terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sala Aberta

Por Ayne Salviano


Os filósofos segregaram os sofistas por venderem conhecimento. Não levaram em conta que eles ajudaram a disseminar o saber e, desta forma, oportunizaram a melhoria das condições de vida de milhões de pessoas das gerações futuras.

INDÚSTRIA CULTURAL

Quando autores renomados de literatura mundial passaram a publicar suas obras em capítulos nos jornais, lá pelo século 19, sofreram críticas severas porque estariam banalizando a arte de escrever. Naquela época, publicar livros era algo muito difícil e poucos conseguiam, por isso encontraram novos meios. Os críticos não entenderam que foi neste momento que a cultura ficou acessível para uma maior camada da população, que pôde descobrir os romances, contos, poesia. Hoje, ninguém em sã consciência defenderia que a cultura deve ser para poucos privilegiados.

MASSIFICAÇÃO

Quando a notícia tornou-se um produto à venda e os veículos de comunicação tornaram-se ‘de massa’, houve quem também estrilasse. Pouca gente entendeu, naquele momento, que apesar das indústrias da comunicação, a disseminação da informação é capaz de gerar conhecimento, senso crítico e cidadania, basta capacitar o público para ser o quinto poder, aquele que governa Executivo, Legislativo, Judiciário e imprensa.

JORNAL E EDUCAÇÃO

Quando a ANJ (Associação Nacional de Jornais) lançou, em 1992, o PJE (Programa Jornal e Educação) houve quem pensasse pequeno e acreditasse que tratava-se apenas de uma estratégia de marketing para atrair leitores para que eles não abandonassem a leitura do jornal de papel, já que a internet crescia com seus sites e blogs. Não perceberam que ao introduzir esta nova ferramenta na escola, capacitando professores e dando voz aos alunos, a entidade estava ajudando uma área carente que se rebate diariamente em modelos que não têm mais atraído a atenção dos estudantes, que não aceitam mais o ‘cuspe e o giz’, mas principalmente a imobilidade.

FOLHA NA SALA

Entretanto, quando a Folha da Região lançou seu braço social no projeto educacional Folha da Região na Sala de Aula, em 1994, muitos foram os apoiadores da ideia, que por anos trabalharam com a saudosa professora Lúcia Maria Piantino. Educadores e empresas, em número crescente desde então, conseguem enxergar no trabalho um apoio para os profissionais na sala de aula. E não importa que os estudantes estejam no ensino infantil ou no superior, há atividades e incentivo para todos.

LER PARA CRESCER

Em agosto, o agora Ler para Crescer levou a experiência do trabalho com os educadores de Araçatuba e região para o Encontro Nacional de Coordenadores dos Programas de Jornal e Educação da ANJ, ocorrido em Salvador e já citado neste espaço. A minha apresentação para representantes de todas as regiões do país foi muito aplaudida, em especial o trabalho desenvolvido com crianças da educação infantil, que ainda não sabem ler, mas já fazem trabalhos com jornais (e não se trata de artesanato!). As escolas ligadas à Secretaria Municipal de Educação e algumas particulares realizam atividades maravilhosas de contação de histórias, teatro, textos orais, entre outros, a partir das páginas da Folha e do Nossa Vez!. Muitos destes profissionais já compartilharam suas experiências e aprenderam outras nos cursos gratuitos de formação continuada para professores do programa que acontecem desde o ano passado.

DOCUMENTADO

Todo trabalho do Ler para Crescer é documentado, com imagens e palavras. Os encontros com educadores têm justificativa, objetivos, metodologia e atividades. Os cursos são certificados. Em Araçatuba, a Diretoria de Ensino cuidou para que a própria Secretaria do Estado certifique seus professores que estão em aulas, desde o início do segundo semestre, todas as quartas-feiras. Encontros muito prazerosos, diga-se de passagem.

PERSPECTIVA

Todas as ações, orientadas pela ANJ, são tão sérias que os PJEs do País estão mais próximos do MEC e que ninguém se admire se houver parceria formal, em nível nacional, para capacitar professores.

CONSTRUÇÃO

Apesar de todas as conquistas, nosso trabalho está permanentemente em construção. Sempre há o que aprender, sempre há o que melhorar. E todas as ideias são bem-vindas, de educadores, estudantes e da sociedade como um todo. Fica então o convite para todos os educadores: participem das atividades e, depois sim, podem comentar. O contrário é (pre)conceito tão inválido quanto ideias simplistas do passado.






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