terça-feira, 26 de julho de 2011

Jornalista condenado a pagar indenização para juiz

Comunicadores de plantão, cuidado: comentários infundados, sensacionalismo exagerado (desculpem a redundância), mas especialmente, falta de informação e comprovação dos fatos antes das divulgações são motivos suficientes para ações e mais ações na Justiça. Pensem antes de agir. Jornalismo se faz com o cérebro e não com o estômago!

O apresentador da Rede Record, José Luiz Datena, recebeu uma péssima notícia: o jornalista foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em segunda instância a indenizar o juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira em nada menos que R$ 60 mil. A briga entre os dois, que já durava 13 anos, foi motivada por comentários feitos pelo apresentador sobre um processo contra Ferreira, iniciado em 1999.


Jornalista José Luiz Datena

O juiz foi acusado pela imprensa de mandar crianças para o exterior em troca de dinheiro, facilitando de forma suspeita a adoção internacional de menores. Chegou-se a criar uma CPI para investigar o caso, mas as acusações nunca foram provadas. Além de Datena, que recebeu ação por danos morais após comentar a notícia, o ex-juiz processou vários veículos de comunicação. Segundo consta no processo, Datena teria afirmado em seu programa da Record, onde ficou famoso por narrar dramas do cotidiano, que "isso parece um caso claro de tráfico de menores" e que as crianças em questão "foram praticamente contrabandeadas para fora do país". O advogado do apresentador, Eduardo Leite, confirmou a decisão judicial e disse que irá recorrer.

Recentemente recontratado, o jornalista vem fazendo comentários que indicam sua insatisfação na empresa do bispo Edir Macedo, onde recebe um salário de R$ 1,3 milhão por mês, provocando certo incômodo na emissora. Recentemente, o apresentador reclamou ao vivo o fato de realizar novamente uma gravação “Vai ficar mais caro hein... vou sair daqui e levar o contrato pra mudar”, provocou Datena. O apresentador revelou que não descarta a possibilidade de voltar à Band, onde trabalhava desde 2003, e que o assunto já teria sido inclusive conversado com Johnny Saad, dono da emissora, mas que uma reviravolta seria difícil.

Caco Barcellos, emocionante!

Sou admiradora do trabalho de Caco Barcellos desde o início da profissão dele. Quando li "Rota 66", no primeiro ano de faculdade em São Paulo, acabei elegendo-o como um modelo de coragem e justiça dentro da nossa profissão. Indico esse livro até hoje para todo estudante de jornalismo que quer aprender, de verdade, o que é jornalismo investigativo.

Quando pude revê-lo, no Centro Universitário Toledo de Araçatuba, meses atrás, as palavras dele para os jovens repórteres que o cercaram na entrevista coletiva e, depois, sua fala no auditório tomado confirmaram: poucos, como ele, poderiam realmente ensinar aos novatos sobre a profissão. Ele é especial.
Por tudo isso, fica fácil entender porque gosto de acompanhar o "Profissão Repórter". De alguns programas gosto mais, de outros, fico remoendo tudo o que poderia ter sido feito e não foi (ou não foi ao ar).
Mas, a edição da semana passada me emocionou especialmente. Vi um Caco Barcellos, repórter que cobriu a morte de perto tantas vezes, ficar impotente diante de crianças de 8, 9 , 10 anos, consumidas pelas drogas, especialmente o crack.
O olhar espantado, o microfone baixo, a humildade de atender o pedido de um garoto que queria privacidade com a assistente social, tudo me mostrou como anos da nossa profissão não nos calejam, não tiram de nós o espanto, a indignação e o pesar diante das tristezas do mundo.
Há muitas histórias para contar, e não há como sair ileso depois que cobrimos estas histórias.
Assistam: http://g1.globo.com/videos/profissao-reporter/

Jornalista ameaçado

Mais um caso que comprova que nossa profissão é de alto risco e, muitas vezes, estamos completamente desprotegidos diante da truculência de quem deve à sociedade.



Por Gabriela Guerreiro - Folhapress

O Senado arquivou o pedido de advertência e censura ao senador Roberto Requião (PMDB-PR) por ter ameaçado um jornalista depois de tomar o gravador de suas mãos, em abril deste ano. O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), acatou parecer da Advocacia do Senado que recomendou o arquivamento.

Senador Roberto Requião

No parecer, os advogados Hugo Souto Kalil, Fernando Cunha e Alberto Cascais afirmam que o pedido apresentado pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal contra Requião não atende aos requisitos previstos pela instituição para punir o parlamentar. Os advogados afirmam que não há provas de que Requião agrediu o jornalista Victor Boyadjian, da Rádio Bandeirantes — embora o repórter tenha gravado o trecho da entrevista na qual o senador toma o gravador de suas mãos.

“O sindicato imputou ao senador representado apenas os seguintes fatos: apropriação indevida de aparelho gravador utilizado pelo jornalista, ameaça de agressão física com os dizeres: ‘você quer apanhar?’ e chacota pública do profissional na internet ao chamá-lo de ‘engraçadinho’. Todavia, a narração dos fatos mostra-se deficiente apara o seu enquadramento como infração ética”, diz o parecer.

Conselho de ética

A Advocacia do Senado afirma que o sindicato deveria ter encaminhado a representação ao Conselho de Ética da Casa, uma vez que Sarney não tem “poderes” para determinar punições aos parlamentares antes do “devido processo legal com o respeito das garantias do contraditório e da ampla defesa”.

Outra falha do pedido, segundo os advogados, está na ilegitimidade do sindicato para representar contra Requião — prerrogativa apenas da Mesa Diretora do Senado e de partidos políticos com representação no Congresso.