terça-feira, 22 de novembro de 2011

A cidade do Jornal de Jales


Nasci e cresci em Jales, de onde sai para fazer faculdade de jornalismo em São Paulo. Retornei em 1990 onde fui 'abraçada' por Deonel Rosa Júnior e seu Jornal de Jales. Por lá fiquei menos de um ano, de experiência riquíssima, que me traz boas novidades até hoje, como este texto, publicado em 23 de outubro de 2011, mas que tomei conhecimento somente hoje.
Preciso esclarecer que não conheço o autor do texto e nenhuma das pessoas que ele cita. Mas fiquei profundamente emocionada. Agora preciso encontrar inspiração para responder à altura. Não acredito que consiga, pois quando a emoçõa brota, o raciocínio foge. Tentarei.
Por enquanto, obrigada Deonel, obrigada Roberto Gonçalves.


Título: A cidade do Jornal de Jales

Linha fina: Então surge a década de 80 e o Jornal de Jales veste nova roupagem e começa fabricar ideias em favor do desenvolvimento de Jales


Euplhy Jalles fundou a Vila Jalles, depois a vila virou Distrito, perdeu um L e viveu o esplendor da emancipação, tornando-se Município de Jales. E surgiu um jornal ( A Comarca de Jales) para lutar pela criação da comarca, precocemente instalada apenas 12 anos após a fundação da vila.

Jales nasceu pelas mãos do homem que fundou o Diário da Região, de Rio Preto. Uma cidade surgida à luz de jornais, numa época de faroeste, onde só faltava a diligência, substituída pelas velhas jardineiras que traziam gente dentro e gente em cima, imagens que ainda vemos nos grotões da Ásia.

Pedro Nogueira, jovem médico eleito prefeito em 1953, vislumbra no rápido desenvolvimento da agricultura a certeza que Jales precisava ampliar seu quadro de professores, médicos, comerciantes, dentistas, advogados, engenheiros, enfim, melhorar o nível da conversa e da educação,sonhando uma cidade culta. Jamais esquecerei as palavras de Pedro Nogueira para uma criança de 9 anos, em 1955, ao encontrá-la com um o jornal Estadão nas mãos: Monteiro Lobato disse que “ uma nação se constrói com homens e livros “. Assim que entreguei o jornal a meu pai, perguntei o significado daquelas palavras e ouvi mais uma sentença sábia: continue lendo jornal diariamente e logo descobrirá a mensagem que o Pedro passou a você!

A década de 60 começa com a grande liderança jovem e moderna de Rollemberg, jovem advogado que também sempre carregava um jornal embaixo do braço, e o desaparecimento de Euplhy, fundador de jornais em Jales e Rio Preto. O grande intelectual de Jales, Edilio Ridolfo, funda a ZY R-237, Rádio Cultura de Jales, substituindo, com a qualidade da área jornalística da emissora, o espaço ocupado pelos jornais nos primeiros vinte anos de Jales.

Embora com várias lideranças políticas e culturais modernas e progressistas, o espírito predominante continuou o chapéu atolado na cabeça, com os atravessadores do café e a nascente pecuária, depois oligarquia do boi, dominando o cenário da cidade. Pobre Jales!

Em 1968, Edson de Freitas, leitor apaixonado de jornais, derrota o atraso e sinaliza novas direções, mas seu MDB não teve estratégias , nem imprensa, para evitar a nefasta volta da Arena com dinheiro no bolso e chicote na mão.

De jornal em jornal, de cabeças modernas e também de gente atrasada, Jales foi vivendo. Hoje, Jales é o Jornal de Jales. Os partidos políticos são coadjuvantes, incapazes de um projeto que mobilize a cidade. Tudo começa no Jornal de Jales, passa pelo Jornal de Jales e acaba logo se o Jornal não puser a mão.

A cidade comemora 40 anos do Jornal de Jales e trinta anos nas mãos do Deonel, quando uma gestão rigorosamente profissional é implantada, colocando o jornal na vanguarda de idéias e uma declaração permanente de amor a Jales.

O Jornal de Jales optou pelo bairrismo radical, sem mergulhar no poço profundo do provincianismo. Ser bairrista é promover o batente de sua porta, mas sustentado na idéia universal de procurar conhecer os batentes do mundo.

Deonel venceu em Jales no primeiro e segundo tempo do jogo. Rasgou a voz no rádio assim que a partida começou. Numa época que radialista tinha aquele vozeirão de barítono pela manhã, mas nem sempre portador de preparo cultural para a função, Deonel introduz no rádio, através de sua inteligência exuberante, o melhor jornalismo falado que a cidade conheceu.

