quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Artigo: A batalha vital da violência contra mulher

Por Amanda Monzani

Reduzir os índices de violência contra mulher no Brasil não se esquecendo de outros abusos contra a sociedade, como assaltos e roubos, diminuiria o problema do país. E como seria justo se o agressor pudesse custear de maneira absoluta todos os males provocados, não apenas pagando os merecidos trinta anos de prisão, que em geral nunca são totalmente cumpridos, mas também custeando todos os atos necessários para que a companheira tenha a vida reestruturada, como cirurgias corretoras e tratamentos psicológicos. Casos que exemplificam tais situações deploráveis não faltam. Que o digam as Eloás e Sandras Gomides, vítimas fatais de violência doméstica.

Entender tal problemática vai muito além do que simplesmente apontar caminhos para possíveis resoluções, como a denúncia, por exemplo. É necessário entender as causas que levam essas mulheres a optarem pelo silêncio. Seja a condição financeira que as tornam dependentes do marido para criar os filhos, sustentar a casa ou até mesmo por vergonha. Uma pesquisa realizada pela DataSenado em março desde ano procurou medir o nível de tolerância das mulheres em relação as agressões. Ao todo foram 1.352 entrevistadas. Deste total, 36% afirmaram terem registrado a ocorrência logo depois da primeira agressão; 5%, após a segunda; e 24%, após a terceira. No entanto, 29% revelaram nunca ter procurado qualquer ajuda.
Destas, 31% decidiram não fazer nada para poupar os filhos; 20%, por medo de vingança do agressor, 12%, por vergonha e outros 12% por acreditarem que seria a última vez, e 5% por dependência financeira. Esses dados afirmam que por mais que haja ajuda governamental é necessário que a própria sociedade brasileira entenda o problema como seu também e não apenas como um acontecimento isolado.
É preciso mostrar a esses agressores que um “tapinha” dói tanto a ponto de estimular ações que demonstrem a garra e o conhecimento que essas mulheres possuem para denunciar e recomeçar uma vida sem sofrimentos. A baixoautoestima precisa ser elevada por mais apitaços, como em Pernambuco, em que um grupo de mulheres se organizou para apitar sempre que fosse agredida pelo companheiro, assim quem ouvisse os apitos, poderia denunciar as agressões, que sempre resultavam na prisão em flagrante do responsável.
Ongs, igrejas, instituições de apoio e a própria sociedade precisam se solidificar em ações que possam garantir às vítimas uma vida segura e confortável após as denúncias, com projetos de geração de empregos e conscientização de que todos podem e tem o dever de denunciar as agressões, mesmo que estas não estejam diretamente ligadas às próprias famílias. E inspirados na história de garra, ousadia e persistência de Maria da Penha e da cantora americana Rihana, as vítimas consigam ter todo o apoio necessário para elevarem os índices de denúncia contra os agressores, não deixando impune o responsável pelos momentos de medo, angústia, dor e sofrimento.

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