terça-feira, 31 de maio de 2011

Reportagens: Histórias que se contam

Agência Usp

Acontece do dia 7 a 9 de junho, das 14 às 18 horas, o evento Histórias que se contam: o jornalismo em grandes reportagens, no Auditório da Casa de Cultura Japonesa. O evento tem duração de três dias e o objetivo é o de aproximar o público de um fazer jornalístico diferenciado do padrão da grande imprensa.

Os temas contemplados são jornalismo literário, de guerra, grandes reportagens e perfil jornalístico, abordados respectivamente por Edvaldo Pereira Lima, Sérgio Dávila, Ricardo Kotscho e Sergio Vilas-Boas.

O evento é uma realização da empresa júnior de jornalismo da ECA, J.Júnior, onde as inscrições devem ser realizadas. Todos os participantes que estiverem presentes em pelo menos 75 % das atividades receberão um certificado.

O Auditório da Casa de Cultura Japonesa fica na Av. Prof. Lineu Prestes, 159, Cidade Universitária, São Paulo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Depoimento de Ricardo Kotscho

Queridos,
Vale a pena!

http://blogdoconsa.blogspot.com/2011/05/internet-para-ricardo-kotscho.html

O jornalismo não pode viver só de notícias ruins

Reproduzo, abaixo, colaboração de Jean Oliveira. Obrigada, amigo!

"O jornalismo se tornou incapaz
de falar de coisas boas para melhorá-las"

Entrevista com Armenio Guedes

Mauro Malin



Comemora-se nas redações de São Paulo e fora delas: Armenio Guedes faz 80 anos em 30 de maio.

Armenio é um intelectual ouvido com atenção por quem tem juízo. Sua opinião sobre o estado atual da imprensa tem a simplicidade dos clássicos. Como os músicos que costuma ouvir: Jobim, Gershwin, Porter, Arlen, Ellington, Parker, Monk, Miles, lista imensa na qual não há lugar para o duvidoso.

Lê jornal há setenta anos, há sessenta faz jornal e revistas e ajuda a publicar livros. Algumas referências são notórias, outras só para público especializado: Seiva, Editora Cultura, Continental, United Press, Voz Operária, Tribuna Popular, Problemas, Estudos Sociais, Novos Rumos, Semanário, Voz da Unidade, IstoÉ, Gazeta Mercantil, onde é hoje assistente do diretor de redação e cuida do lançamento de uma nova revista, Forum.

Começou a ler aos 10 anos. A Tarde, de Salvador, foi o primeiro diário. O Jornal do Brasil dos anos 50 e 60, o melhor. Com menção honrosa para a Última Hora de Samuel Wainer. Além do Samuel repórter, cita só um jornalista: Osório Borba. Não perdeu uma coluna sobre futebol de Armando Nogueira e João Saldanha.

Nasceu em terra de pedras preciosas, Mucujê, na Chapada Diamantina, morou em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Moscou, Santiago do Chile, Paris, novamente São Paulo, conheceu dezenas de outras cidades, milhares de personalidades da vida pública de França, Oropa e Bahia. Militou no Partido Comunista Brasileiro entre 1935 e 1982. Tem janela e discernimento.

Antigüidade não é posto: não são argumentos de autoridade que pesam. O que pesa é a qualidade das opiniões do mais jovial dos decanos. Para ler e meditar.

"O jornalismo não tem mais a seiva do fim do século passado, como víamos nos filmes americanos. O jornalista da cidadezinha que enfrenta os poderosos para cumprir sua função. O jornalista era um arauto de grandes causas. Isto ficou diminuído, foi afogado por preocupações de outra natureza, que foram se impondo.

Hoje existe uma preocupação exagerada com a informação dita de primeira mão, em detrimento da qualidade. Busca-se a notícia como sensação. A indústria da seca transforma-se em indústria da notícia. O jornalismo se tornou incapaz de falar de coisas boas para melhorá-las.

A maior virtude da Gazeta Mercantil, que geralmente se reconhece como o jornal brasileiro de melhor qualidade, não é só apurar com cuidado, gastando o tempo necessário para isso, é sobretudo informar sobre o surgimento do novo, de novas indústrias, novos serviços, novos investimentos.

