência social no Brasil. Na intendência de Jaguaribe tem uma placa que conta quando o rei pediu ao governante local que auxiliasse as pessoas do lugar devido à grande seca de 1766 naquele lugar. Foi um exemplo concreto dos “socorros públicos” previstos na Constituição do Império.

Outra surpresa boa foi o hotel. Acho que era a única coisa nova do lugar. Existe há 8 anos, mas a ala onde ficamos, de andares, foi inaugurada há dois meses. Tudo novinho!!!! Arquitetura moderna, preocupação com design de interior, peças de revista, estranhamos...Isso não é comum no Nordeste. Mas tem explicação. O dono do hotel ganhou duas vezes na mega-sena. Na primeira vez, com prêmio menor, melhorou a padaria que tinha, investiu no comércio. Na segunda vez, com prêmio maior, comprou fazenda, os dois postos de combustíveis da cidade, o hotel – que reformou e ampliou – e a família tem mais de 40 lojas de O Boticário pela região.

“Mas se a dona precisar esfregar o chão da calçada do hotel, ela faz. Eles são muito trabalhadores”, contou um dos funcionários. Aliás, temos encontrado tantos personagens interessantes, com cada história! Esse mesmo funcionário disse que todos na cidade ganham salário-mínimo, poucos ganham mais. Mas com 300 reais ele é capaz de fazer compras no supermercado para 3 meses. Nós já havíamos notado que as coisas aqui têm um custo de vida bem menor que o nosso. E se quiserem estudar, nunca vimos tanto campus de universidade estadual ou federal. Em Jaguaribe mesmo, há campus de universidade federal, de estadual e profissionalizante, como a Fatec. “Aqui só não estuda quem não quer”, disse o moço.

Mas o destaque foi mesmo nossa ceia de Ano Novo. Fomos ao “melhor restaurante” da cidade, como nos indicaram: O “Chico Rico”. Um quiosque grande, com um telão de datashow e DVD do sertanejo Daniel e participação especial do padre Fábio de Melo. Pedimos a especialidade da casa: churrasco (carne, linguiça, carneiro e frango), que veio acompanhado de baião de dois, arroz de leite e mandioca frita. Definitivamente, uma ceia diferente e muito gostosa.

Terminamos a noite com uma visita na igreja para as orações de agradecimento, um passeio pelo centro e telefonemas para a família. Saudades!

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