segunda-feira, 5 de setembro de 2011

E as fontes que ficam de fora?

Este texto foi indicado pela acadêmica Marina Migliorucci, do 4o. semestre de jornalismo do Centro Universitário Toledo de Araçatuba.
Aluna 'antenada', ela leu 'Jornalismo Opinativo", de José Marques de Melo, e respondeu corretamente a questão 1B da prova que tratava das fontes no jornalismo.
Ao mesmo tempo, aproveitando um caso/polêmica local, decidiu contribuir com nosso edublog com este texto de outros jornalistas especialistas em capacitação de jovens do programa de trainees da Folha de S.Paulo (trabalho bárbaro!).
Leiam, reflitam e opinem: 






Você encontra um especialista muito fera na área de sua cobertura. Um acadêmico que é referência, ou um agente público importante, alguém com muita experiência prática etc.
Encontra o telefone da pessoa, explica sobre o que é a pauta e pergunta se ela pode ceder uns minutos do dia para uma entrevista.
Ela aceita, vocês marcam um horário, a conversa – principalmente em pautas mais aprofundadas – toma um belo tempo do dia dela.
No dia que você disse a ela que a reportagem seria publicada, ela compra o jornal, na expectativa de ver todas aquelas informações que te passou recheando seu texto. Na maioria das vezes, encontra apenas uma frase e sente-se frustrada. Às vezes, nem isso: ela não foi nem sequer citada.
Essa é uma das situações mais comuns em jornalismo. As fontes mais requisitadas, que conhecem melhor o processo de produção de um jornal, sabem que isso é comum e não se importam. Mas aqueles mais reservados, que falam menos com a imprensa, muitas vezes ficam chateados, achando que perderam tempo ao falar tanta coisa boa pr'aquele jornalista.
Por que acontece isso?
Primeiro, porque o espaço no jornal é muito limitado. Às vezes temos que tratar de temas espinhosos, complexos, que mais mereceriam uma tese acadêmica, e condensá-los ao máximo, da forma mais concisa possível, em 40 cm de texto (o que já é considerado um texto "grande" na Folha). Pra se ter uma ideia de como não é NADA, 40 cm equivale a 2.700 caracteres, com espaços, na medição do Word.
Segundo, porque, para fazer uma matéria realmente aprofundada, precisamos ouvir MUITA gente. Precisamos de nos cercar, para ter certeza de que não estamos falando bobagem. E aí, realmente, não cabe todo mundo – senão o texto vira um amontoado de aspas, que não tem fluidez nenhuma, não dá nenhum prazer de ler.
Por isso, quando vocês deixarem um bom entrevistado de fora, vocês podem ter a delicadeza de explicar a ele, depois, que, durante a edição do texto (na maioria das vezes nem feita por você, mas pelo redator ou editor), a informação que ele passou teve que ser cortada. Mas – o que é o mais importante –, sem aquela informação você não teria conseguido embasamento suficiente para fazer aquela matéria.
O entrevistado que fica de fora é tão importante quanto o que entra. E as informações que ele passou estão em cada entrelinha do texto.

* Acrescento: Entretanto, nenhuma fonte pode querer ser maior que o fato.


2 comentários:

  1. Tenho saudades daquele tempo em que eu chegava ao Unitoledo, sentava na primeira cadeira e ficava atenta aos seus ensinamentos. Os anos se passaram e agora estou longe. Não posso assistir as suas aulas, mas eu continuo aqui... aprendendo com você! =D

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  2. Angélica,
    Obrigada pelas palavras de carinho.
    E fica aqui o convite: sempre que vier a Araçatuba, por favor apareça. É sempre bom saber por onde andam e o que tem feito nosso alunos!

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