terça-feira, 27 de setembro de 2011

artigo: A acomodação efetiva

Por Fernanda Souza

Em pouco tempo de atuação na área pública, percebo que cada vez em maior proporção, o que trava as políticas públicas não são somente os interesses de seu governante, mas a preguiça da classe funcional efetiva. Os funcionários que por processo seletivo se efetivaram em determinados cargos e com a garantia de que ‘não podem ser exonerados’ atrasam ou bloqueiam os trabalhos por mera acomodação.

A procura por cargos efetivos hoje no Brasil é o principal alvo dos jovens recém-formados em graduações. O site PCI Concursos, por exemplo, oferece em média 50 mil vagas diariamente em instituições públicas de todo o país. A oferta de estabilização profissional enche os olhos daqueles que inseguros com o diploma na mão, chegam a ignorar os anos de estudos específicos para assumir um cargo que não sabem nem ao certo sua função.
É preciso esclarecer também que ingressar na carreira pública não é o problema, mas a acomodação que ela oferece aos menos ambiciosos. É essa garantia de futuro que permite ao longo dos anos que a preocupação em evoluir fique para trás, dando lugar ao acomodamento. Para a filosofia o homem é um ser que “vive em constante processo de evolução”, e daí entendemos porque nascemos, crescemos, reproduzimo-nos e morremos. Porém, essa evolução também se refere à necessidade de melhoramento do ser humano, esta busca incansável que devemos ter nos aprimorar.
Consta no Artigo 241 do Estatuto do Funcionário Público do Estado de São Paulo que são deveres do servidor ser assíduo e pontual; desempenhar com zelo e presteza os trabalhos de que for incumbido; zelar pela economia do material do Estado e pela conservação do que for confiado à sua guarda ou utilização e ainda cooperar e manter espírito de solidariedade com os companheiros de trabalho. Por outro lado, o Estatuto diz no artigo seguinte que “ao funcionário é proibido: entreter-se, durante as horas de trabalho, em palestras, leituras ou outras atividades estranhas ao serviço e tratar de interesses particulares na repartição”.
Entretanto, na prática tantas exigências são ignoradas por estes que, passado o período de estágio probatório, deitam e rolam nas repartições públicas enrolando os processos e serviços por absoluta falta de interesse próprio ou preguiça.
Para evitar tamanho acomodamento o Estado deveria acabar com a efetividade dos cargos e torná-los temporários. No setor privado os servidores trabalham dando o seu melhor porque não possuem garantia de empregabilidade em longo prazo e para isso precisam estar sempre se superando, aperfeiçoando, se capacitando.
As comissões, com os cargos chamados de ‘confiança’ dos governantes, trabalham com o ritmo do privado por também não terem a estabilidade do efetivo e apresentam muito mais resultados em seu trabalho, colaborando para o desenvolvimento de seu município, Estado ou País. Se na área pública o mesmo risco do emprego privado acontecesse, talvez teríamos resultados melhores nas políticas públicas.

* Fernanda Souza é estudante do 6º semestre de jornalismo e o ocupa o cargo de confiança em assessoria de imprensa na Prefeitura de Mirandópolis com validade até 12/2012.

Nenhum comentário:

Postar um comentário