quarta-feira, 23 de novembro de 2011






Hoje pela manhã fui procurada por um aluno, Marcelo. Queria me entrevistar sobre fotojornalismo. Não é minha especialidade, embora seja uma paixão. Não faço as fotos, mas consigo admirá-las e, muitas, mas muitas vezes mesmo, concordar que não é preciso acrescentar uma só palavra para explicar/narrar um fato. Tenho a maior admiração pelos repórteres-fotográficos. Antes da entrevista pela manhã, Marcelo e eu conversamos muito, sobre várias fotos, histórias e filmes. Decidi compartilhar um pouco aqui com vocês na esperança de 'ouvi-lo' e saber de outras histórias.

A menina do Vietnã


Em 8 de junho de 1972, um avião norte-americano bombardeou a população de Trang Bang com napalm. Ali encontrava-se Kim Phuc e sua família. Com sua roupa em chamas, a menina de nove anos corria em meio ao povo desesperado e no momento que suas roupas tinham sido consumidas, o fotógrafo Nic Ut registou a famosa imagem. Depois, Nic levou-a para um hospital onde ela permaneceu por durante 14 meses sendo submetida a 17 operações de enxerto de pele. Qualquer um que vê essa fotografia, mesmo que menos sensível, poderá ver a profundidade do sofrimento, a desesperança, a dor humana na guerra, especialmente para as crianças. Hoje em dia Pham Thi Kim Phuc está casada, com 2 filhos e reside no Canadá onde preside a "Fundação Kim Phuc", dedicada a ajudar as crianças vítimas da guerra e é embaixadora da UNESCO.


A pergunta de Marcelo era: Os fotógrafos devem interferir nos fatos? Uma vez ouvi Nic Ut em entrevista responder a esta mesma questão. Para ele, o papel do fotógrafo é registrar o fato. Só depois que ele tinha feito o seu trabalho, ajudou levando a garota para o hospital. Mas outros fotógrafos não conseguem fazer o que ele fez, seja por falta de tempo ou oportunidade. A pergunta é: perder a foto e ajudar ou não ajudar e registrar?

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