terça-feira, 6 de setembro de 2011

Em pauta o controle da imprensa

Por Rosa Costa, da Agência Estado

Senador Jarbas Vasconcelos
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) criticou ontem, na tribuna do Senado, a iniciativa aprovada pelo 4º Congresso Nacional do PT de ressuscitar o marco regulatório da mídia. Para ele, “é o nome pomposo para um verdadeiro tribunal da inquisição da comunicação que os petistas querem implantar no Brasil”. Jarbas falou para um plenário que tinha um quórum de apenas cinco senadores, antecipando o recesso branco na Casa, na semana do feriado de 7 de setembro.

O senador disse que “toda vez que algum malfeito petista aparece nas páginas dos jornais e das revistas” a cúpula do PT se apressa em defender a regulamentação da mídia. O senador fazia referência a uma reportagem da revista Veja que mostra ex-ministro da Casa Civil José Dirceu recebendo atuais ministros e parlamentares em um quarto de hotel em Brasília. “O ex-ministro ficou indignado e acusou a revista de espionagem. O fato é que José Dirceu prefere agir — com sempre fez — nas sombras, incógnito, disfarçado, quase um personagem de filmes de espionagem ou de gângsteres, e agora exercendo o papel bem remunerado de consultor-geral da República”, afirmou.

Para Jarbas, esse tipo de comportamento não combina mais com o Brasil dos tempos atuais. Ele citou levantamento da ANJ (Associação Nacional dos Jornais), mostrando o aumento no número de assassinatos de jornalistas no Brasil. "De agosto de 2010 para agosto deste ano, foram registradas cinco mortes em que há indício de ligação com a atividade profissional. No relatório anterior da entidade, que abrangeu um período de dois anos, foi registrado apenas um homicídio, e por motivos não relacionados à profissão", citou.
Outra questão grave, no entender do senador, é a expansão das censuras impostas a veículos de comunicação. “Nos últimos 12 meses, foram 12 casos, contra 19 nos dois anos anteriores”, informou. Citou como exemplo mais grave a censura imposta ao jornal O Estado de S.Paulo, que há 766 dias foi proibido por um desembargador da Justiça Federal de São Paulo de publicar qualquer informação sobre o envolvimento do empresário Fernando Sarney em acusações de tráfico de influência no âmbito do governo federal. O envolvimento do filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi investigado pela Polícia Federal na “Operação Faktor”.
Para ele, se situações como essas acontecem, “há de se imaginar os riscos que corremos, caso o tal marco regulatório do PT seja aprovado. Teremos um Brasil no qual os aliados do governo serão tratados de forma diferenciada, pois não são pessoas comuns, para usar a expressão de Lula sobre o senador José Sarney”, ironizou.
DIVERGÊNCIA
Questionado sobre a retomada do debate sobre regulação da mídia, proposta no Congresso do PT, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, disse ontem que, nesta questão, “a posição do PSB não é a posição que o PT tomou”. Disse ele: “Entendemos que a construção de democracia no Brasil foi feita a muito custo e um dos valores importantes da democracia é a imprensa livre”.
“O grande controle da mídia vai ser feito pela cidadania (grifo meu!). Se vejo uma mídia defender uma causa em que não acredito, simplesmente não consumo aquela mídia, falo mal dela e passo para outra. O grande controle que podemos fazer é dar consciência à sociedade, melhorar a educação e a inclusão para que o cidadão faça este controle, não consumindo a mídia que trabalha com valores que não são de interesse do País”, acrescentou o governador.
Campos evitou comentar a decisão do PT de estimular retomar a proposta de regulação, iniciada no governo Lula. “Eles acharam que era hora de fazer o debate. No nosso congresso, que acontecerá em dezembro, esta questão não está em pauta. Estamos preocupados com a economia, com a pauta da exportação da indústria brasileira, com geração de inovação tecnológica, educação, saúde pública.” Colaborou Luciana Nunes Leal

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