No Brasil há muita coisa bem feita, coisas que dão certo. O que houve no cerrado, antigamente considerado uma área perdida, foi uma verdadeira revolução agrícola. Mas muita coisa precisa ser aprimorada. É necessário informar sobre isso. O semi-árido irrigado na região do São Francisco é um avanço, mas precisa de apoio comercial, apoio para exportação.

O que me incomoda mais é a exploração da denúncia, é o falso moralismo. Incomoda-me a confusão do jornalista com o policial. É levar a informação para uma fase que não é a da informação, é a do policial. Watergate virou quase padrão de jornalismo político. Não gosto dessa coisa de investigar a vida das pessoas."

terça-feira, 24 de maio de 2011

Jornalismo e direitos humanos

Acontece no dia 25, às 13 horas, o seminário A questão feminina, direitos humanos e jornalismo, na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. A palestra, que será apresentada por Fátima Pacheco, do Instituto Patrícia Galvão, será transmitida ao vivo pelo site do IPTV da USP.

O encontro é uma realização da ECA, Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e Instituto Vladimir Herzog. O evento é gratuito, aberto a todos e será realizado no Auditório Freitas Nobre, no Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) da ECA, que fica localizado na Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, Cidade Universitária, São Paulo.

Novo modelo de jornalismo e jornalistas

Paulo Freire mencionou certa vez que "ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo". Este papel de mediar conhecimento tem sido feito cada vez mais pelos veículos de comunicação, especialmente na sociedade pós-moderna. Sabe-se hoje que as pessoas aprendem história, geografia, português, ciências e muitos outros conteúdos em programas de TV, sites da internet e páginas de jornais e revistas.

Assumindo o papel
A responsabilidade é grande! Já não basta informar, é preciso educar, formar. E para isso, alguns veículos de comunicação já estão testando novas maneiras de fazer jornalismo. Nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, já é comum praticar o civic journalism (termo sem tradução ideal para o português) , um formato diferente que permite aos veículos de comunicação participar efetivamente da vida da comunidade. Além de investigar, mostrar e muitas vezes denunciar, eles também ajudam a solucionar os problemas locais e regionais.

Informação horizontal
No civic journalism, há um consenso para que a decisão sobre o que publicar seja horizontal e não vertical, de cima para baixo. Ouvem-se leitores (por meio das ferramentas próprias, como as colunas dos leitores, por exemplo); os repórteres, que estão na rua e têm contato direto com a população, e também as universidades, as organizações não-governamentais, os poderes constituídos, enfim, todos aqueles que podem representar a sociedade.

No pódio
A nova visão é que os leitores formam o quinto poder, capaz de vigiar o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e a imprensa, o quarto poder. Ouvir o leitor, então, passou a ser essencial para garantir a sobrevivência dos veículos de comunicação no mercado aqui, em São Paulo ou em Nova York.

Nova era
É para esta nova fase que o Ler para Crescer está preparando professores e estudantes, de Araçatuba e região. Para que se tornem leitores proficientes dos veículos de comunicação, mas especialmente cidadãos ativos, capazes de ajudar os veículos de comunicação a construir uma sociedade melhor. Não basta reclamar, é preciso construir, juntos. Juan Diaz Bordenave já pontificou uma vez: "me diga como é sua comunicação e eu te direi como é sua sociedade." Assim, se as pessoas querem uma comunicação melhor, precisam ajudar a construí-la. A era da passividade já passou.

Cobertura para imprensa esportiva

Vão até quarta-feira (25) as inscrições para o curso Jornalismo Olímpico: Técnicas para a Cobertura Esportiva, que será realizado nos dias 8 e 9 de junho, das 13 às 17 horas. O curso visa dar uma introdução aos fundamentos do jornalismo esportivo, com aperfeiçoamento de comunicadores para a cobertura olímpica.

A participação é gratuita e aberta a todos os interessados, e as inscrições devem ser realizadas pelo site da ECA. Haverá entrega de certificados aos participantes.

O curso é oferecido pelo Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e ocorre no Auditório Armando Nogueira do Museu do Futebol, anexo ao Estádio do Pacaembu, que fica na Praça Charles Miller, s/n, Pacaembu, São Paulo. (Agência USP).

