terça-feira, 27 de setembro de 2011

Artigo: O (des)interesse cultural em Araçatuba

Por Ana Paula de Araripe Souza


Se tem disponível, por que não usufruir? É o questionamento que deveríamos fazer sempre que encontrássemos eventos culturais parcialmente vazios. Ao contrário da maioria das cidades do país, Araçatuba recebe um número acima da média de atrações que promovem a reflexão e a educação. A população, no entanto, não aproveita as oportunidades, mesmo sendo gratuitas.

De acordo com dados do site da Unesco, mais de 70% dos brasileiros nunca assistiram a um espetáculo de dança e grande parte dos municípios do país não possui teatro, museu e espaços culturais multiuso. Fugindo às estatísticas, Araçatuba realiza anualmente o “Dança Araçatuba”, um espetáculo voltado somente à categoria; um festival de teatro, o “Festara”, além de apresentar peças e shows durante todo o ano em espaços públicos. Há também exibições gratuitas de filmes, oficinas de literatura, música, fotografia e outras atrações. E o que se vê é um esforço subumano para preencher todos os lugares disponíveis, quando se deveria ter filas de espera.. Nem a Virada Cultural Paulista, evento que só cresce a cada ano no estado, escapa desse triste fato. Em 2011, segundo a Secretaria Municipal de Cultura, o público araçatubense foi 16% menor do que em 2010.
Por outro lado, festas que duram o fim de semana estão cada vez mais abarrotadas de jovens (e senhores também) que pagam preços altíssimos para terem uma noite de prestígio social, regada a champagne, whisky e muitos flashes. Os que não pagam, passam o mês inteiro se lamentando por não poderem ir. Nada contra aos freqüentadores, afinal, cada um gasta da maneira que melhor entender o dinheiro que sua (ou não) para ganhar. Mas a grande questão é: o que é de graça, na mente de grande parte da população, não tem valor!
É sabido que um cidadão que tem acesso à cultura e absorve-na compreende melhor o mundo em que vive, além de diminuírem as chances deste ir para o mau caminho. Instituições de Araçatuba como o Sesc, o Sesi, a Oficina Silvio Russo e a Secretaria de Cultura sabem disso e, por isso, oferece um leque de opções acessíveis a quem quiser aproveitar.
Entretanto, enquanto o modelo a ser seguido e ensinado pela cidade for aquele estampado nas colunas sociais, as pessoas continuarão sendo classificadas por seus sobrenomes (como faziam com os gados na época em que a cidade ostentava o titulo de “Capital do Boi Gordo”) e o status prevalecerá sobre os valores que definem, de fato, o caráter de um ser humano.

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