Como todo intelectual, Deonel começou cedo. Em Olimpia, sua terra natal, pouco antes de chegar a Jales, envolveu-se com os Orientadores Sociais do SESC que visitaram a cidade, promovendo, através da Unidade Móvel de Orientação Social (Unimos) atividades culturais, sociais, esportivas, em conjunto, revelando-se, segundo depoimento de Carlito Ferraz, um dos maiores animadores culturais encontrados no Estado de São Paulo. Outro Orientador Social da equipe, Danilo, é hoje o Diretor Geral do SESC no Estado de São Paulo e várias vezes cita Deonel como pessoa inesquecível no trabalho realizado em Olimpia.

Então surge a década de 80 e o Jornal de Jales veste nova roupagem e começa fabricar idéias em favor do desenvolvimento de Jales, em defesa da ética e da cidadania, enfiando o nariz em todas manifestações culturais da cidade, sempre a favor do talento e dos excluídos, sem concessões às elites atrasadas.

Nas mãos de Deonel, o JJ desenvolve a difícil arte de sobrevivência, pisando em cristais, equilibrando-se numa corda bamba. Todo mundo que passou por jornal sabe que exercer a profissão de jornalista é a difícil arte de engolir sapos. Numa cidade do porte de Jales, onde as relações pessoais são mais próximas, Deonel conseguiu engolir o sapo como aperitivo e depois, cobras, lagartos e jacarés na refeição principal. E hoje exibe o sorriso de Monalisa em sua vitória definitiva.

Conseguiu rechear as páginas do JJ com o melhor talento de pratas da casa. Não precisou, como acontece com vários jornais do Brasil, pedir socorro a articulistas que nada tem a ver com a cidade. Também não precisou buscar Professor Pasquale. Alcides Silva, maior filólogo do Brasil, abastece, através do JJ, todos cérebros que buscam entender a complicada língua portuguesa.

O JJ revelou o monumental Fábio Fiorani, filho do Raul e neto do Moreno, personagens exemplares na história de Jales. Fábio é a maior prova que humor se escreve com alegria, desmentindo todos articulistas de humor que escrevem com raiva. É impossível fazer humor se viver de mal com a vida.

Ayne Regina, melhor texto produzido pelo JJ, foi elogiada por nada menos que Hilda Jobim(prima do eterno Tom Jobim), minha vizinha por vinte anos e professora de Redação nos melhores cursos do Brasil. Aliás, também devo a Ayne um elogio, guardado desde os primeiros textos. As redações de Ayne, porque qualquer artigo ou reportagem é sempre uma redação, tem começo, meio e fim. Escrever com introdução, desenvolvimento e conclusão é o máximo da genialidade. Ayne é assim!


De repente, explodiu no JJ uma jovem que conhecia pelas colunas sociais. Enveredou escrever o cotidiano das emoções e deu certo. Hoje, Luiza Elizabeth é uma articulista respeitada e procurada pelos leitores. Confesso que seus artigos não devem nada a grandes artigos de meus colegas psicanalistas. Não utiliza os ganchos acadêmicos, mas agrada e convence na simplicidade de seu texto. É impossível, hoje, abrir o JJ e não procurar logo a Luiza Elizabeth, sempre manifestando uma declaração desesperada de amor à vida. Ainda não tive o prazer de conhecê-la pessoalmente, mas tenho a honra de ser seu leitor assíduo.

Marco Poletto anda sumido, mas foi revelado, para sempre, pelo JJ. Como é meu sobrinho, sou suspeito para elogiá-lo, mas devo confessar que ninguém escreve como ele nessa cidade.

O Contexto, maior invenção do Deonel foi muito elogiado por Ana Tavares, quando trabalhava na Folha de S. Paulo e posteriormente no escritório de FHC, quando dividimos sala com José Aparecido, já falecido, outro leitor apaixonado do JJ na década de 80.

O editorial do JJ “Maníacos do Civismo”, referindo-se a Caminhada 9 de Julho, em 2007, foi parar nas mãos dos Mesquita, recebendo elogios e servindo de incentivo para o Estadão continuar na luta pela defesa eterna de nossa Revolução Constitucionalista.

O Jornal de Jales é hoje o maior partido de Jales. Bendita a cidade que tem jornais e gostaria também de saudar os heróis Roberto Carvalho e Franlei Machado, diretores de jornais que fazem, assim como Deonel, a melhor história de nossa cidade.



Roberto Gonçalves
(jalesense radicado em São José dos Campos /cientista político)
http://www.jornaldejales.com.br/?require=noticias&codigonoticia=174&codigocaderno=14

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