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Repórter da Folha da Região participa de bate-papo com alunos de Jornalismo

Por Barbara Franchesca Nascimento
Publicada em 23 de Maio de 2011

Reportagem e notícia. Dois conteúdos jornalísticos relevantes para o conhecimento e formação do leitor, porém, com exigências diferenciadas para cada produção. Com o objetivo de fixar essas diferenças aprendidas durante as aulas de Jornalismo Informativo, ministradas pela professora Ayne Gonçalves Salviano, o repórter da Folha da Região, Hélton Souza, participou de um bate-papo com os alunos do 3º semestre do curso de Jornalismo do UniToledo, na última quinta-feira (19).

Além de apresentar as posturas necessárias ao jornalista para a produção das notícias do dia a dia e de uma reportagem, material mais aprofundado e que exige maior tempo para apuração, Souza dividiu com os alunos suas experiências jornalísticas na cobertura de temas relacionados às áreas de política e polícia, ressaltando também a necessidade dos princípios éticos dentro do exercício da profissão.

“Medo faz parte de qualquer profissão. Porém, primeiramente, temos que verificar o que nos satisfaz, porque, se nos der prazer então valerá à pena correr o risco. Para mim, o princípio do Jornalismo é sempre ser honesto com a sua fonte, porque mesmo que você sempre fale mal dela, ela sempre te respeitará”, afirmou o jornalista aos estudantes.

CONHECIMENTO
Graduado em Jornalismo pela Unifev (Centro Universitário de Votuporanga), Souza já trabalhou nos jornais Diário da Região, de São José do Rio Preto, e A Cidade de Votuporanga. Atualmente, é repórter da Folha da Região, em Araçatuba. Para ele, a atividade realizada no curso é uma forma de sanar as curiosidades dos alunos sobre o dia a dia da profissão.

“Enriquece para eles esse tipo de conversa ainda no ambiente universitário, afunilando assim a preferência deles para as diversas mídias possíveis para o exercício da profissão”, destacou.

A aluna Stefanny Neves de Souza, de 20 anos, considerou a palestra como uma forma de adquirir conhecimentos sobre as exigências do mercado de trabalho. “Como ainda estamos na faculdade, não temos a noção de como é o trabalho. A partir da conversa com ele (repórter) conseguimos ampliar nossa visão e sairemos daqui mais preparados”.

A professora responsável pela disciplina conclui que a atividade proporcionou aos alunos uma oportunidade de observar por meio da experiência prática do palestrante a preparação para a produção da notícia e da reportagem, que são duas práticas distintas, segundo Ayne.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Copa do Mundo: Vejam como o Brasil está sendo retratado na mídia internacional

Um amigo, Marcelo Alencar, me chamou a atenção para o material abaixo. É da ESPN sobre o Brasil, especialmente o Rio de Janeiro, como uma das cidades-sede da Copa do Mundo e Olimpíadas. Precisa ser lido/traduzido por vocês. Mas mesmo quem não entende inglês deve ficar atento à linguagem das fotografias, não é preciso nem muito estudo semiótico para ficar impressionado com o que elas dizem.
Façam ótimo proveito:


Leia aqui

Mãe de jornalista

A colaboração é da aluna Ariadne Bognar, do 3o. semestre de jornalismo no Centro Universitário Toledo de Araçatuba. Adorei!!!


Por Duda Rangel

Mãe de jornalista é mais preocupada do que todas as outras mães preocupadas do mundo. Meu filho, se for pro morro cobrir guerra entre polícia e traficante, não esquece de levar o colete à prova de balas, tá me ouvindo? Não quero filho meu pegando bala perdida por aí. Mamãe deixou o colete arrumadinho lá na sua cama.

Mãe de jornalista não tem noção da rotina do filho. Não, mãe, eu não tô na farra. Tô no pescoção, mãe. Isso, mãe, pescoção é trabalho. Pois é, mãe, jornalista trabalha até essa hora. Então, mãe, também não vai dar pra almoçar com a senhora no domingo. Vou estar de plantão. Por favor, mãe, não chora. Mãe?

