quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O mercado da droga e o domínio sobre o jovem

Por Bruna Bertolino
O uso de substâncias alucinógenas e entorpecentes se torna ato cada vez mais comum entre jovens da sociedade brasileira. Esse mal que tem consumido as pessoas parece se tornar invisível para a maior parte da sociedade, que ignora o problema e acaba o sustentando.

No início das discussões e pesquisas sobre o assunto, acreditava-se que os principais afetados pelo vício eram jovens vindos de famílias desestruturadas, sem carinho, sem pais e sem recursos financeiros. Essa parcela da sociedade é realmente muito atingida pelo problema. Jovens abandonados, muitas vezes sem esperança ou perspectiva de uma vida melhor têm grandes chances de serem aprisionados pelas “substâncias do prazer”. Porém, da mesma forma, famílias bem estruturadas e com poder aquisitivo razoável também se veem no dilema de terem um filho perdido para o mundo das drogas.
Mas, afinal, o que levam os jovens a jogar pela janela a vida, sonhos, esperança, e se envolverem com o consumo, ou o tráfico de entorpecentes? A busca do prazer maior do que a sociedade oferece, o alívio de frustrações e insatisfações com uma sociedade que perdeu seus valores, a falta de limites dentro de casa e na própria sociedade, e a tentativa de preencher um vazio que há no coração e na vida são os motivos primários para o início de uma escolha que pode não ter mais volta. A experiência, no início, pode parecer uma boa opção, mas ser refém de um negócio que movimenta US$ 320 bilhões ao ano, segundo estimativas da ONU, é estar dentro de uma prisão que não libera para o dia dos pais ou para a páscoa, é ser condenado à pena máxima, sem possibilidade de recurso.
Desde 2002, vemos no Brasil manifestações favoráveis ao consumo e venda de drogas, como a marcha da maconha. Em junho de 2011, o movimento foi liberado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os ministros, a ação é legal segundo a Constituição Federal que em seu Artigo 5º garante a liberdade de expressão. Mas ser favorável à venda de uma substância ilícita não seria controverso? Segundo o artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é proibida e passível de punição a venda de substâncias que causam dependência física ou psíquica a crianças e adolescentes. Da mesma forma, a Constituição Federal também proíbe o comércio de drogas. Essa apologia à venda de entorpecentes pode, no início, parecer algo inocente, entretanto, a liberação da maconha seria somente o início da construção de um mundo sem regras, de uma sociedade desestruturada.
Em todo o mundo, cerca de 210 milhões de pessoas, ou 4.8% da população, entre 15 e 64 anos de idade, consumiu alguma substância ilícita pelo menos uma vez. Segundo a ONU, o mercado das drogas ilícitas mata 200 mil pessoas por ano, e esse número tende a crescer. A solução para o problema não é a legalização da venda de uma substância, mas sim trabalhar a retomada de valores básicos da sociedade, que foram esquecidos com o tempo, o que só pode ser feito pela família. Com isso, crianças e os jovens podem transformar essa realidade negativa, onde o mercado da droga domina, em um futuro deferente, melhor.

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