sábado, 1 de janeiro de 2011

Diário de bordo - Verônica, a destemida

Segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Segundo dia em Fortaleza. Depois de dormir muuuiiitttoooo, enfrentamos o café da manhã. Preciso confessar: não está nada difícil acordar todos os dias e ter a mesa posta e a refeição pronta. Café da manhã em hotel é tudo de bom, parece novela, tem de tudo: frutas, vários tipos de pães, bolos, bolachas, sucos, ovos mexidos, salsicha, tortas...Nem preciso dizer: Maurício, mas principalmente eu, teremos que entrar em um regime difícil quando tudo isso acabar (agora, não vou nem pensar nisso).

Dia de praia, escolhemos o litoral Oeste, especificamente a praia de Cumbuco, a mais próxima, pois estamos um pouco cansados de rodovia. Interessante dizer que na cidade de Fortaleza as praias não são aconselháveis para o banho. Tem muito a ver com o porto, devido ao óleo que vaza dos navios (dezenas deles!), além dos outros dejetos; mas especialmente porque o sistema de esgoto da cidade não foi devidamente construído ainda para ser lançado em alto-mar, portanto, fica tudo muito próximo.

Há também locais onde as ondas não arrebentam na areia, mas batem em muros de pedra construídos para impedir o avanço do mar. É o caso da praia onde ficamos hospedados. A colônia foi construída em um lugar alto. É possível descer e chegar a uma faixa de areia onde se pode fazer caminhadas, mas não dá para nadar porque naquele lugar o mar é profundo e tem rochas.

As praias de Fortaleza então estão divididas no Litoral Oeste e no Litoral Leste. Cumbuco fica no Oeste, a 35 quilômetros de Fortaleza. É praia de cartão postal, daquelas que os estrangeiros veem as fotos e escolhem o Brasil para passear no verão. Aliás, pessoas falando outros idiomas foi o que mais encontramos nesse dia. Os ônibus de excursão chegam e descarregam centenas de pessoas, mas Cumbuco está estruturada para receber  todos, as barracas são grandes, organizadas, têm de tudo - de cadeiras a espreguiçadeiras, até colchões de ar pra dormir debaixo dos coqueiros.

Pegamos uma mesa ótima, de frente para o mar, que aliás, tivemos que dividir com a visão dos cavalos e jegues, à disposição para pequenos passeios, que os moradores daqui cobram de 5 a 10 reais.

Enquanto Maurício se acomodava na barraca, fui acompanhar as crianças no mar, mas não deu tempo: Verônica, a destemida, não me esperou, correu, entrou, encontrou uma vala feita pela onda e tomou um grande susto com a primeira onda que estorou sobre ela. Só tive tempo de correr, encontrá-la no meio da espuma banca e puxá-la, acho que pela mão. Muito rápido, chgou um salva-vidas do meu lado, pra me ajudar se eu precisasse. Outra coisa boa: as praias daqui são bem policiadas e há salva-vidas, policiais militares, em todo o lugar. Eles são muito atentos!

O policial me explicou que a praia é naturalmente calma, mas que no dia anterior e hoje, aconteceu alguma coisa com o mar, que estava bravo, muito bravo. "Ontem, perdemos uma pessoa", me contou sobre um homem que um colega não conseguiu tirar com vida do mar. Era um avô, que tentou socorrer o neto. Conseguiu salvar a criança, mas foi puxado e até ser tirado, não resistiu. Não precisou de mais nada: passei o dia inteiro grudada nas crianças na beira da água. Elas se divertiram antes da arrebentação. Pena que minha herança africana não se fez valer e em vez de ficar bronzeada, fiquei completamente vermelha, apesar do protetor com fator de proteção solar 60. Sim, amigo Alexandre, aqui há dois sóis pra cada um!

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