Mãe de jornalista não entende o visual desleixado do filho. Há quantos anos você usa essa calça? E esse All Star todo sujo? A barba, meu filho, faz a barba! Parece um mendigo!

Mãe de jornalista adora comparar a filha jornalista com o filho médico. Você poderia muito bem ter feito como o seu irmão, o Pedro Paulo, e seguido a profissão do seu pai. Filha, aquele consultório o seu pai construiu pra deixar pra vocês dois! Ainda dá tempo de mudar, filha! Esquece essa coisa de lutar por um mundo melhor e faz como o Pedro Paulo.

Mãe de jornalista também tem orgulho da filha. Recorta tudo que é matéria publicada no jornal. Coleciona, mostra pra família, pras amigas invejosas. Ou fica sentadinha na frente da TV, joelhos colados, mãos sobre as coxas. Não perde um instante da entrevista da filha, com não sei quem, sobre sei lá o quê. Pela tela, faz cafuné na cabeça da moça. Os olhos num aguaceiro só.

Michelle, dedicação e amor

O jornalismo como forma de dedicação e amor
O jornalismo é uma área de grande importância e não se resume apenas em lidar com noticias, dados e informações. Ser jornalista é uma questão de estado de espírito, de como se lida com a erupção do dia a dia. Após a “queda” do diploma, cursar jornalismo se tornou mais interessante, porque agora, estar nesse curso e profissão exige muito mais amor, não só o velho fazer por fazer, mas dedicar-se a levar o mundo todo para as pessoas que não conseguem acessá-lo, os questionamentos “Para quê?” e “Por quê?” dessa área não possuem contornos bem delimitados, mas em um primeiro momento podem ser esclarecidas com simples respostas: “Levar” o Mundo as pessoas que vivem nele, satisfazendo assim, não só as próprias necessidades, mas também a dos semelhantes. E porque, fazer o que se gosta proporciona um prazer e bem-estar inigualáveis.

Nathany Sotini, guardem este nome



Jornalismo para esta que vos 'fala' veio praticamente de maneira involuntária desde a infância.
Caro leitor, acreditaria se dissesse que quando menina, subia em palanques, aos nove anos de idade, e defendia o candidato a prefeito do município de Castilho daquela época - Joni Marcos Buzachero – com unhas e dentes, na maior empolgação, como se estivesse defendendo a própria vida? Era de se admirar. Por outro lado, as humanas foram áreas onde tinha intimidade e identificação, principalmente com a área da comunicação, em redações, interpretações, leituras, debates etc. Por todas essas razões estou certa de que o jornalismo faz parte da minha vida.

Gabriel Garcia Márquez, ao responder a pergunta: Por que fazer jornalismo?, disse de uma maneira muito sábia e de quem tem conhecimento de causa: “Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.”.

Para que fazer jornalismo?
Não se pode deixar de lembrar que jornalismo primeiramente serve para formar e informar uma sociedade no mundo de globalização onde a informação é um elemento de fundamental importância.
Tristão de Ataíde disse que “O jornalista medíocre informa para informar. O autêntico jornalista informa para formar”.
Apesar da queda do diploma para se exercer a função de jornalista deve se levar em conta que o curso prepara o profissional para exercer bem e com ética a profissão.
O jornalismo é a profissão que não dorme... Toda hora é hora, o mundo não para, notícias e mais notícias, furos de reportagem...
A correria dentro de jornais, revistas, rádios, TVs para levar informação as pessoas, o amor pelo jornalismo, a vontade de ajudar, mudar e formar uma sociedade melhor.

Daniele Lessi, simples assim

Sempre quis fazer jornalismo por seu imediatismo e instantaneidade; por ser rico em informações por levar a sociedade aos fatos acontecidos do outro lado do mundo. A comunicação massiva que existe no jornalismo é de maneira rápida, diversificada e ampla. Fazer jornalismo para poder mostrar ao público a capacidade e o detalhamento das informações que nós jornalistas podemos oferecer.

