quinta-feira, 30 de junho de 2011

Eu, a entrevistada

Fato incomum: jornalista que vira notícia.
Respondi a entrevista que reproduzo abaixo para um cidadão araçatubense que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente. Sei que é marido de uma professora, para quem apresentei o programa que coordeno 'Ler para Crescer', de incentivo à leitura e à cidadania, durante HTPC em uma das escolas pública da cidade.
Ela, entusiasmada, contou ao marido, blogueiro, sobre o meu trabalho e ele se interessou, quis mais detalhes. Entrou em contato, me entrevistou por e-mail e escreveu o texto.
Este 'cidadão de araçatuba' não é jornalista. Também não é da área de letras ou humanas. Mas é gente, pensa, sente, fica indgnado, admira, portanto, tem opinião, que deseja expressar.
É essa a força dos blogs na comunicação. Todo cidadão tem o direito de fazer valer a sua voz e esta ferramenta da web 2.0 é muito importante e veio para ficar. Quem souber usar bem, já está na frente.
Reproduzo abaixo a entrevista, mas dou a dica: conheçam o blog http://cidadaoaracatuba.blogspot.com/


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Um prazer!


Olha eu aí do ladinho capacitando professores do ensino fundamental da rede pública para o uso de jornais em sala de aula como ferramenta lúdica e pedagógica. Desenvolvo este trabalho na Folha da Região e tem sido gratificante!

Efeito da globalização?

No dia 28 de junho, dois jornais - Diário da Região, de São José do Rio Preto, e Folha da Região, de Araçatuba - tiveram ideias semelhantes para estampar nas suas capas: o aumento dos pedágios. A coincidência (?) foi trabalhar um infográfico 'rasgando' o espaço. Vejam:




Alguns teóricos da comunicação condenam a globalização dos temas que os grandes veículos de comunicação teimam em massificar, questionam o papel dos gatekeepers e propõem novos modelos com pautas diferenciadas, sugeridas até pelo público; abordagens especiais, ganchos diferenciados. E vocês, o que pensam sobre tudo isso?

Ótima dica

Sempre que puderem, acessem: http://www.midiamundo.com/
Nesse espaço você encontra análises de capas de jornais muito interessantes. Atenção para esta que selecionei pra vocês:


"Ótima iniciativa do Jornal de Santa Catarina (Blumenau, SC): entrou em uma favela a poucos quilômetros dos glamourosos balneários de Camboriu e Itapema. A foto de Jandyr Nacimento, na capa do jornal, é fantástica e realista. A matéria, necessária, ganhou espaço nobre".

O trabalho do jornal do sul me fez lembrar que nas pesquisas para o meu mestrado (disponível na biblioteca virtual da PUC/SP), encontrei exemplo semelhante, da década de 1990, quando uma repórter escalada para cobrir a inauguração do parque da Disney na Califórnia descobriu que do outro lado da rua havia uma favela, pessoas que moravam em "casas" de lata. No lugar, muitas drogas, prostituição e violência. Com o civic journalism praticado por aquele periódico e mais algumas centenas de voluntários (empresários, educadores, profissionais da saúde etc) o lugar mudou drasticamente em pouco tempo.
Fica aqui a dica para um jornalismo mais de resultados e não só de denúncias.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A dificuldade de discutir temas nacionais

Por Luís Nassif

Há poucas semanas, o intelectual e jornalista francês Ignacio Ramonet - editor do influente Le Monde Diplomatique - lançou um livro, "A explosão do periodismo", onde discute as transformações recentes na mídia mundial, com a crise da chamada grande imprensa e o avanço da Internet.
Nele, destaca uma das grandes distorções ocorridas com o chamado "quarto poder" (aqueles veículos que influenciam diretamente as estruturas de poder) nos últimos vinte anos.
Segundo ele, "à pergunta sobre "o que é uma notícia", os meios de comunicação tendem a analisar tudo sob a ótica da audiência. Produzem-se notícias que podem interessar ao maior número de pessoas, não aquela que seja mais útil para a população, mais esclarecedora em matéria de economia, ecologia, política, de tal modo que os grandes meios de comunicação perderam de vista sua missão".

Hoje em dia, há enorme dificuldade em se discutir temas relevantes através da mídia. "O jornalismo de especulação, de entretenimento e de espetáculo triunfa, em detrimento da exigência de qualidade", continua ele.

Três exemplos sobre as dificuldades em se aprofundar os grandes temas.
O caso do "livro que ensinava português errado".
Desde 1999 há uma diretriz no MEC - promulgada no tempo de Paulo Renato de Souza - para preparar os novos alfabetizados a não discriminarem pessoas do seu ambiente que falam errado. O livro em questão abordava o tema em meia página. Não ensinava a falar errado, mas a não discriminar quem falava errado. No entanto, durante uma semana o país discutiu em torno da falsa informação de que o livro ensinava a falar errado.

