quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Diário de bordo - Na terra de Jorge Amado

2 de janeiro, 2011

Do sertão de Euclides da Cunha para o mar de Ilhéus. A paisagem muda drasticamente a cada quilômetro rodado. E não foram poucos, uma média de 500 quilômetros por dia, às vezes menos, mas muitas vezes mais. Houve dias que foram mais de 10 horas dentro do carro, fora as paradas. Mas não cansamos, tudo era novidade, olhos, ouvidos, enfim, todos os sentidos estavam antenados.

Das pedras que nasciam no solo de Canudos, vimos o verde da mata Atlântica, rios extensos e caudalosos, e paisagens deslumbrantemente (?) verdes. Propriedades antigas, de cana, café ou mesmo cacau mantêm as construções centenárias, com casas grandes e senzalas. Há montanhas, animais, mais pessoas. A estrada que chegamos em Ilhéus é simplesmente linda!

A cidade, uma grata surpresa, um misto de presente e prosperidade com ares de passado, especialmente nas construções. Mar, ponte, luzes, casario, hotéis, o cenário é de filme. Só não deu pra curtir mais porque de novo o GPS 'paulou' e nos mandou pra longe, muito longe do hotel, o que deixou o Maurício preocupado, pois estava escurecendo.

Chegamos em Ilhéus no final da tarde. Vimos o pôr do sol da ponte mais linda da cidade (de onde mais tarde veríamos os golfinhos). Nosso hotel foi um espetáculo à parte. Construído em 1930, encostado no mar, foi o primeiro prédio de andares, com elevador, de Ilhéus. Foi construído por um barão do cacau, servia como banco, no primeiro andar, e depósito da fruta (imaginem) no segundo andar. Os outros andares eram destinados a hotel e restaurante com vista privilegiada para a baia. Nos anos 1990, foi restaurado por um dos filhos do construtor. Só para se ter uma ideia, o pé direito do quarto tinha uns cinco metros de altura. O elevador era daquele modelo antigo, com portas de ferro, que precisam ser puxadas para o aparelho se movimentar. Nem preciso dizer que as crianças adoraram.

Estar em Ilhéus foi como reviver as obras de Jorge Amado que li na adolescência, algumas com permissão outras escondidas de mamãe. Reconheci as ruas, as construções, a igreja do casamento de Dona Flor e seus dois maridos, o bar do Nacib, da Gabriela; o Bataclã, da Maria Machadão. E até vi algumas Gabrielas, mulatas bonitas...Mas é onde a ficção também se conturba com a realidade. Muitos 'gringos' estão lá para conhecer os lugares que leram nas obras traduzidas do autor baiano, mas precisam conviver com as prostitutas de cais, os bêbados e drogados, e muitos, muitos malandros, prontos para aplicar golpes nos turistas, de todos os cantos do País e do mundo. Uma pena...

Visitamos todos os pontos turístícos e praias possíveis nos dois dias que passamos por lá. Adorei o peixe no Bar Vesúvio, o dia na Praia dos Milionários, o passeio pelo centro histórico, mas especialmente conhecer a casa que foi de Jorge Amado e hoje é um centro cultural. Fiz comprinhas básicas no centro de artesanato e nem as horas na oficina mecânica pra trocar os dois pneus fizeram com que perdéssemos o bom humor. Um dia voltaremos...

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