Caio Carvalho, por um mundo melhor



Os apresentadores e repórteres de telejornais locais me chamavam a atenção. No rádio, a curiosidade era a mesma com os locutores. Sempre tive muita vontade de estar nesses locais, participar daquilo. Nas primeiras séries, a brincadeira preferida era fazer matérias na escola, ao lado de algum voluntário, que eu pedia para segurar a "câmera", construída com caixas de papelão, de sabonete e pasta de dente. No meu quarto de casa, havia até “estúdio”. Os ouvintes eram meus pais, e em dias de festas de aniversário, até os familiares. Sinceramente, não sei de onde vem esse interesse pelo jornalismo. Fato é que sempre gostei. Os anos me mostraram que essa área não é constituída apenas por repórter e espectador. O verdadeiro profissional pode ajudar a construir uma sociedade melhor. Sou apaixonado por fazer jornalismo e esse é um dos sentidos que me move.

Caio Carvalho, aluno do 3o. semestre de jornalismo no Centro Universitário Toledo de Araçatuba

Lucas Matheus, nascido para o jornalismo





“Faço jornalismo porque, simplesmente, esta profissão nasceu comigo. E não é exagero não! Descobri esta vocação quando ainda era criança. Aliás, nunca soube explicar porque aos 11 anos já discutia política e falava sobre jornalismo como se fosse adulto. Isso nunca me afastou dos carrinhos, desenhos e outras brincadeiras típicas de um garoto. Porém, devo confessar que, atrelado a isso, costumava falar sozinho em frente ao espelho como se estivesse na TV, escrevia textos e brincava de ser locutor de rádio. Está aí a resposta para a pergunta: faço jornalismo porque não há profissão mais gratificante. Não tem outra explicação, é uma qualidade natural. Para que faço jornalismo? Para oferecer às pessoas, através do meu trabalho, o direito de pensar, agir e reivindicar. Para ser o porta-voz de quem, muitas vezes, é enganado descaradamente”.
Lucas Matheus de Carvalho, 19, estudante do 3º semestre de jornalismo pelo Centro Universitário Toledo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sugestão de amigo

Recebi a sugestão de um amigo: Jean Oliveira. Vale pela indicação dos livros e receita de como se faz uma bela resenha.

"O jornalista e o Assassino"

Luiz Zanin Oricchio - O Estado de S.Paulo

A primeira frase de O Jornalista e o Assassino, de Janet Malcolm, soou como sentença inapelável nas redações quando o livro foi lançado em 1990: "Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso ou cheio de si para perceber o que está acontecendo sabe que o que ele faz é moralmente indefensável". A condenação não vinha de fora da corporação - Janet Malcolm é escritora e jornalista, com longa folha de serviço na New Yorker, além de ser autora de vários livros, com temas tão variados quanto a vida de Chekhov e os arquivos secretos de Freud. O Jornalista e o Assassino, agora relançado no Brasil, vem enriquecido de dois posfácios, um da própria autora e outro do diretor de redação do jornal Folha de S. Paulo, Otavio Frias Filho.

Qual seria o "fazer" jornalístico sobre o qual recai a tão definitiva sentença? Simplesmente a prática mais comum da profissão - a entrevista. Janet entende que a relação entre repórter e fonte é sempre assimétrica, e com grande prejuízo para a segunda parte. Tanto jornalista como entrevistado querem alguma coisa um do outro. Um deseja a notícia, uma história em primeira mão que poderá lhe ser de grande valia na carreira. O outro aspira a certa notoriedade, que apenas a divulgação de suas ideias em veículo de grande expressão pode garantir.

É um jogo, no qual ambos têm tanto a lucrar como a perder. Mas, no entender de Janet, a fonte é a parte fraca na relação. "Ele (o jornalista) é uma espécie de confidente, que se nutre da vaidade, ignorância ou solidão das pessoas. Tal como a viúva confiante, que acorda um belo dia e descobre que aquele rapaz encantador e todas as suas economias sumiram, o indivíduo que consente em se tornar tema de um escrito não ficcional aprende - quando o artigo ou livro aparece - a própria dura lição." Ou seja, quando o produto da conversa vem a público, é comum a fonte descobrir que a relação mantida com o jornalista era baseada em um engodo. Que este não teve a mínima intenção de divulgar o ponto de vista da fonte. Pelo contrário, sempre teve em mente divulgar a própria impressão. Manteve a relação em termos amistosos apenas enquanto dela necessitava. Para a fonte, seduzida durante as entrevistas, esse comportamento pode parecer o de um traidor.