O sigilo das obras das Olimpíadas.
A Casa Civil propôs um novo método de licitação de obras para a Copa e para as Olimpíadas - recomendado pela OCDE (a organização dos principais países industrializados). Por ela, licita-se o projeto e a obra completa. E, para não combinarem o lance entre si, os competidores não podem saber, antes do resultado, qual o valor orçado para a obra. Depois de escolhido o vencedor, todos os dados (inclusive o valor orçado) tornam-se públicos.
Há uma bela discussão técnica comparando os dois métodos de licitação: o atual, no qual o licitante define o projeto, em todos seus detalhes, e o novo, saber qual é mais eficiente para conseguir preços melhores e para evitar conluios de competidores". No entanto, tudo ficou reduzido à questão da "licitação secreta.

O sigilo secreto dos documentos oficiais.
A discussão, no caso, é se devem abrir todos os documentos ou preservar aqueles que contenham informações estratégicas ou delicadas.
Lembro do caso da venda de tório para o Iraque, em 1982. Foi uma aventura do governo militar. Mas a divulgação dos documentos agora aumentaria a pressão da Agência Internacional de Energia (AIE) sobre o processo de enriquecimento do urânio brasileiro - fruto de um belíssimo trabalho tecnológico da Marinha.
Em vez de uma discussão sobre quais temas podem ou não ser reservados, reduziu-se toda a polêmica a uma simplificação falsa, como se a opção fosse entre manter todos os documentos em sigilo ou abrir todos.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Adoro tudo isssooooo!

Olha eu aí, no centro do furacão. São os alunos do Cemfica Ary Bocuhy, de Araçatuba, que estiveram na Folha da Região conhecendo o Ler para Crescer, programa educomunicativo que coordeno. Adoro as visitas, as crianças, mas especialmente o programa, por tudo o que ele pode gerar no futuro.

O público e o privado

Ainda me lembro do Pedro Kutney falando em uma de suas aulas no meu curso de jornalismo: "Não deixem ninguém saber sua opção sexual, religião, para qual time torcem ou em quem votaram nas últimas eleições. Caso contrário, ficarão 'marcados' pra sempre".
Ele não estava brincando. Embora eu ainda 'siga o mestre', percebo que, quase três décadas depois, seu conselho ainda vale para as gerações mais novas de jornalistas. Esses jovens que foram educados tão livremente e puderam fazer escolhas tão sérias - sexualidade, religião, crenças políticas - muitas vezes são vítimas desta liberdade e não podem revelar o que sentem e pensam mesmo longe das redações. Quando se mostram, são violentados.
William Bonner assumiu recentemente, em entrevista para o apresentador Faustão, que por causa de um post no twitter revelando uma preferência musical, foi 'bombardeado' porque segundo seus seguidores, aquele grupo não condizia com a aparência do apresentador do Jornal Nacional. Julgados pela aparência?
Eu não pensei que viveria tanto pra ver liberdade transformada em prisão do pensamento.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Vai que vai

Por Duda Rangel
* Colaboração da Ariadne Bognar



Repórter vai pra onde vai a sua curiosidade.

Ou pra onde o chefe manda mesmo.

Vai pra delegacia. Vai pra guerra no morro. Vai pra guerra no campo. Vai pra enchente. Vai pra hospital. Vai pra velório. Vai pra enterro. Vai pra protesto na rua. Vai pro Congresso. Vai pro fim do mundo, pra onde Judas perdeu as pautas.

Mas vai.

Vai de carro da reportagem. Vai de avião. Vai de táxi. Vai de busão. Vai com pressa. Vai com a língua de fora. Vai com a orelha de pé. Vai pela sombra. Vai pelo sol. Vai pela chuva. Vai ao cair da noite. Vai ao cair da cama. Vai com remela nos olhos.

Mas vai.

Vai com bloquinho. Vai com gravador. Vai com máquina fotográfica. Vai com Bic quase seca. Vai com perguntas na cabeça. Vai sem nada na cabeça. Vai com o coração na boca. Vai com o cu na mão.

Mas vai.

Vai com frio. Vai com calor. Vai com sede. Vai com vontade de mijar. Vai com vontade de cagar. Vai sem vontade nenhuma. Vai de barriga vazia. Vai de saco cheio. Vai reclamando. Vai molengando. Vai aos trancos. Vai aos barrancos.

Repórter vai que vai.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Orgulho

Quem está comigo na foto é um ex-aluno, Germiro Lima, hoje prefeito de Nova Luzitânia (SP). Germiro é um exemplo de superação em todos os sentidos da vida. Por isso, me deixou muito feliz a visita que ele fez questão de me fazer enquanto eu capacitava professores da rede municipal de ensino daquela cidade dentro do Programa Ler para Crescer da Folha da Região.
Além de conversarmos um pouco, ele me presenteou com um livro, de sua autoria, com a história da sua cidade. Foi seu trabalho de conclusão de curso no Jornalismo do Unitoledo. Sou muito orgulhosa de você, amigo!