quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Artigo: A corrupção na mesa do brasileiro

A história do Brasil é marcada desde o seu descobrimento pela constante corrupção e indefinição do que é público e privado.

Segundo José de Souza Martins, em seu livro “O Poder do Atraso”, a corrupção em si não é entendida como problema para o povo brasileiro. Afinal de contas, o que se pode esperar de um país que elege um presidente graças aos benefícios que o mesmo receberá em troca se votar no político?
É correto sim, quando o antropólogo Roberto Damatta, em sua obra “O Que Faz o Brasil, Brasil?”, cita que é ingênuo creditar a postura brasileira apenas à ausência de educação adequada. Pois as instituições brasileiras são desenhadas para coagir e desarticular as pessoas. O Estado é naturalmente coercitivo; mas no caso brasileiro, é inadequado à realidade individual.
Porém, não é apenas o governo que possui a culpa quando o assunto é corrupção. O brasileiro – não todos, mas, em sua grande maioria – aceita a corrupção. Pois de forma direta ou indireta, as pessoas que recebem, por exemplo, o cartão da Bolsa Família e da Renda Cidadã, muitos deles acabam se tornando acomodados com aquela situação e não procuram trabalhar, e assim não perdem o benefício.
Devido a isto, o Brasil está muito longe de ser considerado um país de primeiro mundo. A população muitas vezes se sente oprimida e incapaz de exercer a própria cidadania, e assim utiliza de meios que vençam a dura realidade da burocracia, de forma que burlem regras em prol de sua sobrevivência.
Sempre há um “jeitinho” nas leis brasileiras. E isto contribui para que todos achem que tais atitudes sejam úteis, e assim fazem com que cada vez mais o brasileiro, a cada vez que for interrogado sobre algo algum erro ou atitude, faça uso da famosa pergunta “você sabe com quem está falando?”
Não há a cobrança correta do povo para o governo. Tudo se resolve na base do “jeitinho brasileiro”, e enquanto assim for viável para muitos, assim irá continuar. Propostas que possam parecer modernas demais ou que dificultem este processo, jamais será aprovado enquanto o povo continuar se deixando levar e vendendo seus votos em troca de cestas básicas.
É claro que benefícios em muitos casos são úteis, mas, além disto, a solução seria exigir um nível de exigência maior para as pessoas que almejassem tais benefícios do governo. Não podemos apenas cobrar e achar errado algo que nós mesmos apoiamos de certa maneira. Enquanto a política de trocas for aplicada, naquela base do “eu te protejo e dou tudo o que você precisar e vice versa”, a modernidade e término da corrupção será impossível de acontecer.

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