Qualquer jornalista que tenha algum tempo na profissão sabe que não são poucos os desencontros nessa relação muito particular. Muitas vezes, ao verem ideias que julgam distorcidas publicadas, os entrevistados exclamam: "Mas eu não disse isso, alteraram minhas palavras". Por isso, jornalistas experientes fazem questão de gravar entrevistas. Mas essa providência tecnológica apenas atenua o problema, pois ninguém publica nada sob forma literal. Por uma série de questões técnicas, os depoimentos devem ser editados. E a edição sempre poderá ser tachada de tendenciosa. E às vezes é mesmo.

O livro de Janet Malcolm não se baseia em abstrações. Trata de um caso real, e bastante doloroso. Um crime terrível, o assassinato de uma mulher grávida e suas duas filhas a golpes de bastão e facas. O principal suspeito, que acabou condenado, era o próprio marido da vítima, o médico Jeffrey MacDonald. Na época (1970) a serviço do exército americano, MacDonald alegou que a casa fora invadida por bandidos e ele próprio saíra ferido. Na verdade, apresentava ferimentos leves e sua tese nunca pôde ser comprovada. No entanto, foi absolvido pelo tribunal militar.

Quando aguardava novo julgamento, foi procurado pelo jornalista Joe McGinnis para uma entrevista. MacDonald gostou tanto do repórter que lhe propôs um arranjo: franquearia sua intimidade e mesmo os bastidores da defesa para que McGinnis escrevesse um livro expondo o seu ponto de vista. Dividiriam a renda do livro e isso ajudaria a custear a defesa. Conviveram durante quatro anos em aparente amizade. Quando o livro - Fatal Vision - saiu, em 1983, MacDonald sentiu-se traído. Longe de esposar sua causa, McGinnis o apresentava como psicopata.

Condenado à prisão perpétua no segundo julgamento, MacDonald resolveu processar McGinnis pelo livro, sustentando que suas falas foram distorcidas. No primeiro julgamento MacDonald contra McGinnis não houve unanimidade entre os jurados. Antes que o segundo ocorresse, as partes entraram em acordo e McGinnis teve de pagar US$ 325 mil para encerrar a pendência.

O caso é explosivo porque levanta dúvidas sobre a liberdade de expressão e sobre a ética jornalística - e de como uma pode contradizer a outra. A acusação de MacDonald baseava-se em que sua boa-fé no jornalista fora iludida. O jornalista o fizera crer que trabalhava numa versão que seria favorável ao acusado. A defesa de McGinnis baseia-se na liberdade de expressão. O autor teria compromisso mais forte com a verdade dos fatos do que com sua fonte. Se manteve o relacionamento usando atitudes ambíguas, foi no interesse da verdade.

Ora, acontece que a "verdade", para Janet, não é um termo tão óbvio como se acredita. A verdade, para alguém tão influenciada pela psicanálise, é algo impossível, no limite. Trabalhamos com versões e podemos escavar tão fundo quanto quisermos, sem jamais atingir a verdade de um fato, e mais ainda de fatos controversos como um crime. A própria Janet se debruçou sobre casos semelhantes de conflitos de versões ao se interrogar, por exemplo, sobre os diferentes relatos sobre a cena da morte de Chekhov. O que teria acontecido, de fato? Ninguém sabe.

Mais ainda: ela própria havia sido processada no passado por uma situação semelhante à que analisa em O Jornalista e o Assassino. Em Nos Arquivos de Freud, descrição da luta pela posse da correspondência entre Sigmund Freud e seu amigo e colega Wilhelm Fliess, Janet entrevista um dos curadores das cartas, Jeffrey Masson, que, posteriormente, a processa, acusando-a de atribuir a ele declarações infundadas. Desse imbróglio psicanalítico Janet foi absolvida.

Janet não evita a questão e a aborda em seu posfácio. Admite que, por mais que se defenda, ficará sempre com a mácula de haver caluniado Masson, mesmo que isso não tenha acontecido. Por outro lado, apesar do processo e da reparação pecuniária, o relato definitivo do caso MacDonald está estabelecido no livro de McGinnis. O desmentido nunca tem a força da denúncia, e, por isso mesmo, ela entende que se deva lidar com tanta delicadeza e rigor com o que dizem os entrevistados.

Apesar de vivermos num mundo de versões, temos a obrigação de cuidar para que elas sejam tão próximas quanto possível de uma intangível verdade. Essa observação é particularmente importante em nossa época, em especial quando o jornalismo literário ganha importância nas redações e entre o público. Usar técnicas de romance para escrever uma matéria é uma coisa, e pode ser ótimo; tornar-se ficcionista é algo que um jornalista não pode se permitir. Seu compromisso, por fluido que seja o termo, é com algo chamado realidade. E, mesmo que ela se esconda atrás de inúmeras versões, insuficientes e contraditórias, sua obrigação é procurá-la obsessivamente. Não interessa se o graal existe ou não; é preciso buscá-lo.

O Jornalista e o Assassino não se propõe resolver esses impasses éticos. A importância do livro está em levantá-los e colocá-los como espelho diante da comunidade jornalística. Afinal, como diz Janet Malcolm, os mais sensatos sabem que o melhor que podem fazer ainda não é o suficiente. E os outros fingem que não há problema e, se existia, eles já o resolveram.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Palestra de Roberto Cabrini
Por Barbara Franchesca Nascimento
Publicada em 04 de Maio de 2011




Um grupo de 16 alunos do 1º, 3º e 5º semestres do curso de Jornalismo do UniToledo participaram na última sexta-feira (29) do 7º Encontro de Jornalistas do Mato Grosso do Sul realizado em Três Lagoas. A viagem foi acompanhada ainda pelas professoras Ágatha Urzedo e Ayne Gonçalves Salviano.

Na ocasião do evento, os alunos assistiram à palestra do jornalista do SBT Roberto Cabrini que abordou o tema “Jornalismo Investigativo”. Idealizador do programa “Conexão Repórter”, Cabrini falou aos estudantes sobre as matérias realizadas, o perfil do repórter investigativo, como lidar com a sensibilidade e a necessidade de precisão da informação diante de acontecimentos de alta tensão e risco como assassinatos e guerras, além de interagir com os participantes aos esclarecer suas dúvidas sobre a profissão.

“O Jornalismo é o exercício da verdade. É se perguntar todos os dias o que você fez como profissional para melhorar a vida das pessoas e jamais se autocensurar, é preciso humildade e capacidade para questionar sempre”, afirmou Cabrini.

O aluno do1º semestre João Augusto Lima Rodrigues, de 18 anos, destaca que a palestra o ajudou a entender a sua vocação para o jornalismo, compreendendo que o reconhecimento da profissão vem por meio das matérias produzidas pelo jornalista e que levam as pessoas a acompanhar o profissional e o assunto.

Já o aluno do 3º semestre Clayton Valentim, 38, diz que a convicção do palestrante diante das matérias que produziu durante sua carreira foi o que mais o marcou. “Foi uma possibilidade de interagir com o Cabrini e conhecer não somente o jornalista, mas também a sensibilidade dele diante de cada fato. Foi possível entender a ligação entre o humano e o profissional”, conclui.

O 7º Encontro de Jornalistas é um evento organizado anualmente pelo portal jornalístico Perfil News em parceria com a imprensa local, reunindo autoridades, vereadores, acadêmicos, empresários, professores, profissionais de outras áreas, jornalistas e a comunidade em geral. A viagem foi organizada pelos alunos juntamente com o Diretório Acadêmico “Afonso Toledo”.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Para pensar


As mudanças de paradigmas das famílias e dos estudantes na relação professor-aprendizagem tem trazido enormes desafios para quem insiste em não seguir a regra: finge que ensina - finge que aprende. Todos os lados - professores, alunos e sociedade - precisam pensar: o que querem da educação? Notas? ₢onhecimento? Dependendo da resposta, teremos que mudar de atitudes. O que você acha?